CLUBE DO LIVRA-TE ◾
SEM AMOR, ALICE OSEMAN
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Fotografia da minha autoria |
«O que haverá de errado comigo?»
Avisos de Conteúdo: Sexo, Preconceito, Referência a Relacionamentos Tóxicos e Bullying
O romance entra nas nossas vidas relativamente cedo: seja pelas histórias das princesas, seja pelas convenções sociais. Portanto, construímos as nossas personalidades com a certeza de só sermos inteiros quando o vivermos. O que ninguém nos conta, porque distancia-se da norma, é que nem todos queremos o mesmo e que não existe algo de mal nisso. E seria muito melhor se desconstruíssemos essas verdades absolutas que nos limitam. Por esse motivo é que livros como os de Alice Osemam são tão imprescindíveis.
AS CONVENÇÕES QUE NOS PESAM
Sem Amor centra-se em Georgia, a um passo de ingressar na Universidade de Durham, em Inglaterra, prestes a ceder a um dilema bastante emocional: para além de nunca ter beijado alguém, também nunca se apaixonou. Na teoria, entendia o mecanismo, sabia o que procurar e tinha paciência suficiente para esperar pela pessoa certa. Na prática, começou a perceber que o seu corpo reagia de outra maneira, o que a levou a afundar-se num mar de dúvidas profundas e desconcertantes e a acreditar que se passaria algo de muito errado consigo.
«Ele foi a primeira pessoa que conheci com a qual
podia ficar sentada em silêncio sem que isso fosse confrangedor»
Torna-se, então, evidente, que o enredo explorará o peso dos rótulos e dos costumes/das certezas enraizadas na sociedade, porque crescemos a sentir que a nossa vida tem de seguir determinados parâmetros, caso contrário, seremos catalogados como diferentes, estranhos ou pior. Assim, a autora transportar-nos-á para o impacto dessas imposições, para os preconceitos que ainda ocupam um lugar de destaque nos comportamentos humano e para um conjunto de convições que condicionarão a jornada da protagonista.
«Sentia-me mesmo bastante sozinha e queria ser amada»
Gostava que, em certas partes, não fosse repetitivo, mas, por outro lado, talvez seja necessário repetir ideias, sensações, frustrações, conflitos internos e o desnorte transversal ao processo reflexivo, para que entendamos que não é justo reduzirmos os outros para que caibam numa caixa, para que percebamos que não é correto fazemo-los sentirem-se uma merda, apenas porque não traçam um percurso normativo, já que isso é um total desrespeito para com a sua individualidade e identidade. Portanto, urge discutirmos todas estas questões.
QUANDO TENTAMOS DESCOBRIR QUEM SOMOS
Embarcando numa viagem de descoberta pessoal, é percetível o cuidado de Alice Oseman na construção da narrativa, visto que aborda conceitos que podem não ser do conhecimento geral. No entanto, inclui-nos a todos, sem nos desamparar nas suas aprendizagens. E com os sentimentos à flor da pele, leva-nos a refletir sobre tudo aquilo que assumimos como garantido, ao mesmo tempo que desperta a nossa consciência para relacionamentos que tendem a ficar ocultos: os de pura amizade. Apesar de nos fazerem acreditar que só existe um modo de amarmos os outros, com este livro temos argumentos suficientes para comprovar que não.
«Queria que ele arrancasse o gesso. Pusesse o osso no seu devido lugar.
Queria que ele me endireitasse. Mas já sabia que não havia nada para endireitar».
Haverá, certamente, muitas raparigas como a Georgia à procura de algo que não lhes serve, porque lhes foi incutido um propósito universal. Contudo, a sua experiência abre-lhes uma nova porta, mostrando-lhes que, para além de não estarem erradas, não têm de se sentir culpadas por quererem ou por sentirem coisas distintas. Desconstruindo a obsessão e os preconceitos dentro de uma comunidade, alerta-nos, ainda, para a importância da comunicação e para o suporte daqueles que podem ter passado por inseguranças semelhantes. É nesta partilha que ampliamos a representatividade e tornamos o mundo num local mais seguro e agregador.
«Dá às tuas amizades a magia que darias
a um romance. Porque elas são igualmente importantes»
Sem Amor é uma ode à aceitação, sobretudo, no que concerne à sexualidade. E é uma carta aberta para a urgência de sermos empáticos, inclusivos e conscientes acerca do tempo de cada um. Se calhar, não concordo com o título a cem porcento, porque há muito amor a envolver as personagens, mesmo que demorem a descobri-lo, mas entendo a mensagem subliminar. Que história pertinente! Confesso que me comovi com as barreiras que se quebraram e com a honestidade. Afinal, há elos que nos amparam de possíveis abismos.
Vou guardar a sugestão!
ResponderEliminarIsabel Sá
Bri
Boas leituras, Isa!
EliminarNão conhecia este livro, obrigada pela sugestão. Fiquei curiosa para ler.
ResponderEliminarBeijinho grande, minha querida!
Foi, recentemente, traduzido e publicado pela Desrotina. Aconselho, minha querida
EliminarUma bela sugestão de leitura. Acredito que seja um livro muito interessante de ler
ResponderEliminar.
Uma semana feliz
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Pensamentos e Devaneios Poéticos
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Bastante, Ricardo :)
EliminarObrigada e igualmente
Muito obrigada pela partilha desta sugestao :) Vai ja para a minha lista de leituras do kindle *.*
ResponderEliminarAww, que bom! Boas leituras *-*
EliminarUm livro bem interessante.
ResponderEliminarUm abraço e tenha uma boa semana.
Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados
É mesmo, Francisco!
EliminarObrigada e igualmente
Que ainda não conhecia de todo esse livro, mas vou levar como sugestão
ResponderEliminarBeijinhos
Novo post
Tem Post Novos Diariamente
Aconselho, Sofia. Aborda temas muito pertinentes
EliminarTambém quero imenso ler este livro.
ResponderEliminarLê, é maravilhoso *-*
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