Entre Margens

«Eu acredito nas pessoas e acima de tudo no amor. Homossexuais ou não, pouco me importa, o que me importa é que são pessoas que amam e podem amar. E muito.


Sou psicóloga. Já me perguntaram qual é a minha a opinião sobre a adopção/co-adopção por casais homossexuais. E a minha resposta é tão natural como o facto de me levantar todos os dias. Sou a favor! E há quem faça um ar espantado e até chocado. E pronto! Começa aqui a bola de explicações de pontos de vista.

Há certos assuntos, que não me atrevo a comentar, sem pensar e reflectir sobre eles. Considero-os demasiado sérios, para serem falados que nem conversa de café. Para além disto, estes assuntos, e principalmente a opinião que temos sobre eles, definem uma parte do que somos e queremos ser enquanto seres humanos neste mundo. Por isso, só depois de algumas conversas com os meus botões é que comecei a dar a minha opinião sobre este assunto.

Sou a favor da adopção de crianças por casais homossexuais, tal como sou a favor de qualquer casal ou pessoa, que decide num dos maiores gestos de amor que existem, adoptar uma criança e torná-la sua. Tão sua, que as relações de amor fazem esquecer qualquer não relação biológica.

Acredito que o amor é a base de tudo. Como tal, apoio as pessoas que alimentam com amor o crescimento de uma criança. Aliás, não digo nada que não tenha sido enunciado na teoria da vinculação de Bowlby e Ainsworth, que realçam a ligação entre a qualidade da vinculação durante a infância e as várias áreas do desenvolvimento social, cognitivo e emocional. A vinculação, neste contexto, é a necessidade de os indivíduos desenvolverem ligações afectivas de proximidade, com o objectivo de atingirem a segurança, que permite a exploração do eu, dos outros e do mundo, com confiança. Este processo influencia o desenvolvimento em geral e a saúde mental em particular.

E dizem vocês: “Isso é muito bonito, mas e quando as crianças forem para a escola? Vão ser vítimas de preconceito!”. Talvez. Mas cabe a nós, ao sistema social e à escola combater o preconceito e lidar com a questão de uma forma simples. Porque não juntar os meninos para fazer um trabalho sobre famílias, ou porque não contar uma história em que o/a protagonista, são filhos de pais homossexuais, ou só de um pai? Porque não explicar que todos somos diferentes?

Eu gosto de pão, o Zé não. Eu gosto de rapazes com pinta de surfistas, a Ana de raparigas com ar intelectual. E vocês acrescentam: “Mas se a criança tem pais homossexuais, vai ser homossexual” E vocês? São iguais aos vossos pais? Gostam de tudo o que eles gostam? Dizem tudo o que eles dizem? Então os filhos de pais criminosos, drogados, médicos ou advogados, também o vão ser, certo?

Concordo com uma análise e um acompanhamento de todos os casos de adopção, no sentido de ver se a família, seja de que tipo for, está preparada e tem condições para fazer crescer saudavelmente uma criança. Não estou de acordo com o facto de as crianças ficarem institucionalizadas, muitas vezes sem carinho, amor e sem perspectivas de futuro.

Eu acredito nas pessoas e acima de tudo no amor. Homossexuais ou não, pouco me importa, o que me importa é que são pessoas que amam e podem amar. E muito». (Isabel Cunha, aqui)


Muito pouco haverá a acrescentar. E posso afirmar que tudo aquilo que defendo não acrescenta algo de novo, apenas representa a mesma ideia só que por outras palavras. Mas sinto que é preciso reforçar que a base de tudo isto é mesmo o amor. Não a cor de pele, dos olhos, a altura, o peso, a orientação sexual. Mas sim o amor. Puro e incondicional. O amor que nos faz agir com o coração aberto e disponível para receber e cuidar de alguém. 

Sou a favor! Porque também acredito no amor. Porque também acredito nas pessoas. E porque também acredito que adotar é das atitudes mais nobres e mais cheias de humanidade que podem existir. E isso é independente da orientação sexual, porque ninguém é menos humano por ser homo ou heterossexual. Os valores não são inerentes a isso. E por muito que alguém se ache digno de julgar seja o que for, não cabe a nenhum de nós pôr em causa o amor de alguém só porque quebra estereótipos. Porque não fazem parte daquilo que é considerado a realidade «normal». Aquilo que, para mim, não é normal é pôr-se em causa o futuro de uma criança porque em pleno século vinte e um ainda se tem uma mentalidade pré-histórica. 

Nunca conseguirei compreender que sociedade é esta que prefere ver crianças institucionalizadas a deixá-las viver numa casa que possa ser chamada de lar. Onde encontrem amor. Proteção. Compreensão. Carinho. Um futuro. Uma família. Numa das cadeiras de opção que tive no terceiro ano de faculdade um dos tópicos de debate era precisamente este. E uma das questões que me acompanhava na altura é a mesma que ainda hoje permanece: porquê? Porquê privá-las disso? Se me dizem que uma criança que seja educada por pais homossexuais tem tendência a ser também ela homossexual, a minha pergunta continuará a ser «e quantas crianças criadas por pais heterossexuais são, efetivamente, homossexuais?». Posso concordar que a tendência seja tentar reproduzir aquilo que nos é mais familiar, mas se partirmos dessa ordem de ideias, e como foi referido na crónica de Isabel Cunha, o filho de um criminoso seguirá as tendências do seu progenitor. O que não é necessariamente verdade. 

Optamos por viver dentro de uma bolha e escolhemos refugiarmo-nos em desculpas em vez de tentarmos quebrar barreiras. As pessoas conseguem ser genuinamente más e pouco dadas a mudanças, talvez por isso nos continuemos a esconder atrás de argumentos como «a sociedade não está preparada». Não está ou não quer? Cada vez mais me convenço que é a segunda opção. Enquanto adultos cabe-nos a nós lutar pelo bem das nossas crianças. E por melhores condições que uma instituição apresente não acredito que seja a opção mais favorável. Todos nós gostamos de ter uma família, alguém que nos acolha quando o dia corre mal, que nos limpe as lágrimas quando a dor é demasiado forte, que ria connosco sem motivo aparente, que nos abrace quando a saudade aperta, que nos chame à atenção quando erramos, porque isso é sinal de interesse, preocupação, amor. As crianças institucionalizadas também. Não são diferentes daquilo que nós somos. Só não tiveram a mesma sorte. Mas até isso pode mudar se realmente nos preocuparmos mais com o seu bem-estar do que com as aparências. E no que se trata a este tema, infelizmente, continuaremos a ficar mal vistos.

Caímos estupidamente no erro de recusar uma nova realidade a compreende-la. Apresentamos falsas preocupações quando o que nos preocupa não é o facto de a criança vir a ser vítima de preconceito na escola, mas sim a nossa auto-estima. Que não quer ser ferida ao reconhecer que há várias formas de amor e que a nossa, seguramente, não é a única. Naturalmente que, quando falo no plural, não me refiro a todas as pessoas, porque felizmente há quem tenha uma mentalidade suficientemente aberta para compreender que acima do seu ego e das suas inseguranças está algo muito mais importante. E a adoção, seguramente, é mil vezes mais importante que isso, por ser um assunto sério e sem margem para brincadeiras.  

Uma criança, ainda que esteja institucionalizada, não deve ser entregue a qualquer família, como se se tratasse de um saco de compras que uma empresa leva a casa quando o cliente assim o solicita. O acompanhamento deve ser feito, para realmente se compreender até que ponto aquela família está preparada para acolher aquela criança. Mas isso deve acontecer sempre, porque é a segurança daquele ser humano que está em causa. Não deve só ser feita porque o casal que se predispõe a adotar, curiosamente, é do mesmo sexo. Assim como os valores não se reconhecem através das roupas de marca, dos carros último modelo guardados na garagem, o amor também não é menor se a família em questão for homossexual. Não é isso que descredibiliza, que tira o mérito, que nos torna melhores ou piores pessoas. Isso é o nosso caráter que o faz. E quando as pessoas têm caráter não há nada a temer.

O processo de adaptação só é complicado se assim o permitirmos. Mas as crianças são resilientes. E ainda que não acredite, de todo, que ser adotado por um casal homossexual seja motivo de trauma, as crianças são capazes de recuperar se tiverem um sistema de apoio que lhes permita isso. Além de que muitas vezes nos esquecemos de um aspeto fundamental: mesmo que as crianças também consigam ser más, são muito mais livres de preconceitos do que nós. E aceitam com muito mais facilidade a mudança e novas realidades, desde que lhes sejam explicadas convenientemente. Nós é que tendemos a dramatizar, a colocar problemas onde não existem, e com isso acabamos por pôr em causa o futuro de alguém.    

Quero acreditar num futuro onde passaremos a discutir os direitos humanos na vertente onde realmente importa. Porque a mim assusta-me muito mais que se faça de conta que não existe exploração infantil, crianças a serem maltratadas a toda a hora, muitas vezes pelos pais biológicos, abandonadas, sem condições de futuro; esquecidas e impedidas de sonhar. Não me incomoda nem me assusta se um dia for passear na rua e vir um casal homossexual com uma criança nos braços, muito pelo contrário. Ficarei mais descansada, porque é sinal de que estamos a evoluir, a crescer, a lutar por e pelas pessoas. E este é o país onde quero viver, sem preconceitos, onde a diferença faz a diferença por ser sinal de avanço e não de retrocesso.      

Adotar é amor. E eu acredito no amor. E acredito que, por maior que seja a causa, vencerá sempre. Independentemente de opiniões politicas, aspeto físico ou orientações sexuais. Porque valerá sempre a pena lutar por amor.   

Tenho um armário cheio de filmes que me lembro de ver horas e horas seguidas. E em todas elas era como se os visse pela primeira vez. Recordo-me de chorar em muitos deles, mas também de me rir até não aguentar as dores de barriga. A maior parte é da Disney e sei que, independentemente da história, todos eles me fizeram sonhar. 

Walt Disney significa magia, mas também infância. Significa a magia da minha infância. As horas que passava em frente à televisão a viver aquelas histórias como se fossem parte de mim. Todas as lágrimas que se formavam nos meus olhos, a gargalhada estridente em todas as patifarias, a vontade de abraçar cada uma das personagens, de as proteger, de as mimar. Significa inocência e um desejo imenso de voltar atrás no tempo. 

Ainda que não goste de viver do passado, precisamente porque já passou e o que interessa é o agora, sempre fui bastante saudosistas. Porque há alturas da vida que, por terem sido tão bonitas, faz bem ao coração relembrá-las. E eu gosto de tudo aquilo que me faz recordar momentos felizes. Nem que sejam cinco minutos. Serão os melhores, por serem sobre algo que faz eriçar a pele pelo encanto. Por nos prender a atenção. Por nos transportar para um mundo extraordinariamente fabuloso. 

Cinco minutos e quarenta e sete segundos foram suficientes para me fazerem viajar a toda a velocidade para uma parte da minha vida que guardo com imenso carinho. Fechei os olhos e senti-me novamente criança. Senti o coração a palpitar com mais intensidade. E sorri, por toda a felicidade que aquelas músicas representam. E se há filmes que queremos ver vezes e vezes sem conta, há vídeos que seguem o mesmo caminho. Por serem igualmente mágicos. 

«Aumenta o volume. Fecha os olhos. E viaja!»

  

«Depressa! O tempo foge e arrasta-nos consigo. O momento em que falo já está longe de mim»


Já não é a primeira vez que o digo: há dias em que sinto o tempo a desaparecer por entre os meus dedos. Com o tempo fui compreendendo que isso não é, necessariamente, algo que nos deva preocupar. Passa porque tem que ser assim. Porque os ponteiros do relógio não deixam de rodar eternamente. E é bom quando não se cai no erro de contar as horas e se espera que, por qualquer razão, o tempo se atrase e nos deixe presos na ilusão de durar mais um bocadinho. O tempo avança para nos fazer avançar. E quando, futuramente, relembrarmos um momento que em tempos nos encheu o coração compreenderemos que permanecem além das doze badaladas. E são mais aqueles que nos esperam. Por isso o tempo foge: para sabermos viver sem nos prendermos ao relógio.

Quinta-feira foi dia de festa académica, organizada pela Cantuna (Tuna Feminina da Escola Superior de Educação do Porto). Em jeito de preparação para Maio, organizaram a Queima d'Inverno. E como «o que se passa na Queima fica na Queima» só vos digo que a noite não podia ter sido melhor. E em melhor companhia. Sexta-feira à tarde fui à minha primeira visita no voluntariado. Mas sobre isto, tal como já vos tinha prometido, falarei noutra altura, com o devido foque. Além disso, segunda tive frequência e hoje também, por isso a semana foi preenchida.

Andei um pouco ausente, mas aquece o coração cá voltar e ver que tenho uma surpresa à minha espera. O Liebster Award é atribuído por bloggers a outros bloggers. Só que há uma particularidade, é que esses blogues têm que ter menos de 200 seguidores. O objetivo é ficar a conhece-los, assim como à pessoa que o escreve. E consiste no seguinte: partilhar 11 factos sobre ti e responder às 11 perguntas que a pessoa que te nomeou fez; depois disso nomeias outros 11 blogs que tenham menos de 200 seguidores e fazes tu as tuas próprias perguntas.

Quero agradecer à Magda Carvalho, do blog Rêtro Vintage Maggie, à Daniela Marinho, do blog Infinity e à Patrícia P., do blog A minha pequena vogue por me terem nomeado. Foram muito queridas e é sempre bom receber estes mimos, pois dão ainda mais vontade de continuar por aqui. Como a Magda não deixou nenhuma pergunta, não estranhem só verem as respostas às que a Daniela e a Patrícia fizeram. Tenho que vos confessar uma coisa: nestes desafios nunca consigo destacar um blog em vez do outro, porque todos me dizem alguma coisa. Caso contrário não estaria a segui-lo. Portanto, nomeio-os a todos, com todo o meu coração, mesmo que tenham ultrapassado o limite de 200 seguidores. E as perguntas são as mesmas que me fizeram a mim (podem escolher as primeiras 11 ou as segundas)

Após a explicação, deixo-vos o que realmente importa.


Onze factos sobre mim: 
1º Desde pequena que quero ser educadora e/ou escritora.
2º Adoro chocolate (de preferência preto com menta).
3º As minhas cores favoritas são o azul e o verde.
4º Não gosto de praia.
 5º Adoro dançar.
6º Emociono-me com facilidade, seja a ver um filme (até pode ser infantil), uma série ou a ler um livro.
7º Quero muito aprender a tocar guitarra.
8º Se pudesse (além de ter uma biblioteca em casa), tinha uma vasta coleção de relógios. Quanto maiores forem melhor. É por isso que gosto tanto de relógios de homem (além de gostar de alguns perfumes). 
9º Escrever e fotografar são mesmo duas paixões que me completam.
10º Quero comprar uma Canon 600D. Tornar-me sócia do Futebol Clube do Porto. Comprar a nova camisola do Quaresma (não necessariamente por esta ordem).
11º Não passo um dia sem ouvir música.


Vou começar pelas perguntas da Patrícia: 

1 - Qual a tua peça de roupa preferida do armário?
Apesar de não o usar muitas vezes, o vestido dos meus 18 anos. 

2 - O que gostas mais do país em que moras?
Gosto das pessoas, porque sabem acolher; das paisagens que nos tiram o ar, por toda a sua beleza; da gastronomia, que nos faz sentir em casa.

3 - Qual o filme da tua vida?
«A walk to remember». 

4 - Qual é o teu maior defeito?
Sou muito teimosa (o que nem sempre é um defeito), mas também me entrego demasiado às pessoas (o que nem sempre é uma qualidade). 

5 - Qual a maior qualidade que admiras numa pessoa?
A sinceridade. A capacidade de permanecerem mesmo quando as coisas não correm bem. Saberem rir-se de si próprias, não se levando tão a sério. (façam de conta que não enumerei três qualidades, mas apenas uma como era pedido)

6 - Qual é a melhor oferta que te poderiam dar agora?
Se for a nível de lazer, um bilhete para ir ver o jogo do Porto (ou a camisola do Quaresma, ou até mesmo a Canon); se for a nível profissional, uma vaga num infantário como educadora assim que terminar o curso. 
7 - Qual é o teu maior medo?
Levar-me demasiado a sério, não saber aproveitar a vida da melhor maneira (com os meus sempre por perto) e olhar para trás e arrepender-me do que não fiz. 

8 - Qual é a maior certeza da tua vida?
Que sou feliz e tenho a melhor família e os melhores amigos que podia desejar. 

9 - Qual o homem de sonho?
Sincero, divertido, que não se impeça de sonhar e tenha objetivos de vida; com uma boa gargalhada e um sorriso largo. Pode ter muitos defeitos, mas que tenha acima de tudo um bom coração e que me ame na mesma proporção que eu. 
10 - Sapatos altos ou sapatilhas?
Sapatilhas, sem dúvida.

11 - Qual o perfume que te identifica?
Dolce & Gabbana Light Blue


Agora vêm as da Daniela:

1- Qual o impacto do blogue na tua vida?
É um refúgio. Onde posso desabafar, se me apetecer, ou apenas partilhar algo que goste, os meus textos, o que me vai coração. 

2- O que sentes quando recebes comentários que vão, exatamente, de encontro aquilo que quiseste expressar?
Para além de sentir que fui clara no que escrevi, também é sinal de que a pessoa perdeu algum do seu tempo a ler, que compreendeu e que se preocupou.

3- Qual o teu maior medo?
A resposta é a mesma que dei na terceira pergunta da Patrícia. 

4- Se pudesses escrever um livro sobre a tua vida, que título darias?
Sempre quis escrever um livro, mas na realidade nunca pensei num nome. A primeira ideia que tive foi o nome do meu outro blog: «Parte do que sou», mas agora talvez fizesse mais sentido «As gavetas da minha casa encantada», porque aquilo que escrevo, além de ser parte de mim, vem de cada uma das partes do meu coração. E mesmo que feche uma gaveta no final do texto ele continua lá, assim como tudo o que lá escrevi.

5- Qual a música da tua vida?
«Nunca me esqueci de ti», de Rui Veloso.
6- Gostarias que a vida tivesse opção de "replay"? Porquê?
Há alturas em que sim, porque gostava de reviver momentos que significaram imenso, ou, então, situações que gostava de alterar. Por outro lado, penso que deixariam de ter tanto impacto se os pudesse viver sempre que quisesse. E aquilo que sou hoje deve-se a todas as decisões que tomei nessas situações, foi com elas que aprendi. 
7- Acreditas no amor à primeira vista? E em amores de verão?
Acredito em química à primeira vista. Amor não. O amor é demasiado complexo para crescer assim. Quanto aos amores de verão não sei bem o que pensar. À medida que vou crescendo vou acreditando que há grandes amores que chegam ao fim, mas isso não significa que não tenham sido amores verdadeiros. Foram enquanto duraram. Talvez os amores de verão se possam enquadrar aí, mas também depende da história de cada um.  

8- Para ti, o copo está meio vazio ou meio cheio? Que achas desta expressão quando aplicada à vida?
Maioritariamente, está sempre meio cheio. Claro que há dias em que parece que está completamente vazio, mas não consigo ser pessimista, sou otimista por natureza e é assim que gosto de viver a minha vida, vendo o melhor lado de tudo o que acontece. Esta expressão aplicada à vida? O copo devia estar sempre meio cheio, para todos. Completamente cheio também não, porque precisamos de equilíbrio, mas meio cheio sem dúvida

9 - Qual a cor que melhor te caracteriza?
Azul e verde. Dependendo do azul e do verde, adoro ver estas duas cores juntas. 

10 - Qual a prenda que mais gostaste ou a que gostarias de ter recebido e nunca te ofereceram?
Na minha infância gostava de ter recebido o carrinho dos gémeos e/ou um carro telecomandado. É difícil dizer a que mais gostei, porque são várias. 

11- O que farias para mudar o mundo?
O importante, e talvez seja o passo mais fácil, é nunca pensarmos só em nós. Se eu estou bem os outros não importam. Não! Não podemos pensar assim. Se nos tratássemos como uma grande família, mesmo com todas as desavenças, talvez muitas coisas fossem evitadas e solucionadas a tempo. Acredito que só conseguimos isso quando estamos bem connosco, porque, de outra forma, não damos o nosso melhor. Mas se aprendermos a olhar para o lado para ver quem nos acompanha, se nos tratarmos de igual para igual, acreditarmos que juntos somos mais fortes (porque o somos), talvez possamos fazer a diferença. E tornar o mundo melhor. 

«Goleada com o cunho de Quaresma e Jackson

Só destoou o golo de cabeça em vez da trivela do costume

A FIGURA: Quaresma 
Está feliz, está motivado e mais solto do que se poderia julgar. O resto, e o resto é tão importante, continua onde sempre esteve. O seu futebol é e sempre será uma hipérbole. O risco está presente em todas as ações, a atração pelo drible é inseparável do seu pé direito. Todos conhecemos o estilo de Quaresma e o reportório entusiasmante do extremo. Se mantiver os níveis de entusiasmo e recuperar a condição física, o FC Porto passará a ser uma equipa perigosíssima. Para já, está a exceder as expetativas. 

MOMENTO DO JOGO: Mustang com cabeça
Minuto 11, desvio fantástico de Ricardo Quaresma com a cabeça e o regresso aos golos de dragão ao peito. O cruzamento de Josué é ótimo também, mas a execução do Mustang supera-o pelo elevado nível de dificuldade».


«Gostei do Quaresma. Face ao que tem sido o trabalho ainda curto que tem sido realizado, gostei. Mas há muito a evoluir, o Quaresma pode e vai render muito mais. Era importante dar-lhe minutos de jogo, depois naquelas condições do terreno considerámos melhor não arriscar e tiramo-lo de campo. Mas estou contente com a resposta dele e de todos os outros jogadores" (Paulo Fonseca)»


«"Estou pronto a ajudar o meu clube"

O regresso de Quaresma ao Estádio do Dragão e à titularidade no FC Porto acabou por ficar marcado por um raro golo de cabeça do Mustang.

"É bom voltar a este estádio, é bom voltar aos golos, às boas exibições, mas o mais importante era voltar às vitórias depois de uma derrota difícil para nós. Nada melhor do que uma vitória e uma boa exibição, apesar das condições difíceis, acho que os jogadores deram tudo o que tinham a dar e é com esta atitude que temos de continuar".

"Sinto-me cada vez melhor de dia para dia, sinto que estou pronto para ajudar a equipa, o meu clube, e é para isso que trabalhamos. Agora é continuar a lutar e ajudar a minha equipa".

"Ando há dois anos à procura de um golo de cabeça e consegui. Mas o mais importante era voltar às vitórias. Pensamos jogo a jogo, este já acabou, agora é pensar no Setúbal, que tem vindo a fazer um bom campeonato, tem bons jogadores, um bom treinador, e é com esta atitude que temos de continuar a jogar para voltar aos títulos"».




Ricardo? Quaresma! Ricardo? Quaresma! Ricardo? Quaresmaaaa! (a jogada completa e o golo, também, aqui).

Parece que, afinal, o gordo, o velho, o reformado, o próximo Liedson ainda não está acabado e sabe como se faz. E sabe! Melhor do que ninguém. Porque quem sabe nunca esquece. E o talento que tem, para além de ser inigualável, não desaparece. E eu sei que ainda há muito caminho a percorrer, mas chegarás lá. Sem qualquer dúvida, porque és maior do que todas as críticas. A tua irreverência e imprevisibilidade em campo são os pontos chave para o sucesso. Nunca esperei outra coisa. Nunca esperei menos vontade do que aquela que tens em ser melhor. Todos os dias. E já o és. 

Raça. Querer. Ambição. Assim se faz um Guerreiro. E isto é só o começo! De Dragão ao peito. Orgulho incondicional. Amor maior coracao azul Emoticons Secretos do Facebook

«Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo

Primeiro português a vencer dois troféus de melhor jogador do Mundo (2008 e 2013)

A Bola de Ouro é mesmo de Cristiano Ronaldo!

O jogador madeirense é primeiro português a ganhar duas Bolas de Ouro, depois da primeira em 2008, quando ainda estava ao serviço do Manchester United, superando Eusébio (1965) e Luís Figo (2001).

O extremo do Real Madrid, com 69 golos em 2013, destacou-se à frente de Lionel Messi (Barcelona), vencedor das quatro edições anteriores, e de Frank Ribéry (Bayern Munique), entre os jogadores mais votados neste prémio conjunto da FIFA e da revista «France Football».

«Não há palavras para descrever este momento», começou por destacar um Cristiano Ronaldo visivelmente emocionado, com as lágrimas a caírem-lhe dos olhos e as palavras a ficarem presas na garganta, mas com esforço prosseguiu. 

«Obrigado a todos os meus companheiros do Real Madrid e da Seleção. É um orgulho enorme, as pessoas que me conhecem sabem o que fiz para ganhar esta bola. Quero também mencionar os nomes de Eusébio e Madiba [Mandela], que foram importantes para mim, a minha mulher e o meu filho que, pela primeira vez me vê a ganhar uma Bola de Ouro. Se me esqueci de alguém, peço desculpa, mas é um momento muito emocionante para mim e não consigo falar», destacou ainda entre lágrimas». (ver notícia completa, que inclui o vídeo, aqui)


Emoção. Pela conquista. Pela humildade. Pelas lágrimas que o coração não consegue controlar. Pela garra. Por ser um exemplo de luta constante, que nem as dificuldades foram capazes de travar. É desta massa que se fazem os Guerreiros. Desta junção de persistência com ambição, sem esquecer as raízes. E é assim que se conquista o mundo: com talento, com inteligência, com a qualidade inegável que só se associa aos Gigantes. E o Cristiano Ronaldo é o maior. É o melhor. É o primeiríssimo. E por isso mesmo se volta a escrever o seu nome numa Bola de Ouro. Com toda a justiça e todo o mérito. 

Já o disse mais do que uma vez: gosto de jogadores rebeldes. Irreverentes. Que não se conformam com a banalidade. E mesmo que sejam tantas vezes incompreendidos são sempre capazes de se erguerem mais fortes. Gosto do jogo bonito, da habilidade de reinventar cada jogada, da raça com que se disputa o jogo e do amor com que se defende a camisola. E o Ronaldo é isso. E muito mais. É o melhor. E é português. 

Parabéns. Não só pela Bola de Ouro. Mas por tudo. Principalmente por seres português e por teres em ti uma vontade imensa de ser sempre mais do que aquilo que já és. E obrigada. Por levares o nosso nome além fronteiras, por teres em ti o enorme talento que tens e por nunca desistires. És um orgulho. Daqueles que não se pode medir. Mas que é dos grandes. E que nunca para de crescer!


É das imagens mais bonitas. Por todo o sentimento. Pelo momento que foi. Pela humanidade inerente que caracteriza os Gigantes e comove os restantes. Um homem não se faz só de títulos. Faz-se também de momentos em que o coração se torna maior que tudo o resto. E ele, seguramente, nunca será apenas uma Bola de Ouro. Ou duas. Será sempre mais do que todos os troféus que ganhou. Porque o «Puto Maravilha» que chegou da Madeira veio para conquistar, não só o País, mas o Mundo. E conseguiu-o todos os dias. Porque pensa em grande. E só quem pensa assim é capaz de conquistar. E escrever a história mais bonita que nos irá acompanhar ao longo de uma vida inteira. 


«Ro-nal-dooooooo! É o melhor dos jogadores (...) Com o mundo a seus pés, gritamos mais uma vez, o melhor do mundo é Português» (aqui)

«O casal que viajou de carro pelo mundo durante 23 anos

Viajar é preciso – mas o casal alemão Gunther Holtorf e sua esposa, Christine levaram esse conceito para um nível invejável. Em 1988, eles decidiram fazer uma viagem de 18 meses ao redor da África em seu Mercedes G-Wagen. O que eles não poderiam imaginar, é que a viagem duraria 23 anos e ficaria conhecida como “A viagem sem fim de Gunther Holtorf“. A justificativa? Simples: “The more we traveled, the more we realized how little we’d seen” (quanto mais viajávamos, mais percebíamos que tínhamos visto muito pouco ainda).

Sem qualquer tipo de ajuda ou financiamento, ou mesmo sem recursos como Twitter, Facebook, Instagram ou blog, os dois percorreram mais de 800.000 quilômetros, e passaram juntos por uma média de 200 países. Quando tinham que atravessar um continente, eles despachavam o carro por navio ou balsa.

O carro, como não poderia deixar de ser, ganhou até nome: se chama Otto. Segundo Gunther, ele nunca sofreu nenhum problema grave e sempre algo ocorria, ele estava tão familizarizado com o veículo, que conseguia solucionar o problema sem maiores dificuldades.

Quando perguntado sobre como ele financiou essa viagem, Gunther afirma que conseguiu economizar algum dinheiro enquanto trabalhava, mas que a viagem foi possível pois eles gastavam pouco de fato. Eles não dormiam em hotéis (sempre dormiam no carro ou em redes), nem comiam em restaurantes. Compravam comida em mercados locais e cozinhavam. Isso fez com que eles conseguissem gastar menos viajando do que se estivessem em sua terra natal na Europa.

Mas nem tudo são flores – no meio do processo eles tiveram um filho, que não pode os acompanhar na viagem e que ficou na Alemanha sendo cuidado por parentes próximos.

Gunther e sua esposa passaram 20 anos rodando juntos o mundo anonimamente, vivendo o que imaginamos ser uma grande aventura, e uma prova irrefutável de amor e cumplicidade. Infelizmente, Christine faleceu em 2010 vítima de câncer, mas ela pediu ao marido que continuasse sua viagem. Gunther atendeu a última vontade de sua esposa, que ainda o acompanha em uma foto no retrovisor. No ano que vem, com 76 anos, ele pretende terminar a jornada. O carro será entregue ao museu da Mercedes.

O vídeo abaixo é obra do canadense David Lemke, que acompanhou Holtorf pelo sudeste asiático e mostra parte das fotos registradas durante a viagem».



(notícia aqui, onde também podem ver mais fotografias)


É preciso coragem. Espírito aventureiro. Um grande sentido de companheirismo. E um grande amor. Mas é igualmente preciso força redobrada para se continuar quando o sonho perde um dos seus intervenientes. 

Quando leio histórias assim: de pessoas que partem à descoberta de um mundo novo, imagino-as sempre dentro de uma pão-de-forma. Nunca viajei numa - e tenho pena disso -, mas, para mim, é mesmo a imagem do veículo de longas aventuras, que eu gostava de conduzir se, um dia, deixasse tudo para trás e fosse por esse mundo fora. Sabe-se lá bem à procura de quê. Talvez de nada em concreto. Talvez de tudo aquilo que pudesse encontrar. Se um dia resolver fazer as malas e partir antes tenho que arranjar uma pão-de-forma, e então aí sim a viagem pode começar. Primeiro destino: Portugal. Todo ele. Do recanto mais a Norte até ao recanto mais a Sul. E depois o Mundo. 

Foram num Mercedes G-Wagen, mas acredito que a sensação tenha sido igualmente fantástica. Porque é uma história fantástica. É daquelas que nos faz sonhar e querer sair agora de casa só para passear, nem que seja durante meia hora. Mas, pelo menos, nessa meia hora conhecer algo novo, que não mais nos sairá da memória. E como eu acredito que todas as experiências nos fazem crescer o lado esquerdo do peito, também não mais nos sairá do coração. 

Não consigo imaginar a dor que sentiu ao perder a mulher (nem o que lhes deve ter custado deixar um filho com familiares) - que além de ter sido a companheira de uma vida foi a companheira de uma grande aventura -, mas compreendo a necessidade de continuar. Porque acredito que signifique a realização de um sonho. Uma homenagem. E uma prova de amor. Aliás, toda esta viagem foi uma prova disso mesmo: do amor que existia entre os dois. Eu sempre ouvi dizer que são precisos dois para dançar o tango, e por mais vontade que o outro tivesse de viajar pelo mundo não são todos os casais que estão dispostos a isso. É preciso ter-se uma boa dose de loucura. É preciso que os dois a tenham. E quando se encontram pessoas assim é mais fácil, sabemos que o nosso coração está bem entregue. Sabemos que podemos andar com o nosso sonho nas mãos porque a outra metade de nós será capaz de cuidar dele com a mesma dedicação que nós, porque também lhe pertence. Eu gosto de histórias de amor. Gosto destas histórias de amor. Porque não precisam de mais nada do que aquilo que têm. Porque se têm um ao outro e isso chega. Para mim chega. 

E talvez não precisem de ir ao volante de uma pão-de-forma, talvez até possam ir de lambreta (se assim preferirem). O importante é estar. Um com o outro. Um para o outro. E ter vontade de continuar. De descobrir. Sei que um dia vou querer um amor assim: pleno, cúmplice, que resiste a tudo. Mas como gosto de aguçar o meu imaginário, vou querer vivê-lo ao volante desse furgão que tem nome de pão. Com uma máquina fotográfica na mochila. E com alguém que o partilhe na mesma proporção. E assim escrever a minha viagem sem fim.


"É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com Sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava." (José Saramago)

«Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o cómico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cómico é o que é verdadeiramente trágico para se fazer», (Leon Eliachar)


Jimmy Fallon. Há pessoas de quem gostamos, às vezes sem saber muito bem porquê. E há as outras em que os motivos são claros. Eu gosto, principalmente, daquelas pessoas que abraçam os trabalhos a que se propõem de alma e coração. E gosto que se reinventem. Que não se levem tão a sério. É por isso que sempre «fui à bola» com ele, porque gosto da sua forma de estar. De comunicar. De brincar. De inventar. De se divertir. E de fazer-nos rir.

Não é preciso muito, basta que seja genuíno. Como o que vos quero mostrar nos vídeos que estão a seguir, que eu adoro por serem quase como uma brincadeira de domingo à tarde com a família. Espero que gostem tanto quanto eu. Divirtam-se! Eu vou rir-me mais um bocadinho enquanto os revejo pela milésima vez. 








«O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior»

Diogo Piçarra. É fantástico como um nome nos consegue fazer recordar tanta coisa. Uma lágrima. Um sorriso. Um coração cheio. A pele eriçada pelo talento que sempre se fez sentir. O orgulho pelo primeiro lugar. A humildade. O querer fazer sempre mais. E de preferência melhor. 

O tempo passa e eu acho que deixei de ter palavras para falar de ti. És incomparavelmente genial. E é uma honra poder ouvir-te todos os dias. Só os grandes têm a coragem necessária para arriscar, procurar evoluir e superarem-se constantemente. Deixei de ter palavras porque o teu talento é realmente inegável. Continua a construir o teu percurso como o fizeste até aqui. Vais chegar ainda mais longe. 

Havia muito mais a dizer sobre ti - há sempre muito mais -, mas enquanto as palavras não são suficientes prefiro parar e ouvir essa voz cheia de talento; essa voz quente que nos envolve como o abraço de alguém que nos protege num segredo partilhado com o mundo. 

Aprendi a não fazer promessas, porque acho que são demasiado preciosas para depois não serem cumpridas. Mas um dia estarei na primeira fila de um concerto teu. A ouvir os teus originais. Com o coração a transbordar de orgulho, por te ter visto crescer de gala após gala e, sobretudo, quando não te permitiste parar assim que o Ídolos terminou. Torna-se impossível ter palavras suficientes quando o talento é assim: gigante. Aquece o coração. Mil vezes. Mil vezes mais. Sempre.

E vou sempre saber aplaudir-te como aos Grandes. Porque és um deles!  


  





«Era de Iturbe, mas Liga reinterpretou o regulamento e autorizou por escrito: Quaresma recupera o número 7» (capa de hoje do jornal O Jogo)


O sete regressa a quem é seu por direito. Regressa ao Mágico. Ao Mustang (assim apelidado por Laszlo Bölöni, treinador que lançou Quaresma no Sporting, na época de 2001/2002). Ao «Harry Potter dos relvados». Muitas podem ser as alcunhas que lhe associam, pela sua imprevisibilidade em campo, pelo seu talento, pela irreverência que não o deixa ter receio de arriscar. E ele arrisca. Reinventa. Reinventa-se. Procura superar-se em cada finta, em cada toque de talento. Nas trivelas, que são uma das imagens de marca. Nos passes de letra. Na sua maneira de ver o jogo. Mas ele será sempre mais do que isto. É um dos magníficos. Faz parte dos génios. E, por isso mesmo, encantará constantemente aqueles que souberem compreender o seu estilo inconformado, por querer sempre mais. Melhor. E marcar a história do futebol.   

Cinco anos e meio depois, «Ricardo, coração de Dragão» regressa ao Futebol Clube do Porto - feliz por voltar «a uma casa que conhece bem», onde sente «o carinho e a confiança das pessoas - com o mesmo número que deixou em 2008, quando rumou ao Inter de Milão. E eu que sempre te associei ao sete, por me fazer recordar tudo aquilo que tu és, não podia querer que vestisses outro número se não este. Mesmo que o mais importante seja ter-te de regresso (que o é), voltar a ver-te pisar o relvado de nosso casa, com o nosso emblema sobre o peito, com o sete nas costas é especial. Mágico. Único. Como tu.

Gosto de jogadores irreverentes. Talvez por isso tenha gostado sempre de ti. Desse teu lado rebelde, «selvagem e indomável cavalo em busca de liberdade e êxtase permanente, recusando obedecer a quaisquer cânones». Jogar bonito é saber quebrar as regras, sem esquecer que uma equipa é um todo e não apenas uma individualidade. Mas também é importante que o grupo se saiba organizar para fazer sobressair o que um jogador tem de melhor. E tu, Quaresma, serás sempre um dos melhores. O meu melhor. Porque em ti reconheço a paixão com que entras em campo. Para ti não é um simples jogo de futebol. É um grande pedaço de vida. E quando alguém se dedicada de alma e coração isso sente-se. E eu sinto-o, todos os dias - também por isso tenho um orgulho incondicional em ti. 

«Quaresma tem a capacidade de entusiasmar as pessoas (...), e espero que possa continuar assim, com os seus golos e bons desempenhos na equipa (...) O Quaresma tem trabalhado para se apresentar num patamar próximo daquele que é exigido para competir. A resposta tem sido boa e há que integrá-lo na equipa e no seu sistema de jogo. Mas ele está motivado, disponível e quando assim é torna-se tudo mais fácil» (Paulo Fonseca). «Um jogador como Quaresma é sempre bem-vindo. O capitão do FC Porto referiu-se ao reforço de inverno, elogiando as qualidades do extremo» (Lucho).

Ter-te de regresso, e correndo o risco de me repetir, é mesmo de deixar o coração a transbordar de uma felicidade inqualificável e infinita. Mas saber-te regressar com o sete - «Foi o próprio jogador a manifestar a vontade de ficar com o número que no início desta época era de Iturbe, entretanto cedido por empréstimo ao Verona» - torna tudo muito melhor. O sete está de volta. Para fazer das suas. Para espalhar magia. Para marcar a diferença. Porque Ricardo Quaresma é feito de um talento incomparável. Que só pertence aos grandes. E ele é um dos Gigantes!

A hipótese de te estreares sábado, no Dragão, com a camisola do Futebol Clube do Porto é altamente improvável. Mas eu aprendi a acreditar que não há improváveis nem impossíveis. Foste tu que me ensinaste, porque também sempre me provaste que só é impossível quando não tentamos que deixe de o ser. Talvez não jogues frente ao Atlético, mas és um dos convocados para o encontro. E só por aí a janela da esperança abre-se. Nem que seja um bocadinho - «Ricardo Quaresma, Reyes e Ricardo são as novidades da convocatória de 19 elementos elaborada por Paulo Fonseca para o encontro com o Atlético, dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, a disputar sábado, pelas 18h00, no Estádio do Dragão».

Independentemente do que venha a acontecer, estás de volta. E isso chega-me! 


«Para Quaresma, na verdade, o prazer não está no fim da linha, mas na forma de lá chegar».

Ir ao Dragão é sempre sinónimo de emoções fortes! 

Acaba por não importar a finalidade do jogo: se é para o Campeonato, para a Taça de Portugal, para a Taça da Liga, para a Liga Europa, para a Liga dos Campeões ou se, simplesmente, é amigável. E mesmo que seja «apenas» um treino. Assim que se entra no Dragão a atmosfera é completamente diferente. O coração acelera. O nervoso miudinho faz-se sentir. A vontade de apoiar é imensa. Quando pisamos as escadas daquele estádio e nos sentamos numa daquelas cadeiras azul-amor não é relevante o compromisso para aquela manhã/tarde/noite de futebol, porque o objetivo é sempre o mesmo: estar. E o estar com a equipa é independente de jogos, de competições. Porque estamos sempre. Todo o ano. Até quando o futebol vai de férias - um adepto não marca férias do clube do coração, portanto, nem que tenha que recordar momentos de glória passados num café com amigos; ou em casa em frente ao computador a rever vídeos e fotografias atrás de vídeos e fotografias. Por isso, não importa a razão (e entenda-se a razão como a competição para a qual é disputado o jogo) que nos leva ao Estádio, porque vivemos tudo com a mesma intensidade. O mesmo entusiasmo. O mesmo amor. 

«Há tradições que ainda são o que eram». E assim como em todos os anos passados, o Futebol Clube do Porto volta ao Estádio do Dragão no dia um de janeiro para um treino aberto ao público e com entrada gratuita. A sessão de trabalho estava marcada para as 15h e a abertura de portas para a Bancada Nascente Moche para as 14h. Isto podia ler-se no site do clube, aqui. 

Eu fui. E estive lá com o coração a transbordar de orgulho. Entrei no estádio por volta das 14h20 e só parei quando cheguei aos dois lugares que vi na primeira fila (o meu pai foi comigo). Fiquei agradavelmente admirada pela quantidade de pessoas que apareceu. É reconfortante saber que nem a chuva afasta os adeptos. E ir cedo foi, como já estava à espera, a melhor opção, se não arriscava-me a ver o treino na última fila e digamos que, principalmente neste momento, tinha que estar o mais perto que conseguisse. É que o primeiro treino do ano fez-se acompanhar de um regresso particularmente especial para mim (o que eu esperei por isto): Ricardo Quaresma é oficialmente jogador do Porto. 

Assim que os jogadores subiram ao relvado os aplausos de pé ecoaram pelo Estádio. Tê-los tão perto num aplauso retribuído é a prova de que lutamos juntos pela mesma causa. E saber que, pelo menos, a maior parte daquela ovação era também pelo teu regresso é ainda mais gratificante. A sensação é inexplicável: voltar a ter-te ali, no meio do grupo, como se nunca tivesses chegado a sair, com o nosso emblema sobre o peito e a mesma alegria que te reconheço no sorriso é realmente um motivo para ficar de coração cheio. Não posso pedir mais nada. Não quando o que mais queria era ver-te regressar a esta casa que nunca deixou de ser tua, onde já foste bastante feliz, onde também já me fizeste bastante feliz. E como um adepto te disse: não demores muito porque um jogador como tu faz sempre falta numa equipa como o Porto. Acredito na velha máxima de que quem sabe nunca esquece. E acredito que tanto eu como esse adepto (e todos os outros que estiveram sempre ao teu lado) te veremos figurar na lista de convocados sem grandes demoras. Nós esperamos por ti. Sempre.

Éramos mais de dez mil. E não posso deixar de referir a emoção que era ouvir os aplausos que cobriam o Estádio de todas as vezes que tocavas na bola. Nenhum deles foi para mim, mas senti-os a todos no lado esquerdo do peito, por todo o orgulho que te tenho. Ouvir novamente a tua música a ser cantada na nossa casa e ver-te a saudar-nos são outros dos momentos que não mais esquecerei. O mágico está de volta! Já fez das suas. E eu tive o privilégio de estar lá, sentada numa daquelas cadeiras azul-amor, na primeira fila, debaixo de uma chuva que não queria parar, para o receber. Com o emblema sobre o peito, o teu nome e o teu número nas costas e o cachecol ao pescoço. Com amor. E infinitamente feliz. Agora sim, com as dúvidas desfeitas e toda a certeza, posso dizer: Bem-vindo a casa, Herói!

O treino não contou apenas com o regresso de Quaresma (ainda que, para mim, tenha sido o mais importante). O Futebol Clube do Porto «foi o primeiro clube Português a utilizar a tecnologia GoPro», por isso alguns jogadores andaram equipados com câmaras de vídeo (aqui) - não estranhem se ampliarem as fotografias e repararem que têm máquinas na cabeça ou no peito. No final, a equipa voltou a saudar os adeptos e o Helton, que é um dos capitães da equipa, proferiu os seus desejos para todos nós que estávamos na bancada, mas que se estendiam igualmente a todos aqueles que fazem parte do clube.     

Voltar ao Dragão é sempre especial. Único. Digno de registo. É como se estivesse a entrar em casa, até porque ser Porto é fazer parte de uma grande família. E como em todas as famílias nem sempre estamos de acordo, mas levamos este amor muito a sério. Quem sabe o que é ser portista entende tudo isto. A emoção de ver um treino, a ambição de querer ganhar todos os jogos (mesmo os que são a «feijões»), o orgulho de sentir a duas cores e não as querer largar mais. Ser Porto é isto: é amar acima de tudo. É estar.

E recuando uns anos, recupero o que, para mim, é ser Porto. Ser Dragão. E ser Dragão é lutar com toda a fé, até ao último segundo. É acreditar, antes de ninguém, no talento que lhes corre no sangue. É ser uma só alma, um só coração, um só amor, pelas duas cores que nos preenchem o lado esquerdo do peito. É saber que, aconteça o que acontecer, eles nos deixam com um orgulho tão grande que não há nada que os possa fazer cair. É sentir, em cada grito de glória, a garra e a força de cada um, no olhar que nos transmite confiança e segurança, por ser com alma e coração, desde o momento em que vestem o emblema e o deixam junto ao peito, deixando a vida em campo por nós, sem nunca esquecerem que nós iremos lutar por eles sem vacilar, gritando até que a voz nos doa, aplaudindo até não sentirmos as mãos, amando-os para sempre. Ser Dragão é ser por eles, todos os dias, incondicionalmente. «Um verdadeiro Dragão tem uma marca» e a nossa é jogar com o coração, camuflando todas as emoções na inteligência de cada passe, de cada finta, pela união que nos torna num só rosto, numa só força, numa só fé. «Ser Dragão é isto». 

Antes de ir embora não podia deixar de espreitar o Museu, onde à entrada se pode ver a belíssima obra da artista plástica Joana Vasconcelos: a Valquíria do Dragão. A visita completa fica para uma próxima oportunidade. Saí do Dragão completamente molhada, mas nada disso importa quando o coração vem totalmente cheio de momentos fantásticos, que guardarei com todo o carinho na minha caixa de memórias. E porque nestas coisas o amor fala sempre mais alto, voltaria a fazer tudo igual. Porque sou Porto. E é assim que sou feliz.















A isto chama-se começar o ano da melhor maneira. Em grande. Com o coração a transbordar de uma felicidade inqualificável. E o vosso primeiro dia do ano como foi?
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