A criatividade não tem limites. Não tem mesmo. E é bom que assim seja. É bom encontrar histórias de pessoas que sabem reinventar objetos, que os aproveitam e lhes dão uma nova roupagem e funcionalidade.
No dia em que vos falei da história da Marta Leão, podem ver
aqui, não era dela que ia falar. Tropecei na notícia por acaso, mas sei que fez todo o sentido partilhá-la convosco, não só pela necessidade de alerta, mas também pelo exemplo de força e de vida que ela é. Falei-vos de uma mulher que se viu obrigada a lutar contra um cancro de mama aos vinte e sete anos, mas, na realidade, comecei o dia a pensar que vos iria contar a história da Rita Olivença.
Dois temas completamente diferentes. Que acabam por se relacionar, ainda que em dimensões distintas, na capacidade de superação e na conquista de objetivos. Hoje quero dar-vos a conhecer o trabalho de alguém que tem a destreza suficiente para renovar um material que muitos de nós pensamos ter apenas uma única função. Depois disto, acho que passaremos a olhar para determinados materiais questionando-nos se não servirão para mais do que aquilo que aparentam.
Olhando para a fotografia não temos dúvidas que são gabardinas. Mas se vos disser que inicialmente eram cortinas de banho acreditam?
«Estas gabardinas já foram cortinas de banho Ikea
Rita Olivença pegou em cortinas de banho e deu-lhes uma segunda vida. Dia 10 de Maio a designer de moda mostra como se faz esta e outras peças num “workshop” nas Caldas da Rainha
Queria fazer um objecto “giro e barato” e lá fora devia estar um “dia de chuva”. Rita Olivença recorda assim o momento em que as suas gabardinas feitas com material de cortinas de banho do Ikea surgiram na sua cabeça: “Era só um exercício, uma brincadeira.”
O resultado mostrou-se, no entanto, “perfeitamente usável” e, quase quatro anos depois da ideia inicial, Rita decidiu recuperar o projecto: num “workshop” de “hacking” da Associação DAR (Design Advenced Resources Association), da qual é co-fundadora, vai mostrar como se faz esta e outras peças.
A ideia inicial não foi sequer comercializada: “Lembrei-me das cortinas de banho por acaso. E do Ikea por ser barato. Conseguia comprar bastante material a um preço acessível”, recorda.
As gabardinas, de modelo feminino, foram partilhadas apenas com amigos (e usadas pela própria criadora), com o processo de produção totalmente a cargo da designer de moda de 31 anos, que fez a primeira peça em apenas um dia: “Pensei na ideia, sentei-me, desenhei e costurei.”
Agora, a jovem de Caldas da Rainha quer alargar a ideia — fazer também modelos masculinos e talvez de crianças — e pôr as suas criações à venda (o preço é um assunto a pensar ainda). Mas sempre numa lógica de "open design": “Neste 'workshop' vou ensinar a fazer as gabardinas. A minha intenção é que estejam à venda, mas também partilhar o processo. É uma coisa acessível e não faz sentido que seja de outra forma.”
O “workshop”, marcado para o dia 10 de Maio, tem o preço de 12 euros para quem não é sócio da
Associação DAR e de oito euros para sócios, com o preço do material não incluído.
A filosofia deste “workshop” é comum à que rege a própria DAR, que Rita fundou em 2012 com André Rocha e Sofia Martins. “A associação surgiu da união de forças de três pessoas ligadas ao design que trabalham na área e que dispõem de recursos materiais que podem partilhar porque não estão a usá-los a 100%”, contou.
O espaço nas Caldas da Rainha e o material pode ser utilizado por qualquer pessoa, mediante a apresentação de um “projecto consistente” que os fundadores apreciem».
O que acham da ideia?