Entre Margens

«Calculei o norte, fiei-me na sorte, dei uma de forte e fui. Contornei os velhos, contras e conselhos, cantos e canteiros fui descobrir o mundo ao fundo do jardim».


O Miguel Araújo é incrível, e o que a isso diz respeito não tinha qualquer dúvida. Deixem-me apenas confirmar o facto de que vim fascinada com o talento dele que não não pára de crescer. Confesso, fiquei ligeiramente preocupada quando cheguei ao estacionamento do Mar Shopping e poucas eram as pessoas que lá estavam, porque acho que ele merecia pisar o palco e ver aquilo tudo cheio. Compôs-se o cenário e nem mesmo a chuva no final afastou as pessoas que lá foram para o ver. Até os meus pais, que dele só conhecem «Os Maridos das Outras», vieram encantados. Deixei de os ver, embora soubesse que estavam atrás de mim, mas senti que aplaudiram, gritaram, dançaram, saltaram, enquanto eu, bem na primeira fila (finalmente aconteceu), parecia hipnotizada por tudo aquilo que via acontecer à minha frente. Não é só o talento que nos deixar maravilhados. É também a felicidade com que toca e canta, transmitindo-nos o amor infinito pelo que faz. Tenho noção de que em alguns momentos deixei de cantar, só para o ouvir, só para ver a magia do momento e sentir cada pedaço da música. Os aplausos que não dei por estar a gravar imaginei-os a todos. Mas gritei muito. E cantei. E dancei. E voltava a fazer tudo isso novamente. É por artistas como ele que hei-de defender a música portuguesa até ao último dia da minha vida. Obrigada por esta noite magnífica que não mais esquecerei. Foi um privilégio!

Não perdi a oportunidade de o ir ver e vim de coração cheio. Hoje quero partilhar convosco as fotografias que tirei durante o concerto. Os vídeos já estão a carregar no meu canal do youtube, por isso brevemente poderão vê-los. Fica novamente a promessa de vos contar como foi esta noite na rubrica «Minutos com história». Talvez o junte à Gisela João, à Mariza e à Cristina Branco, Camané e Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música antes de me ausentar do blog uns dias. Por agora fiquem com a minha visão da magia que ontem se viveu. 





















































Alguém teve a oportunidade de ir?

«O tempo rende muito quando é bem aproveitado», Johann Goethe


Temos o tempo nas mãos e, mesmo assim, insistimos em desperdiçá-lo, em deixá-lo correr por horas incertas, cheio de horas vagas, a caminhar para uma monotonia de horas mortas que nem eu, nem tu, conseguimos colmatar. 

Os meus ponteiros apontam a sul, os teus ponteiros apontam a norte, e continuamos nós a vê-los passar, a deixá-los passar, sem nos preocuparmos em acertar o relógio e os ponteiros. E vemos o tempo a andar à volta, sem saber quantas voltas nos irá dar. 

Temos o tempo nas mãos e, mesmo assim, nunca é tempo de nos encontrarmos a meio do caminho. Mas um dia, talvez um dia, acabemos por acertar os ponteiros, acertar-nos a nós e deixa-los passar no mesmo compasso, no mesmo ritmo, no mesmo “nós” que teima em não chegar. 

Tenho o tempo nas mãos, mas não a tua mão na minha, o teu abraço no meu, o teu coração no meu, a minha boca na tua... Talvez um dia! Tomara que os dias passem. Tomara que tu chegues e me leves contigo. E eu vou esperando que tu chegues, vou esperando por ti, porque sempre soube esperar pelo amor. 

Tic-tac... tic-tac... tic-tac...


Parte do que sou. Março, 2013
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andreia morais

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