Não brinques com o meu coração. Não faças e desfaças os nós com a mesma rapidez com que nos mantemos a brincar ao «mal me quer, bem me quer». Já ultrapassamos a fase ingénua de não sabermos o que esperar um do outro. Crescemos. E, embora nem sempre nos saibamos ler, fomos apresentando pistas suficientes sobre o caminho que queríamos seguir. Ofereceste-me uma flor, sem espinhos, ciente de que cuidaria dela como se fosse um complemento da minha vida. Sem palavras, fizemos uma promessa que não pretendíamos quebrar. E agora que nos sinto a balançar neste futuro incerto peço-te que preserves as pétalas que um dia partilhei contigo. Aguenta só mais um pouco. De amor firme. Enquanto a tempestade avança, a lengalenga vai-se transformando em eco. E os nossos olhos acompanham a dança delicada dos nossos dedos. A expectativa aumenta. E sem misericórdia, como se o nosso futuro dependesse de um simples sinal, fico a segurar o caule que sobrou.
Mal me quer
Bem me quer
Mal me quer
Bem...
E a última pétala cai
E o silêncio afunda-nos.
Imagem retirada do google
Tens as cidades nas pontas dos dedos. Nesse trilho incessante que insistes em percorrer mentalmente. E viajas, de pés presos ao chão, com esse sorriso melancólico que te faz suspirar por memórias que nunca pudeste viver. E isso não te trava, dá-te alento. No teu mundo encantado, o teu bilhete é de ida, mas sem volta. Vais de bagagem leve, carregando o essencial para quem atravessa o mundo de esperança acesa. Afirmas que o melhor lugar para se estar é no peito de alguém. Encostado. Deitado por baixo de uma manta polar, com um copo de café a ferver. Mas não tens qualquer feitio para parar. Para deixar a poeira assentar. O mundo grita pelo teu nome e tu vais. Nessa aventura interminável de quem transporta os sonhos na palma da mão. Olho para ti e destroça-me o coração saber-te tão sereno, nesse sono profundo, ciente de que terei que te retirar desse estado de latência saudável em que te afundas. Num impulso com o qual não estou a contar, puxas-me para esse mar revolto de peripécias que fazes questão de relatar de uma assentada. É delicioso ouvir-te. Mas cansativo também. Porque o teu entusiasmo obriga-nos a viver tudo como se fosse o último dia. Tens as cidades nas pontas dos dedos. Mesmo quando tudo não passa de uma breve ilusão. E te encontro ao pé da janela, perdido a contemplar aquela que já foi a tua casa na árvore. Ficas sem chão. E é o meu abraço que te ampara a queda. Tens mil e uma histórias de bolso, mas nenhuma é real. A tua memória atraiçoa-te. E a tua imaginação assume o papel de destaque. Não te desfaço essa realidade inventada. Porque, no fundo, todos esses momentos podiam ter sido teus, senão tivesses tido tanto medo de ganhar asas.
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Há frases, comentários, observações, que nos fazem pensar, porque desconstroem aquilo que julgamos certo ou que aceitamos sem grandes questões. Estava no twitter quando encontrei uma imagem que me obrigou a parar. Em poucas palavras, conseguiram criar um impacto que nos impede de ficar indiferentes ao que acabamos de ler, porque o poder da mensagem é, realmente, uma chamada de atenção!
«(...)
Se a noite insiste Eterna e triste
Lanterna em riste, eu vou voltar
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«(...) Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida»,
Antoine de Saint-Exupéry
Há, por aí algures, um conto de fadas perdido. Invertido. Mas real.
Aprendi a proteger os meus sonhos sem precisar das referências a cavalos brancos. Só que, inocentemente, deixei que tudo o resto me acalentasse a esperança. Tive medo. Sim, tive medo que ao desacreditar destas histórias perdesse a fé. No amor. Nas pessoas. Em mim. Reciei que aquelas linhas preenchidas de palavras e uma moral no final não saltassem do papel se eu colocasse em causa a sua veracidade. Parecia-me absurdo dormir por cem anos quando não consigo ficar deitada mais de oito horas. É tudo tão fantasiado e, ainda assim, desejei em segredo viver qualquer um daqueles enredos.
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Sonhos de mil cores
Escapando por entre os dedos
[Os nossos]
Que se afastam
E se descruzam
Em paralelo
Nessa luz ténue
Que nos distancia
Do horizonte
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Sinto-me sem chão. E a frustração de não saber como agir torna tudo mais angustiante. Falta-me um pedaço de paz. E uma armadura que não me permita quebrar quando tudo o resto parece esmorecer.
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«Frágil, já nem consigo ser ágil», Jorge Palma
Meia frágil
Meia ágil
De pensamentos
Vagos
Esvoaçantes
Que nem dentes de leão
Meia tudo
Meia nada
De voo picado
Apontando a sul
De amargos desejos
Perdidos em emoções paralelas
«É difícil, eu sei, largar alguém que nos fez tão bem