Entre Margens
Fotografia da minha autoria


... Detalhes!

[Falados, escritos, gestuais, em fotografia. Sinto, cada vez mais, que é a força dos detalhes que nos move. Os pequenos nadas que, em certas alturas, nos parecem escapar, mas que têm uma importância e um significado surpreendentes e transformadores. Sempre gostei de observar - e registar, através de palavras ou com a minha máquina fotográfica - aqueles traços distintivos. Os pormenores que sobressaem e que nos encantam por completam. É por isso que demoro tanto tempo a concluir determinado percurso novo, porque paro para contemplar cada fragmento - exposto ou mais escondido. Sinto que eu também sou feita de infinitos detalhes. E, talvez por isso, não menorizo todos os que me rodeiam].
Fotografia da minha autoria


«Quando alimentamos mais a nossa coragem do que os nossos medos, passamos a derrubar muros e a construir pontes»



Coragem. Uma palavra, relativamente, pequena, dita num só fôlego, que preserva um significado enorme e poderoso. Com uma carga emocional e intima, que a torna única. Intransmissível. E diversa. E tem tanto de plural - por se manifestar de inúmeras maneiras -, como de pessoal - por ser uma característica tão intrínseca. Para além disso, sinto, é a analogia perfeita para o facto de não serem as dimensões que importam, mas, sim, a consistência - e a consciência.
Fotografia da minha autoria


«A numerosa família Leonides vive numa estranha mansão nos subúrbios de Londres, sob o olhar protector, e um tanto controlador, do patriarca Aristide Leonides»



A conclusão de uma leitura potencia sempre inúmeras questões, não só sobre a obra em si, mas também sobre qual será a sua sucessora. Quando tenho mais do que um livro do mesmo autor, pergunto-me se é vantajoso continuar com ele ou se é preferível explorar outros, retomando-o mais tarde. Por norma, acabo por seguir a primeira hipótese. E, por essa razão, deixei-me ficar na companhia de Agatha Christie, saindo do Expresso do Oriente [Entrelinhas #56] para entrar numa casa bastante particular e especial.
Fotografia da minha autoria


[Prólogo | #1 | #2 | #3 | #4 | #5 | #6 | #7 | #8]



Como vem sendo hábito, voltei a passar pelo cemitério para colocar o girassol mais fresco que havia na florista. E no percurso feito de carro, tornei a contemplar a vista que me envolve, captando os detalhes, como fazíamos em todos os nossos passeios sem destino aparente. Porque aprendi a ver um pedaço de ti em cada um deles. De uma maneira singular, mágica e transcendente tu estavas presente. E isso deixava-me em paz.
Fotografia da minha autoria


«O arrependimento não vai mudar o seu passado, mas pode transformar o seu futuro»



Vou contar-te uma história sem final feliz. Certo dia, teria eu os meus 17 anos, perdi-me de amores por um tipo sem escrúpulos. Como deves imaginar, o desfecho foi aquele típico cliché que vemos nos filmes: ele usava-me e eu, por ser doida por ele, permitia. Engravidei por descuido e ele deixou-me sem hesitar, acusando-me de o tentar prender. Entrei em demência. Negligenciei esta gravidez, intencionalmente. E culpei-te sempre de tudo. O que é curioso é que, em momento algum, ponderei fazer um aborto. Tive-te, mesmo vendo em ti a minha desgraça, e cuidei de ti durante cinco anos. E, aí, não aguentei mais. Saí cedo de casa, deixei-te no Jardim das Camélias, prometendo voltar, e pude respirar. É revoltante ver isto num ecrã, não é? Imagina, agora, saber que não se trata de ficção!
Fotografia da minha autoria


«Cozinhar é como tecer um delicado manto de aromas, cores, sabores, texturas. Um manto divino que se deitará sobre o paladar de alguém sempre especial», Sayonara Ciseski»



Verão é sinónimo de noites longas, bebidas geladas, roupas frescas... e comidas leves! Nesta altura do ano, particularmente, abuso das saladas, porque são saborosas, as combinações são inesgotáveis e permitem-me poupar tempo na sua preparação. Ainda assim, até porque sabe bem demorar na cozinha, também procuro por receitas, ligeiramente, diferentes, que incitem a nossa criatividade - sobretudo, quando apresentam conjugações improváveis. O único requisito é que continuem a privilegiar o lado prático da confeção.


«Sai de casa rapaz
Quebra um pouco essa paz
Se ninguém for contigo
Vai para a rua só
Fotografia da minha autoria


... Segunda-feira!

[Faço parte daquela pequena percentagem de pessoas que adora o primeiro dia da semana. Porque, particularmente, sempre significou recomeço e reencontro. Além disso, é uma maneira de retomar - e retornar - [a] coisas que nos fazem bem à alma. Mesmo que o dia pareça monótono, a oportunidade de repetir, de reconstruir, de continuar a evoluir deveria ser suficiente para o transformar logo num momento mais luminoso. Bem sei que esta sensação de reiniciar algo não é exclusiva desta data. Aliás, podemos - e devemos - dar-lhe asas em qualquer ocasião que nos pareça conveniente. Mas é uma postura que também cai bem às segundas, porque é quando, muitas vezes, voltamos à rotina. Sou tão entusiasta pelas segundas-feiras que, para mim, poderiam ser consideradas um elogio]
Fotografia pessoal


Preservo o silêncio. Mantenho-me atenta. Observo mais do que partilho.

#pensamento #constatação #característica #pessoal #preservar #silêncio #atenção #observar #partilhar #sossego #feitio #personalidade
Fotografia da minha autoria


«O luxuoso comboio está cheio. Ninguém pode sair ou entrar. A tempestade prolonga-se pela noite fora… e a manhã traz uma notícia inquietante»



Os diversos géneros literários têm encantos singulares, que podem - ou não - conquistar-nos por essa unicidade. Certamente, aquilo que nos motiva a ler um romance não se assemelha à razão pela qual optamos por poesia, por obras bibliográficas ou por outros exemplares. Porque nos move o nosso gosto, a nossa predisposição e, inclusive, a nossa necessidade. E é este caráter plural que enriquece a nossa personalidade de leitor. Apesar de procurar não me limitar ao mesmo registo por um período prolongado, há qualquer coisa de fascinante e convidativo nos policiais, aos quais quero sempre regressar. E quem melhor do que Agatha Christie para nos fazer viajar por um mundo de constante suspense e mistério?
Fotografia da minha autoria


[Prólogo | #1 | #2 | #3 | #4 | #5 | #6 | #7]



A tua mãe telefona-me todos os dias. Muito provavelmente, duas mãos cheias de vezes. Sabes que nunca gostei que me apaparicassem em demasia - coisa que as nossas mães têm feito nos últimos tempos -, mas, confesso, está a fazer-me bem, porque sei que é, somente, preocupação e porque têm o cuidado de não me sufocar. E acho que é isso que me incomoda em certas demonstrações de carinho: a intenção é a melhor, mas a atenção constante e desmedida chega a afligir. E em vez de nos aconchegar, desencadeia uma ligeira sensação de irritação e de desconforto.
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andreia morais

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