Entre Margens


«(...) Preparem-se para o vendaval de sensualidade»


Uma vénia ao Lord, que protagonizou um dos momentos mais hilariantes do Lip Sync Portugal! É certo que apenas tenho visto apontamentos do programa, mas não podia perder o episódio do último domingo. E não me arrependi, porque a interpretação do Rui Unas, que escolheu a música Ela Mexe, da Ana Malhoa, foi irrepreensível. Sinto que teve todos os ingredientes para uma elevada dose de entretenimento. E dei por mim, no dia seguinte, a cantarolar o tema e a relembrar toda a atuação. Sem retirar qualquer mérito às restantes concorrentes - Ana Guiomar, Patrícia Mamona e Joana Solnado -, foi um justo vencedor. Mas vou deixar que o vídeo justifique a minha opinião. Sem palavras.
Fotografia da minha autoria


Tema: Romances


O amor é mágico. Mas também é complexo. E, por mais que escrevamos ou conversemos sobre ele, nunca saberemos tudo. Porque há compartimentos secretos, que só descobrimos no momento oportuno ou que se mantêm ocultos para sempre. Além disso, é tão subjetivo, que a nossa abordagem é infinita. Revolucionária. Inspiradora. Sobretudo, porque é o amor que nos move: quando vem de dentro, nos abraça e acolhe quem está ao nosso redor. E quando compreendemos que é a sua multiplicidade que nos enriquece. É que o amor manifesta-se nas e pelas pequenas coisas, reservando um lugar vitalício para quem nos acrescenta.
Fotografia da minha autoria


«E se perguntarem o número da nossa porta, diz que a nossa casa é na asa de uma gaivota»


O conceito de ponte é um dos que mais me fascina: pela aproximação, pela segurança, pelo estreitar de laços e pela infinidade de travessias - internas e externas - que podemos realizar. Porque as diferenças tornam-se mínimas quando se desconstroem certos muros e se desmistificam certezas que não são inflexíveis. E isso é válido para a vida, no geral, e para determinadas componentes, em particular. Atravessar a ponte nunca nos deixou tão perto como agora. E o melhor de tudo é que não tem que acontecer num sentido literal, nem presencial. Basta estender a alma e abrir o coração.
Fotografia da minha autoria


«A distância é intrigante: Há quem fique distante ao nosso lado. E há quem continue ao nosso lado mesmo distante»


Vamos no mesmo metro, nos mesmos bancos 2x2 - na diagonal um do outro. E, enquanto atravessamos a ponte, limitamo-nos a contemplar a vista infinita que nos rodeia: tu a olhares para a esquerda, eu para a direita, ignorando a tensão da nossa presença, sabendo que nos temos perto, mas com um fosso abismal no nosso meio.
Fotografia da minha autoria


«A verdadeira base da vida está nas relações humanas»


És tu que me procuras sempre: quando saltas para a cama e te aconchegas no meu regaço. Quando sobrepões o teu beijo ao meu medo. Quando me sussurras ao ouvido, mesmo sabendo que é provável que esteja a dormir - mas ouço[-te] cada palavra e, até, os silêncios. Porque o teu timbre rouco e o suspiro da tua alma despertam-me. Envolvem-me. E protegem-me. E nesses olhos cor de sol, eu vejo o mundo: o que está lá fora e o que partilho contigo, por amor, dentro destas quatro paredes que resguardam a nossa história. És sempre tu que me procuras. Mas eu nunca saio do nosso lugar. Porque te espero. E porque estou, constantemente, ansiosa pelo compasso em que me resgatas do sono.


«Não me digas que eu cresci assim num segundo
Onde foi o tempo que vivi neste mundo
Bem me avisaram para aproveitar
O tempo passa e não é devagar

Não me digas que vai ser assim no futuro
Será que vai ser um frenesim até ao fim
Bem me avisaram para aproveitar
O tempo passa e não é devagar»
Fotografia da minha autoria


... Janelas!

[Há qualquer coisa de místico numa janela. Estejam abertas ou fechadas. Porque, na primeira componente, temos uma estrada aberta para o mundo, que pode ser infinita, se soubermos ver para além do óbvio ou, então, se formos capazes de tirar partido de cada detalhe. Já na segunda particularidade, temos acesso à estrutura, à cor, à arquitetura, à originalidade dos seus traços. Simultaneamente, há todo um sentido de liberdade e de aproximação que me deixa em suspenso e a contemplar as inúmeras possibilidades. Não sei se é uma perceção geral ou se é a minha maneira de observar o que me rodeia, mas sinto que, à semelhança do que partilhei sobre as portas, as janelas podem ter significados inesgotáveis. Inspiradores. E transversais à nossa vida]
Fotografia da minha autoria


«Aquilo que fazes não é o que sentes»


Os Aurora estão de volta! Para ser honesta, nunca saíram da minha vida, porque o Grita continua a ser uma escolha diária. Mas houve uma pausa - sempre necessária - para a criação de novos temas. E este interregno reacendeu as saudades, mesmo que procurasse diminuí-las, ao escutar as canções disponíveis que tanto me inspiram. De coração em alvoroço, a novidade fez-se chegar. E com uma sonoridade renovada.
Fotografia da minha autoria


Tema: Um livro sobre famílias


A literatura pode ser um refúgio. Tem laços de sangue e de coração. É capaz de ser um pai ou uma mãe, por todos os conselhos que nos transmite com sapiência. Porém, também pode ser aquele familiar que nos diz pouco, mas cuja presença não conseguimos ignorar - por mistério, por respeito, por uma tendência para o abismo. Além disso, tem colo de avós. E amor: de casais, de irmãos, de amigos. É que os livros são tão camaleónicos, que preservam uma analogia semelhante àquela que compõe as famílias. E este é, precisamente, o segundo tema do clube/desafio de leitura Uma Dúzia de Livros.
Fotografia pessoal


«Desapego é sossego»


O peso do que nos mantém presos não fica mais leve. Muito pelo contrário. E as falsas raízes, que acreditamos serem genuínas e descomplexas, só nos atrasam. Por isso, a nossa vida tem fases. Tem processos. Tem ritmos. E tem capítulos que precisamos de avançar - ou de parar de escrever. Porque o desapego é poético, mas, caso não venha de dentro, é uma mera folha a esvoaçar sem direção. E eu sinto que estou numa etapa em que tenho que voltar a destralhar: a alma, o armário, o meu sentido.
Fotografia da minha autoria


«I wanna make it bigger than I thought I would»


A nossa vida é marcada por rituais, desde os mais simples aos mais complexos. E eu não sou exceção. Sendo a música uma parte bastante significativa da minha personalidade, não consigo andar de carro sem ter o rádio ligado. E, quando entro em casa, depois de me colocar confortável, abro o Spotify e deixo que a sonoridade das minhas playlists me envolva num abraço apertado. E há artistas que nos resgatam e que nos fazem sentir que este é o nosso lugar certo. Numa simbiose perfeita, deixo-me levar. E desfruto sem rede.
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andreia morais

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