Entre Margens
Fotografia da minha autoria


«Ser escritor é isto: 
é sentir nossa alma a sair pelos dedos»


Os heróis são feitos de uma fibra resistente. E, muitos deles, não usam capa. Mas têm super-poderes, principalmente, quando fazem das palavras um escudo e dos textos uma arma poderosa, estimulando a sociedade a questionar. A lutar. A ser. Portanto, neste compromisso que assumimos como diário e intemporal, os escritores criam refúgios e novos mundos, para os quais podemos desaparecer. E sentir-nos em casa.
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«A poesia é o sentimento que sobra ao coração»


O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Estes versos iniciais da Autopsicografia de Fernando Pessoa são, muito provavelmente, dos mais conhecidos. E são, para mim, um sinal da genialidade inerente à poesia, pois tem camadas tão intensas e viscerais, tão plurais, que facilmente nos transporta para sentimentos mais ou menos genuínos. E a magia reside nessa capacidade de nos fazer acreditar em cada palavra.
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«Escrever é a minha forma de mudar o mundo»


O meu sonho mais antigo relaciona-se com a escrita, pois sempre idealizei o momento em que as minhas palavras estariam guardadas em formato de papel, dentro de um dos exemplares mais especiais da minha biblioteca. Essa concretização tem sido adiada por vários fatores, mas mantenho o desejo em banho maria, alimentando a alma de histórias que não são minhas, até encontrar a direção certa para as que se formam na minha imaginação. Pelo meio, perco-me de encantos por narrativas que, por vezes, me tiram o chão, mas nunca o sentido. Nem o meu propósito.
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«Em cada estante, um livro»


É um orgulho imenso perceber que preciso de novas prateleiras para acomodar livros de autores nacionais, pois pretendo conhecer o máximo possível - explorando novos dialetos e regressando àqueles que são um pedaço de casa. Por mais que reconheça que o espaço não tem as dimensões mais avantajadas, não custa sonhar que, um dia, adquirirei todos os exemplares que tenho em espera. Não sendo um plano exequível - para já, pelo menos -, faço por aumentar a minha lista de desejos.
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«Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não»


O som da máquina de escrever ecoa pela casa. Em cima da escrivaninha há penas e tinta preta. E dentro da nossa alma de poetas, romancistas, contadores de histórias existem mil narrativas à espreita, bordadas a imaginação. É por isso que a literatura tem sempre este toque de abraço apertado. Porque, sendo tão plural, reserva-nos infindáveis espaços para nos sentirmos em casa. Escutados. Compreendidos. E valorizados. Atendendo a que há uma voz que nos representa, o universo literário não carece de metamorfoses e de pontos de retorno. Só necessita que estabeleçamos mais pontes, para que o clássico e o contemporâneo se enlacem, sem a falaciosa sensação de que se anulam.


«Passa aqui depois das seis
Sei lá, tô com saudade de te encontrar
É que aqui em Sampa 'tá quieto de mais
E as minhas paredes parecem fronteiras
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... Camarão!

[Simples ou com molho. Como entrada ou prato principal. A solo ou acompanhado no arroz ou na massa. Seja de que forma for, adoro esta iguaria. E nem sei definir o quanto. Sinto que poderia comê-la todos os dias, sem ficar saturada. Que experiência gastronómica divinal]
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«Cozinhar é como tecer um delicado manto»


O pequeno-almoço é a minha refeição favorita - e, confesso, há alturas em que me deito a pensar no que vou preparar. Portanto, tento ter sempre algumas opções na bagagem, para ir variando. Caso não tenha a possibilidade de desfrutar deste momento matutino, que me relaxa, invisto no lanche da tarde. E é por isso que, priorizando o meu lado prático, aprecio receitas que se adaptam a qualquer hora do dia.
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Tema: Distopias


O mundo parece estar virado do avesso. E há alturas em que queria acreditar que tudo isto não passa de uma página de um livro tão credível, que nos acolhe no seu interior. Quando, no início do ano, li A História de Uma Serva, senti-me incomodada com o regime em vigor e com o traço de isolamento, mas estava longe de imaginar que teríamos que aprender a gerir um nível aproximado de desordem. Em maio, comprometi-me a ler somente autores portugueses, mas abri uma exceção, para conseguir responder ao novo tema mensal do The Bibliophile Club.
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«Tem espaço, faz tatuagem»


O nosso corpo é uma tela em branco. Que esconde histórias, cicatrizes, memórias e uma série de experiências mais ou menos inspiradoras. E eu acho maravilhoso eternizar, em desenhos de traços singulares, cada fragmento que marca a voz das nossas vivências. Por essa razão, há um pensamento de Mário Pereira Gomes que me representa, pois acredito na sua veracidade: fazer uma tatuagem significa mostrar na pele o que se esconde na alma. E, não sendo propriamente vital, considero estes registos uma maneira de homenagear quem - e o que - nos acrescenta.
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«Viver sem ler é perigoso»


A história termina. Fechamos o livro e observamos a nossa estante. O olhar vagueia pelas lombadas e pelos títulos que ocultam viagens sem igual. E, neste processo de reconhecimento e descoberta, procuramos o próximo companheiro literário. Mas como é que fazemos essa seleção?
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andreia morais

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