Entre Margens

Fotografia da minha autoria



«Nada do que te sufoca faz-te bem. Nem o amor»


Sinto-me encurralada
Como se não tivesse opção de escolha.
Olho à minha volta e vejo tudo turvo
Uma espécie de neblina que aumenta
Mas esta cegueira momentânea preocupa-me
Sufoca-me e vai-me tirando o chão
De uma forma tão abrupta
Que sinto o peso do corpo
E eu não sei o que fazer

- O caminho estreita-se
E eu encurralo-me a mim própria.

Fotografia da minha autoria



Tema: Um livro veranil

Avisos de Conteúdo: Morte, Racismo


O toque leve do verão combina com leituras que acompanham esse ritmo, permitindo-nos desfrutar das diversas narrativas descomplicadas que habitam na nossa estante. Por isso, creio que livros de crónicas são escolhas vencedoras, até porque conferem-nos liberdade para partirmos e regressarmos sem perdermos o norte. Portanto, para o tema de agosto do Uma Dúzia de Livros, apanhei boleia de Ricardo Araújo Pereira.

«Jamais, em toda a história da Humanidade, alguém 
se acalmou por lhe recomendarem que tivesse calma»

Idiotas Úteis e Inúteis compila cem textos humorísticos que o autor escreveu para o jornal Folha de S. Paulo, centrando-se em temas que lhe são caros e sobre os quais reflete de um modo bastante particular, revestindo-os de sarcasmo e ironia. Além disso, é evidente que equilibra, na perfeição, assuntos mais sérios com outros mais triviais. Assim, tão depressa estamos a analisar questões futebolísticas, como transitamos para um plano filosófico, religioso ou literário, sem que a sequência perca sentido - quase como se fosse uma longa conversa.

«(...) a capacidade de fazer rir, não sendo capaz de 
evitar a queda, torna o percurso menos difícil»

Primeiro Vieram Pelos Humoristas, Um Desenho Beijou Outro Desenho, Netflix no Céu, Ideias Claras Sobre Vagas e Contextualizem-me foram as crónicas que me arrebataram. Mas todas, sem exceção, são sátiras muito bem construídas. Idiotas Úteis e Inúteis assume um tom mais político - sobretudo, no que diz respeito à política brasileira - e coloca a tónica em questões fraturantes - corrupção, racismo, desigualdade. Com um poder de síntese fascinante, também nos relembra da relatividade do tempo e da incoerência do ser humano.

«A língua portuguesa tem um valor nutritivo que as outras não têm»


Disponibilidade: Wook | Bertrand

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Fotografia da minha autoria



«O tempo é especialista em reviravoltas»


Há alturas
Em que o tempo pesa
Por passar tão rápido
E por levantar voo
Diante dos nossos olhos

Por [senti-lo] avançar
Tão frágil e subtil
Por entre os dedos
Fragmentam-se as memórias
Que não se puderam reerguer
Que nem ruínas esquecidas
Na escuridão

E por mais que tente
Nunca serei capaz de o parar


«Acordo de um sonho pintado a aguarela
Depois de vinte alarmes, corro para me arranjar
Abro as cortinas, espreito à janela
Já é dia inteiro e nem vi o sol chegar

Os pés torcem na calçada
Danço como shiva
Cansada acabo uma estrada
Boca seca sem saliva

Chá de folhas ou flores
Cala a voz das minhas dores
Preto, branco ou de alecrim
Vermelho, verde ou de jasmim

Dia escuro, céu nublado
Fim da tarde na cidade
Regresso a casa e ao passado
Entram as lembranças, mergulho saudade»

Fotografia da minha autoria



... Museu Futebol Clube do Porto!

[Há lugares que, por toda a sua magia e elo emocional, nos fazem sentir em casa. Aliás, plantam uma semente que nos deixa sempre a desejar um regresso. Durante quatro anos seguidos, tive a honra de viajar pelo Museu do Porto e, a cada novo reencontro, era como se me perdesse de encantos por um local distinto. Porque cada área é um misto de histórias, de vitórias, de mística. Há um legado que se estende pelos corredores, pelos troféus e pelas imagens expostas. E há, acima de tudo, a certeza de um presente igualmente promissor. Sei que pode ser uma visita dispensável para muitos, mas para mim, que sempre fui apaixonada por este clube, é sentir que tenho a oportunidade de o conhecer a fundo; de descobrir as vivências que não presenciei, ao mesmo tempo que recordo feitos que celebrei ao vivo ou à distância de uma transmissão televisiva. Por mais suspeita que seja, é inegável a beleza deste Museu. Porque é feito de uma chama imensa, que nos liga através de um amor comum. E, para conhecer todos os episódios de superação, «basta seguir as estrelas»].

Fotografia da minha autoria



«Criada por quatro amigos fãs desta bebida»


O chá é, de longe, a minha bebida de eleição. No entanto, no que diz respeito a bebidas alcoólicas, é a cerveja que ocupa um lugar de destaque, sobretudo, se for artesanal e/ou preta - e, nas marcas, tenho particular apreço pela Super Bock. Portanto, haver uma data comemorativa para a sua existência parece-me espetacular.

Celebrado na primeira sexta-feira do mês de agosto, o Dia Internacional da Cerveja partiu do fascínio de quatro amigos, sendo, hoje, «festejado em mais de 50 países». Existem inúmeras variedades e, a título de curiosidade, há copos específicos para várias delas. Além disso, apresentam alguns benefícios para a saúde.

Esta bebida é, ao que tudo indica, a mais consumida pelos portugueses. E, enquanto curiosa e apreciadora da mesma, reuni uma lista de marcas de cerveja artesanal portuguesas que pretendo, em breve, experimentar.


SOVINA

«A Sovina foi pioneira no conceito de cerveja artesanal em Portugal. O impulsionador da ideia foi Alberto Abreu, após vários anos a aprofundar o conhecimento cervejeiro. À paixão de Alberto, juntaram-se Arménio Martins e Pedro Sousa, motivados pelo comum entusiasmo pela cerveja e pelo seu fabrico, formando a empresa Os Três Cervejeiros. O projeto começou em 2009 e já se tornou uma referência no setor de cervejas premium».


OPO 74

«A OPO74 Brewing Company nasce da vontade de criar uma gama de cervejas alternativas, de qualidade superior e cujo desígnio não se resuma à palavra premium num rótulo. As nossas cervejas são elaboradas apenas com ingredientes naturais, de qualidade e sem adição de quaisquer produtos químicos, nomeadamente corantes e conservantes. Apenas cereais maltados, lúpulos, leveduras e água. Outros ingredientes poderão ser utilizados, mas serão sempre naturais, de qualidade e para dar características que as tornem únicas».


LETRA

«É ainda em ambiente académico que surge a FermentUM, spin-off da Universidade do Minho, que em 2013 apresenta no mercado a Cerveja LETRA. Com um único objectivo de criar em Portugal um maior conhecimento e cultura cervejeira temos procurado inovar e elevar o valor do produto cerveja em Portugal. Em 2015 criamos o conceito Letraria Brewpub onde nos sentimos realmente bem e mais próximos dos nossos seguidores».


Dois Corvos

«A Dois Corvos é uma cervejeira familiar e independente, em Lisboa. Produzimos cervejas artesanais distintas que são distribuídas por Portugal e além. A nossa cervejeira tem um Tap Room, no bairro de Marvila, onde as nossas cervejas são servidas directamente da fonte. A Dois Corvos tem apostado desde sempre num portfolio variado de cervejas — desde IPAs e cervejas session até stouts complexas, a cervejas envelhecidas...».


OITAVA COLINA

«Nascemos em 2015 para produzir as cervejas que queríamos beber, sempre com o foco na qualidade. Montámos a nossa fábrica no bairro da Graça, em Lisboa, e a partir daí embarcámos na nossa missão de alterar o consumo de cerveja em Portugal. Acreditamos que o temos conseguido e sabemos que o vamos continuar a fazer. Fizemos dezenas de cervejas novas, chegámos a todo o país, exportámos para vários pontos do globo e abrimos os nossos próprios estabelecimentos de venda ao público, em Lisboa».


NORTADA

«A nossa história começa com o sonho de dois amigos em ver nascer um projeto diferente na cidade do Porto e no mercado cervejeiro nacional! O objetivo deles era claro: contribuir para o crescimento do movimento da cerveja artesanal e apresentar ao mercado português uma marca de cerveja artesanal que democratizasse o acesso à cerveja de qualidade [...] do coração da Invicta para o mundo, queremos ser vento da mudança».



São apreciadores de cerveja?

Fotografia da minha autoria



«Talvez o mais belo dos três livros da maturidade de Chico»


O curso da vida leva-nos a palmilhar rotas desconhecidas, que nos desarmam e que tantas vezes nos fazem reconsiderar o seu sentido, quase como se fossem um teste à nossa lealdade e ao nosso discernimento. Por outro lado, é este traço imprevisível que nos mantém em movimento. E foi por este princípio que, a caminho da Feira do Livro do Porto, em 2020, aceitei a sugestão da Rita da Nova e adquiri um livro de Chico Buarque.

«Quando se abriu um buraco nas nuvens, me pareceu que sobrevoávamos Budapeste»

Budapeste permite-nos acompanhar um ghost writer em atividade, vendo-o dividir-se em realidades paralelas, com idiomas, amores e cidades distintos. Inclusive, a própria personalidade aparenta fragmentar-se, explorando camadas, até então, impensáveis - ou, apenas, reprimidas. Perdido de encanto pela língua húngara, José Costa, o nosso protagonista, abre-nos a porta para um jogo de duplos e de opostos, ao mesmo tempo que procura compreender o impacto que todas essas mudanças têm no seu quotidiano e no seu futuro.

«Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco»

A escrita do cantor e ficcionista tem música e poesia. Numa narrativa simples, cruza abismos, sentimentos complexos e acontecimentos que nos deixam no limbo, até porque colocam em causa valores humanos. Mas a leveza com que o faz consegue serenar-nos, ainda que não tente romantizar qualquer detalhe. Assim, prendendo-nos à sua dualidade, enfrentamos uma crise existencial e criativa. Refletimos sobre as escolhas que fazemos. E equacionamos o poder do compromisso e o respeito com que tratamos e cuidamos [d]os outros.

«Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a lado, cada qual com seu silêncio»

Budapeste é um labirinto emocional, que ultrapassa fronteiras geográficas, enquanto cria barreiras entre relações débeis. E é nesta dicotomia que percebemos que, por maiores que sejam os planos, a sensação de desajuste mantém-se, porque permanecemos incompletos, procurando preencher o vazio que habita em nós.

«O som que ainda agora me irritava foi me apaziguando, e no seu embalo adormeci»


// Disponibilidade //

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«You are the light»


Os acasos da nossa jornada podem conter traços surpreendentes. Por isso, deleito-me sempre que me cruzo com novos artistas, naqueles momentos em que parece que os astros se alinham, apenas para conhecermos uma sonoridade inspiradora. E foi isso que me aconteceu com António Graça, mais conhecido por Left.

O seu registo musical conquistou-me de imediato, atendendo a que tem tanto de dançável, como de reflexivo. Portanto, soube do lançamento do seu disco de estreia com um enorme entusiasmo. Perspective divide-se em 14 temas, espelhando a importância que os diversos panoramas de um mesmo plano exercem durante o seu processo criativo e a sua vida. Porque «tudo depende de uma perspetiva». Aliás, «a confiança e a insegurança, o amor e o ódio, a fé a descrença são tudo adaptações da mesma essência, [mas] com cores diferentes».

Como o próprio mencionou, foi esta dinâmica que lhe potenciou uma noção valiosa, uma vez que «não há nada sem um ponto de observação ou de contraste». Além disso, é neste contraponto que vamos viajando, compreendo que, nas suas letras, existem muitas visões do mundo, limitações e a consciência que a sua análise pode já não fazer sentido. Mas é isso que implica crescer. Em simultâneo, torna-se evidente que quer «ser muitas coisas ao mesmo tempo», sem, no entanto, perder o foco. E foi esta pluralidade que me cativou e que me fez apaixonar por este álbum. Porque é rico em emoções, sensações, pensamentos e realidades.

Perspective tem um toque eletrónico e profundo; e uma identidade que sustenta cada canção com poder individual. Porém, é o conjunto que nos arrebata com todas as suas camadas, alargando-nos os horizontes.

Fotografia da minha autoria



Tema: O primeiro autor que leste

Avisos de Conteúdo: Morte


A nossa caminhada livrólica vai evoluindo, porque descobrimos outras necessidades e aprimoramos os nossos gostos. No entanto, considero importante regressarmos às origens, sobretudo, pelo seu simbolismo. Por isso, para o mês de agosto, tendo a [também minha] cidade de Bragança como palco de fundo, quis que o Alma Lusitana me desse boleia até ao primeiro autor que li - ou a um dos primeiros. E voltei a ler Álvaro Magalhães.

«Quase todas as palavras 
precisam de ser limpas e acariciadas»

O Limpa-Palavras e Outros Poemas é um exemplar que nos faz sonhar, que apela à nossa imaginação, ao nosso bom senso e, até, à empatia. Porque, através de um grande jogo de palavras, deixa-nos conscientes sobre nós e sobre aquilo que nos rodeia. Esta obra abriu-me a porta para a literatura infantil e, em especial, para a poesia e mostrou-me que a falta de condescendência e de facilitismos no diálogo é a melhor maneira de permitir que as crianças cresçam no plano narrativo. Além disso, tem uma dinâmica muito original e apelativa.

«Sem portas não havia
a palavra intimidade
nem a palavra privacidade
nem a palavra casa»

Os poemas desta coletânea são um hino à riqueza das palavras, encantando-nos com a sua magia. E, através de um sentido de humor refinado, levam-nos numa viagem pela memória, pela complexidade do tempo, pelo processo criativo, pela linha ténue que separa o real da ficção e, ainda, pelos sentimentos que nos movem.

«Depois cresceu até ficar
com a ponta de uma pétala
fora da Natureza»


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«Para caracóis perfeitos e de acordo com a sua preferência»


A relação que mantenho com o meu cabelo sofreu metamorfoses, porque nem sempre apreciei a sua identidade. Inclusive, houve uma fase em que desejei tê-lo liso, talvez por não saber tirar o melhor partido destes caracóis rebeldes. À medida que fui crescendo, aprendi a estimá-los e, agora, dispenso esticá-los. É impressionante como a nossa perceção se altera, quando estamos confortáveis com as nossas características.

Embora não seja a pessoa mais dotada para fazer penteados, há já algum tempo que pretendia investir num modelador. Assim, sem perder por completo a sua forma de base, conseguiria um resultado distinto e, quem sabe, com um pouco mais de elegância para eventos especiais - ou só para quando me apetecesse mudar ligeiramente. Após ler/ouvir várias opiniões, optei por um modelo em particular: o Precious Curls, da Rowenta.


 ROWENTA PRECIOUS CURLS 


 3 PONTOS CHAVE 

1. Dispõe de três programas de cuidado
Adaptado a cada tipo de cabelo - fino, normal e grosso -, é possível alcançar um resultado perfeito, sem o danificar. Além disso, ao selecionarmos o tipo de programa, o modelador regula, de imediato, a temperatura.

2. Temporizador com aviso sonoro
O Precious Curls incorpora três tempos de modelação: 5, 8 e 10 segundos. E dispõe de um temporizador integrado, com aviso sonoro, para termos um maior controlo, evitando sobreaquecimentos. Consoante o resultado que pretendamos, apenas necessitamos de escolher o tempo de modelação indicado para tal: «para caracóis soltos, o tempo de modelação deve ser curto. Para caracóis mais definidos, deve ser mais longo».

3. Ecrã LCD
Que permite um ajuste visível e personalizado, dependendo do nosso tipo de cabelo.


 CURIOSIDADES 

- Tem um revestimento de queratina e caxemira com óleo de argão; 
- O seu diâmetro é de 25mm;
- Desliga, automaticamente, ao fim de uma hora, caso não esteja a ser utilizado;
- Tem rotação de 360º;
- Está pronto a usar, ao fim de 45 segundos;
- A ponta do modelador é fria, permitindo um manusear com maior segurança.


 A MINHA APRECIAÇÃO 

Só o usei três vezes, porém, confesso, conquistou-me logo na primeira utilização. Porque é muito prático e intuitivo. Além do mais, potencia um processo bastante célere, cumprindo, na perfeição, o que promete.

Outro dos aspetos que me deixou encantada prende-se com a durabilidade. Visto que já tenho caracóis, poderia ser mais fácil de fixar, o grande senão é que o meu cabelo é pesado, portanto, este género de penteados não costuma aguentar muito. No entanto, com este modelador, sinto que os caracóis permanecem modelados por mais tempo. Claro que não há milagres, ainda assim, o efeito é bem mais duradouro.

Foi, com toda a certeza, um excelente investimento. Não podia estar mais satisfeita.


«Diz que sou estranha
Que tenho traços especiais
Como se houvesse alguma coisa errada em mim
Que nem se entranha
Que não sei quê, não sei que mais
Será que nunca tinham visto alguém assim?

[...]

Diz que sou tonta
Por ter a franja desigual
E por andar sempre descalça por aí
Que sou do contra
Por não ver o telejornal
E que me visto à rapaz só porque sim

Sinto que o mundo vai virando do avesso
Enquanto falam, eu faço e aconteço
Se há festa em apareço
Eu quero é dançar e ser assim como sou

[...]

E quero lá saber se sou normal
Eu sou poema de Pessoa, arco-íris, vendaval
Sou Joana d'Arc, sou Zé Ninguém
Sou quem eu for quando eu quiser
E se incomoda ainda bem
Eu sou assim, sou como sou
Um palácio inacabado
Um infinito atrás do fim

[...]

Deste meu jeito que é meu, desta forma
Venha o fado que eu sambo a morna
Deste meu jeito que é meu, que é feitio
Só sei que a vida é feita para viver
E eu vou viver deste meu jeito que é meu»
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andreia morais

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