Entre Margens

Fotografia da minha autoria



«Um projeto de leitura para comemorar os 30»


A literatura é uma expressão artística - cada vez mais - imprescindível na minha caminha, o que não constitui segredo para ninguém. Por isso, procuro abraçar sempre novas maneiras de me estimular a ler com uma certa consistência ou, então, a pegar naqueles títulos que vão ficando perdidos nas estantes. Portanto, aventurei-me no desafio literário criado pela Pam Gonçalves, cujo propósito passava por ler 30 livros antes dos 30 anos.

Iniciei esta jornada no primeiro dia de 2021, ciente que a meta estava, logo de imediato, definida para o próximo dia 15 de abril, data em que atinjo a idade em questão. A margem temporal deixava-me, então, confortável o suficiente para alargar horizontes e gerir leituras que sentisse mais prioritárias. Com altos e alguns baixos, creio que foi um exercício fantástico, que me aproximou de narrativas que, talvez, noutras circunstâncias demorariam a entrar na minha vida. E, só por isso, o desafio já tinha valido totalmente a pena.

Com o intuito de registar tudo o que dissesse respeito ao 30 Antes dos 30, criei um separador no meu Bullet Journal. No seu interior, tinha molduras com os respetivos nomes, que ia pintando à medida que os concluísse. A última moldura foi preenchida, num tom de verde esperança, a 31 de março. Mas o ponto de onde parti não foi bem aquele onde cheguei, porque senti necessidade de fazer pequenos ajustes durante o processo.


 A LISTA QUE TINHA PARA LER 


   


 A LISTA QUE LI 


   
   
A grande maioria dos títulos permaneceu inalterável. No entanto, acabei por trocar dois deles. Deste modo, em vez de ler Uma Educação, de Tara Westover, e Vidas Adiadas, de Dorothy Koomson, optei por ler Apenas Miúdos, de Patti Smith, e Não Serei Eu Mulher?, de Bell Hooks. E, reconheço, foi a decisão mais acertada.

Uma anotação: a ordem pela qual aparecem não representa a ordem pela qual os li. Tal como faço sempre, tive em consideração a minha predisposição para descobrir as histórias e o que fazia mais sentido no momento.


 OS FAVORITOS E AS DESILUSÕES 



Tenho o cuidado de retirar o melhor de cada narrativa, mas mentiria se dissesse que não me desiludi com algumas, porque ficaram aquém das minhas expectativas. Por outro lado, houve outras que me arrebataram.


AS DESILUSÕES

      


OS FAVORITOS

      

Equilibrei este desafio com o Alma Lusitana e com outras iniciativas literárias, o que me permitiu uma participação muito mais prazerosa, sem ter a sensação que o tempo começava a esgotar-se. Este conceito, em 2020, não estava nos meus planos, mas revelou-se uma dinâmica muito original e que me encheu as medidas. 

Ainda tenho algumas publicações reservadas dentro do tema, porque não partilhei todas as opiniões sobre as obras que li - e quero escrever sobre as sete que faltam. No entanto, alcancei a meta e estou entusiasmada com as curvas bonitas que este desafio proporcionou. Pode ser que o repita para assinalar outros marcos.


«Nunca pensei que fosse assim
Um dia não, um dia sim
Nem consigo imaginar
Se é por aqui que lá vamos chegar

[...]

Dizes ter tantos defeitos
Mostra-me que eu posso dar um jeito
Só te quero fazer ver
Que ainda há tanto, tanto a fazer

E eu sei que o teu segredo
Afinal é só medo

E eu não, não vou dizer
Que para ganhar é preciso perder

E eu não, não vou ficar
À tua procura
Eu vou-te encontrar
Porque eu não
Não vou deixar de tentar»

Fotografia da minha autoria



... Abril!

[O mês do meu aniversário e do aniversário de pessoas tão essenciais na minha vida, por serem colo, asa e resistência. E, como se este motivo não fosse suficiente, ainda é o mês que grita liberdade e que tem uma data específica para que possamos celebrar o esplendor dos nossos amados livros. Aliás, são duas, porque o livro infantil tem um destaque individual, podendo marcar toda a nossa trajetória enquanto pequenos leitores em crescimento. Confesso que nem sou muito de números pares, mas o 4, no calendário, foi conquistando um elo especial - talvez por já ter acontecido tanta coisa. Por isso, abril também é parte da minha identidade. E acredito que, mesmo tendo um traço forte de saudade, reservar-me-á sempre momentos inesquecíveis].

Fotografia da minha autoria


«A vida é sonho tão leve»


O tempo avança célere e os trinta estão a um passo de me apanharem na curva. E se, por um lado, é uma sensação estranha, por outro, é um traço doce de evolução. E a verdade é que, na mesma medida em que nunca estive ansiosa para atingir determinada idade, também estive sempre em paz com a ideia de envelhecer.

Na qualidade de futura aniversariante, é claro que tenho uma lista de desejos suficientemente versátil para incluir várias áreas que me movem e apaixonam - e que continuam presentes pela sua importância.

 FORTALEZA 
Um jantar em grande com a minha família e os meus amigos mais próximos.
[ainda vai ter de esperar um pouco mais, mas havemos de conseguir]

 À BOLEIA 
Um fim de semana no The Literary Man Óbidos Hotel;
Uma visita à Livraria Lello.

 PARA O QUARTO 
Roupeiro Hauga com portas deslizantes;
Estrutura de cama Hauga estofada.

 LIVROS 
A Noiva Judia, Nuno Nepomuceno;
Cidade de Espiões, Mara Timon;
Com o Humor Não Se Brinca, Nelson Nunes.

 ESPETÁCULOS 
Jogo do Bicho [Stand Up];
Voltar ao Dragão;
Diogo Piçarra no Multiusos de Guimarães.

 DERIVADOS 
Betty | T-shirt rosa com ombreiras [Peryod The Brand];
Chá Lá Lá [álbum Miguel Araújo];
Ginza pro Brush Pen em display c/30 unidades.


 AJUDA  
Vocês sabem que gosto sempre de celebrar o meu aniversário com uma publicação especial, mas faltam-me ideias. Posso contar convosco para me lançarem desafios? Com que publicação deveria celebrar no blogue?

Fotografia da minha autoria


«Gostava de te convidar para minha casa»

Avisos de Conteúdo: Morte, Luto, Assédio


As margens da poesia são extensas como a infinidade das nossas vivências. Por isso, é sempre especial quando nos redescobrimos nos versos de poetas clássicos ou contemporâneos, sentindo-os a validar inúmeras emoções. E ter descoberto Filipa Leal foi uma espécie de brisa que aconchega e que nos fala ao coração.


UMA COLETÂNEA PLURAL

Vem à Quinta-Feira é uma coletânea plural, que se divide por temas diversos e, ainda assim, tão transversais à Humanidade, com particular destaque para «as dificuldades que a geração da autora passou» e, na realidade, continua a passar. No entanto, também faz uma travessia pelas memórias, pelos [des]amores e pelos sentimentos que sustentam a nossa trajetória, as relações interpessoais e as decisões que marcam o futuro.

«Cala-te um bocado junto ao mar
já tão cansado de lirismos e de piratas amadores»

A escrita da autora é tão relacional, que eu transpus os cenários descritos e adequei-os à minha realidade, sentindo na pele os desassossegos, a nostalgia e as projeções. E é curioso como, sem a conhecer, paira a sensação de estar envolvida numa conversa de café, a escutar e a partilhar experiências. Sendo transparente acerca dos seus dramas pessoais, há uma abordagem intimista que nos faz querer permanecer por perto.

«Porque andamos todos à procura uns dos outros dentro 
e fora de quem somos e parece que nos desencontramos»

Vem à Quinta-Feira espelha a saudade e uma vontade de fuga. E, tal como uma janela aberta para o mundo, num jogo de palavras intuitivo que nos conquista de imediato, mostra-nos esse pulsar que vem de dentro e que nos une num dialeto comum - mesmo quando nos perdemos, mesmo quando demoramos a encontrar-nos.

«Mas compro-lhe o poema. Melhor vender poesia do que vender a alma»


|| Disponibilidade ||

Wook: Livro | eBook
Bertrand: Livro | eBook

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

Fotografia da minha autoria



«Um misto de profunda inteligência com total disparate»


A televisão continua a ser uma fonte de informação por excelência, estreitando distâncias e alargando conhecimentos acerca do que acontece para lá das nossas paredes e do território nacional. Por outro lado, acredito que também deva ser um palco de entretenimento. É certo que, hoje, perante a evolução humana e tecnológica, são mais as plataformas onde podemos encontrar programas que nos encham as medidas, mas a magia da caixa mágica tem outro encanto e é fantástico quando encontramos apostas que o comprovam.


JOGOS E HUMOR

Taskmaster é o nome de um programa britânico, criado por Alex Horne e apresentado pelo próprio em conjunto com Greg Davies. Com uma clara vertente cómica, o propósito deste formato é fazer com que um grupo de celebridades complete uma série de tarefas. No fim, serão atribuídas pontuações aos seus desempenhos.

Confesso que não conhecia este conceito, até saber que a RTP iria transmitir a versão portuguesa.


A VERSÃO PORTUGUESA DE TASKMASTER

A estrutura do programa desenvolve-se nos mesmos parâmetros. E eu fiquei logo conquistada pela sua energia, até porque sinto que os intervenientes foram escolhidos a dedo, combinando na perfeição. 

O cargo de Taskmaster pertence ao carismático Vasco Palmeirim, contando com um invejável braço direito: Nuno Markl. E serão eles que, todas as semanas, colocarão à prova Inês Aires Pereira, Jessica Athayde, Gilmário Vemba e Toy, enquanto elenco residente, e um convidado especial, que muda todos os episódios.

Os desafios, por seu lado, questionarão a «destreza física, criativa e especialmente a dignidade e coragem» de cada participante. Interligando divertimento e uma elevada dose de loucura, tudo pode acontecer. Para motivar a prestação de cada um deles, no início do programa, entregam «um bem precioso, emocional ou simbólico», que será conquistado pelo grande vencedor - quase como se fosse a famosa montra final do Preço Certo.

Tem sido uma odisseia acompanhar as provas - e o formato, no geral -, porque é hilariante a maneira como procuram responder às tarefas, que aparentam ter um traço simples, mas que se revelam mais complexas à medida que são executadas e, sobretudo, quando acabam por complicar e enveredar por abordagens surreais.

Nas palavras de Markl, Taskmaster «é um concurso e não é. É um mini Jogos Sem Fronteiras. É um misto de profunda inteligência com total disparate». E, no fundo, por mais que soe a lugar comum, era tudo aquilo que precisávamos e ainda não sabíamos. Porque é descomplicado, original e apelativo, cumprindo a grande missão de entreter. E vê-los sob pressão, a fazê-lo com tanta classe - ou talvez não - tem muito mais graça.

Creio que este género de programas só funciona, caso exista uma excelente química entre todos os envolvidos. E isso acontece. Aliás, é contagiante a sintonia dos apresentadores e a competição saudável, mas audível, dos cinco magníficos. Ficaria horas na companhia das suas peripécias. Embora ainda não tenha terminado, só espero que Taskmaster se renove por mais temporadas. Porque é absolutamente extraordinário.

Fotografia da minha autoria



Tema: Um livro de um autor pouco conhecido


A minha visita à Feira do Livro do Porto, no ano transato, encaminhou-me para o stand da Poetria, porque fiquei com vontade de abraçar as obras da Fresca: uma «editora de poesia dedicada a novos autores, potenciando «uma plataforma para um grupo em ascensão». E foi assim que conheci Inês Morão Dias.


OLHAR O MUNDO

Par de Olhos é a estreia da autora. E nos seus versos, que nos abrem uma porta para distintas realidades, somos convidados a caminhar no mesmo compasso que o seu, para observarmos muito daquilo que podem ser os nossos dias. Porque a sua poesia divide-se por medos, por amores, por memórias e por mais uma série de questões do quotidiano, aparentemente tão comuns, mas sempre tão prolíferas nas suas entrelinhas.

«que bom seria descoser o casaco
inteiro
e sacudir
rosas, pérolas, chávenas
comboios
manhãs»

Pedro Mexia destaca a «segurança verbal, estrófica [e] sintáctica», de alguém que sabe o que quer transmitir. Por outro lado, alerta para a dificuldade de respondermos à pergunta «sobre o que é este livro?», talvez por caber nele tantos assuntos, atendendo a que existem vários aspetos e situações que nos inquietam e/ou que nos interessam. Com um traço mais racional, mostra-nos que estamos em permanente processo evolutivo.

«és tu quem chove
és tu todas as coisas»

Par de Olhos apresenta-nos o mundo: o de dentro e o que habita fora do nosso peito.

«apesar dos ecos
e profecias
não és o público
nem o crítico
do que virá»

Fotografia pessoal



«O suficiente para estabelecer limites»


Os limites, sobretudo, do humor estiveram sempre na mira do escrutínio público, porque é muito ténue a linha que separa o traço cómico da violência verbal e psicológica. E o que aconteceu na cerimónia dos Óscares veio recentrar a discussão, inflamando as sucessivas partilhas em rede. Mas será que o humor deve ter limites?


TER LIMITES OU NÃO TER LIMITES, EIS A QUESTÃO

Creio que as fronteiras que validam esta manifestação artística também existem, como em tudo na vida, porque nos estimulam a compreender até onde podemos ir e até onde permitimos que os demais cheguem connosco. No entanto, sempre defendi que o humor não deve ter limites. E por uma razão muito simples, mas que, para mim, faz toda a diferença: limitar os temas em que uma piada pode ser escrita é perpetuar diferenças; é, por muito que não pareça, conceder espaço para que se persista numa base de discriminação.

Assumir que alguém se sente ofendido porque, direta ou diretamente, a sua condição, a sua doença ou alguma das suas fragilidades mais proeminentes é o foco de um gracejo é errado. Há essa possibilidade, sim, e é legítima, porém, parece-me perigoso evocar essa generalização. Em 2013, quando partilhei um artigo acerca do Hino Cancro Com Humor, não foi só pela pertinência, mas também por um pensamento verbalizado por Marine Antunes: «queremos ser inspiradores e mostrar que precisamos mais de uma bela gargalhada do que de um pote de pena». Portanto, esta questão dos limites tem mais áreas cinzentas do que certezas absolutas.

É um direito não utilizar a dor do outro [na maior parte dos casos, enquanto representação abstrata] para uma escrita de cariz humorístico. Mas nunca será justo retirar-lhe a oportunidade de se rir com ela. Porque ser empático e calçar os sapatos de quem nos rodeia é saber que a forma como encaramos as adversidades pode ser antagónica. E, ainda que a vida nos puxe o tapete, isso não significa que nos prive de sentido de humor.

Deste modo, retorno à - minha - questão inicial: será que o humor deve mesmo ter limites? Depende da linha que separa a liberdade de cada ser humano. E, se calhar, precisamos de mais formatos que o comprovem.


TABU: UM PROGRAMA PARA ALARGAR HORIZONTES

Bruno Nogueira, Frederico Pombares e Guilherme Fonseca são os responsáveis pela versão portuguesa do programa Tabu, criado na Bélgica [e que também já foi transmitido na Austrália], com o propósito de perceber se é possível rirmos de temas considerados mais sensíveis. E, efetivamente, é possível que o façamos.

O exercício, tal como Bruno Nogueira mencionou, acaba por ser libertador para todos os envolvidos, porque mostra que esses assuntos podem ser explorados sem pudores ou receios e porque potencia um debate na sociedade. Para tal, durante uma semana, conviverá com um grupo de pessoas que «têm ou vivem numa condição vulnerável ou supostamente interdita ao riso, como as deficiências físicas, o racismo, a obesidade ou as doenças mentais». E se estes grupos, que sentem na pele os efeitos dessas condicionantes, têm a capacidade de brincar com as mesmas, quem sou eu para afirmar que é ali que deve ser imposto o limite?

Recentemente, alguém próximo disse-me que não achou graça ao programa, porque incomodou-o ver o humorista a gozar com pessoas gordas. Entendi o seu ponto de vista, ainda que não concorde com o termo gozar, mas contrapus que, enquanto pessoa com excesso de peso, tive outra perceção daquela realidade. Aliás, achei o episódio precioso, porque a relação com a nossa imagem e com o espelho nem sempre é fácil e saudável, mas a capacidade de sabermos rir das nossas fragilidades não é uma questão de peso - pode oscilar bastante, consoante o nosso estado de espírito, mas não está dependente do tamanho da roupa que vestimos.

Para ser honesta, nunca sofri na pele a perseguição constante ou a violência de ser posta de parte por causa do meu peso [ou, pelo menos, nunca o assumi como tal]. Mas já senti o peso de um olhar, já me senti uma merda por ver o mundo a afunilar para um tipo de corpo que não é o meu. E há muita coisa que não me serve. Contudo, a aceitação também se trabalha. E nem é tanto a aceitação externa, é mais a pessoal; é o reconhecer que o número da etiqueta não é mais do que isso - ainda que me represente, nunca me definirá.

Esta será sempre uma batalha diária e em nenhum momento do programa me senti melindrada com o que foi pronunciado. Talvez por estar num lugar bom; talvez por sentir que esse processo está a surtir efeito. Mas esta é, somente, a minha verdade e não posso querê-la universal. Eu encontrei neste humor uma catarse, uma maneira de expiar fantasmas. Quem está ao meu lado pode ter outra perspetiva. E nenhum estará errado.


QUEM BALIZA OS LIMITES?

Todos e, ao mesmo tempo, ninguém. É difícil, para não dizer impossível, atribuir um teto máximo. Porque nunca será o humorista a estipular o que é ofensivo para terceiros. Pelo mesmo princípio, o público também não o poderá fazer. Todos temos contextos, bagagens e, até, traumas distintos, portanto, as coisas tocar-nos-ão com um impacto diferente. O humorista tem liberdade para escrever as piadas que entender e apresentá-las num solo. Eu tenho a liberdade de considerar o que pode ou não ser ofensivo. Para mim, nunca para os outros.

Não são os nossos limites que validam os dos nossos pares, porque não conhecemos a profundidade das suas cicatrizes. Por isso é tão importante respeitarmos o espaço de cada um. E, se calhar, abraçando as suas fronteiras, mas sem limitarmos as rotas por onde navega, o humor pode ser uma porta aberta para respeitarmos as diferenças sem condescendências. Porque, no meio de uma gargalhada, o humor nunca será uma arma de violência, mas, antes pelo contrário, pode salvar-nos, impedindo-nos de afundar na nossa dor.


«Não te interessa
Se perdi a vontade e a cabeça
Assim começa
A insónia faz de mim uma presa
A pensar em tudo o que não interessa

[...]

Vou embora
Senão perco as maneiras
E o bom senso
Quanto mais eu sinto
Menos eu penso

Todos me querem e eu quero quem?
Todos me cobram quando lhes convém
Dou tudo, sou nulo, porquê?

[...]

Como eu estou
Só porque dou tudo o que sou
A quem me deixou
Como eu estou
Só porque dou tudo o que sou
A quem não ficou
Como eu estou
Só porque dou tudo o que sou
A quem não pensou

Não, não, não
Isto não é poesia
É sentir em demasia
[...]
De um coração à discrição»

Fotografia da minha autoria



... Joaninhas!

[A lengalenga ecoa, em surdina, na minha memória: Joaninha voa, voa, que o teu pai foi a Lisboa. E termino aqui, porque não me recordo de mais. Apesar disso, gostei sempre de joaninhas, da liberdade que transmitem, da delicadeza, do toque a primavera. Há uns dias, recebi a visita desta pequena e recuei à infância e aos momentos em que, com uma a viajar pela minha mão, sentia o mundo a levitar e eu quase a levantar voo].

Fotografia da minha autoria



«Permita-se à novidade, faz parte da evolução»


Cheira a ar fresco
Nas redondezas de sempre
Ou terei sido eu
Que por me livrar
De bagagens inesperadas
Me renovei
E tudo me cheira a novo?

Há um aroma a novidade
Que me inebria
Que me retira de mim
E olhando a passagem que me reveste
É como se acordasse num lugar distante
Ausente do meu passado

Abro as portadas contra o vento
E a brisa perfumada abraça-me
Ao longe vejo o Douro
E já posso esvaziar o peito
Porque é terna
A sensação de travessia

Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial

andreia morais

andreia morais

a escrever entre margens, poesia e sobre cultura portuguesa


o-email
asgavetasdaminhacasaencantada
@hotmail.com

portugalid[arte]

no silêncio

instagram | pinterest | goodreads | e-book | twitter

margens

  • ▼  2026 (81)
    • ▼  setembro (5)
      • feira do livro do porto 2026
      • descolonizar o sujeito poético, sara duarte brandão
      • linhas de valor acrescentado, inês meneses
      • o olhar diagonal das coisas, ana luísa amaral
      • as coisas maravilhosas de agosto
    • ►  julho (9)
    • ►  junho (12)
    • ►  maio (8)
    • ►  abril (10)
    • ►  março (11)
    • ►  fevereiro (12)
    • ►  janeiro (14)
  • ►  2025 (206)
    • ►  dezembro (21)
    • ►  novembro (12)
    • ►  outubro (14)
    • ►  setembro (16)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (18)
    • ►  junho (19)
    • ►  maio (21)
    • ►  abril (22)
    • ►  março (21)
    • ►  fevereiro (19)
    • ►  janeiro (22)
  • ►  2024 (242)
    • ►  dezembro (24)
    • ►  novembro (17)
    • ►  outubro (17)
    • ►  setembro (18)
    • ►  agosto (12)
    • ►  julho (23)
    • ►  junho (20)
    • ►  maio (23)
    • ►  abril (22)
    • ►  março (21)
    • ►  fevereiro (21)
    • ►  janeiro (24)
  • ►  2023 (261)
    • ►  dezembro (23)
    • ►  novembro (22)
    • ►  outubro (22)
    • ►  setembro (21)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (21)
    • ►  junho (22)
    • ►  maio (25)
    • ►  abril (23)
    • ►  março (24)
    • ►  fevereiro (20)
    • ►  janeiro (22)
  • ►  2022 (311)
    • ►  dezembro (23)
    • ►  novembro (22)
    • ►  outubro (21)
    • ►  setembro (22)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (25)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2021 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2020 (366)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (29)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2019 (348)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (29)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2018 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2017 (327)
    • ►  dezembro (30)
    • ►  novembro (29)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (29)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (24)
    • ►  abril (28)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (20)
  • ►  2016 (290)
    • ►  dezembro (21)
    • ►  novembro (23)
    • ►  outubro (27)
    • ►  setembro (29)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (26)
    • ►  junho (11)
    • ►  maio (16)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (29)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2015 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2014 (250)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (28)
    • ►  setembro (23)
    • ►  agosto (13)
    • ►  julho (27)
    • ►  junho (24)
    • ►  maio (18)
    • ►  abril (16)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (15)
  • ►  2013 (52)
    • ►  dezembro (13)
    • ►  novembro (10)
    • ►  outubro (9)
    • ►  setembro (11)
    • ►  agosto (9)
Com tecnologia do Blogger.

Copyright © Entre Margens. Designed by OddThemes