«Paul Walker (1973-2013): morreu o polícia de Velocidade Furiosa
Actor morreu num acidente de automóvel.
O actor americano Paul Walker, um dos heróis da popular série de filmesVelocidade Furiosa, morreu na noite de sábado num acidente de automóvel em Los Angeles, aos 40 anos de idade.
Antigo actor-criança em anúncios e séries de televisão, Walker passou grande parte da década de 1990 em papéis secundários em filmes de série B destinados ao mercado adolescente, antes de atingir o jackpot ao contracenar com Vin Diesel em Velocidade Furiosa (2001), ambientado no meio das corridas de automóveis “kitados” do submundo de Los Angeles e onde interpretava um polícia infiltrado. Walker fez parte do elenco de cinco dos seis filmes da série e encontrava-se agora a rodar o sétimo, que tinha estreia marcada para Julho próximo.
Apesar do sucesso obtido por Velocidade Furiosa, ou talvez devido a ele, o actor nunca escapou aos filmes de acção de série B, como Não Brinques com Estranhos de John Dahl (2001), Resgate no Tempo de Richard Donner (2003), Profundo Azul de John Stockwell (2004) ou Medo de Morte de Wayne Kramer (2006). Entre os seus raros papéis “fora do género” contam-se As Bandeiras dos Nossos Pais de Clint Eastwood (2006) e um dos dois filmes que tinha completados à espera de estreia, Hours de Eric Heisserer, onde interpreta um pai que tenta salvar a filha em Nova Orleães durante o furacão Katrina.
Conhecido pelo seu gosto da adrenalina, tendo competido em corridas automobilísticas e recusado duplos para várias cenas de acção de Velocidade Furiosa, Walker era proprietário de vários carros de alta cilindrada e de uma garagem especializada, cujo director, Roger Rodas, morreu igualmente no acidente de sábado. O actor era formado em biologia marinha e participou numa expedição filmada da National Geographic Society para estudar os tubarões brancos, e era o impulsionador de uma fundação para ajudar vítimas de catástrofes naturais.
Foi à saída de um evento de recolha de fundos para as vítimas do tufão Haiyan, que afectou recentemente as Filipinas, que Walker e Rodas morreram. O automóvel onde viajavam, conduzido por Rodas, ter-se-à despistado a alta velocidade e chocado contra um poste de iluminação. O actor deixa uma filha de cinco anos».
É cruel. É estranho. E isso sê-lo-à sempre. Porque o que está aqui em causa, mais do que o nome, é o facto de ser a morte de alguém, que deixa alguém que, por mais tempo que passe, nunca será capaz de recuperar o pedaço de vida que lhe arrancaram do peito.
Não queria acreditar quando liguei o portátil e a primeira notícia que vi foi esta. Parece que há algo que nos abala profundamente, nos deixa incrédulos, sem qualquer reação, como se fosse alguém próximo, um amigo, um confidente, alguém com quem partilhamos experiências e aventuras. Não era, mas seguramente que invadiu a casa de muitos de nós durante todos estes anos. E por isso é que nos custa tanto. Por isso é que o sentimos tanto. Como se fosse um amigo de longa data ou um familiar de quem não nos conseguimos separar.
Serás sempre recordado pelo «Velocidade Furiosa», ainda que o teu percurso seja muito mais vasto do que isso. Mas eu nunca serei capaz de esquecer «Antárctida - Da Sobrevivência ao Resgate». Nunca! As cenas incrivelmente bem feitas, a emoção que senti em todas elas, as lágrimas que facilmente queriam escorregar pelo meu rosto e o teu talento. O teu enorme e inegável talento. E disso também não serei capaz de me esquecer.
Possivelmente, num destes dias próximos, estarei a mudar de canal e talvez esteja a dar um filme onde participaste ou onde foste protagonista. Sentirei o coração apertado e uma sensação estranha por te ver ali, mas por saber que não estarás mais ali. É assustador, ao mesmo tempo, pensar isso. É como se estivéssemos a abrir ainda mais a ferida. Mas também é reconfortante, porque será sempre uma lembrança daquilo que foste: um dos melhores atores que tive o privilégio de ver em tantos filmes. Talvez seja isso, uma homenagem. E talvez por isso se te reencontrar em qualquer canal de televisão pare para te ver. Como faço todas as terças-feiras quando mudo para a Fox Life para ver Rizzoli & Isles e vejo o detetive Frost, mesmo sabendo que Lee Thompson Young já não está entre nós. Ou como quando vejo episódios antigos de Glee com o Finn e me recordo que Cory Monteith também já faleceu. É difícil conciliar esta dura realidade, mas eu acho que seria ainda mais difícil se deixássemos de os ver.
Passaste uma vida inteira rodeado de filmes de carros e é precisamente num acidente de viação que perdes a vida. É irónico. Da pior forma que podia ser. Estou sempre palavras. E, para mim, o cinema ficou hoje mais pobre. Muito mais pobre.
Descansa em paz, Paul Walker. Lembrar-me-ei sempre desse sorriso largo e desse olhar que nos parece abraçar por toda a serenidade que nos transmite. E do teu talento. Enorme. Porque sempre soubeste caminhar para chegar ao lugar dos grandes: o topo. E chegaste. Venceste. E por isso nunca te esqueceremos.
Até sempre!














