Entre Margens

«Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo, até o dia em que eu mudar de opinião», Danni Carlos


A Inês, do blog Palavras ao Vento, nomeou-me para mais um Liebster Award. Desde já quero agradecer a nomeação, até porque é sempre bom quando sabemos que as pessoas se lembram de nós, nem que seja pelas coisas mais simples. Todos vocês já devem saber em que consiste esta TAG, por isso não preciso de explicar. Além disso, como já é habitual, não destacarei ninguém, quem quiser pode responder às perguntas que me colocaram. Sem mais demoras, aqui ficam as minhas respostas:


As perguntas da Inês: 

1. Qual o teu maior sonho?
Ser feliz é a resposta mais abrangente, uma vez que implica ter saúde, estar realizada profissional e pessoalmente, ter os meus bem e do meu lado e conseguir vencer as batalhas a que me proponho.

2. Maior medo?
Falhar. E desiludir-me a mim e àqueles que acreditam que sou capaz.

3. Que esperas do futuro?
Que seja o que tiver que ser! Com todas as lutas, perdas e quedas que isso implica, mas também com todas as vitórias, sorrisos e superações que lhe são inerentes.  

4. Como idealizas a tua vida daqui para a frente?
Se é para sonhar que seja em grande. Sempre ouvi dizer que quanto mais se sobe maior é a queda, mas prefiro cair do décimo primeiro andar sabendo que fiz tudo o que pude para lá chegar de forma honesta do que não ter um arranhão por nem sequer ter tido coragem de subir um degrau. Gosto de dar passos seguros, até porque não consigo fazer as coisas só porque sim; têm que me fazer sentido. Imagino-me mestre em educação pré-escolar, com o meu próprio infantário (onde também funcionará uma espécie de instituição para amparar os mais desfavorecidos), casada, com dois filhos (um rapaz e uma rapariga), com uma saúde de ferro e a família sempre perto; com a minha casa de sonho (e outra no Alentejo para ir de férias), uma pão-de-forma na entrada, uns quantos cadernos de viagem preenchidos e talvez um livro ou dois publicados; com um curso de fotografia, uma Canon e um labrador. Se irei conseguir isto tudo? Não faço ideia, mas o que é que isso importa? A vida é feita de sonhos. Cabe-nos a nós lutar por eles.   

5. Gostas menos de mais pessoas, ou mais de menos pessoas?
Gosto das minhas pessoas. E por muito que as circunstâncias da vida nos afastem de algumas de quem nos achávamos inseparáveis, no fundo, nunca deixamos de gostar delas. A intensidade não é a mesma, claro, até porque há uma quebra, mas continuamos a preocupar-nos, porque não nos são indiferentes, mesmo que aparentemente já não nos digam nada. 

6. Uma qualidade?
Boa ouvinte

7. Um defeito?
Teimosia.

8. Viagem de sonho?
Viajar por Portugal de norte a sul é mesmo a minha viagem de sonho. Depois disso gostava de ir a Barcelona, Austrália e Santorini.

9. Qual a música que melhor te descreve?
Nunca me esqueci de ti, do mestre Rui Veloso.

10. Do que mais te orgulhas?
De não guardar rancor, de ter a melhor família e os melhores amigos e de ter conseguido entrar na faculdade. 

11. Qual a pessoa que melhor te conhece?
Esta é das difíceis. Acho que sou a pessoa que me conhece melhor, porque todos nós temos pormenores que não revelamos a ninguém. Mas tenho pessoas que me conhecem muito bem, como é o caso dos meus pais e dos meus amigos mais chegados.  

«Ele falava de sentimento. 
Então, eu perguntei:
— De que cor é a saudade?
Ele me respondeu:
— A saudade tem a cor da pele de quem nos faz falta»

«Não, eu não quero lembrar de ti», Lucas Silveira


É engraçado - sem ter qualquer graça - como a tua voz acalmava o meu coração e agora não me consigo lembrar do seu timbre. Nem da forma como pronuncias as palavras. Esqueci-me do cheiro do teu perfume e do som da tua gargalhada. E aos poucos a tua imagem vai ficando turva na minha memória, sem os teus traços que cheguei a conhecer de cor.

É engraçado - sem o ser - como foste o amor da minha vida e agora quase que não me lembro de ti. Nem o quero fazer. 


M, 02.06.2014

És o querer mais bonito que tenho

#pessoal #querer #amor #tu #desejo #sonho #esperança #ter

03.09.2014

«A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia», Ludwig Beethoven 


A música faz parte das nossas vidas, por muito que até possa não ser diretamente. Há quem não seja apaixonado por esta arte e tem tanto direito a isso como todas as outras pessoas têm a não viver sem ela. Se forem como eu não há um dia que não liguem o rádio, ou outro aparelho qualquer, nem que seja para escutar a mesma música vezes sem conta. Costuma-se dizer que «um dia sem música é um dia perdido» e se há frases com as quais concordo essa é, seguramente, uma delas. Falta sempre alguma coisa. Há um vazio que se instala quando não deixamos que uma melodia, uma letra, uma voz nos invadam a alma e nos inspirem. É como se a meio de uma construção percebêssemos que há menos uma peça para completar o puzzle. 

Todos nós temos aquela música intocável. Aquele artista que admiramos antes de qualquer outro. As razões podem ser as mais distintas, mas a verdade é que somos mais parecidos do que aquilo que damos conta, porque ainda que o nome do músico/música se altere partilhamos o mesmo amor. O mesmo respeito. A mesma consideração. Só muda o alvo da nossa atenção, até porque o propósito continuará a ser demonstrar todo o nosso orgulho, garantido que caminharemos lado a lado e acompanharemos a sua evolução, e a carreira que temos a certeza de ser feita com passos sólidos e certeiros. 

Não sou a exceção à regra, por isso também eu tenho um artista e uma música intocáveis. Por coincidência, a segunda pertence ao primeiro. É, muito provavelmente, o maior responsável por toda a minha admiração a esta arte e por ser tão ligada a música portuguesa. E também por isso fico sempre de pé atrás quando alguém tenta fazer alguma versão das suas músicas. Não é difícil adivinhar quem é, até porque já falei dele aqui. O Pai do Rock português com a sua «Nunca me esqueci de ti» enchem-me o coração por inteiro. Posso ouvi-lo dias a fio que nunca me canso, é impossível. E esta música, para mim, será sempre das mais bonitas. Rui Veloso, como já o escrevi uma vez, é a banda sonora da minha vida.

Por mais versões que existam desta música, por defeito meu, nenhuma estará à altura. Talvez seja injusto dizer isto assim, até porque há quem o tenha feito de uma forma muito bonita, mas a «Nunca me esqueci de ti» é tão acima de qualquer outra que me é difícil reconhecer que alguém é capaz de chegar a tamanha perfeição. Garanto que não é má vontade, não é mesmo, de todo, apenas a exigência aumenta quando se trata de alguém que admiramos muito. Mas há dois artistas que tenho a certeza que ia gostar de ouvir a interpretá-la, por saber que respeitam o original como ninguém, por partilharem um enorme sentido musical, por toda a verdade com que cantam e por serem, também eles, referências, ainda que os seus caminhos estejam no início. São eles o Diogo Piçarra e os Aurora. Talvez um dia tenha esse privilégio, ainda não perdi a esperança. 

O dia de hoje é feito para relembrar todos aqueles que crescemos a ouvir. Para dar a conhecer todos aqueles que chegam de novo, mas que já conquistaram um lugar de destaque. É para celebrar o talento e ficarmos ainda mais rendidos à qualidade que tem vindo a aumentar. No dia mundial da música não podia esquecer quem mais me toca. Os artistas que sei que ficarão para lá do tempo, por serem para sempre uma parte daquilo que sou. E os eternos responsáveis por todos os dias gostar ainda mais de música. É por isso que tenho um desafio para vocês. 

Conseguem fazer um top cinco dos músicos e/ou músicas que mais gostam? Só cinco! Acham que são capazes? Não precisam de justificar, apenas partilhar os nomes. Eu já fiz o meu e podem vê-lo mais a baixo, deixem o vosso nos comentários, vou adorar descobrir.


O meu top 5:
1. Rui Veloso, Nunca me Esqueci de Ti;
2. Diogo Piçarra, Volta;
3. Aurora, Levou-te de Mim;
4. Ana Moura, O que foi que aconteceu;
5. Pedro Abrunhosa, Eu não sei quem te perdeu 

«I'm made of star, but found that no one was listening! I'm driving on 'till the break of dawn, I refuse to fall»


Só um piano e uma voz. Só. Como se isso fosse pouco. Mas não é, nunca é pouco quando o artista por trás de tudo isto é o Diogo Piçarra, que tem talento a correr-lhe nas veias e uma capacidade incrível de comover quem o ouve. 

Admiro pessoas que cantam com verdade, que sorriem com o olhar, que são tão elas em cada interpretação que ninguém fica indiferente. Admiro-o a ele por ter todas essas características, por continuar a construir um caminho sólido e nunca se desviar daquilo em que acredita; por ser capaz de fazer sempre melhor mesmo quando parece que já atingiu o topo. Isto é ser artista, é trabalhar para evoluir, é saber que não chega ter qualidade se a vontade de superação não existir. Sou uma sortuda por apreciar músicos como ele, por reconhece-lo como um exemplo e por ter a certeza de que a música portuguesa está bem representada enquanto ele andar neste meio - o que acontecerá por muito, muito tempo. 

O Diogo é tão genial que consegue fazer com que me esqueça que aquelas músicas não são dele. No fundo, passam a ser um pouco a partir do momento em que pega nelas e as trabalha à sua maneira. Há tanto respeito pelo original que é impossível não ficarmos encantados. Adoro a voz dele, aquela rouquidão natural que tantas vezes aparece, a suavidade com que pronuncia as palavras, o amor que nos transmite; adoro que se sente ao piano e nos transporte para uma realidade distinta. O tempo parece parar enquanto o ouvimos, por nos saber envolver. E foi assim que fiquei: fascinada, emocionada, sem dar conta que os ponteiros do relógio continuaram a girar, enquanto ouvia mais uma versão excelente de uma música que adoro. 

Soa tudo tão bem - o piano, a voz, a versão - que parece que nasceram para caminhar lado a lado. E o espaço em redor torna tudo muito mais belo. Há magia a acontecer ao longo de quatro minutos e seis segundos e isso é magnífico. Aquilo que nos transmite é impossível de descrever. É demasiado fora de série para que encaixe em meras palavras. Só pessoas de uma grande sensibilidade e sentido musical é que conseguem coisas assim.   

Sentou-se ao piano para tocar «I Can't Keep Up» (Tourist) e o resultado só podia ser algo genial. Está «simples», mas cheio de tanto. Parece injusto utilizar esta palavra, porque para chegar até aqui foram precisas muitas horas de dedicação, talvez muitas noites mal dormidas e uma grande agilidade mental para se fazer algo diferente, que cative e que seja a sua imagem. Coloco o simples entre aspas por isso mesmo, por nunca o ser, por esconder todo o trabalho que deu e que estamos longe de imaginar, ainda que tentemos. Ao ver o produto final parece fácil, ele torna isto fácil, porque é-lhe tão natural esta mestria. Mostrou, mais uma vez, que do pouco se faz muito. Que não precisa de mais nada para além da sua voz doce e a interpretação que faz - e não querendo parecer exigente, até porque não tenho esse direito, do piano ou da guitarra, porque gosto mesmo de o ouvir tocar. As versões ficam ainda mais especiais por saber fazê-lo como ninguém. 

As palavras nunca parecem suficientes para pessoas como ele. O que o Diogo faz é tão inspirador que ficam sempre aquém do que é suposto. Talvez um dia consiga dizer-lhe tudo o que sinto ao ouvi-lo, ou talvez prefira que continue assim, porque ele será sempre mais do que aquilo que algum dia serei capaz de escrever. E ainda bem. Fiquei arrepiada do início ao fim da música, mas a partir do minuto três é ainda mais soberbo. «I refuse to fall», nem seria possível de outra forma. Nem é possível que aconteça porque o talento e a vontade não o permitem. 

És uma estrela. Pelo artista que sempre nos provaste ser e pela pessoa que acredito que sejas. Engana-se quem pensa que depois disto não fará melhor. É um erro, porque fará. Ele eleva a fasquia e corresponde na perfeição. É por isso que tenho a certeza que o próximo será ainda mais espetacular. O obrigada será sempre pouco pelo talento inesgotável, pela forma apaixonada como nos faz chegar as músicas e por nos surpreender constantemente. Aprendi a aplaudir os grandes de pé. E tu, sem dúvida alguma, pertences a essa categoria. Não consigo, nem quero, deixar de te ouvir. E vou estar sempre aqui a acompanhar a tua evolução. Estás cada vez melhor e isso é um orgulho enorme. Tu és um orgulho por tudo o que conquistaste até aqui e por saber que não te permites parar. 

Agora vou recostar-me na cadeira, desligar as luzes, fechar os olhos e ficar apenas com o som do piano onde tocaste, e que ecoa pela sala. E com a tua voz harmoniosa. Não preciso de mais nada. Estou de coração cheio. Rendam-se comigo aqui. És brilhante!  



«Meia equipa ele fintou
E em delírio a curva deixou
Foi de trivela que ele chutou
Que grande golo ele marcou
Allez Allez Quaresma Allez»


Amor maior. E uma constante falta de palavras para tudo aquilo que me és. Tens um talento que nunca saberei definir, jogas com o coração nos pés, tens garra e uma classe inigualável. Fico fascinada a ver-te jogar, em todas as vezes que arrancas com a bola e consegues fintar uns quantos. As tuas trivelas, os teus passes de letra, as tuas «maldades» cravadas pela genialidade que te corre nas veias. És tão tu dentro de campo que não te permites jogar para agradar. Tudo o que tu fazes é por sentires bem dentro de ti, é por isso que os assobios não te demovem, só te dão mais força. Admiro o teu estilo irreverente, que também te faz levar um estádio ao rubro e a aplaudir-te de pé. O teu futebol bonito e imprevisível não deixam ninguém indiferentes. Gosto de quem arrisca, de quem não se esconde, de quem inventa alternativas quando algo não corre bem. É por isso, e não só, que, para mim, serás sempre o melhor. 

«Quando recebe a bola em campo, cada jogador tem uma intenção do que fazer com ela a seguir. Coisas simples, um passe curto e já está, ou coisas diabólicas, fintas, remate impossível e o jogo virado do avesso. Quaresma pertence à segunda casta. Ainda bem. Na equipa, coexistem outros jogadores do primeiro tipo. Ainda bem, também. Uns equilibram os outros. São o garante do ecossistema de uma equipa de futebol. É nos segundos, porém, que mora um dos princípios da genialidade. Fazer algo de grande e de diferente ao mesmo tempo. Aos primeiros, o escudo protector desta ousadia. Gosto muito de falar do lado táctico do jogo, depositada no cofre-forte tacticista da primeira espécie, mas não custa crer que são os segundos que nos fazem levantar extasiados dos nossos lugares. Quaresma já o fez muitas vezes. E em todas essas vezes podia ter resolvido os lances de forma mais simples. Mas não. Ousou fazer algo grande, mágico, e pintou obras de arte, golos ou centros assombrosos. E foi aplaudido e loucura. Noutras, não engatou o primeiro drible, e perdeu a bola quando tinha um companheiro ao lado bem colocado para receber o passe. E foi assobiado logo a seguir. É comum no futebol ouvir-se falar no gesto técnico perfeito. É um mito. Porque cada um tem a sua forma de viver ou jogar. Na vida, escrever com a caneta mais ou menos deitada, comer com garfo à direita e a faca à esquerda. No jogo, correr com os pés para fora, centrar com a parte de fora da direita quando devia ser com a de dentro com a esquerda. Em qualquer destes momentos, há a materialização de uma intenção. Há, no futebol, a técnica ao serviço da táctica. A intenção, primeiro. A acção, depois. O que interessa, depois, é que a segunda corresponda à primeira. A eficácia. É isso que faz a qualidade do passe ou do remate. Não a forma como ele é feito. Quaresma é um bom exemplo desta questão. A biomecânica da técnica expressa na trivela. É comum defini-la como contra-natura ou quase insolente. Centrar com a parte de fora da direita quando devia ser com a de dentro com a esquerda. Complicar o fácil. Na bancada, os adeptos quando vêem os jogadores a tentar a trivela, ficam, primeiro, espantados, e, depois, se sai bem, é genial, se sai mal, assobiam e gritam: “não inventes!”. Já vi também muitos técnicos de formação dizerem o mesmo a miúdos que a tentam fazer. Não faz sentido. Porque cada um constrói a sua biomecânica. Por isso, Quaresma não inventa quando cruza ou remata dessa forma. Ela é, apenas, a forma técnica de tornar mais eficaz a sua intenção táctica. É a sua particular biomecânica. Contrariá-la ou assobia-la é atentar contra a riqueza e a beleza do jogo.

Poderão dizer que exagera nesta forma de jogar e quando perde a bola, pode desequilibrar tacticamente a equipa. É aqui que entra a tal noção do ecossistema futebolístico, do equilíbrio ecológico que deve ser uma da equipa. Se Quaresma decide jogos nesses seus rasgos, o treinador tem de o aproveitar. Ao mesmo tempo, tem de adaptar a equipa a isso, para o caso de quando ele falhar, perder a bola, ter médios ou laterais atentos para, nas suas costas, activar a transição defensiva. É a tal táctica, com «T» grande. A colectiva. Quaresma irritou-se com os assobios. Em campo, pelo tom desafiador com que festejou o golo logo a seguir. Fora dele, ao dizer que vai continuar igual. Quanto mais me assobiarem, mais eu vou pegar na bola e resolver jogos. Bela frase. Independentemente de ser um génio ou de um jogador normal, mesmo daqueles que falham os simples passes, não consigo entender o acto de assobiar um jogador durante um jogo de futebol. Dirão que é uma reacção emocional e que há direito a protestar, etc. Sem dúvida. Afinal, também Miguel Ângelo só pintou uma capela sistina. Devia ter pintado uma todos os dias. Não faz sentido. Daqui a quinze/vinte anos, quando o cigano rebelde do Dragão pendurar as botas e recordarmos o jogador que foi, ninguém vai dizer «eu naquele dia assobiei o Quaresma!”. Pelo contrário, vão todos dizer, orgulhosos: “Eu, naquele dia, vi jogar o Quaresma!"» (Luís Freitas Lobo)

Parabéns, Herói, ninguém te supera. Sê feliz!

«o pensamento é o caos, acontece tudo em simultâneo, não há sossego, não há fórmula, linha condutora, está sempre activo a stressar e a arriscar!»


No passado dia 30 de Agosto estive presente no Urban Market, que aconteceu na Praça das Cardosas, no Porto, onde pudemos ver as mais variadas espécies de artigos. São a originalidade e a criatividade a falar mais alto, enchendo o espaço de encanto e cativando os olhos de quem passa. Fui com um objetivo concreto: ir à banca da Futilidade (carreguem sobre o nome para irem ao site e visitem o facebook para ficarem a par das novidades), cuja responsável é a minha prima (namorada do meu primo). 

Já a tinha visitado por altura das Festas em honra da Nossa Senhora da Nazaré, na Praia da Aguda, mas como queria comprar um caderno da coleção «Pensamento» achei que o Urban Market seria o sítio ideal para o fazer. Penso de mais e nem sempre de forma metódica, por isso o «Pensamento Organizado» estava fora de questão. Por vezes «formula-se sozinho sem comando», mas o «Pensamento Aéreo» também não me pareceu a melhor definição para aquele que tenho. Ainda pensei no «Pensamento Dedutivo», só que há muitas alturas em que as minhas ideias não se ligam a novas e geram outras; ficam soltas, como filhas únicas. Como em tudo, depende da ocasião. E da inspiração. Pela definição que vos apresentei em cima percebi que o «Pensamento Periclitante» se enquadrava mais ao meu, precisamente porque não pára. Há dias em que está de tal forma desorganizado que é impossível o caos não se instalar. E muda tão repentinamente de assuntos que até fico com a sensação de que está numa qualquer corrida de Fórmula 1. Também tenho sossego, porque há dias calmos; dias em que os pensamentos parecem ter ido de férias. Na realidade, se calhar até tenho um pouco de cada um dentro de mim, mas o «Periclitante» será sempre aquele a definir-me melhor. 

Trouxe um caderno em cor de cartão, pintado e com uma fita preta com um botão grande e verde para que não abra. Desde então tenho escrito, pelo menos, um pensamento por dia. E é assim que nasce uma nova rubrica para o blog - Pensamento Periclitante. Brevemente começarei a partilhá-la convosco.


«Pensamento Dedutivo: 
o pensamento vai evoluindo, nasce uma ideia, liga-se a outra, a outra, a outra e vão gerando novas ideias, novos pensamentos. A ideia inicial desmultiplica-se ou divide-se e gera sempre outra!

Pensamento Organizado: 
o pensamento está todo arrumado em caixinhas, é metódico, corresponde, é comandado e recebe ordens.

Pensamento Periclitante: 
o pensamento é o caos, acontece tudo em simultâneo, não há sossego, não há fórmula, linha condutora, está sempre activo a stressar e a arriscar!

Pensamento Aéreo: 
o pensamento paira, não toca, anda meio a voar, meio no ar... formula-se sozinho sem comando»


Como é o vosso? Dedutivo? Organizado? Periclitante? Aéreo? Não se encaixa nestas definições? É um pouco de todas? Contem-me tudo!  

«Sem a música a vida seria um erro», Friedrich Nietzsche


Ideal para quando a saudade aperta. Hoje começa mais uma etapa, mais um ano em que de capa traçada voltamos a estar todas juntas. A Elite está pronta. Que comece o novo ano académico! (se andar um pouco ausente, sobretudo nestes primeiros dias, já sabem qual é o motivo).

Banda Sonora de hoje: Mariza, «O Tempo Não Pára».


«Cantei
Cantei a saudade
Da minha cidade
E até com vaidade
Cantei
Andei pelo mundo fora
E não via a hora
De voltar p'ra ti»

«Vem que o amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz. Vem que o amor é o momento em que eu me dou, em que te dás», António Variações.


Há noites que, inevitavelmente, ficarão para sempre guardadas na nossa memória. E no nosso coração. Ontem voltei a escrever amor em cada segundo de concerto a que assisti, porque é mesmo isso que os Aurora fazem: cantar com amor. «Há uma noite para passar», e eu só queria ter o dom de parar o relógio para que aquele momento nunca mais terminasse. 

O meu lado saudosista faz-me querer eternizar o que vivo, como se de alguma forma pudesse voltar atrás no tempo e recriar tudo aquilo que aconteceu. E que senti. Faço-o através de fotografias e de vídeos, vendo-os vezes sem conta quando o lado esquerdo do peito começa a pedir por mais ocasiões como aquelas. Um mês e dois dias depois de os ter estado a ver na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, voltei a fazê-lo, mas em Espinho. Se no Festival do Bacalhau gravei o concerto todo, ontem estava decidida a desfrutá-lo de outra forma. Dei algum descanso à máquina fotográfica, até porque sempre soube que seria impossível esquecer o mais pequeno pormenor. Passe o tempo que passar, o que vivi em Espinho não me esquecerei. Nunca!

Quatro vozes numa voz só, acompanhadas por todas aquelas se juntaram na Alameda 8 para um concerto que tinha tudo para ser fantástico. E foi! Estão cada vez mais ligados, interativos com o público, à vontade em palco. Pergunto-me como é que é possível conseguirem crescer tanto em tão pouco tempo, mas a resposta é simples: quem é bom sabe que não pode parar. Há sempre mais degraus a subir. E eles têm-no feito, um por um, com pisadas firmes e determinadas, sempre rumo ao topo. A cada novo dia estão mais perto. Para nós já lá chegaram. Mas descansa-me saber que não param por aqui, porque mesmo que aparentemente não existam mais degraus para subir eles vão arranjar forma de o fazer, nem que inventem uns quantos. 

Permiti-me fechar os olhos na «Primavera» e na «Sete Mares», forçando-me a não chorar. Há músicas que têm este efeito em nós, ainda para mais quando as ouvimos em vozes tão harmoniosas como as deles. Senti a «Levou-te de mim» como em nenhum outro momento tinha acontecido. Dancei ao som da «Dança a Dois», da «Seja Agora», da «Vá lá, Senhora». Recuei à infância com a «Cabanas (Peterpanismo)». Não podia faltar a «Homem do Leme» nem a «Canção de Engate», de artistas que fazem parte da minha vida desde sempre, e que também contribuíram para gostar tanto de música. Fui ao rubro com a «Chaga» e a «Cenário». Senti cada letra de todas as canções que conheço de cor. Os Aurora foram tudo isto, foram mais do que isto. Foram todas as palavras que hoje me faltam para descrever o quanto a noite de ontem foi memorável. Encheram-se da grandeza que só eles têm e cobriram a Alameda com um talento inigualável. Regressar parece-me obrigatório. Ali. Com eles. Em breve!

Não dei pelo tempo passar e a culpa é deles por nos envolverem tanto no que fazem. Gosto muito disso! Vou recordar os sorrisos, as brincadeiras em palco, a surpresa que prepararam, os braços no ar, os telemóveis a bambalear, os risos, os gritos, as pessoas. «Há gente que fica na história da história da gente», Espinho já é um bocadinho vosso. E meu, porque mesmo não sendo de lá senti-me em casa. Acrescentei mais um capítulo inesquecível à minha ainda curta caminhada. Venham outros iguais a este. 

São os meus pais que me acompanham nestas aventuras, porque insisto em partilhá-las com eles e porque gostam - e já se renderam aos Aurora -, mas acho que para a próxima tenho que deixar o meu pai em casa. Depois de lhe ter dito que um dos fotógrafos era o pai do Tiago, no fim do concerto, cismou que lhe queria dizer uma coisa. Levei aquilo na brincadeira, até perceber que estava a falar a sério. Há uma novidade que tenho para partilhar, mas não agora, até porque por uma questão de princípio e respeito não acho que deva ser a primeira a fazê-lo. O meu pai insistiu em referi-la, perguntando se podia falar com eles. Quando dei por isso estava a falar sobre o assunto para a câmara, sem perceber que estava a ser filmada. Se tivesse um buraquinho para me esconder nem tinha pensado duas vezes. Há coisas que gosto de guardar para mim, ou revelar na altura certa, porque ter protagonismo nunca foi um objetivo pessoal. Tudo o que escrevo é de coração e não com segundas intenções. Podemo-nos centrar na segunda parte daquela mini-entrevista (onde expressei a opinião sobre o concerto e lhes deixei uma mensagem) e ignorar a primeira. 

Fiquei ainda mais nervosa depois disto. A fila continuava a avançar e quando chegou o momento tinha o coração a mil. Não importa a idade, quando estou com pessoas que admiro fico mais tímida do que aquilo que já sou. Há sempre tanto que se quer dizer e as palavras parecem poucas, ou fogem na pior altura. Não que tenha falado muito, mas não me senti a bloquear. Foram incansáveis, uma vez mais, por isso só podia sair de lá feliz.

Vim de coração cheio. Pelo concerto, pela simpatia, por tudo. Era impossível não gostar quando aquilo que fazem é memorável. E tal como das outras vezes o obrigada será sempre escasso para tudo o que nos transmitem. Tenho mesmo orgulho em vocês. São os maiores, nunca duvidem. O «até à próxima» é para cumprir. Prometo!
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