Entre Margens

Fotografia da minha autoria



«poemas são transumâncias de deuses»

Avisos de Conteúdo: Morte, Sexo, Linguagem Explícita


A travessia emocional que fazemos de dentro para fora assemelha-se à intimidade de um verso: porque é mais explícita nas entrelinhas e fundamenta-se numa linguagem própria, talvez complexa, apenas desconstruída por quem faz das palavras um espelho - sobretudo, porque parece ler-nos a alma. Um pouco à semelhança da escrita de Valter Hugo Mãe, que me deixa sempre fascinada. Por isso, aventurei-me na sua obra poética.

«amar é servir para outro mundo»

Publicação da Mortalidade compila uma viagem pelo mundo lírico, no qual eliminou poemas antigos, reformulou os que ficaram e acrescentou, ainda, uma série de inéditos. Portanto, nesta pluralidade de caminhos, somos surpreendidos pelas imagens criadas, pela vulnerabilidade e por um certo tom melancólico, que nos mostra o quando a vida é antagónica. Confesso, no entanto, que não me desarmou, nem arrebatou tanto quanto a sua prosa, isto porque, nesta cadência, senti-o cru, distante, ao ponto de quase existir uma barreira a impedir-me de compreender a essência de cada mensagem. Por oposição, é inegável a capacidade que o autor tem para nos transportar para os cenários descritos - mesmo que sobrevivamos na superfície.

«curado da tristeza compreendo agora
tudo me sabe bem»

Este exemplar consegue despertar medos e inseguranças, e incentivar a viver numa mudança constante, tal como o sujeito poético. Porque coloca uma bandeira na importância de aproveitarmos a nossa jornada, entregando-nos de corpo e alma aos demais, mantendo presente que esse compromisso não está, apesar de tudo, isento de danos colaterais. Contudo, embalados pelo seu traço sombrio, há uma luz que só descobrimos, se não nos sabotarmos. Se compreendermos que essa é a linha que separa a nossa história do vazio.

«pedi que viesses esperei que viesses
mas a alegria que inventei era só um
modo de ir embora»

Publicação da Mortalidade divide-se em temas como a religião, a solidão, a violência e a fragilidade. Privilegiando uma determinada musicalidade em cada verso, oscila entre a leveza e a tragédia, entre a culpa e a expiação, entre a fé e a descrença. E mesmo que seja um reflexo da dureza do mundo, deixa bem claro que o amor é o nosso melhor mecanismo de defesa e salvação. Porque nos torna mais puros. E mais humanos.

«já não te aguardo
adio-me»


// Disponibilidade //

Wook: Livro | Livro autografado | eBook
Bertrand: Livro | eBook

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

Fotografia da minha autoria



Há medos que nos retraem e outros que nos impulsionam a avançar, 
mesmo que o caminho seja desconhecido e com infinitas rotas à nossa frente.


🌿


Abraça-me com esses olhos cor de mar tranquilo


🌿


As linhas do teu corpo guiam os meus passos


🌿


E quando chegar o momento do adeus?



«Ele nunca viu o mar ou outro lugar
Ele não conhece a cor dos olhos do seu amor
Ele sonha emoções de uma vida a dois
Vê na escuridão o que iluminados não

[...]

Conhece o mundo aos olhos dela
Ele que nunca viu um céu de estrelas
Mas quando ela vem, enamorado diz
Que é a mais bonita, ele o mais feliz

E juntos dançavam
E ela o levava pela mão
E pintava os olhos
Mesmo a saber que ele não podia ver

Para lá da janela
Sabe as formas da terra
E as dela de ser quem
Ele quer mais que ninguém»

Fotografia da minha autoria



... Lenços!

[Para usar ao pescoço, na cabeça ou como elemento decorativo na carteira ou na mochila. No que diz respeito a acessórios, sempre foram um dos meus favoritos. Embora os use mais durante o outono e o inverno, a verdade é que, pela sua versatilidade, são uma escolha recorrente. E tanto aprecio lisos, como aprecio lenços com padrões. Depende da energia do momento. O importante é sentir que tenho sempre um por perto].

Fotografia da minha autoria



«O reencontro, 17 anos depois»

- pode conter spoilers -


A inocência - da idade e, inclusive, do contexto - pode representar uma barreira no que concerne à compreensão de certas questões. Porque ainda não temos maturidade suficiente para decifrar as suas entrelinhas. No entanto, é também essa inocência que nos fascina, que nos leva a aventurar no desconhecido e que nos impulsiona a desfrutar de alguns conteúdos pelo seu traço de puro entretenimento. Por esse motivo, e de um maneira tão natural, passei a ter encontro marcado com uma das séries da minha vida: Friends.


FRIENDS, ESTE PEDAÇO CASA

A premissa aparenta ser simples, mas é a dinâmica do grupo que torna cada acontecimento mágico, risível e, sobretudo, autêntico. Não imagino o Chandler, a Phoebe, a Rachel, o Joey, a Mónica e o Ross a serem interpretados por outros atores, porém, tudo o que viveram poderia ser a história de qualquer um de nós. E esse foi sempre, para mim, o segredo do sucesso da série: o traço relacional, mesmo quando as peripécias extravasavam para algo um pouco surreal e fora de um plano transversal aos comuns mortais. Independentemente disso, neste ponto, persistia o tom cómico, que nos permitia desligar do mundo exterior.

Em simultâneo, senti[a] que os criadores desta sitcom estavam a inovar na abordagem da mesma, porque não há um protagonista. Existe, antes, um protagonismo repartido por seis personagens com características singulares. E é nesta heterogeneidade que encontramos um grupo de amigos que nos apaixona: por serem diferentes e, ainda assim, combinarem tão bem. A amizade é, portanto, o dialeto central, levando-nos a embarcar numa viagem de autodescoberta, de aceitação e de superação. Visto que, embora seja um produto de ficção, espelha os obstáculos, os medos e os alicerces que marcam as relações intra e interpessoais.

Por fim, mas não menos importante, agrada-me que Friends não tentasse vender a ideia de uma vida perfeita. Muito pelo contrário, colocou-nos sempre perto dos receios, das angústias, das quedas e das frustrações dos seus intervenientes - até quando estavam no Central Perk, a uma quarta-feira, às 11h30. E mesmo que a despedida tenha sido dolorosa, reconheço que terminou no momento certo e com um final que dignifica tanto o processo de crescimento individual e social das personagens, como a própria mensagem do argumento.


FRIENDS THE REUNION

Havendo essa possibilidade, regresso aos episódios que já conheço de cor, privilegiando horas de maratonas. Porque esta série acompanhou parte do meu desenvolvimento, transformando-se naquele abraço apertado que conforta e que me faz sentir em casa. Além disso, sinto-a como se fosse uma extensão da família que me ampara. Tendo em conta que sou tão apegada à minha, faço por nunca largar a mão do que me completa.

Quando soube deste episódio especial, rejubilei de felicidade, pois voltaria a cruzar-me com pessoas que, direta ou indiretamente, foram uma fonte de aprendizagem, de catarse e de lucidez. Contudo, demorei a ver a reunião porque há muitas emoções acumuladas. Porque há uma imagem que pretendo preservar. E porque abriria a porta à nostalgia. Por outro lado, implicaria uma nova despedida - para a qual não estaria preparada. Mas como as saudades bateram mais forte, só poderia embarcar nesta aventura. Se compensou? Totalmente!


O MELHOR E O MENOS BOM

Sou de lágrima fácil, sobretudo, se estiver a assistir a algo que teve tanto impacto na minha jornada. E ter a oportunidade de ver este reencontro despertou uma série de sensações. Porque foi voltar onde tudo começou.

Desde o processo de seleção do elenco, até ao recordar de cenas emblemáticas, transitando pelo próprio sentido da sitcom, houve momentos que me emocionaram e outros que, acredito, poderiam ser dispensados, para prolongar o que, de facto, é mais importante: o grupo, as dinâmicas, as memórias e este amor transversal.


 O MENOS BOM 

A distribuição/gestão dos segmentos: Este especial dividiu-se em algumas componentes interessantes, que trouxeram maior dinamismo ao acontecimento. No entanto, sinto que se perdeu a oportunidade de dar mais destaque aos atores convidados, que são parte da essência da série e que teriam tanto para partilhar. Além disso, gostava de ter visto uma maior interação na altura em que estavam à conversa com James Corden, pois seria uma maneira de aprofundar determinadas temáticas e conhecer melhor os bastidores. Afinal, foram dez anos de convívio e muitas situações a despoletar pelo meio. Entendo essa gestão, caso contrário, ficaria um episódio extremamente longo [não me importaria], mas, confesso, estava à espera de outro tipo de sequência.


 O MELHOR 

Voltar aos cenários: Sabe-los de regresso aos sets mexeu bastante comigo, pela vulnerabilidade no olhar de cada elemento, pela nostalgia estampada no rosto e por ser tão óbvio que pertencem ali. Por breves instantes, senti-me a recuar no tempo e a ficar maravilhada com cada detalhe, como se os visse pela primeira vez. E, claro, teve um impacto diferente vê-los, novamente, no sofá laranja, a partilhar recordações inesquecíveis.

A leitura de algumas cenas: O tempo passou, mas a energia não esmoreceu. Aliás, foi como se nada tivesse acontecido entretanto, porque estávamos todos ali, a ver aqueles diálogos a ganharem forma. Mesmo que, depois, não transmitissem a cena final, era impossível não sermos transportados para as respetivas imagens.

A partilha dos fãs: Friends marcou gerações e mudou mesmo a vida das pessoas. Ouvir todos estes testemunhos foi a maior prova que não estamos sozinhos - e que há uma linguagem comum a unir-nos.


«SO NO ONE TOLD YOU LIFE WAS GONNA BE THIS WAY»

Sei que seria impensável concentrar uma década neste formato, mas faltou-me um lado um pouco mais intimista, que justificasse o fenómeno desta reunião. Apesar disso, foi emocionante reencontrá-los e reviver histórias que são imagem de marca, arrebatando o nosso coração. Foi só o tempo que passou, porque eles continuam a ser o mesmo grupo carismático, que ilumina a sala e que sempre nos amparou no seu regaço.

Friends The Reunion veio reforçar uma certeza: tal como cantam os The Rembrandts, eles estarão sempre aqui para nós. Porque nós estaremos sempre aqui para eles. Seja no Central Perk, atrás da porta roxa, a ver a fonte iluminada ou em qualquer parte do mundo. Porque há um fio invisível que nos aproxima. Para sempre.

Fotografia pessoal



Tema: Positividade Corporal

Avisos de Conteúdo: Depressão, Racismo, Violação


A minha relação com a imagem refletida no espelho nem sempre foi pacífica. Aliás, continua a ser um processo, porque nunca está concluído. A diferença é que aprendi a respeitar as suas metamorfoses e, sobretudo, compreendi que é uma questão que vai muito além do peso e do número na etiqueta. Portanto, conversar sobre positividade corporal é alargar o espectro e fazer uma viagem introspetiva, cimentando uma ligação saudável com as nossas curvas - externas e internas. Para tal, regressei à sublime arte de Rupi Kaur.

«a minha mente está sempre a fugir para cantos escuros»

Corpo Casa divide-se em quatro partes fundamentais: mente, coração, descanso, despertar. E é através delas que sentimos a oscilação entre estados de espírito antagónicos. Porque os versos da autora sugam-nos para um lugar sombrio, abusivo e sufocante, ao mesmo tempo que, devagar, nos libertam e nos envolvem numa onda de luz e esperança. Por consequência, mergulhamos num regresso ao passado, sentindo o medo, a pressão, a vergonha e a sensação de insuficiência, para, de seguida, assumirmos a urgência de redefinir o presente - que nunca deixará de ser marcado por todas as feridas e traumas que têm espaço na nossa história.

«o meu corpo veste tudo aquilo por que passou»

É impressionante como esta obra é tão dolorosa e viciante. Porém, esta dicotomia é fruto da escrita crua e sempre certeira de Rupi Kaur. Porque, em poucas palavras, tece o panorama que nos faz refletir sobre direitos sociais, flagelos ambientais, exploração laboral, relações tóxicas, depressão e sobre o quanto se despreza, ainda, o testemunho das mulheres. Além disso, é notório que a sua poesia tem dois propósitos basilares: desabafar e denunciar, pois é desta maneira que combatemos o perigo, a malvadez e os vários tipos de abuso.

«aquele que eu mereço
verá a minha grandeza e
quererá elevá-la ainda mais»

Num ciclo em que quebramos, sobrevivemos e renascemos, há espaço para perceber que dar voz à nossa vulnerabilidade pode ser o segredo para apaziguar as dúvidas e as dores que se entranham em nós. E há tempo para descobrir que o amor próprio é a peça central para a nossa cura, para aceitarmos a mudança e para fazermos do corpo o lar mais precioso, porque é o que existe no interior que nos catapulta para o mundo.

«e eu envelheci
à procura da felicidade
em lugares onde ela não existia»

Corpo Casa é uma conversa intima sobre empoderamento, resiliência, produtividade, adaptação cultural e cobrança, intercalando temas comuns aos poemas da autora, enquanto abre a porta a novos tópicos. Colocando uma bandeira no feminismo e na importância de cuidarmos do nosso bem-estar, apela para que façamos as pazes connosco, libertando-nos de fantasmas passados e diminuindo o peso daquilo que não controlamos. Porque o potencial do nosso eu está, apenas, à distância de tudo o que existe na nossa alma; nesta casa que habitamos e que merece especial atenção. Além do mais, nunca estaremos sós nesta luta.

«- não vais a lado nenhum sozinha»


// Disponibilidade //

Wook: Livro | eBook
Bertrand: Livro | eBook

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

Fotografia da minha autoria



«E guardas-me inteira na alma»


O mundo estende-se além fronteiras, por um horizonte imenso que tanto nos inibe, como nos impulsiona a avançar; a perdermo-nos nesse desconhecido, ao qual procuramos atribuir um sentido. E é nesta travessia - tão desigual e emaranhada de emoções - que nos vamos edificando. Além disso, é transformador, quando somos embalados por melodias que reconhecem essa realidade: porque nos reconhecemos na sua essência.

Rita Vian tem sido uma das vozes mais impactantes neste caminho de autoconhecimento, fazendo da sua arte um palco para questões que nos movem e inquietam a todos. Concentrando-se no seu quotidiano e «na crueza de escrever sobre a sua vida», lançou o EP CAOS'A, que é uma evidente demanda «por algo que nos faça sentir que existe um propósito». No mesmo compasso, ainda que privilegie um traço mais intimista, não deixa de explorar, nas suas letras, uma certa portugalidade, levando-nos por uma viagem transversal e identitária.

Um dos aspetos que mais me fascinou e surpreendeu neste álbum foi a capacidade subtil de interligar o tradicional com o moderno, atendendo a que, partindo das suas raízes de fadista, recriou a sua imagem com uma sonoridade eletrónica. Continua a transmitir a dor como só o fado é capaz, porém, acrescenta-lhe um novo ritmo, uma nova harmonia. No fundo, um novo rumo. E a certeza que é um género versátil, com potencial para se alicerçar em bases distintas. Em simultâneo, as cinco canções que o compõem mostram-nos que tudo é uma fonte de inspiração. Porque existe uma linguagem em cada olhar, em cada gesto e em cada passo.

CAOS'A funde os estilos que marcaram o crescimento da artista, expiando a saudade, o amor e os pensamentos ora profundos, ora triviais. Com produção de Branko, é um espelho da condição humana. E a poesia da escrita provoca-nos uma cadência que nos faz olhar para dentro, ao mesmo tempo que nos liberta.

Fotografia da minha autoria



Tema: Um livro passado na tua cidade favorita

Avisos de Conteúdo: Suicídio, Luto, Demência, Preconceito, 
Violência doméstica, Alcoolismo, Depressão


A Invicta tem o meu coração por inteiro. Porque cresci a senti-la perto, do outro lado da margem. Porque há um dialeto inigualável - e emocional - a ecoar pelas suas ruas tão carismáticas. E, sobretudo, porque há um traço familiar que une, constantemente, os nossos laços. Por isso, a deambular por todos os seus recantos, permitindo-me ser surpreendida, sinto-me em casa. Assim que descobri o tema mensal, para Uma Dúzia de Livros, soube, de imediato, onde queria que se passasse a minha leitura. E aventurei-me na obra de Rita Ferro.

«O amor não tardaria, mas eram sempre estes diálogos 
ásperos e este tom impiedoso que marcavam os nossos encontros»

Um Amante no Porto cruza duas pessoas distintas, com bagagens sociais e sentimentais desniveladas, envolvendo-nos na travessia que abraçam por acaso. Tendo um forte retrato de época contemporânea como fundo, confesso que foi o tom sarcástico da escrita que mais me fascinou. Não só porque me identifico com o mesmo, mas também por nos fazer refletir sobre os diferentes tipos de relações humanas e por desconstruir certos estereótipos. No entanto, não correspondeu, em pleno, às minhas expectativas, visto que me senti muito tempo perdida em descrições que me levaram a lugar nenhum - talvez por me parecerem demasiado irreais.

«Alguma coisa me dizia que não era quem eu pensava»

Neste romance, que se divide em temas tão centrais como a saúde mental, a toxidade das relações, o bullying, a traição, o amor, a mentira e a liberdade, torna-se evidente que conhecemos tão pouco das pessoas com quem convivemos. E, pior, das pessoas com quem partilhamos casa, uma história, sentimentos e uma vida.

«Amar, amar seriamente, era a coisa mais difícil do Mundo e daí o sempiterno desafio»


// Disponibilidade //

Wook: Livro | eBook
Bertrand: Livro | eBook

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

Fotografia da minha autoria



«O teu amor é tudo»


Tenho fantasmas debaixo do colchão
Que me importunam na hora de dormir
Dou mil voltas no mesmo sítio
Mas há memórias que teimam
A ficar, a não desaparecer

Sinto os nervos e a irritação a aumentarem
E eu sem conseguir adormecer
Precisamente por não conseguir adormecer

Já nem dos teus fantasmas me desenlaço
E eles persistem em tirar-me o sono
A calma em lume brando
E a alma desassossega

São fragmentos teus que se espalham
Por cada canto do meu lugar seguro

Há lembranças tuas cravadas na parede
Na mesa da sala por arrumar
Há uma gargalhada tua que ecoa
Em surdina, na minha cabeça
Há o teu toque e o teu cheiro
Estás tu mesmo não tendo a tua presença
À distância de um abraço subtil

Afasta os teus fantasmas de mim
Leva todas as lembranças que deixaste
Preciso de, pelo menos, uma noite
Sem preocupações e sem me perder
Em todos estes detalhes azulados
Que cravaste no meu peito


«Tu já paravas como essa mania
De ver em tudo conta, peso e medida
De me analisar pela morfologia
E dar opinião que nem te foi pedida

Sou pespineta? Só Deus me atura?
Sou bem aventurada e pronta para a aventura
Ai quem te dera este jogo de cintura
Só tens tamanho mas para mim não estás à altura

E diz-me lá, então, quem te deu o direito
De decidir o que posso ou não fazer
Sou maior e vacinada e a ti não te devo nada
Eu sou forte, sou capaz, eu sou mulher

[...]

Não é a letra da etiqueta
Que qualifica ou quantifica a beleza
Não te censuro se te assusta a silhueta
Tenho curvas perigosas com certeza

[...]

Eu sou como sou
É assim que me quero
E no fundo me queres
Assim como sou»

Fotografia da minha autoria



... Ler no chão!

[Um dos projetos decorativos que mais ambiciono construir é um cantinho de leitura, visto que me faz todo o sentido. E se há algo que pretendo privilegiar é a possibilidade de ler no chão, atendendo a que é um dos meus hábitos favoritos. Não sei bem explicar a razão, porém, conforta-me este contacto terra a terra. Além disso, transporta-me para as horas do conto, durante os meus estágios, onde existiram partilhas tão bonitas. De manta estendida e uma almofada para amparar as costas, fico sempre serena a deambular por novas leituras].

Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial

andreia morais

andreia morais

a escrever entre margens, poesia e sobre cultura portuguesa


o-email
asgavetasdaminhacasaencantada
@hotmail.com

portugalid[arte]

no silêncio

instagram | pinterest | goodreads | e-book | twitter

margens

  • ▼  2026 (81)
    • ▼  setembro (5)
      • feira do livro do porto 2026
      • descolonizar o sujeito poético, sara duarte brandão
      • linhas de valor acrescentado, inês meneses
      • o olhar diagonal das coisas, ana luísa amaral
      • as coisas maravilhosas de agosto
    • ►  julho (9)
    • ►  junho (12)
    • ►  maio (8)
    • ►  abril (10)
    • ►  março (11)
    • ►  fevereiro (12)
    • ►  janeiro (14)
  • ►  2025 (206)
    • ►  dezembro (21)
    • ►  novembro (12)
    • ►  outubro (14)
    • ►  setembro (16)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (18)
    • ►  junho (19)
    • ►  maio (21)
    • ►  abril (22)
    • ►  março (21)
    • ►  fevereiro (19)
    • ►  janeiro (22)
  • ►  2024 (242)
    • ►  dezembro (24)
    • ►  novembro (17)
    • ►  outubro (17)
    • ►  setembro (18)
    • ►  agosto (12)
    • ►  julho (23)
    • ►  junho (20)
    • ►  maio (23)
    • ►  abril (22)
    • ►  março (21)
    • ►  fevereiro (21)
    • ►  janeiro (24)
  • ►  2023 (261)
    • ►  dezembro (23)
    • ►  novembro (22)
    • ►  outubro (22)
    • ►  setembro (21)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (21)
    • ►  junho (22)
    • ►  maio (25)
    • ►  abril (23)
    • ►  março (24)
    • ►  fevereiro (20)
    • ►  janeiro (22)
  • ►  2022 (311)
    • ►  dezembro (23)
    • ►  novembro (22)
    • ►  outubro (21)
    • ►  setembro (22)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (25)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2021 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2020 (366)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (29)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2019 (348)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (29)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2018 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2017 (327)
    • ►  dezembro (30)
    • ►  novembro (29)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (29)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (24)
    • ►  abril (28)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (20)
  • ►  2016 (290)
    • ►  dezembro (21)
    • ►  novembro (23)
    • ►  outubro (27)
    • ►  setembro (29)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (26)
    • ►  junho (11)
    • ►  maio (16)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (29)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2015 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2014 (250)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (28)
    • ►  setembro (23)
    • ►  agosto (13)
    • ►  julho (27)
    • ►  junho (24)
    • ►  maio (18)
    • ►  abril (16)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (15)
  • ►  2013 (52)
    • ►  dezembro (13)
    • ►  novembro (10)
    • ►  outubro (9)
    • ►  setembro (11)
    • ►  agosto (9)
Com tecnologia do Blogger.

Copyright © Entre Margens. Designed by OddThemes