Entre Margens

Fotografia da minha autoria



«Em cada rosto igualdade»


A conquista da Liberdade, através da Revolução dos Cravos, não é apenas mais uma página da História do nosso país. Nascida em 92, tenho consciência do privilégio que é não ter sentido na pele a censura e todas as suas ramificações. Portanto, sei que continua a ser urgente lutar por abril, para que a ditadura e a opressão política não voltem a monopolizar o espaço - e a vida - do povo; para que não volte a ser um dialeto comum.

Celebrar o 25 de abril parece-me sempre fundamental, não só pelo simbolismo, mas também pela possibilidade de investirmos na consciencialização daquilo que implicou [e dos acontecimentos que antecederam este renascer]. Deste modo, nada como fazê-lo através de «uma geração de intelectuais, pensadores e artistas [que] encontraram na clandestinidade e no exílio a única forma de resistirem ao regime».

A audácia de quem acreditou foi a esperança de um novo dia. E, como escreveu Sophia, foi «onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo». E, agora, podemos gritar sempre liberdade.


CELEBRAR ABRIL


COM LIVROS








COM MÚSICA







COM FILMES







COM SÉRIES







COM POESIA

[Ary dos Santos]

[Manuel Alegre]

[Maria Teresa Horta]

[Bocage]

[João Apolinário]


«Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade» 


«Deixa os lobos irem
Ainda é cedo para uivar
Se vieres comigo
Logo vemos onde ficar

Pintamos aguarelas
Com tons verdes de alecrim
Dizemos que nos queremos
Até chegar ao fim

[...]

Vem ter comigo a Sul
De nenhum Norte
Se ainda temos sorte
Mais vale apostar

Ficar só
Só de ver ficar
Só se estraga uma casa
E o resto há-de-se arranjar»

Fotografia da minha autoria



«Um leitor, muitas vezes, tenta encontrar o caminho mais lento entre dois pontos. 
Era isso que eu fazia. Ia para a escola pelo caminho com mais palavras»


Os livros ficam alinhados na estante, como se fossem portais para outros universos, aos quais podemos regressar sempre que sentirmos necessidade. E mergulhar nesse desconhecido, priorizando a nossa intuição, é extraordinário. No entanto, creio, torna-se ainda mais especial quando, escutando a partilha de terceiros, abraçamos as histórias que recomendam - seja por indicação direta, seja por confiarmos nas suas apreciações.

Celebra-se, hoje, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor e, como defendo que qualquer oportunidade é perfeita para conversarmos acerca destas preciosidades, lembrei-me de um desafio simbólico, que nos permitirá não só destacar obras e escritores que nos emocionam, mas também aqueles que nos incentivaram a conhecê-los, possibilitando-nos uma viagem ampla, com acesso a outros estilos, realidades e, até, emoções.

Contem-me Histórias tem, portanto, a intenção de responder à seguinte pergunta: Que livros e/ou autores leram por influência de terceiros?. De modo a tornar a partilha mais bonita, convidei algumas pessoas que sei que caminham no mesmo plano de fascínio pela literatura. Para complementar, sugeri que fizessem a recomendação de um livro que tenham descoberto recentemente e que as tenha marcado. Talvez incentivem outros a lerem-no e, assim, exista esta troca tão mágica de vivências que só a leitura consegue proporcionar.

Conversar sobre as mais variadas histórias é um dialeto comum a qualquer leitor. Por isso, hei-de continuar pelo caminho com mais palavras, sempre ladeada pelos autores e exemplares que já são casa, mas mantendo os braços abertos para acolher novas vozes. Porque o livro é um passaporte vital para diferentes margens.


CONTEM-ME HISTÓRIAS



[E, atualmente, é um dos meus autores de eleição, pretendendo ler toda a sua obra]



[Uma das histórias mais incríveis de sempre! Podem ler a minha opinião aqui]



[Que escrita apaixonante, rendi-me à autora. Podem ler a minha opinião aqui]



[Um livro para ler devagar, quase saborear, e ao qual hei-de voltar mais vezes]



[Os contos são maravilhosos e muito próximos. Podem ler a minha opinião aqui]



[Esta obra destruiu-me emocionalmente - pelo tema e pela partilha -, mas é extraordinária]



[Abracei esta leitura de peito aberto e fui conquistada de imediato. Opinião aqui]



[Tornou-se, facilmente, um dos meus livros favoritos. Que história! Opinião aqui]



[Uma obra gigante: pela abordagem, pela pertinência, pelo testemunho fundamental]



[Uma narrativa que nos desconcerta e nos deixa mais alerta. Opinião aqui]



[Um livro que sinto que deveria ser lido por todos! Podem ler a minha opinião aqui]



[Não me arrebatou, confesso, mas ler livros sobre livros traz sempre conforto]


A MINHA RECOMENDAÇÃO




[Duas histórias completamente distintas, mas que me deixaram bastante emocionada]


A participar: Sofia Costa Lima | Matilde Ferreira | Ana Ribeiro | Inês Martins | Patrícia Lobo | Inês Rodrigues


Sintam-se à vontade para embarcarem nesta comemoração ♥
[qualquer dúvida, estou à distância de um e-mail/comentário]

Fotografia da minha autoria



Tema 38: Skate + Regador


A minha ilha naufragou em vácuo
E perdida em metade de mágoa
Vamos sobre as rodas
De um skate enferrujado
Impor um embuste de esperança

Regam-se os passos de um jardim
Pouco luzidio
De onde brotam nódoas de memórias
Ausentes, míopes de desejo
Alcançando um co[r]po vazio

Crepita a chapa do regador ao sol
E o meu vestido enlameado
Balança ao vento
Eclipsando-se numa dor alheia
Como se aquilo que já não era
Regressasse num silêncio vivo

Naufraguei
E é só mais um dia
A ver a vida avançar
Em gotas de orvalho

Fotografia da minha autoria



«Contos escritos entre 2014 e 2020»


O meu percurso digital cruzou-se com o da Ana Ribeiro há alguns anos. E, desde logo, tornou-se evidente que as palavras são uma fonte de impulso. Aliás, é notória a vontade de contar histórias - e a sua paixão. Por isso, faço por acompanhar sempre que levanta voo para novos lançamentos, priorizando o seu livro mais recente.


HISTÓRIAS QUE PODIAM SER NOSSAS

Manuscrito reúne uma série de contos que deambulam pelos mais diversos temas. Atendendo a que subsistem de forma independente, permitem-nos uma maior liberdade na sua descoberta: não só porque podemos alternar leituras, mas também porque é possível selecionarmos a ordem pela qual pretendemos abraçar os textos, sem comprometermos a experiência. Portanto, é um género literário bastante versátil, que me fascina.

«Amar-te é só um pedaço de nós, uma palavra. 
E nessa palavra onde estou eu, cabes só tu»

A pluralidade dos assuntos e a maneira como são explorados levam-nos numa viagem introspetiva e relacional, até porque conseguimos rever-nos em várias situações e sentimentos, bem como identificarmos pessoas próximas de nós, quase como se estes contos fossem parte das nossas trajetórias. Porque, em algum momento da nossa vida, todos nós já sofremos por amor, lidamos com a perda, sentimos o peso das frustrações, curamos feridas; e todas essas fases, em simbiose com estas palavras, potenciam a reflexão.

«(...) os verdadeiros amigos cuidam uns dos outros»

Manuscrito é um exemplar que se lê bem e que mostra o crescimento da Ana enquanto escritora. Sinto, no entanto, que beneficiaria se apresentasse capítulos gerais, para que a organização dos contos tivesse outra contextualização. Ainda assim, esta é apenas uma preferência pessoal, que em nada retira mérito à obra.

Fotografia da minha autoria



«A livraria mais bonita do mundo»


Os nós que me unem à literatura ainda não estavam entrelaçados e eu já me perdia de amores por um espaço em particular, porque a sua energia é inebriante, potenciando o fascínio pelos livros, pelas histórias, pela possibilidade de viajarmos sem sair do lugar. Agora, enquanto leitora assídua, encontrei nas suas margens um amparo, que me deixa sempre expectante com um reencontro. Afinal, há lugares que fazem morada em nós.


COLOCAR O LIVRO NO CENTRO DA AÇÃO

A Livraria Lello, edifício construído pelo Engenheiro Xavier Esteves, em 1906, localiza-se no número 144 da Rua das Carmelitas. Caracterizada pela sua arquitetura neogótica, apresenta cartões de visita surpreendentes, como a madeira talhada, as colunas douradas e os tetos ornamentados. Além disso, é a sua escadaria vermelha, que interliga os dois pisos, que nos arrebata e convida a embarcar numa travessia inigualável.


Quando entramos, somos atraídos pela sua beleza e pelo ambiente misterioso que nos acolhe e incita a desvendar cada detalhe, até porque está tudo pensado ao pormenor, para proporcionar uma experiência única. Respeitando a «regra de ouro da casa» - Deus in Labore [que significa «Dignidade no Trabalho»] -, marcada no imponente vitral, é evidente que foi assumido um compromisso sério entre o livro, o leitor e a longevidade.


Priorizando uma visão inovadora, sempre desassossegada «por traçar novos caminhos», lançou uma coleção de clássicos, abriu o primeiro drive-thru livreiro do mundo, promoveu um concurso literário e inaugurou a Gemma: um espaço dedicado a «livros raros, manuscritos, primeiras edições, livros de luxo e livros objeto». E é este arrojo que demonstra o quanto se solidarizam e preocupam com a área cultural e toda a comunidade.



UMA VISITA MÁGICA

A primeira vez que visitei a Lello, a entrada era gratuita e não era possível fotografar o espaço. Atualmente, a entrada tem um custo [dedutível numa compra] e podemos captar memórias - para recordarmos quando as saudades falarem mais alto. Vários anos separam estes dois pólos, no entanto, há algo que lhes é transversal: o meu deslumbre pela livraria. Porque a herança que preserva abre-nos a porta para um mundo mágico.


Sinto que agendei a visita para a semana mais caótica, mas quis reservar a manhã do meu trigésimo aniversário para este reencontro. Embora tenha passado mais tempo na fila e o local estivesse quase lotado [o que condiciona um pouco o momento], deixei-me levar pelo tom hipnótico de cada recanto, observando o espólio livrólico que tem para oferecer. E de olhar atento, perdi-me pelas estantes tão coloridas e variadas nos títulos, nos idiomas, nos géneros, nos autores; perdi-me nas histórias que nos vão contando em surdina.


Para amantes - ou curiosos - de José Saramago, no piso superior há uma sala dedicada ao autor, «onde o escritor ganha vida através dos seus objetos pessoais, das histórias que marcam o seu percurso, das imagens que registam momentos mais especiais e, como não poderia deixar de ser, de cada uma das páginas que escreveu». Mas, além disso, também encontraremos um bosque encantado, instalações artísticas, uma sala temática de lifestyle, exposições temporárias e as montras que espelham sempre uma manifestação artística.



O INCENTIVO À LEITURA E O QUE COMPREI

A missão da Livraria Lello é bastante clara: valorizar o livro e promover a leitura, atendendo a que é uma fonte inesgotável de emoções, de conhecimento e de progresso. Em simultâneo, por acumularem tantas memórias, também são um impulso para a nossa imaginação. Alinhada com o propósito, fiz um pequeno investimento.


O processo de seleção foi um pouco difícil, porque cruzei-me com vários títulos que me chamaram à atenção. Ainda assim, controlei-me e optei por comprar um único exemplar, de uma autora cuja obra quero descobrir toda: Rapazes de Zinco, de Svetlana Alexievich. Porém, anotei outros para, quem sabe, uma visita futura.


A Livraria Mais Bonita do Mundo é mesmo um sonho. E recebendo-me com toda a a sua hospitalidade, sei que me reencontrei com um porto seguro, que embala a minha identidade em plena simbiose com a literatura.

Fotografia da minha autoria



Tema: Um livro de um autor pouco conhecido

Avisos de Conteúdo: Referências a fins de relacionamento, Abandono


A decisão de incluir este tema no Alma Lusitana foi imediata. Não só porque faço por arriscar em novos autores, mas também porque acredito na importância de os conhecermos, de lhes concedermos espaço neste panorama literário ainda elitista. Portanto, dentro da minha bolha, procuro promover a diferença. E tenho noção que esta luta é recompensada, sobretudo, quando me cruzo com exemplares como o da Carolayne Ramos.


OS TRILHOS PERCORRIDOS

Diálogos Que Nunca Tive é a concretização de um sonho. E a estreia da Lyne foi feita de coração aberto, numa generosidade comovente, porque nem sempre é fácil expormos os nossos sentimentos, o quanto nos sentimos fragilizados e numa batalha constante com os nossos fantasmas e as feridas que continuam a pesar-nos.

«A ti, que deixaste de ter um nome, pois transformaste-te em vários»

Num compromisso sério de «ultrapassar uma experiência que estava a ser má», é curioso como quase a conseguimos escutar nas suas divagações sobre sonhos, recordações, crenças, receios e emoções. Com uma escrita bastante relacional, é simples compreender que este livro é catártico, que é um processo de libertação. Mesmo que as nossas histórias possam ser distintas, somos capazes de rever-nos na dor, no impacto da rejeição, no amor tão intenso, nos traumas, no que queríamos que fosse e que nunca chegou a acontecer. E na sua pluralidade, vamos reconsiderando os porquês e as motivações que orbitam as nossas intenções.

«Acima de qualquer amor, tem de prevalecer o próprio»

Diálogos Que Nunca Tive é uma demanda de amor próprio. O passado já não pode ser alterado e há memórias que ficam presas à nossa pele, mas estas conversas escritas podem mudar a perspetiva do futuro.

«A vida tem um modo muito engraçado de se expressar»

Fotografia da minha autoria



«Valorizar o património português»


A música de Mário Gil ecoa nos meus pensamentos, sempre que equaciono a possibilidade de me perder em novas rotas do nosso país - de um modo literal ou figurado. Porque, citando-o, «pelos caminhos de Portugal, eu vi tanta coisa linda, vi um mundo sem igual». Contudo, continuo a preservar muitas paragens por descobrir.

Celebra-se, hoje, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, data instituída pelo ICOMOS, em 1982, e aprovada pela UNESCO, em 1983, com o propósito de não só valorizar o património nacional, como também de «alertar para a necessidade da sua conservação e proteção». Tendo em conta que possuímos um espólio vasto e rico neste setor, creio que é um privilégio conhecermos mais da nossa história através dos mesmos.

A minha alma sempre pronta para explorar este jardim à beira-mar plantado vai acalentando a esperança de os descobrir a todos. Não obstante, há monumentos que me despertam um pouco mais de curiosidade, afigurando-se no topo da lista. Para não ficar uma partilha exaustiva, mostro-vos apenas sete que quero visitar.


PALÁCIO NACIONAL DE QUELUZ



PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA



PAÇO DUCAL DE VILA VIÇOSA



PALÁCIO DA BOLSA



CONVENTO DE CRISTO



MUSEU NACIONAL DO TEATRO E DA DANÇA



CASA DE MATEUS



Já visitaram algum? Que outros monumentos deveria acrescentar à lista?

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andreia morais

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