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O mês começou com leituras ao sol, quase como se estivesse a carregar a bateria, e comigo a não sair dos álbuns do Espama Trincana — nunca pensei dizer isto, mas o tik tok levou-me para esse buraco negro e eu tenho-me divertido imenso com isso.
Em março, sobretudo nas últimas semanas, precisei mesmo de me recolher, porque a bateria social esteve a cumprir serviços mínimos, ainda assim, houve exceções que trouxeram um pouco de fulgor a estes dias. Mas confesso que estava desejosa que o mês terminasse, já que sinto que permitirá abrandar e voltar a reorganizar algumas questões pendentes, a ver a vida para além desta lente de cansaço mental que se tem instalado.
Preciso, no entanto, de tirar este tom fatalista, uma vez que março teve coisas maravilhosas, poesia, música ao vivo e um dos melhores espetáculos a que assisti. E teve tulipas ♡
as coisas maravilhosas de março
os fragmentos aleatórios
Chega março e o meu quarto reveste-se com tulipas, uma flor que terá sempre tanto de saudade como de colo. Curioso como encontro alento nas suas pétalas a desabrochar.
Kiss All The Time. Disco, Occasionally tem estado em repetição, no meu Spotify, e não perdi a oportunidade de adquirir esta edição especial em formato físico, que muito tem preenchido a casa. Além disso, o xtinto também lançou uma edição de livro e cd do seu Em sonhos, é sabido, não se morre e eu fui a correr à Fnac comprar um exemplar. Sou mesmo feliz a comprar discos de artistas que admiro — já preciso é de começar a pensar noutro sítio para os acomodar.
Estou muito satisfeita com os meus batons, mas precisava de um para aqueles dias em que não me apetece usar grande coisa de maquilhagem, num tom mais suave. Por isso, trouxe este do Mercadona e estou mesmo rendida ao conforto e à duração. Não prometo que aguente as 12 horas, mas a verdade é que dificilmente preciso de retocar.

as músicas e os álbuns
A playlist de março, à semelhança do mês anterior, também parece ter acolhido tudo o que foi saindo (perdoem-me o exagero). A grande diferença é que houve temas a ficar com todo o meu coração, principalmente o do Richie, e artistas que me surpreenderam imenso, ao ponto de já não os querer largar.
As músicas que marcaram o mês: O Que Tu Quiseres, Espama Trincana | No Meu Quarto, Murta | Responso, Iolanda | Talvez, Santos, Só | Matahari, Ella Nor & Mogno | You, Richie Campbell.
Os álbuns que marcaram o mês: Kiss All The Time. Disco, Occasionally, Harry Styles | Cuíca, MAR | Bruta, Rita Onofre | escrevi canções e são todas iguais, Latte.
as publicações
96 ao infinito: ou como o legado do passado abre portas ao futuro
O Expresso do Submundo fez a sua primeira viagem em 1996, quando o Pentágono — DJ Guze, Expeão, Fuse, Maze e Mundo Segundo — gravou o EP de estreia, em cassete, e «o foi distribuir de mão em mão pelas ruas de Vila Nova de Gaia e do Porto», cidades de onde são naturais. E eu tenho a forte convicção de que o meu fascínio por margens, por estas margens em concreto, e pela escrita poética despertou graças a este vínculo (publicação completa aqui).
combater a síndrome do impostor: ou como decidi pedir macchiatos
Uma das minhas resoluções para 2026 era silenciar esta voz pouco simpática a pairar, sobretudo no que concerne a receber dinheiro por aquilo que crio. Em 2025, quase cheguei lá, mas depois fui adiando porque me soava descabido cobrar por algo que construo a partir de casa, sobre conteúdos que leio/ouço/vejo sem pretensões de maior, apenas por gostar ou ter curiosidade em descobrir. Às vezes, existe alguma pesquisa, mas é tudo muito mais emocional (publicação completa aqui).
No meu substack poético — No Silêncio —, celebrei o Dia Mundial da Poesia com Versos Que Gostava de Ter Escrito e não estive sozinha nessa partilha. Como gostei muito da publicação, apesar de simbólica, não queria deixar de a incluir aqui.
os filmes, as séries e os podcasts
Neste segmento, trago uma série, uma conversa e três episódios de podcast.
Algodão a Frio
Algodão a Frio, que começou por ser um nome provisório, mas que acabou por «ajudar a cimentar o conceito da série», abre as portas de uma lavandaria self-service, onde sete desconhecidos ficam presos, «por consequência de um violento atropelamento e fuga». Sara é a única testemunha desta ocorrência e «esconde o paradeiro da vítima de Jorge, um homem misterioso que procura o atropelado por motivos sinistros». Peça a peça, ficamos a conhecer todas personagens e as linhas paralelas que se cruzam neste local.
FILTR'd Convo de Yang com Épico
O Yang foi um dos artistas que fez o meu 2025, muito graças ao seu EP Astros e Afetos, que combina vulnerabilidade, introspeção e melodias mais dançáveis. Recentemente, e com novos trabalhos lançados, esteve à conversa com o Épico, na FILTR’d Convo. Naturalmente, os tópicos foram desencadeados pela música, desde o processo criativo até à concretização da ideia, contudo, também houve espaço para falar sobre amizade, família e basquetebol, porque existem vários paralelismos entre ser atleta e ser artista.
Podcasts: Palavrão #09 com Sara Barros Leitão | Hotel ao Vivo - O Despejo | Hotel ao Vivo - Especial História de Portugal.
os livros
Um mês dedicado às mulheres e à poesia, que me permitiu arriscar em novas vozes literárias e regressar a algumas que já fazem parte da casa.
Os favoritos do mês: Em Nome da Filha, Carla Maia de Almeida | Um Cão no Meio do Caminho, Isabela Figueiredo | A Desobediente, Patrícia Reis.
Outros livros lidos: Alegria Para o Fim do Mundo, Andreia C. Faria (releitura) | A Bastarda de Istambul, Elif Shafak | Guia Prático Antimachismo, Ruth Manus | Sede de me beber inteira, Liana Ferraz | Oxe, Baby, Elayne Baeta | Poemas de Amor, Emily Dickinson | Autobiografia Não Autorizada 2, Dulce Maria Cardoso.
os momentos
Leituras ao sol. Ler poesia. Escrever poesia. Tulipas por todo o lado. Matar saudades das minhas pessoas. Lanches que são colo. Comprar poesia. Dançar ao som de Harry Styles. Ouvir o João Só e o Tiago Nogueira. Ficar maravilhada com o Gregório Duvivier. Ter Em sonhos, é sabido, não se morre em formato físico. Desligar. Ficar só na minha bolha. A francesinha do mês no sítio de sempre. Jantares em família. Música a curar feridas.



O Céu da Língua, Gregório Duvivier
A Inês lançou a proposta e a Sofia e eu não recusamos. Queria muito ver a peça do Gregório Duvivier e, admito, foi dificílimo calibrar as expectativas, até porque só lia maravilhas, mas a verdade é que não precisava de o fazer, porque superou-as a todas! Que texto e interpretação fabulosos, que ritmo frenético e contagiante; que bom que foi sentir todo aquele amor às palavras, a musicalidade, a mente de um criativo que não fica à superfície, que mergulha às profundezas sem qualquer receio. Ainda preciso de organizar melhor os meus pensamentos, porque o monólogo continua a ressoar em mim, mas escalou rápida e facilmente para a lista de melhores espetáculos a que assisti na vida.
João Só e Tiago Nogueira no Casino da Póvoa
O João e o Tiago construíram um alinhamento que nos permite ouvir «os temas que os ensinaram a gostar daquela que é, provavelmente, a arte mais ancestral que existe». E, assim, numa espécie de «conversa romântica» ou numa travessia por várias gerações e estilos, é um espetáculo para quem gosta de palavras, da intemporalidade das canções, da versatilidade que encontramos dentro do meio, quer nacional, quer internacional. Sei que ficaria bem a ouvi-los só aos dois, durante horas, não obstante, a Elisa trouxe outro brilho a uma noite que, já de si, nos estava a abraçar a todos. Ouvir Como é Fraco o Coração, Este Meu Jeito e Poeira interpretados por este trio encheu-me as medidas e, admito, o primeiro tema eriçou-me a pele (só não houve lágrimas por um triz). Mas o reportório estendeu-se por tantos outros que nos transmitem aconchego.
Abril, sê gentil ✨





