primeira box: rodrigo 13, ed e joão não & lil noon

O Coliseu do Porto Ageas e a Câmara Municipal lançaram o Primeira Box, «um novo ciclo de música dedicado a bandas e artistas emergentes» desta cidade, que nasceu da «vontade de levar ao grande palco do Porto projetos musicais ainda fora do radar, que merecem ser escutados por novos públicos». A motivação basilar foi primordial, mas abrir a sala Coliseu Box, com uma dimensão média, permitindo «novas possibilidades de lotação e imersividade», concedeu a oportunidade para avançar com o programa.

Com a curadoria do músico, DJ e produtor João Vieira e do próprio Coliseu, a estreia aconteceu a 6 de julho. Durante três anos, cada uma das noites do Primeira Box contará com «três concertos de três artistas distintos, e múltiplos territórios sonoros». Depois de uma primeira data dedicada «à música experimental, ambient e art-pop», no dia 21 de setembro foi a vez do hip-hop e dos sons mais urbanos terem um lugar de destaque, com Rodrigo 13, ed e João Não & Lil Noon. E foi, exatamente, a esta noite que assisti.

Rodrigo 13 foi o primeiro a atuar. Dos nomes do cartaz, é o que acompanho há menos tempo, no entanto, estava bastante expectante para o ver em palco, pois tanto o tema Rosa, como o tema Carapaça têm estado em repetição na minha playlist. E foi bom vê-lo a ganhar confiança à medida que ia interpretando as canções, o futuro é promissor. Para abrilhantar a noite, teve o Ícaro como convidado (com quem partilha o tema Rosa) e apresentou músicas do seu EP de estreia, que, segundo o próprio, sairá em breve.


O responsável por ter comprado bilhete para o espetáculo, reconheço, foi o ed, porque sou fascinada pela sua voz e pelas letras que escreve, que mais parecem poemas a falar diretamente com o nosso coração. E, quando o ouvi no concerto do xtinto, compreendi que precisava que tivesse um momento em nome próprio. Embora soe suspeita — não me importo —, é um dos maiores talentos da nova geração de músicos e só espero que tenha todo o reconhecimento devido: há coisas que se curam cá dentro sempre que os seus temas ecoam pela casa e me levam em longas viagens emocionais. Por isso, foi de coração a transbordar que ouvi, entre outras, lado a lado, antes, tua falta e quase nada e mais um avanço do seu EP de estreia. Além disso, contou com a presença do Vasco, do xtinto e do Lhast (com quem interpretou duas canções). Foi uma atuação entre amigos, que podia muito bem não ter chegado ao fim, porque foi absolutamente maravilhosa!

A noite terminou com a dupla João Não & Lil Noon, que nos teletransportou para um bar dançante. Aliás, a energia deles foi tão contagiante desde o início, que estava a ser difícil assistir à atuação sentada. Felizmente, já na reta final do concerto, inverteram a narrativa e convidaram o público a levantar-se a juntar-se à festa. É por artistas como eles que sou tão apaixonada por música portuguesa, porque são talentosos e têm uma visão particular, bastante versátil. Além disso, gosto como combinam uma sonoridade mais dançável com letras próximas (por vezes, com uma certa provocação) e como essa simbiose flui com naturalidade. Estava tão investida que nem dei pelo tempo a passar.

O único senão, para mim, prendeu-se com o som, porque houve alguns momentos em que estava tão alto, que se tornava um pouco difícil escutar os artistas com a devida atenção. Ainda assim, não foi algo que tivesse comprometido a minha experiência.

O palco do Coliseu é emblemático e acho ótimo que tenham pensado num projeto que o pretende «dessacraliz[ar] em nome de todos, da diversidade e da urgência», tal como explicou o presidente do Coliseu do Porto, Miguel Guedes. Desta forma, ao abraçarem um novo formato, permitem que a sala abra portas ao presente, aproximando artistas locais, «em plena atividade», com o público da Invicta. Que venha a próxima noite! 

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