 |
| Fotografia da minha autoria |
«O Museu Nacional Soares dos Reis tem origem no Museu de Pinturas e Estampas e outros objetos de Belas Artes, criado em 1833 por D. Pedro IV de Portugal, primeiro Imperador do Brasil, para salvaguarda dos bens sequestrados aos absolutistas e conventos abandonados na guerra civil»
Um dia, somos jovens a assistir a concertos na Queima das Fitas do Porto. Noutro, somos adultos a tentarem ser intelectuais em museus. Admito, talvez não seja tão linear assim, mas acho que a vida se vai construindo numa dicotomia idêntica.
Num programa quase de última hora (que, na realidade, já tinha sido apalavrado noutra data), fomos visitar o Museu Nacional Soares dos Reis, isto porque a Sofia queria muito ver «O Desterrado», por causa do livro Uma Aventura no Porto. Antes de falar do local propriamente dito, permitam-se só fazer uma pequena reflexão, porque acho curioso como a distância pode ser a nossa maior aliada para apressarmos ou irmos adiando certas visitas. Eu sou de Gaia, atravesso inúmeras vezes a ponte para passear pela Invicta e, mesmo assim, nunca tinha entrado no Museu. Se o queria ter feito há mais tempo? Queria. Se penso o mesmo todas as vezes que circulo naquela rua para ir para os Jardins do Palácio de Cristal? Também. A verdade é que ainda não tinha acontecido, mas, felizmente, reuniram-se todas as condições para a mudança.

A entrada é gratuita aos domingos e feriados para todos «os cidadãos residentes em território nacional», o que me parece uma excelente medida para aproximar visitantes. E nós também aproveitamos este fator para explorar o espaço e todos os seus tesouros.
Não sou entendida em arte, por esse motivo, é natural que me tenham escapado algumas referências. Ainda assim, gostei muito de ver a exposição denominada «A Faiança Azul de Safra», cujas peças devem o seu nome à tonalidade «da cor do seu vidrado», sendo produzidas na Fábrica de Louça de Miragaia (entre 1775 e 1822). Esta exposição é temporária e pode ser visitada numa das salas da entrada. Subindo ao primeiro e ao segundo andar, percorremos as exposições de longa duração, com narrativas complementares: «A primeira reflete a sua história e a forma como as coleções foram sendo integradas e a segunda valoriza os artistas e as suas obras».
 |
|
O espólio é vasto e divide-se entre cerâmicas, gravuras, esculturas, lapidárias, mobília, ourivesaria e joalharia, pintura, têxtil, vidro e peças diversas. Além disso, até ao dia 28 de julho, podemos apreciar a instalação sonora ECO ( ) LAPSO, que «estabelece um diálogo» entre uma escultura de Maria Ribeiro e uma composição musical «produzida a partir de gravações sonoras e material de arquivo relacionados com o 25 de abril».
Depois de percorrermos todo o edifício, terminamos a visita no Jardim das Camélias, localizado na parte central, onde podemos observar várias espécies de Japoneira. Sejam ou não os maiores entendidos em arte, acho que é uma paragem a considerar.
 |
| Fotografia da minha autoria |
«uma paixão de três amigas de infância»
As paixões podem transformar-se em conceitos concretizáveis e espaços bonitos, como é o caso do Potts, que nasceu da «paixão de três amigas de infância pela pastelaria caseira, chás, cafés de especialidade e livros». Márcia Cruz, Diana Martins e Lucilina Bettencourt juntaram esforços para criarem um ambiente descontraído.
O facto de o nome ser «inspirado em Mrs. Potts, a famosa bule do clássico "A Bela e o Monstro"», um dos meus filmes favoritos, já era indicador do quanto este espaço tinha tudo para me arrebatar, mas é claro que os fatores não se esgotaram nesta curiosidade.
A sala em tons neutros, mas com alguns apontamentos coloridos, num jogo de texturas e padrões harmoniosos, transmite uma sensação de aconchego. Mesmo estando perto da azáfama da cidade, é fácil sentirmo-nos isolados, num ambiente sereno, como se, de repente, o mundo ficasse em silêncio. Ali, podemos desfrutar de um refeição e seguir caminho, mas também podemos ficar a conviver, a trabalhar, a ler, até porque promovem encontros às cegas com livros e têm exemplares em segunda mão à venda. E faço a ressalva de ter as portas abertas para os nossos patudos.
Foi graças a mais uma sessão de escrita que fiquei a conhecer este espaço e sei que vou querer regressar, porque tem tudo aquilo que preciso: comida boa, cheiro a café e uma área que, embora não seja muito grande, tem o espaço suficiente para nos sentirmos em casa. E se há coisa que aprecio é a possibilidade de ficar à janela, a ver a vida em movimento, enquanto estou nesta bolha de conforto a absorver inspiração.
🍵 O Potts localiza-se na Avenida Rodrigues de Freitas, no número 389, no Porto.
 |
| Fotografia da minha autoria |
«Um conceito diferente de museu»
O conceito de museu pode ser desconstruído e o 3D Fun Art Museum, na Rua de Faria Guimarães, no Porto, veio assumir essa missão com 40 cenários distintos.
Nesta galeria de ilusão ótica, nem tudo é o que aparenta ser. Portanto, teremos de explorar os cenários de cada sala, recorrendo ao melhor trunfo de todos: a criatividade. O resultado, para além de ser surpreendente, consegue proporcionar momentos de diversão para todo o grupo (de amigos e/ou de familiares).
O conceito teve origem em 2015, «quando o casal luso-alemão Lara e Ralf Hein estava de férias no estrangeiro». Durante uma viagem à Tailândia, visitaram um espaço semelhante e decidiram «adaptar a ideia à nossa cultura, incorporando cenários alusivos às diferentes regiões onde estão localizados». No entanto, só em 2019 é que o sonho se concretizou. E, assim, o primeiro 3D Fun Art Museum abriu no Funchal.
O êxito foi tanto que alargaram o projeto a Lisboa, a Portimão e ao Porto. Foi este último que visitei e fiquei impressionada com a oferta. Isto porque encontramos diversas «obras de arte interativas tridimensionais» e uma componente didática expressiva. No fundo, a arte «sai das paredes» e torna-nos personagens das mesmas.
O valor poderá variar consoante a modalidade, uma vez que têm bilhetes individuais, bilhetes para famílias, para grupos e para grupos escolares. Além disso, aconselho a que reservem a visita atempadamente, para explorarem melhor esta experiência.
Creio que é um excelente programa para miúdos e graúdos. E achei interessante que os cenário tivessem uma imagem explicativa, para compreendermos o propósito, e qual a resolução da câmara/posição do telemóvel, para que fique clara a ilusão e ficarmos com fotografias originais. Só para resumir, poderão encontrar:
🎫 Imagens 3D: «várias imagens 3D que oferecem oportunidades de fotografia e diversão para toda a família»;
🎫 Quarto de Cabeça Para Baixo: «venha conhecer o nosso quarto ao contrário, o lugar onde a gravidade desafia a imaginação»;
🎫 Quarto de Ames: «nesta incrível ilusão, experimente como pode crescer ou diminuir de tamanho ao caminhar de um lado para o outro».
 |
| Fotografias da minha autoria |
«Espaço de lazer e recreio»
O título «Fontes Secretas chegam este domingo ao Parque das Águas» cativou a minha curiosidade, no final de julho, por isso, abri a notícia e anotei o nome - e a localização - para uma visita futura (e próxima).
A iniciativa, que é da responsabilidade da empresa municipal Águas e Energias do Porto em parceria com o M.OU.CO (espaço cultural e hoteleiro), pretende promover a descoberta do património histórico da cidade. Assim, «entre natureza, música e cultura», o evento estende-se até 17 de setembro, com entrada gratuita e com a programação a mudar todos os fins de semana. A oferta pareceu-me muito interessante, mas, numa primeira abordagem, só fui conhecer aquele que é considerado «um dos parques mais secretos» da Invicta.
O Parque das Águas localiza-se na «vertente norte da margem do Douro» e ocupa «uma parte significativa das atuais instalações operacionais da sede da Águas do Porto», na Rua Barão de Nova Sintra (perto da estação do Heroísmo). Este espaço congrega várias vertentes - histórica, cultural e de biodiversidade -, proporcionando uma experiência visual e sensorial ampla. Por tudo isto, representa uma qualidade elevada para a cidade.
Para além de um espólio que se divide entre fontes, chafarizes e arcas de água, este parque tem uma herança natural lindíssima, com «uma mancha arbórea» diversificada. Este pulmão verde, como é caracterizado, dispõe de alguns percursos que o permitem descobrir melhor e, portanto, revelou-se uma surpresa encantadora.
A Rua do Roseiral (caminho norte, onde se situam os jardins, a estufa, a «Casa de Alice» e os núcleos museológicos), a Rua das Fontes (caminho nascente-poente, onde se observam as fontes, as arcas e os chafarizes) e a Rua do Rio (caminho sul, com vistas privilegiadas sobre «o território e a paisagem»).
É neste elo de rotas que se constrói a identidade singular do local, que se visita com alguma rapidez. No entanto, o ideal será ir com tempo, para aproveitar para ler, para fotografar, para descontrair. Hei-de regressar.
 |
| Fotografias da minha autoria |
«Preparem-se para uma experiência surpreendente»
O meu Porto de mil encantos tem, no Parque da Cidade, um acesso privilegiado a experiências bastante diversificadas e únicas. Uma delas acontece no Pavilhão da Água, que proporciona «um mergulho no conhecimento», podendo ser partilhado em família ou entre amigos, porque tem atividades para várias idades.
Por questões profissionais, tive a oportunidade de visitar o edifício pela segunda vez. Num intervalo de quatro anos entre as duas ocasiões, salvo erro, confesso que já não tinha presente todos os espaços disponíveis, portanto, este reencontro teve sabor a estreia - e penso que também sofreu algumas renovações, que vieram acrescentar uma maior interatividade nas dinâmicas e maior equilíbrio entre «diversão e aprendizagem».
No Pavilhão da Água é tudo pensado ao detalhe, por isso é que a visita é divida em três áreas distintas, tendo o rio como fio condutor. Esta estrutura permite debater a importância da água, as suas propriedades, a ligação dos portugueses aos rios e ao mar, fenómenos naturais e a força da água para produzir energia elétrica.
Iniciamos a exploração numa sala imersiva, «que atravessa montanhas, planícies e oceanos», e deixamo-nos guiar, depois, por algumas brincadeiras e experiências, para assimilar a informação transmitida no filme.
Para além da exposição permanente, existem workshops de verão, laboratórios adequados a diferentes faixas etárias e, ainda, a possibilidade de realizar festas de aniversário. Em simultâneo, o Pavilhão promove o Programa Bandeira Azul e desenvolveu o projeto H2Out, com o intuito de levar os laboratórios realizados nas instalações a escolas, empresas e instituições. Com a pandemia, estenderam a sua intervenção ao digital.
No site, podem consultar curiosidades, aceder à newsletter, ler notícias e saber todas as informações necessárias para marcarem a vossa visita (os preços variam consoante a modalidade desejada).
Sabias que os ventos num tornado podem atingir mais de 400 km por hora? Sabes para que serve uma barragem de retenção? Podes descobrir isto e muito mais no Pavilhão da Água, até porque, «do alto das penedias, um pequeno arroio ganha força e corrente». E a água, com as suas formas, dá «vida à Natureza».
 |
| Fotografia da minha autoria |
«Chocolate makes everything better»
As minhas origens pertencem ao lado da margem que tantas vezes ouve que o que tem de melhor «é a vista para o Porto». Não escondo que um dos encantos de Gaia é esse, mas engana-se quem pensa que é o único. E eu, que vivo cá desde sempre, também estou numa viagem de descoberta, porque tendemos a negligenciar o que está perto. Recentemente, quebrei um pouco a tendência, porque fui conhecer um dos museus do WOW.
WOW: WORLD OF WINE
O WOW Porto localiza-se junto ao rio Douro, na Rua do Choupelo, bem perto do The Yeatman e das caves Taylor's. Neste «quarteirão cultural», composto por lojas, museus e restaurantes, existe uma fusão de história, cultura e experiências, promovendo a curiosidade, o lazer e a aprendizagem de todos os que o procurem.
A vista é apetecível e há muito por explorar. Neste primeiro contacto, perdemo-nos pelo Museu do Chocolate.
THE CHOCOLATE STORY
O chocolate reúne muitos amantes (eu incluída, claro), mas talvez não estejamos a par de todo o processo desenvolvido até que nos chegue às mãos como o conhecemos - nas infinitas variações que existem e nas que nos surpreendem pela novidade. Por isso, visitar o Museu do Chocolate é ter a certeza que embarcaremos numa experiência imersiva «desde o mundo do cacau», ficando com uma noção mais ampla da sua história.
O percurso é fascinante, visual e olfativamente rico e estimulante, porque há salas e referências sobre várias etapas, pessoas e datas que se interligam através desta iguaria. Além disso, como tivemos uma guia extraordinária a acompanhar-nos, creio que a envolvência na visita se elevou, porque conseguiu equilibrar muito bem os factos mais teóricos com os olhares curiosos de quem quer saber sempre o que vem depois.
A proposta é ficarmos a conhecer a origem «desde as árvores de cacau até ao momento em que derrete na boca», mas também o seu vínculo à «publicidade, ao empacotamento e à produção fabril». No final, para terminar com chave de ouro, vemos como é que tudo ganha forma ao espreitarmos a Fábrica de Chocolate.
Há «sempre uma excelente razão para comermos chocolate» e para voltarmos onde a magia acontece.