Entre Margens

Fotografia da minha autoria



Tema 35: Banana + Relógio + Chapéu


As horas batem descompensadas
Marcando um tempo imperfeito
Pela vista do alto da montanha

E nesta contagem regressiva
Como quem descasca sem pressa
Uma banana perdida na fruteira
Inventamos outro momento
Outro impulso utópico
Como se fossemos mais
Por sermos um pedaço de alma
Convencido pela distância

Ao longe há um chapéu que voa
E eu sigo adiante
Em direção à casa que me recebe
Sem que lhe pertença

Porque esgota-se o tempo
Numa narrativa breve
De quem já não sabe
O que escrever

Fotografia da minha autoria



«E nunca as minhas mãos ficam vazias»


O poema é um mundo de reencontros. Para Sophia de Mello Breyner, era a sua explicação com o universo e a sua convivência com as coisas, com as vozes, com as imagens. Por isso é que os seus versos partiam sempre de um ângulo concreto, envolvendo-nos na sua bolha e na sua intervenção ativa enquanto artista e cidadã.

A minha ligação à sua obra começou na prosa [possivelmente, com A Floresta], mas mantendo uma porta aberta para a poesia que ansiava descobrir. Pela amplitude. Pelo eu lírico que é tão relacional. Pela intemporalidade. Porque, mesmo numa altura em que apenas lia poemas soltos, reconhecia-lhes uma travessia no tempo, resgatando experiências plurais, que poderiam retratar problemáticas de gerações tão distintas.

É neste género literário que tanto me conforta que pretendo abraçá-la. E enquanto a sua Obra Poética não figura na minha estante, deixei-me inebriar por dois exemplares independentes que espelham a sua mestria.


POESIA

A leveza das suas palavras, que nos soam como uma melodia harmoniosa, camufladas numa linguagem acessível, confronta-nos, ainda assim, com um mundo desconhecido, por vezes algo sombrio, e uma metamorfose emocional, que nos faz reconsiderar a nossa alma fragmentada em diversas identidades.

«Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas»

Dividido em três partes, este livro é feito de solidão, de saudade e de paz. E leva-nos a deambular pela morte, pelo sonho, pela exaltação, pela fragilidade, pela plenitude, pelo terror e pelas ruínas. Com versos de uma humanidade ímpar, é a natureza - enquanto elemento e enquanto caráter - que nos proporciona um certo renascer e redenção, partindo de um lugar íntimo e compreendendo as dicotomias que nos correm por dentro.


DIA DO MAR

O cariz social, embora ténue, e a clara referência à infância, com um vínculo especial à Praia da Granja, em Vila Nova de Gaia, marcam o tom desta obra, tão rica em imagens, metáforas e silêncios sem tempo e lugar.

«Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei»

A viagem continua livre, por um ambiente que nos aproxima de um mar imenso de possibilidades e de sensações. Alternando entre a vontade de viver em pleno e a impossibilidade de o fazer, entre a harmonia e a solidão, entre o humano e o divino, confesso que foi a parte IV que arrebatou o meu coração. Sophia enlaçou-se «à força das coisas naturais», aos descobrimentos e a Abril para, no fim, procurar uma consciência de si.


|| Disponibilidade||

Poesia
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Dia do Mar
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«Peças portuguesas para espaços e momentos especiais»


O traço minimalista vai redesenhando a decoração dos meus espaços. Principalmente, daqueles onde me refugio - para ler, para escrever, para estar. Por isso, é fundamental que cada detalhe comunique nesse sentido, não só por uma questão de harmonia, mas também por uma questão de identidade e praticidade.

Um dos meus projetos para este ano é continuar a renovação do meu quarto, tornando-o numa extensão do meu dialeto simples e atento a apontamentos singulares. E a verdade é que, no meio de tantas possibilidades, chega a ser bastante terapêutico combinar cores, materiais e texturas para que o resultado final transborde aconchego. Portanto, para que tal aconteça, vou acompanhando algumas marcas e os seus lançamentos.

Já há algum tempo que me tinha perdido de encantos pela Aqui Há Peça, porque tem linhas que se adequam a todas as minhas preferências - e um conceito inspirador. E, finalmente, aventurei-me numa compra.


AQUI HÁ PEÇA

A marca é 100% portuguesa, comercializando peças de cerâmica nacionais. Pautando-se pela simplicidade e pela elegância, o projeto ganhou asas porque as suas criadoras «perceberam que as peças de cerâmica estão sempre presentes no nosso dia a dia, desde um pequeno apontamento na decoração da nossa casa, no nosso local de trabalho, num jantar de amigos ou mesmo numa festa de aniversário ou de casamento». Além disso, por ser parte da nossa tradição, também é uma forma de valorizar - e homenagear - os nossos produtos.


AS MINHAS ESCOLHAS

Jarra Salpicada e Amarela


Estava a precisar de uma jarra para complementar a decoração da minha cómoda. E o difícil foi mesmo escolher, porque, ao deambular pelo catálogo disponível, a minha vontade era selecionar um artigo de cada.

Há peças para todas as preferências, ocasiões e carteiras. Porém, sinto que existe uma linha transversal a todas elas, atendendo a que contemplam a versatilidade e a intemporalidade. Isso sossegou-me, pois percebi que, fosse qual fosse a escolha, conjugaria bem com a divisão e a minha personalidade a longo prazo.

Depois de percorrer o catálogo e de ponderar alguns aspetos, cheguei à conclusão que esta jarra salpicada e amarela era a mais indicada: 1) combina cores que adoro; 2) tem as dimensões ideais para o espaço; 3) como traz tampa, posso usá-la com ou sem flores. Optei pelo modelo mais baixo e a qualidade é extraordinária.


Arranjo Limoges


Para completar a minha encomenda, não resisti a este arranjo, até porque adoro ter flores em casa. Ainda não sabia se o iria colocar na jarra nova, mas segui nesse sentido. E o meu quarto ficou com um toque encantador.


CURIOSIDADES & CONSIDERAÇÕES

A minha experiência não podia ter sido mais positiva, porque a compra foi bastante intuitiva [o site é muito funcional e claro] e todo o processo célere. Além disso, chegou tudo em perfeitas condições. Naturalmente, se estiverem à procura de peças distintas, para vocês ou para oferecer, recomendo que visitem a Aqui Há Peça.

Uma vez que decidi usar a minha jarra com flores, como mencionei anteriormente, a tampa que a acompanhava não ficou esquecida: dei-lhe uma nova vida e, neste momento, serve de base para uma vela.


Há peças que nos marcam, pelos mais diversos motivos. E estas, creio, contarão uma história muito bonita.

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«Desolação, vento gelado, tempo dos dias mais curtos»

Avisos de Conteúdo: Homicídio, Saúde Mental, Relações Familiares Desestruturadas


O Uma Dúzia de Livros renasceu com uma nova identidade. Rita da Nova e Joana da Silva são co-apresentadoras do podcast Livra-te e quiseram aprofundá-lo com esta dinâmica de clube do livro, no entanto, continuam a ser formatos independentes, isentos de qualquer obrigatoriedade para os leitores e os ouvintes. Além disso, em vez de funcionar por temas, todos os meses existirão duas obras para serem descobertas.


LIVROS DE JANEIRO

A Joana selecionou A Troca, de Beth O'Leary, enquanto a Rita sugeriu Inverno, de Ali Smith. Estão ambos traduzidos em português e figuram na minha lista de desejos. Ainda assim, manifestou-se com mais intensidade o meu interesse em cruzar-me com a escrita de Ali Smith, portanto, priorizei a escolha da Rita.


A ÉPOCA QUE NOS ENSINA A SOBREVIVER

Os dias gélidos de inverno tendem a mortificar-nos com lentidão, na mesma medida em que despertam, em nós, um certo instinto de sobrevivência, uma certa vontade de procurar conforto, embora possamos movimentar-nos sobre o caos - físico e emocional. E foi nesta espécie de limbo que avancei na minha leitura.

«Sou filho de ninguém. Como uma flor. Cresço selvagem»

A premissa permite antever um retrato próximo da realidade. Mesmo não sendo autobiográfico, percebe-se que há uma urgência na autora para nos transportar e consciencializar para referências políticas e sociais. Neste caso em concreto, foca-se nas consequências do Brexit, na intervenção problemática de Trump e na questão dos refugiados. Em simultâneo, confronta-nos com o impacto da desinformação, das notícias falsas e da dependência do mundo digital. E cada uma destas temáticas é explorada no quotidiano dos protagonistas.

«A tua propensão para o egoísmo é que me preocupa, disse ela»

Inverno divide-se por fios soltos e complexos, que não estou certa de ter acompanhado e compreendido na totalidade. Não obstante, fiquei maravilhada com o seu processo narrativo e com a escrita de Ali Smith.


A DINÂMICA FAMILIAR

O início da narrativa é um pouco surreal e demorei a ambientar-me à sua energia. No entanto, tornou-se muito mais intuitivo quando se reuniram as personagens e a dinâmica entre elas se tornou o principal foco da ação.

«A generosidade dela abala-o quase tanto quanto a frieza da mãe»

Essencialmente passado no Natal, há, neste enredo, um relato que nos faz viajar até ao passado, descobrindo os desencontros, as mágoas, as falhas e os laços que se quebraram. Mas, quase como se a vida proporcionasse uma segunda oportunidade, as situações inusitadas e palco de tanta discórdia são, também, a demonstração de um amor profundo, só possível no seio familiar - que tantas vezes nos faz frente, continuando a amparar-nos as quedas, mesmo em silêncio -, porque a preocupação com os nossos não desvanece.

«Seria possível travar o desfile do tempo através de nós?»

Com pequenos momentos de tensão e pensamentos em suspenso, há nos diálogos destes intervenientes tão distintos uma ponte para reflexões de inúmeras naturezas, que nos convidam a olhar para dentro de nós.


O CAOS E A ARTE

Inverno, com o seu registo cómico-trágico, reserva-nos passagens com a dose certa de ironia. E sentindo o caos próprio da estrutura textual, somos igualmente impelidos a considerar a forma como observamos o mundo, como nos posicionamos e qual o papel que a arte pode exercer neste plano com tantas ramificações.

«onde é que nós estaríamos sem a nossa capacidade de ver para lá do que devemos ver»


Disponibilidade: Wook | Bertrand

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«É o início da 56ª edição»


O segredo foi sendo revelado aos poucos, como quem desembrulha uma lembrança ou se enlaça num ritmo melódico surpreendente. Porque um dos eventos do ano está próximo de se concretizar. Após terem sido anunciados os seus autores e os interpretes, foi a vez de conhecer as datas chave do Festival da Canção.

Contrariamente a anos anteriores, a edição de 2022 só ocorrerá em março, mas a lista de músicas já se encontra disponível nas plataformas digitais, permitindo-nos satisfazer a curiosidade, ao mesmo tempo que as descobrimos com calma e a tempo das duas eliminatórias. Neste sentido, a primeira está marcada para dia 5 [sábado], enquanto a segunda acontecerá a 7 [segunda]. A grande final ficou definida para dia 12 de março.

No total, existem 20 temas em competição e a votação seguirá a dinâmica habitual: metade da pontuação será atribuída pelo júri e a outra metade representará a voz dos telespectadores. Conhecendo, em traços gerais, o regulamento do espetáculo, dediquei-me à minha parte favorita deste processo: a viagem pelas canções.

Procuro sempre ser isenta na minha apreciação, mesmo quando sei que há nomes que dificilmente ficarão fora dos meus prediletos. Mas a verdade é que isso acontece por algum motivo e houve duas músicas que me conquistaram de imediato. Apesar disso, ainda acrescentei outras três a este pódio, porque acredito no seu potencial. E acredito, também, que todas elas podem fazer um percurso muito bonito dentro e fora do festival.

Portugal transborda de talento. E isso sente-se. Portanto, são estas as minhas cinco canções favoritas.


A FAVORITA DE TODAS



A SEGUNDA FAVORITA



AS OUTRAS FAVORITAS




Embora não me tenham marcado tanto como as anteriores, mas reconhecendo-lhes algo especial, tenho de fazer uma menção honrosa a Calisun [TheMisterDriver], Corpo de Mulher [Milhanas] e Pontas Soltas [Jonas].



Já ouviram as canções a concurso? Alguma preferência?

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«A cozinha é o coração de um lar»


A gastronomia portuguesa é fascinante: não só pelos temperos e pela comida em si, mas também pelos laços que se estreitam, quando estamos na cozinha ou sentados à mesa, numa partilha plural - intemporal - que nos conforta. É por isso que as memórias são sempre mais saborosas, caso as associemos a esta natureza.

Um dos meus sabores favoritos é o dos ovos moles. Portanto, senti que este tema combinava na perfeição com a cidade de Aveiro. No entanto, não queria que o tópico ficasse limitado a um contexto fechado, razão pela qual creio ser importante reforçar que o sabor pode não estar associado a uma receita. Pode, antes, aparecer representado no título, numa personagem que adore cozinhar [ou não], numa memória ou na perceção de uma narrativa tão rica em acontecimentos, que quase lhe sentimos esse travo agradável. Não obstante, obras sobre culinária também são bem-vindas. Porque a forma como cada leitor interpreta o tema é que o torna delicioso.

Esta paragem conta com uma participação especial, visto que a livraria Gigões & Anantes acedeu, prontamente, ao meu pedido e sugeriu duas obras para o tema de Aveiro, que têm outro encanto por serem de filhos da terra. Em simultâneo, reuni mais 15 livros que podem ser excelentes companheiros de viagem.


 LIVROS COM SABOR 


 SUGESTÕES GIGÕES & ANANTES 

 

O Extraordinário Caso da Mosquinha-Morta, Cláudia Cruz Santos: «A autora aveirense traz-nos agora “O Extra­ordinário Caso da Mosquinha-Morta”, que define como um romance policial. A sua terceira obra de ficção é centrada em Catarina Efigénia, uma professora de português num liceu e que tem, desde o ano lectivo anterior, duas alunas novas, gémeas, “bastante problemáticas, cada uma à sua maneira”. Parte da narrativa desenrola-se numa escola, mas passa-se também fora dos seus portões. Porque, como a própria referiu, os incidentes da vida privada acabam por ter reflexos naquilo que sucede nos espaços mais públicos».

15 [ou quem concebeu o mundo não lia romances], André Éme: «Razão e coração. Todos os dias, há milhões de coincidências que não acontecem. Mas as que acontecem ficam gravadas na nossa memória e acabamos por chamar coincidências a acontecimentos que a razão nos diz serem meras probabilidades matemáticas. A morte do Quinze – uma figura pouco querida, mas familiar – e a reunião improvável de tantas antigas companheiras em torno do seu funeral, leva o narrador a fazer uma viagem dentro de si mesmo, à boleia de um ciúme tardio que o incomoda e envergonha. Nesse caminho interior desenhado pelas memórias que se vão alinhando, os acasos tendem a ser negados, mas… até a menor probabilidade matemática acaba por poder mudar vidas – afinal, são tantas as ocasiões em que a lógica explica, mas não satisfaz!».


 O QUE VOU LER 


Com os Copos, MEC: «Viaje pelo mundo das bebidas e dos cocktails pela mão de Miguel Esteves Cardoso, um conhecido expert nesta matéria que, neste livro, encarna a personagem de um barman que o conduzirá às mais elevadas experiências do saber beber. Magnificamente ilustrado por Pedro Proença, este é um livro indispensável para quem se interesse pela arte de preparar bebidas ou, tão simplesmente, pelo seu consumo».


 OUTRAS SUGESTÕES 

  

Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett: «
Vou nada menos que a Santarém: e protesto que de quanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há de fazer crónica. E assim nasceu a obra que viria a ser o marco do movimento romântico em Portugal. A narrativa de viagens enreda-se na perfeição com a novela trágica de Carlos e Joaninha e ainda com todas as singulares e geniais divagações e reflexões de Garrett».

Camilo Castelo Branco e o Garfo, José Viale Moutinho: «O autor, conhecido investigador de Camilo Castelo Branco, debruça-se desta vez sobre a gastronomia na obra de Camilo. Percorrendo os inúmeros livros do escritor e textos dispersos, recolheu as invulgares citações relacionadas com alimentação e procurou descobrir o modo de confecção da época. Desde a truta de escabeche ao toucinho-do-céu, as dezenas de citações e receitas que compõe este livro certamente irão agradar tanto camilianistas como amantes da cozinha».

A Cidade e as Serras, Eça de Queiroz: «Nesta obra, Eça sugere o tema clássico do elogio da "aurea mediocritas", quando mostra que nem é o fausto, nem o conforto, nem a ciência que fazem o homem feliz, mas sim uma vida calma, simples e natural. A descrição que faz da vida do campo é mais uma forma de idealização à maneira de Júlio Dinis. Revela-se um extraordinário paisagista. As descrições da obra concretizam o pensamento de Fradique Mendes: "a arte é um resumo da Natureza feito pela imaginação"».


  

O Duende Cozinheiro, Maria João Carvalho: «Esta é uma história de amizade cuja receita secreta se encontra bem guardada no coração do pequeno duende cozinheiro. Mas esse segredo vai ser revelado neste livro a mostrar que a alegria e a generosidade são os "ingredientes" certos que, temperados com uns pozinhos mágicos, podem transformar cada criança num duende traquina fazedor de sonhos e de um mundo melhor».

A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Mário de Carvalho: «Uma horda de cavaleiros berberes do século XII vê-se subitamente em plena Avenida Gago Coutinho por incúria da deusa Clio, que se deixa adormecer, enredando na sua tapeçaria milenar os acontecimentos de 4 de Junho de 1148 e 29 de Setembro de 1984. Um elevador não pára de subir. Um frade no seu convento resiste ao Dia do Juízo Final. Um homem simples vive um quotidiano dantesco. Um chimpanzé é capaz de reescrever a obra Menina e Moça. Um navio negro, desarvorado, muito maltratado pelo mar, dá à costa, trazendo consigo a pestilência...».

Balada Para Sophie, Filipe Melo & Juan Cavia: «A vida de Julien Dubois, pianista de sucesso, confunde-se com a história da Europa do século XX. Desencantado e misantropo, vive a reforma numa velha mansão, com um gato e uma governanta por companhia. Um dia, é visitado por uma jovem jornalista que o incita a contar a sua verdadeira história. Nas paredes da casa, saturadas de fumo de cigarro e de velhas memórias, ressoa a confissão de uma vida feita de rivalidade, desamor e arrependimento. Balada para Sophie é uma deslumbrante novela gráfica de uma das duplas mais consagradas da Banda Desenhada em Portugal».


  

Os Três Casamentos de Camilla S., Rosa Lobato de Faria: «Aos noventa anos de vida, Camilla decide percorrer os seus diários e contar as suas memórias. A sua história é a de uma mulher que, ainda que às vezes de longe, viu o tempo e os actos mudarem o mundo. É também a história dos seus três casamentos e do seu único amor. A vida de Camilla é feita de iguais medidas de alegria e desespero. A sua memória é a de uma jornada de crescimento, desde a inocente casada demasiado cedo à mulher que amou e sofreu e viveu uma vida completa. E a voz de Camilla é fascinante, tal como o é o percurso da sua vida. É a autobiografia de uma velha senhora que aos noventa anos decide contar a sua vida, incluindo o que ela possa ter de inconfessável. Desde os ambientes à narrativa, estamos perante um livro adequadamente romântico».

Contra Mim, Valter Hugo Mãe: «Na vida de alguns escritores tudo parece conspirar para a inevitabilidade da escrita. Cada detalhe, por mais errático ou disfarçado de desimportante, já é a construção do fascínio pelo texto, algo que se confunde com a sobrevivência, com toda a dificuldade e alegria. Valter Hugo Mãe, num "ano introspectivo", como diz, regressa com a história da sua própria infância e a magia profunda de crescer fazendo das palavras alimento, companhia, lugar, espera ou bocados de Deus. Este livro é uma criança às páginas».

O Sabor da Liberdade, Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada: «Portugal esteve unido a Espanha 60 anos. Durante esse tempo foi governado pelos reis Filipe II, Filipe III e Filipe IV, que viviam em Madrid. A situação não agradava, houve tentativas de revolta fracassadas, mas no ano de 1640 um grupo de nobres resolveu preparar um golpe-surpresa, restaurar a independência e aclamar um rei português. Ana, João e Orlando chegam a Lisboa poucos dias antes de a revolução estalar. Instalaram-se no palacete da família Corrêa e acabaram por tomar parte não só nos romances e problemas daquela gente e das suas vizinhas de bairro mas também no grande acontecimento que mudou a história do país».


  

O Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner: «No regresso de uma longa peregrinação à Palestina, o Cavaleiro tem apenas um desejo: voltar a casa a tempo de celebrar o Natal com a sua família. Nessa viagem, maravilha-se com as cidades de Veneza e Florença, e ouve histórias espantosas sobre pintores, poetas e navegadores. São muitas as dificuldades com que se depara, mas uma força inabalável parece ajudá-lo».

Uma Aventura na Amazónia, Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada: «Vai realizar-se em Manaus um congresso médico e a agência de viagens onde trabalha a mãe das gémeas é que está a organizar o evento. Por isso, a Teresa, a Luísa e o Pedro vão poder acompanhar as respectivas mães à Amazónia! Será que o Chico e o João desta vez ficam em casa? Ou vão poder desfrutar todos juntos do esplendor da maior (e mais fantástica!) floresta do mundo? Uma aventura grandiosíssima no lugar mágico do encontro das águas».

Cinderela, João Paulo Seara Cardoso: «Esta não é uma Cinderela tradicional. Há uma reescrita, um tanto ou quanto anacrónica, da história tradicional, a partir das versões de Perrault e Grimm. Personagens saídos de outros contos caem do céu para dificultar a vida a Cinderela. Há uma Bruxa Má que detesta histórias com final feliz e um Lobo Mau disfarçado de GNR a patrulhar as estradas da floresta. Os Sete Anões são chamados a salvar Cinderela da morte certa, na sua qualidade de especialistas em técnicas de salvamento de meninas envenenadas. A Fada-Madrinha é uma tia irascível e ajusta contas com a Bruxa Má, num combate de wrestling. No final Cinderela casa mesmo com o príncipe e têm imensos filhinhos, para descanso de todos».


 

A Flor do Sal, Rosa Lobato de Faria: «Fala-nos da construção de um livro sobre um marinheiro do século XV e sobre o episódio de que ele foi protagonista. Esse pescador de Cascais, Afonso Sanches (que efectivamente existiu), mais tarde baleeiro e por fim piloto de uma expedição que buscava a Índia a Ocidente, chegou casualmente às costas da América em 1481 e disso deu notícia ao rei D. João II. Porém, o rei pediu-lhe silêncio sobre o seu achamento, por estar em vias de elaboração o Tratado de Tordesilhas. Mais de quinhentos anos depois, uma escritora aproveita este facto histórico para elaborar a sua própria ficção – e a sua história cruza-se com a de Afonso Sanches, num romance sobre os mistérios da criatividade, do amor e da morte».

O Pecado de Porto Negro, Norberto Morais: «Conhecida entre os marinheiros do mundo como a Cidade do Amor Vadio, é um lugar remoto, plantado no coração dos trópicos, onde, durante o dia, dizem, cheira ao suor da vida dos homens e, à noite, ao perfume das mulheres da vida. Em Porto Negro vive Santiago Cardamomo, um jovem estivador que divide o tempo livre que tem entre os bares do porto e a cama das mulheres que nunca lhe faltam. Em Porto Negro vive Ducélia Trajero, a filha donzela do açougueiro da terra, em quem o pai deposita todas as esperanças e que sonha com Santiago desde o primeiro dia em que o viu. Em Porto Negro vive também Rolindo Face, o mesquinho empregado do açougue, que jurou a si mesmo que a filha do patrão haveria de ser sua, custasse o que custasse. Amor, ódio, ciúme e vingança misturam-se numa trama que percorre mais de meio século e envolve personagens tão diversas [...] é um mosaico de histórias».


 CONSIDERAÇÕES 

📖 Podem ler qualquer género e em qualquer formato;
📖 O tema pode aparecer representado de várias maneiras, como referi anteriormente;
📖 A lista anterior é um mero guia de apoio, caso estejam sem ideias para as vossas leituras, mas podem ler outra obra do vosso agrado, desde que, naturalmente, respeite o tema central e seja de um autor português;
📖 Não há prazos, obrigações, nem meses fixos. E podem ler mais do que um livro.
📖 Utilizem a hashtag #almalusitana_asgavetas para que consiga acompanhar o que estão a ler.


O Alma Lusitana tem grupo no Goodreads. Se quiserem aderir, encontro-vos aqui.

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«Criar laços emocionais mais fortes»


A minha mão deambula no papel, quase como se se movimentasse numa dança singular. Porque esta arte - para muitos, já obsoleta - é um manifesto de liberdade e uma forma de eternizar algo pessoal como a nossa letra. É uma pegada que deixamos por escrito e que nos individualiza, ao mesmo tempo que estreita laços.

O ano passado, com o intuito de comemorar o dia da escrita à mão, enumerei os sete motivos pelos quais continuo a priorizá-la. Para 2022, senti que fazia sentido mostrar-vos os meus essenciais na hora de escrever.


CAPA MARSHMALLOW
Com as recargas, torna-se muito mais fácil organizar e escrever as publicações da semana



AGENDA 2022
Para nunca perder o norte dos meus compromissos



NOTES & ELIETE
Dois blocos onde aponto ideias soltas ou estruturo alguns projetos/iniciativas 
[por exemplo, para a próxima edição do Alma Lusitana ou para o Dia Mundial do Livro]



MOLESKINE PARA AS VIAGENS DE METRO
Foi neste que escrevi grande parte dos textos d' As Minhas Viagens de Metro. 
Como, de facto, viajava comigo, resolvi costurar esta capa de tecido



CADERNO HAVE A NICE DAY
O caderno onde estou a desenvolver o meu manuscrito



CADERNO NOTE IT
Oferecido por uma amiga, começou por ser o meu companheiro para a rubrica Rotas Singulares. Posteriormente, usei-o para escrever os textos da Inconfidências. Neste momento, está destinado 
para anotar as coisas boas do meu 2022 - aqueles detalhes diários que tornam a jornada feliz



CADERNO INTELIGENTE
Que funciona como Bullet Journal Literário



CADERNO PENSAMENTO ORGANIZADO
No qual, curiosamente, anoto os meus pensamentos periclitantes



SUBLINHADORES PASTEL
Para estruturar os segmentos do Bullet Journal



CANETAS STABILO
Para os títulos das publicações



CANETAS & LAPISEIRA
Para todos os textos e pensamentos que vão surgindo



A escrita é uma parte crucial da minha identidade, por isso, para que flua, necessito que o ambiente esteja em sintonia com o processo. Assim, para além de todos os artigos de papelaria supracitados - e onde poderia ter incluído os carimbos e os recortes para o Bullet Journal -, há outros cinco essenciais que são constantes.

📌 A minha predisposição [para escrever, para absorver os detalhes que me envolvem];
📌 Dicionário Priberam e Conversor de Acordo Ortográfico [para todas as dúvidas];
📌 Planner [para organizar, mensalmente, o conteúdo do blogue];
📌 Música de fundo [para me inspirar e para dar asas à imaginação];
📌 O meu chá [para tornar o ambiente mais aconchegante].


Quais são os vossos essenciais de escrita?

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