Entre Margens

Fotografia da minha autoria



«Data criada pela Sociedade Portuguesa de Autores»


As caixas de madeira que utilizo para albergar os livros por ler, como se fossem uma estante alternativa, têm cada vez mais nomes portugueses, porque há vozes que estou a adorar descobrir e há outras que me despertam interesse. E que bom que é ver autores portugueses a conquistarem um lugar no meio literário.

À semelhança dos últimos dois anos - aqui e aqui - não quis deixar de assinalar o Dia do Livro Português, visto que sou feita de tantas histórias e que tenho sempre espaço no meu peito para acolher muitas mais. Num quotidiano em que parece que andamos em modo acelerado, a minha parte favorita do dia é quando, já de pijama, com uma chávena de chá por perto, posso abrir um livro e transportar-me para outras realidades.

Para este ano, optei por dividir a minha celebração em três categorias.


OS ÚLTIMOS 3 LIVROS PORTUGUESES 
A QUE ATRIBUÍ 5 ESTRELAS

📖 O Pecado de Porto Negro, Norberto Morais;
📖 Racismo em Português, Joana Gorjão Henriques;
📖 As Coisas Que Faltam, Rita da Nova.



3 LIVROS PORTUGUESES NA MINHA TBR 
- E PARA DESCOBRIR EM 2023

📖 Três Mulheres no Beiral, Susana Piedade;
📖 O Coração dos Homens, Hugo Gonçalves;
📖 Deste Silêncio em Mim, Rui Conceição Silva.



3 LIVROS PORTUGUESES NA MINHA INTERMINÁVEL LISTA DE DESEJOS

📖 Lisboa, Chão Sagrado, Ana Bárbara Pedrosa;
📖 Mãe, Doce Mar, João Pinto Coelho;
📖 Quantos Ventos na Terra, Maria Isaac.



Feliz Dia do Livro Português!


«Eu bebi da raiva como sumo
Deve ser por isso que eu não durmo
Sim eu já errei, isso assumo
Mas não fiques se é para fazeres disso assunto

[...]

Sou caos e calma, é no centro que me fundo
Sou toda a alma mas dizes que te confundo
Na tua sala não te vejo entre o fumo
Não sei se é karma ou se sou eu que te consumo

Fecho a porta, desta vez eu deixo o trinco
Fechas-me a porta, gritas, dizes que te minto
E na verdade a saudade é labirinto
Entre o que é certo e é certo saber que sinto

Ficou mórbido o que um dia foi bonito
Os poemas não se ouvem entre os gritos
Sinto muito sentir tanto e admito
Que saio com mais vontade do que a que fico

[...]

Eu dizia que a dor é minha vizinha
Afinal nem sabia quantos quartos tinha

Não estou para ninguém, cortei a campainha
A mágoa arrasta não lhe vou fazer bainha
Acendo a vela, selo esta vida minha
Onde foi o sonho que era meu e sei que tinha»

Fotografia da minha autoria



Uma viagem literária para descobrirmos os nossos autores


Abril de leituras mil. O ditado não é bem assim, no entanto, é o que desejo que aconteça no mês do meu aniversário. Desta vez, o Alma Lusitana será escudado por dois nomes conhecidos, visto que já tive a oportunidade de ler duas obras de ambos, e por uma nova autora, que lançou o seu primeiro livro. Estou ansiosa por me reencontrar com dialetos que aprecio, ao mesmo tempo que me cruzarei com uma novidade.


SUSANA AMARO VELHO

A leitura e a escrita, reconhece, são duas das suas maiores paixões. Licenciada em Jornalismo e Solicitadoria, deu asas ao seu sonho e arriscou «escrever para ser lida». Até ao momento, conta com três obras publicadas, porém acredito que o seu «caderno na mesa de cabeceira» reserve muitos mundos por explorar.

      

As Últimas Linhas Destas Mãos: «Depois da morte de Alice, a sua filha Teresa recebe uma herança que a deixa intrigada: um monte de cartas, algumas com tantos anos quanto ela, que contam uma história de amor que não sabe se é ou não real. Não conhece os lugares. Não reconhece as personagens. Não sabe, sequer, quem é a própria mãe e onde se encaixa naquele enredo. Este amor em linhas vivido por Alice, de tão intenso, tão mordaz, tão vivo e tão presente vai abrindo espaços, alimentando dúvidas, resgatando culpas antigas e memórias apagadas. Mas será ele suficiente para que Teresa possa, finalmente, perceber e perdoar a mãe? Poderão as últimas linhas de Alice ser mais fortes e enlaçar o que ela em vida não conseguiu prender?».

O Bairro das Cruzes: «Conta a história da Luísa. E da Rosa. Conta a história das cruzes que carregamos desde a infância e que condicionam escolhas futuras. Caminhos que se seguem e outros que se evitam. O Bairro das Cruzes atravessa o tempo. O espaço. Mistura comunistas e PIDE e sobrevive às cheias de Lisboa. Carrega um fardo pesado e agarra à terra quem lá nasceu. Quem de lá quis sair, mas regressou. Porque o sangue pode pesar tanto quanto a pedra. E pode ser mais pesado que uma cruz».

Inquieta: «Julieta parece ter a vida perfeita. Aos trinta e sete anos tem um marido adorável que cozinha os melhores bolos. O emprego com que sempre sonhou e que a preenche. Uma casa cheia de luz e livros, onde a mesa está enfeitada com camélias. Então, por que motivo está agora sobre o varadim escorregadio de uma ponte, descalça e suja de sangue, prestes a saltar?»

Li e recomendo: O Bairro das Cruzes e Inquieta


GONÇALO M. TAVARES

O ano de 2001 marca o início de uma jornada literária dividida por diferentes géneros - estando traduzidos em mais de 50 países. Os seus livros «receberam vários prémios em Portugal e no estrangeiro» e também foram palco para peças de teatro, dança, curtas-metragens, teses académicas, entre outras manifestações artísticas. Uma vez que a lista é extensa, optei por selecionar alguns exemplos (podem consultar mais aqui).

      

Um Homem: Klaus Klump: «
Há exercícios para treinar a verdade como, por exemplo, ter medo. Ou então ter fome, Depois restam exercícios para treinar a mentira: todos os grupos são isto, e todos os negócios. Estar apaixonado é outra forma de exercitar a verdade. Klaus comandava pela primeira vez os negócios da família. Não tinha medo, nem fome, nem estava apaixonado. Cada dia era, pois, um exercício novo da mentira. Já tinha feito a vida real (tinha-a feito como se faz uma construção, algo material), agora começara o jogo: ganhar mais dinheiro ou menos. Nada de essencial; mas a mentira interessante é aquela que quase parece verdade».

A Máquina de Joseph Walser: «Não tinha sequer uma pistola, mas eliminara a grande fraqueza da existência, fizera desaparecer a primária fragilidade da espécie: não possuía qualquer inclinação para o amor ou para a amizade! E nesse momento, a caminhar em plena rua, desarmado, observando de cima os seus sapatos castanhos, velhos, sapatos irresponsáveis como troçava Klober, nesse momento Walser sentia-se seguro - e ao mesmo tempo ameaçador - como se avançasse dentro de um tanque pela rua».

Jerusalém: «Uma mulher, um assassino, um médico, um menino, uma prostituta e um louco. E uma noite».


      

Aprender a Rezar na Era da Técnica: «Conta a história de um cirurgião, Lenz Buchmann, que abandona a medicina para se dedicar à política. Tem a ilusão de poder salvar muitas pessoas ao mesmo tempo, em vez de salvar uma pessoa, de cada vez, no seu acto médico. A sua subida impiedosa no Partido do poder só é interrompida por um acontecimento surpreendente e definitivo. A mão forte que segurava no bisturi e nos comandos da cidade começa, afinal, a tremer».

O Osso do Meio: «Talvez um tom, os livros com tons (cores, agressividades, velocidades) e não géneros literários. Um tom, este: como flui o mal, a excitação, a passividade, a violência, pelos muitos solos da terra? Passado num período de pós-guerra, num movimento de ressaca colectiva. É um livro onde o meio aí está, logo no início, e aí fica até ao final. Três homens e uma mulher apanhados num ponto das suas violentas vidas (quase) felizes. A felicidade tem muitas variantes e algumas nada benignas. Kahnnak, Albert Mulder, Maria Llurbai, Vassliss Rânia, três homens e uma mulher. Um livro duro e triste».

O Torcicologologista, Excelência: «- Gosto muito de bater na cabeça das pessoas com uma certa força.- Gosta?
- Sim, agrada-me. Dá-me prazer. Uma pessoa vai a passar e eu chamo-a: ó, desculpe, Vossa Excelência?!
- E ela - a Excelência - vai?
- Sim. Quem não gosta de ser chamado à distância por Vossa Excelência? Apanho sempre, primeiro, as pessoas pela vaidade… é a melhor forma.
- E quando a pessoa-Excelência chega ao pé de Vossa Excelência, o que acontece?
- Ela aproxima-se e pergunta-me: o que pretende? E eu, com toda a educação e não querendo esconder nada, digo: gostava de bater com certa força na cabeça de Vossa Excelência. É isto que eu digo, apenas. Nem mais uma palavra».


      

A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado: «É o primeiro livro do universo das Mitologias, universo de ficção em que Gonçalo M. Tavares recoloca o humano e a história numa dimensão mitológica, que distorce para mostrar melhor e que, recorrendo ao universo narrativo da oralidade e do fantástico, explora brilhantemente aquilo que é a natureza humana».

Cinco Meninos, Cinco Ratos: «No meio da floresta, cinco meninos perdidos. Ou quatro. Porque a mais pequena das irmãs se perdeu dos que já estavam perdidos. Os meninos encontram um homem de mau olhado, mas ele é bom. Também se cruzam com a Velocidade, que é um elemento perigoso que faz dos homens, loucos . Há um Comboio que não gosta de humanos e um homem que não consegue deixar de ter a boca aberta diante do mundo. Há uma igreja minúscula onde cabe um corpo com dificuldade, mas esse corpo tem espaço para rezar. E há quem saia curado de espaços muito pequenos».

O Diabo: «É um espaço imaginário onde, entre muitos outros, se entrecruzam o diabo, a escola, os corvos e o trator, as palas com todas as suas limitações e virtualidades, o cemitério de aviões e a loucura, os direitos dos homens, o Grande-Armazém, o Povo-Armazenado, os três fios vermelhos, os Doze-Apóstolos, a canalização, os piolhos, o crânio de Olga, os nomes, Paris, os Nómadas, o Comboio e os Meninos, o Homem-que-Quando-Fala-Não-se-Entende-Nada, o crescimento de Alexandre (a linha recta). É um mundo de histórias e possibilidades quase infinitas em que um espaço ou uma máquina se podem transformar em personagem, mas é também um universo onde encontramos valores fundamentais, território privilegiado do mito, como o bem e o mal, o medo e a coragem, a tranquilidade e a violência, o desconhecido e o familiar».

Li e recomendo: Uma Viagem à Índia e Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai


ANA RITA AREIAS

É formada em Marketing e Comunicação Empresarial, «amante do significado das palavras», «sonhadora nata» e «dona da poesia que escorre para uma infinidade de papéis perdidos num ápice de momento». Publicou, recentemente, o seu primeiro livro e, por isso, quero incluí-la como autora extra do Alma Lusitana.


Ad Astra Per Aspera - Por Ásperos Caminhos até aos Astros: «
Entre o mar e o céu existe a poesia de uma mulher. Palavras que se refugiam num coração que teima em não se apagar. Umas que escolhem mergulhar em altos mares e outras que deslumbram a noite ao pé das estrelas. Mas, todas são vozes de uma cabeça na lua. É poeticamente triste o frio e quando a chuva vem de noite, os sonhos por momentos têm o hábito de tremeluzir. Porém, há demasiadas histórias que o mar tem por contar, que os poetas insistem em gritar em papéis que poucos lêem e as paredes da cidade são as que registam as sombras de um dia que escure­ceu cedo demais. Na infinitude da perda encontram-se conver­sas que ficaram a meio e quando há poemas que te fazem es­quecer a vida, o melhor é os guardar no íntimo de quem sente».

Fotografia da minha autoria


- título sugerido pela Silvana do Por Detrás das Palavras -


É sexta-feira à noite e o meu quarto parece ter sido apanhado no meio de um furacão. Isso ou os destroços vieram todos cá parar. E porquê? Porque tenho um encontro! Como é que isso se faz? Estou para descobrir.

Não sei o que vestir, que acessórios escolher, que maquilhagem usar... Só sei que estou uma pilha de nervos, ao ponto de já ter pegado no telemóvel algumas vezes para desmarcar, mas depois penso no quanto seria insensato cancelar tão em cima da hora - não que viesses a saber, mas a minha consciência não me permitiria. Por isso, aqui estou eu em frente ao espelho, a lidar com as minhas inseguranças, a silenciar os vários cenários trágicos que já idealizei - comida entre os dentes, cair na entrada do restaurante, não conseguir falar - e, no fundo, a tentar impressionar alguém, quando, secretamente, já tinha desistido de o querer fazer.

Vimo-nos, pela primeira vez, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Fui devolver um livro e, coincidência, ao virar-me para ir embora, tropecei em ti. Entre pedidos de desculpa e cadernos espalhados, reparei nos olhos de um verde particular. Acho que nunca tinha visto um tom como o teu, o que me desconcertou. Desfeito o embaraço, tu ficaste e eu segui viagem, mas não sem, antes, num ponto seguro, olhar para trás para te ver.

Cruzamo-nos mais um par de vezes, após o incidente, e, mais por cordialidade do que por genuíno interesse, cumprimenta-nos com um sorriso subtil. Parece-me que há algo que une pessoas desastradas, talvez por, inconscientemente, estarem a tentar compensar o inconveniente de interferirem com a ordem natural do seu silêncio, ao serem obrigadas a interagir com terceiros. Mas, tirando isso, não havia outro sinal de contacto: até ao dia em que, sentada numa das mesas da área infantil, perguntaste se podias sentar-te ao meu lado.

Acedi e aquele passou a ser o nosso ponto de encontro. Sempre fui péssima com conversas de circunstâncias e tu soubeste respeitar essa incapacidade, assumindo as despesas dos temas sem seres intrusivo. E a verdade é que era fácil conversar contigo. Nunca combinamos horários, nem sabíamos quando o outro apareceria, e acho que este jogo servia a ambos, porque tínhamos sempre uma janela aberta para escapar.

É fascinante como as amizades em adulto se complexificam, como passamos a ter medo de falhar. De repente, é como se estivéssemos numa constante dança sincronizada. Nenhum de nós falhou, nem sequer houve vontade de escapar e tudo foi escalando para o lugar devido. Depois, numa quarta banal, de uma semana sem interesse algum, convidaste-me para um jantar e aqui estou eu, sem saber bem como ser funcional, porque conhecer-te fora deste ambiente neutro deixa-me sem rede. Alguém devia reconsiderar os trâmites de convivermos na fase adulta, pois não sinto que seja suposto ficarmos tão ansiosos. Ou será que faz parte?

Respiro fundo e opto pelo vestido azul de trespasse. Se gostasse de vinho, beberia um copo para acalmar os nervos. Como não gosto, saio apenas de casa para não chegar atrasada. Apanho o metro até ao Jardim do Morro e desço para o cais. Não foi difícil descobrir-te no meio da multidão, até porque tinhas um girassol na mão - não escondo que gostei que te tivesses lembrado. Cumprimentamo-nos atabalhoadamente e caminhamos até ao restaurante. A escolha? Um italiano que estávamos desejosos de experimentar. Sem surpresas de maior, fomos para a massa de camarão, alho e coentros e, para beber, mandamos vir uma sangria de espumante. Tal como o jarro foi ficando vazio, os nervos foram desaparecendo e o tempo passou sem que ambos reparássemos. Continuo a ter pouco jeito para fazer conversa, mas acho que há algo aqui, que estamos os dois conscientes disso e a gostar da sensação. Por isso, fomos adiando o momento da despedida.

Era inevitável fazê-lo e, pela primeira vez, questionaste-me pelo dia em que regressaria à biblioteca. O teu ar era misterioso, mas achei que não tinha lógica negar-te uma resposta: terça, partilhei. De forma espontânea, envolveste-me num abraço e afastamo-nos por direções opostas. Enquanto subia as escadas para o metro, pairava, em mim, a ausência de um beijo. Não censuro, mas penso que ambos o queríamos e tivemos demasiado medo para dar esse passo. Foi pena, porque acredito que teria sido o final de noite perfeito.

Procurei não pensar muito no assunto, embora a conversa de whatsapp com as minhas amigas estivesse frenética, como se estivessem a competir para ver quem fazia mais questões por segundo. Fui vaga, mais para me proteger do que outra coisa, e acho que compreenderam o propósito. Agora só me restava continuar. Mas como é que nos habituamos ao silêncio, quando a voz do outro lado é a melodia que precisamos de escutar?

Mantive-me em serviços mínimos e, na terça, lá estava eu a passar pelos Jardins do Palácio de Cristal. Entrei na biblioteca, desci para o piso habitual e, assim que disse bom dia, a rececionista chamou-me ao balcão.

— Bom dia, menina. Deixaram isto para si.
— Para mim? Tem a certeza?
— Absoluta!

Piscou-me o olho e eu abri a caixa de imediato. Era uma caixa de cupcakes de frutos vermelhos, com um bilhete amoroso a perguntar se nos poderíamos encontrar novamente. Sorri e, quando me desloquei para a mesa de sempre, encontrei-te com esse olhar verde-de-um-tom-particular, expectante, à espera da resposta.

Fotografia da minha autoria


«Ela é poesia para ser lida com a alma»


Os «poemas não se ouvem entre os gritos» é um verso da Carolina Deslandes. Embora o considere extremamente alinhado com o género literário que eleva, não partilho dessa imagem, porque acredito que se há algo que se faça ouvir no meio do caos é a poesia, fazendo do seu traço lírico a margem que nos ampara.

Assim, a poesia é, também ela, um laço invisível que une leitores: pela dor, pela sensibilidade, pelo erotismo, pelo abstrato, pela harmonia, por tudo o que nos torna humanos e vulneráveis, permitindo-nos compreender que existem camadas que podem ser descobertas sem pressa, com alma, ao ritmo dos nossos passos.

Por isso, e porque sei que é um género no qual pretendo viver mais tempo (a ler e a escrever), descobrindo novas identidades e registos, perguntei a alguns leitores que livros e/ou autores de poesia recomendam.


OS LEITORES SUGEREM POESIA



Tornou-se, rapidamente, uma figura de referência, porque tem uma escrita muito relacional. E creio que Vem à Quinta-Feira é o livro que reúne maior consenso no leque de favoritos - é uma janela aberta para o mundo.



Três nomes que ainda não descobri. Quer dizer, Maya Angelou li em prosa - Carta à Minha Filha e Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola - e Maria Teresa Horta apenas li no Novas Cartas Portuguesas, mas, como os textos não são assinados, é como se não conhecesse a sua forma de comunicar por escrito. No que diz respeito à poesia, são vozes para conhecer e a Sofia facilitou-me a vida ao indicar três títulos de cada autor.



Desta lista, apenas conheço Cláudia R. Sampaio e recomendo imenso Uma Mulher Aparentemente Viva. Portanto, fui procurar pelos restantes e escolher a obra que me despertou maior curiosidade. Eis as selecionadas: Uma Vida de Aldeia (Louise Glück), Ariel (Sylvia Plath), Blue Horses (Mary Oliver), Já Não Me Deito em Pose de Morrer (Cláudia R. Sampaio) e Herbarium (Emily Dickinson) - nem todos estão traduzidos.



É um dos nomes que figura há mais tempo na minha lista de desejos e Manhã (que esteve quase para vir comigo da Feira do Livro do Porto), Bandolim e Estar em Casa são os títulos que mais me entusiasmam.



As minhas sugestões tinham um único propósito: fugir aos nomes que recomendo sempre, porque, embora os adore, não me queria tornar repetitiva. Assim, deixo-vos com três indicações aconchegantes: Alegria Para o Fim do Mundo (Andreia C. Faria), Mundo (Ana Luísa Amaral) e Movimentos no Escuro (José Miguel Silva).


Feliz Dia Mundial da Poesia. Obrigada pelas sugestões maravilhosas ♥

Fotografia da minha autoria



«Nem tudo é o que parece»

Avisos de Conteúdo: Ansiedade, Doenças Terminais, Linguagem Explícita


As redes sociais são um mundo aliciante por todos os recursos e estreitar de laços que potenciam. Por outro lado, também podem ser alucinantes, caso não exista um ponto de equilíbrio na sua utilização e a sua influência seja negativa, levada ao extremo. E é este cenário que encontramos no romance do Diogo Simões.


O QUE SE ESCONDE PARA LÁ DOS ECRÃS

Dislike permite-nos conhecer Miguel, um adolescente como tantos outros, mas cuja obsessão por estar sempre em rede, «a assistir à vida perfeita do seu colega André», o levará por uma estrada com vários dissabores, porque, afinal, a vida de André não é só glamour e existem muitas coisas que se escondem fora dos ecrãs.

«Por que raio era tão invisível?»

Vou já tirar da equação aquelas que, para mim, foram as maiores fragilidades do livro: a sensação de, no início, a narrativa andar em círculo, alguns erros e ter questões que só foram debatidas numa fase já bastante adiantada da ação, como se não tivessem acontecido, como se não tivessem consequências para as personagens, pois sinto que esse aspeto acelerou o processo e, depois, lhe retirou o devido impacto.

«Era como se o silêncio me tivesse tomado nos seus braços...»

Posto isto, quero concentrar-me naquilo que a história tem de melhor: os detalhes dos títulos, que evidenciam a temática central, a fluidez da escrita, a interação familiar, os medos, os sonhos e a viagem de (auto)descoberta, que não se limita apenas ao protagonista. Além disso, sinto que tem a dose certa de drama e de humor, porque, por um lado, sentimos o sufoco de um futuro incerto, doloroso, mas, por outro, os pensamentos do Miguel conseguem serenar-nos por serem cómicos e bastante relacionais - à medida que ia avançando na leitura, era como se esses pensamentos se tornassem palpáveis. Há uma grande vulnerabilidade na maneira como estas personagens crescem, como interagem, como aprendem a comunicar e isso é comovente.

«Assenti, como novas lágrimas a desprenderem-se, qual 
queda livre. Mas os meus pais estavam lá para me apanhar»

Nem tudo é o que aparenta ser, mas é curioso como ainda acreditamos que a vida das pessoas é só o que partilham online, como medimos as nossas competências e nos validamos pelo número de gostos, de visualizações, de seguidores; como o preconceito ainda é tão audível e como tendemos a insistir na comparação. Dislike permite-nos refletir sobre cada um destes tópicos, ao mesmo tempo que nos mostra que há sempre alguém para nos amparar. A escrita do Diogo é interventiva e a nota de autor faz toda a diferença.


🎧 Música para acompanhar: Save Me, Hanson

Fotografia da minha autoria



Tu sabes a quem me prendo, caso contrário já terias ido embora.


🌿


Tive medo que, ao calar, te esquecesses de mim.


🌿


Travamos tantas lutas que não são nossas... Talvez o propósito seja mesmo esse.


🌿


Se as pessoas se desligam, porque é que insistimos em mantê-las ligadas a nós?


🌿


Sou alérgica a pessoas descrentes no amor.

Fotografia da minha autoria



«A vida aventurosa da filha do último diretor da PIDE»

Avisos de Conteúdo: Morte, Linguagem Explícita


As boas histórias são como uma caixa de pandora, segundo José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz. A deste livro demorou a ser aberta, mas reserva-nos drama, paixão e coragem. E tudo graças à mesma pessoa.


REBELDIA EM NOME DA LIBERDADE

A Filha Rebelde é sobre Annie Silva Pais, filha única do último diretor da PIDE, que, aos 30 anos de idade, «toma uma decisão considerada ultrajante para o pai e para o regime português», atendendo a que abandona o marido, a família, os amigos e tudo aquilo que conhece para «se entregar à revolução cubana».

«Jamais se conhecerá a dimensão do terramoto que naquele 
instante terá abalado os mais íntimos pensamentos de Annie»

Confesso que só fiquei a conhecer o seu nome com a série Cuba Libre, mas fiquei fascinada com o percurso desta mulher: obstinada, mordaz, jovial, amplamente focada nas suas paixões, por vezes inconsequente, sempre sem receio de desafiar leis castradoras. Houve partes em que senti que a obra se perdeu um pouco do objetivo principal, no entanto, é um trabalho de investigação fabuloso que merece reconhecimento.

«Aqueles olhos são como um livro aberto, onde se plasma 
a evidência de uma mudança sem retorno»

Abandonar o que tinha como garantido, o seu estatuto e as suas referências familiares para se aliar a um contexto longínquo, mas que sempre a encantou, tem tanto de loucura como de audácia, e mostra uma força de espírito inspiradora - por vezes, inalcançável. Mesmo que se possam questionar certos comportamentos, é inegável que Annie se moveu de acordo com os seus princípios, sem comprometer a sua integridade.

«Tudo quanto tinha a ver com o coração ficava como que encerrado numa ilha»

Como os autores referem, Annie também é um símbolo «de todas as mulheres para quem não há fronteiras, nem limites». Porque ela escolheu ser livre, todos os dias, e nunca permitiu que lhe cortassem as asas.


🎧 Música para acompanhar: Havana Son, Alexander Wilson & Davide Giovannini


Disponibilidade: Wook | Bertrand

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

Fotografia da minha autoria



- título sugerido pela Marisa Vitoriano -


As vozes ecoam nesta noite gélida, só não sei se se reproduzem dentro da minha cabeça ou se são um manifesto exterior. Aguardo um pouco e, depois, avanço. É só mais um pouco de prudência e, a seguir, poderei desfrutar do que vim fazer. Basta que as luzes se apaguem e, aí, só a madrugada será minha testemunha.

O sinal foi dado, por isso, saio do carro, vou à mala agarrar naquilo que preciso e atravesso a estrada. A rua, a esta hora, está deserta. Caso não tivesse estudado a sua dinâmica, diria até que era uma cidade fantasma, mas sei bem que atrás de cada uma destas janelas há lobos com pele de cordeiro. Tu eras diferente, mas também te deixaste apanhar nesta teia de snobismo. Retomando, sei que não posso dar um passo em falso, para não atrair atenções desnecessárias, ainda que não me pareça provável que alguém te auxilie. Afinal, nada de bom acontece depois das duas da manhã e ninguém aqui é altruísta para sujar as mãos para ajudar o outro.

Precisava de um plano sólido, de aprender a jogar o vosso jogo e de me camuflar. Sabes o que é que descobri? Que o vosso ego é tão grande, tão inatingível, que caminham sempre de cabeça levantada, como se tudo abaixo fosse execrável. E, como bons narcisistas que são, só precisavam que vos afagasse essa personalidade superior para que nada destoasse. Não imaginas o nojo que senti por ter de me misturar, mas era preciso para cumprir o meu propósito: salvar-te. Como diria o meu pai, «se te queres esconder, mantém-te à vista de todos». Mal ele sabia o quanto este conselho seria valioso, porque foi mesmo isso que eu fiz.

As sombras ocultam-me a silhueta. Abro a porta lentamente e entro em casa. Desativo o alarme e subo as escadas, aproximando-me do teu quarto. É curioso como dormes em sossego, quando o mal está diante de ti. O teu peito sobe e desce numa dança perfeitamente coordenada, mas há-de perder o ritmo. Aninho-me ao teu lado e acaricio o teu rosto inocente. Sorris, porém, se me visses, seria o pânico a apoderar-se da tua expressão. Cedo a essa vontade e converso contigo. Quando, por fim, acordas, há um grito a preencher a casa, que acaba tão rápido como começou. Não podia permitir que mais alguém se juntasse à nossa festa.

Ponderei mover-te para finalizar o trabalho num local mais apropriado, mas isso implicaria retirar a magia do cenário ao teu amante. Por isso, puxei os lençóis, coloquei-te confortável e deixei que a lâmina do meu machado indicasse o caminho. Estavas sozinha até ao final da semana, o que me dava margem para ser minucioso e estar descansado, porque não seria interrompido. Além disso, tinha de aproveitar cada segundo da tua presença celestial. Fui a última pessoa que tu viste, mas não quero ser a última pessoa que te vê.

Este momento estava a ser tão especial, que quase me apeteceu pôr música. Ainda gostas de Tracy Chapman ou os teus gostos tornaram-se demasiado sofisticados? Bem, não importa, já não me podes responder. Em surdina, canto-te só mais uma vez «sorry is all that you can't say? (...) Baby, can I hold you tonight?»

Acondiciono o que resta do teu corpo nos meus braços. Agora, sim, preciso de ir para concluir a missão. Há uma ponta de excitação a apoderar-se dos meus passos e quase levito. Conduzo sem ter noção da estrada, em piloto automático. Há, também, uma certa urgência para finalizar tudo. Os próximos dias serão alucinantes.

Já em casa, embalo cada fragmento teu com carinho. Coloco o respetivo destinatário, mas sem indicar o remetente, e repito o processo até já não ter mais caixas vazias. No exato momento em que selei a última, tocaram à campainha: era a transportadora que contratei. Claro que usei dados falsos, não sou burro, embora tenhas julgado sempre que sim. Acho que o teu problema foi mesmo não saberes até onde podia ir a minha inteligência. A partir daqui só me resta esperar, mas no epicentro onde esta bomba terá um abalo maior.

O dia em que chegaste pelo correio foi também a ocasião em que conseguiste a proeza de estar em vários sítios ao mesmo tempo - era um desejo antigo. E só lamento não poder ver a reação de todos os que, ao abrirem a encomenda, encontrarão restos humanos da sua adorada Clara. Depois vejo nas imagens das câmaras que instalei em casa dos teus pais, da tua amiga Vanessa, da puta do 3º esquerdo, que achou que te podia virar contra mim, e do teu frágil Paulo, o príncipe encantado teus sonhos, que inventa viagens de negócios só para se enfiar na cama da tua prima Verónica. Estou a poucos metros de distância de vossa casa a vê-lo pálido e enojado com a cena, mas não podia perder a oportunidade de ficar com um registo intemporal.

O dia em que chegaste pelo correio foi o dia em que assumi, com crueldade, que, se te tinham arrancado de mim, mais ninguém ficaria contigo. Pelo menos, não por inteiro, nem viva, que é como eu me sinto.

Fotografia da minha autoria



«Um instante de vida capturado para a eternidade»


A minha primeira máquina fotográfica analógica, salvo erro, era amarela e preta. Sem qualquer conhecimento de técnicas, apaixonei-me por esta combinação entre aquilo que observo e o que fica capturado num ecrã.

Habituei-me, portanto, a levar a câmara para todo o lado, aproveitando para registar momentos, paisagens, monumentos, detalhes que me inspiram de alguma forma. E habituei-me a isso por três motivos: 1) acho terapêutico, 2) é um exercício criativo, uma vez que me leva a tentar encontrar a melhor maneira de fixar aquele quadro, de modo a não ser só um formato estático, e 3) é um belo portal para revisitar memórias.

Sempre me socorri da fotografia nestes parâmetros, neste misto de funcionalidades cujo maior propósito é a recordação. Assim, nunca senti que olhar instantes através de uma objetiva me impedisse de os viver.


SERÁ QUE FOTOGRAFAR OU FILMAR NOS IMPEDE DE VIVER O MOMENTO?


Foi graças a uma história da Inês que cheguei ao podcast Verde Menta, da Carolina Santiago. E deixei-me ficar, porque o episódio mais recente era sobre esta dicotomia: tirar fotografias ou aproveitar o momento?

Escutei-a atentamente e dei por mim a abanar a cabeça em concordância com as reflexões da Carolina, atendendo a que também acredito que é uma questão de equilíbrio e de foco; a que também acredito que depende do quanto estamos presentes naquela situação. Quando pego na máquina - ou no telemóvel - não me limito a carregar no botão, absorvo a energia do ambiente, tiro um tempo para visualizar, para ouvir, para decifrar os detalhes. Eu sei que há sons e aromas que nunca serei capaz de eternizar, porém, tenho a certeza que, quando regressar àquela fotografia, hei-de relembrar-me de uma série de pormenores que vivenciei. E só o consigo porque a minha intenção estava alinhada com aqueles que, para mim, são os valores certos.

Há alturas em que precisamos de fotografar só pelo prazer de o fazer ou porque temos de produzir conteúdo e isso é bastante válido, só precisamos de compreender que são finalidades distintas. Quando crio cenários para as publicações do blogue, não me entrego da mesma forma. E, ainda assim, faço por transformar esse ambiente em algo com significado. Porque fotografar é um dialeto alternativo para contar as minhas histórias.

Por outro lado, há inúmeros momentos dos quais não tenho fotografias - tirei uma mental, como mencionou a Carolina - ou porque não se proporcionou ou porque senti que não seria capaz de fazer justiça ao que estava a observar. No entanto, nunca concordei muito com aquela máxima de que as melhores coisas não são registadas. Entendo, mas, uma vez mais, creio que tudo depende da nossa presença, da nossa predisposição.

Resumindo, para mim, fotografar é a certeza de querer aquele instante na minha vida para sempre. É o meu passaporte para redescobrir tantas versões da minha essência. E é uma extensão do quanto aproveitei. Porque não capto para mostrar ao mundo (embora também o possa fazer), capto para imortalizar. E porque, algures no tempo, uma menina de cabelo encaracolado descobriu a magia de ver infinitos horizontes através de uma lente, sem que isso a condicionasse, sem que isso lhe retirasse o encanto de os viver em pleno.

Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial

andreia morais

andreia morais

a escrever entre margens, poesia e sobre cultura portuguesa


o-email
asgavetasdaminhacasaencantada
@hotmail.com

portugalid[arte]

no silêncio

instagram | pinterest | goodreads | e-book | twitter

margens

  • ▼  2026 (81)
    • ▼  setembro (5)
      • feira do livro do porto 2026
      • descolonizar o sujeito poético, sara duarte brandão
      • linhas de valor acrescentado, inês meneses
      • o olhar diagonal das coisas, ana luísa amaral
      • as coisas maravilhosas de agosto
    • ►  julho (9)
    • ►  junho (12)
    • ►  maio (8)
    • ►  abril (10)
    • ►  março (11)
    • ►  fevereiro (12)
    • ►  janeiro (14)
  • ►  2025 (206)
    • ►  dezembro (21)
    • ►  novembro (12)
    • ►  outubro (14)
    • ►  setembro (16)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (18)
    • ►  junho (19)
    • ►  maio (21)
    • ►  abril (22)
    • ►  março (21)
    • ►  fevereiro (19)
    • ►  janeiro (22)
  • ►  2024 (242)
    • ►  dezembro (24)
    • ►  novembro (17)
    • ►  outubro (17)
    • ►  setembro (18)
    • ►  agosto (12)
    • ►  julho (23)
    • ►  junho (20)
    • ►  maio (23)
    • ►  abril (22)
    • ►  março (21)
    • ►  fevereiro (21)
    • ►  janeiro (24)
  • ►  2023 (261)
    • ►  dezembro (23)
    • ►  novembro (22)
    • ►  outubro (22)
    • ►  setembro (21)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (21)
    • ►  junho (22)
    • ►  maio (25)
    • ►  abril (23)
    • ►  março (24)
    • ►  fevereiro (20)
    • ►  janeiro (22)
  • ►  2022 (311)
    • ►  dezembro (23)
    • ►  novembro (22)
    • ►  outubro (21)
    • ►  setembro (22)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (25)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2021 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2020 (366)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (29)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2019 (348)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (29)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2018 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2017 (327)
    • ►  dezembro (30)
    • ►  novembro (29)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (29)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (24)
    • ►  abril (28)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (20)
  • ►  2016 (290)
    • ►  dezembro (21)
    • ►  novembro (23)
    • ►  outubro (27)
    • ►  setembro (29)
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (26)
    • ►  junho (11)
    • ►  maio (16)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (29)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2015 (365)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (31)
    • ►  setembro (30)
    • ►  agosto (31)
    • ►  julho (31)
    • ►  junho (30)
    • ►  maio (31)
    • ►  abril (30)
    • ►  março (31)
    • ►  fevereiro (28)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2014 (250)
    • ►  dezembro (31)
    • ►  novembro (30)
    • ►  outubro (28)
    • ►  setembro (23)
    • ►  agosto (13)
    • ►  julho (27)
    • ►  junho (24)
    • ►  maio (18)
    • ►  abril (16)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (15)
  • ►  2013 (52)
    • ►  dezembro (13)
    • ►  novembro (10)
    • ►  outubro (9)
    • ►  setembro (11)
    • ►  agosto (9)
Com tecnologia do Blogger.

Copyright © Entre Margens. Designed by OddThemes