Entre Margens

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«Cenas de uma vida íntima em Paris»

Avisos de Conteúdo: Preconceito, Referência a Morte/Suicídio, Violação


O texto sobre o poder das histórias sem personagens heroínas, caso fosse escrito agora, contaria com mais um exemplo, porque o livro da Tânia Ganho, escolhido para o Alma Lusitana, enquadra-se nesta essência.


ENTRE O CERTO E O ERRADO

A Mulher-Casa leva-nos até Paris e é nesta cidade que acompanhamos o casal Mara e Thomas: ela modista de chapéus, ele ghostwriter de políticos. Fruto deste amor, nasceu o filho Raphael, no entanto, os alicerces que pareciam uni-los começam a enfraquecer. Na bagagem, ficam os sonhos e a ambição de uma vida de glamour.

«E que ar irónico foi aquele com que me rotulaste de feminista?»

É a escrita exímia da autora que nos envolve nesta vida tão comum, com todos os dilemas e intimidade que isso pressupõe. Aliás, é pela sua escrita que somos capazes de sentir cada traço de hesitação, de tristeza, de sufoco, de apatia. Enquanto o marido ascende na sua profissão, a protagonista vê-se a estagnar, a experienciar uma sensação de confinamento, como se o sentido dos seus dias só tivesse valor dentro de quatro paredes. Portanto, há um tom solitário que cresce e que passa a nortear Mara, limitando as suas ações.

«A solidão é o teu estado natural»

Assim, neste compasso narrativo, refletimos sobre a perda de identidade que relega a modista apenas para o papel de mãe e de dona de casa. É neste abismo que procura recuperar as rédeas da sua vida e, em consequência disso, acrescenta-se um terceiro elemento à equação. Não vou desenvolver, para não estragar a leitura, mas é quando Matthéo se cruza no seu caminho que encontra uma certa vivacidade, há muito perdida.

«Talvez todos os casais sejam assim, mas ela sonha com uma relação 
em que as duas pessoas fluam naturalmente para um mesmo objectivo, 
as ideias convirjam, as decisões se tomem em espontâneo uníssono»

A linha que separa o certo e o errado é muito ténue, portanto, assistimos a sentimentos contraditórios, a muitos debates internos, numa luta constante para compreender se os riscos compensam e até onde estará disposta a ir. O sentido de lealdade é posto à prova inúmeras vezes, levantando questões sobre caráter e valores.

«A necessidade de convívio é mais forte do que a inclemência do tempo»

Em simultâneo, através da complexidade da personagem feminina, refletimos sobre tantos outros assuntos: a fragilidade das relações, desconfiança, o peso da carreira, a influência das altas figuras de poder, sedução e descredibilização das vítimas. Nesta história, fica claro o quanto os elos se desfragmentam perante o conformismo e a divergência de prioridades, manifestando a sensação de se seguirem direções opostas.

«(...) continua sem saber se é lucidez ou passividade, mas seja o que for, 
tem de fugir dessa agressão, desse amor que a salva e enlouquece»

A Mulher-Casa tem um ritmo mais pausado, para conseguirmos captar a repetição dos dias, o ponto de rutura e a necessidade de agir. Ainda assim, preferia que algumas passagens fossem mais céleres. E, confesso, esperava outro final, de modo a combinar melhor com a subtil metamorfose de Mara. Não obstante, é uma história fabulosa, pela vulnerabilidade e por comprovar que a salvação pode estar dentro de quem somos.


🎧 Música para acompanhar: A Mulher Vento, Carminho
📖 Da mesma autora, li e recomendo: Apneia


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«Somos mais nós ou o sítio onde nascemos?»


A premissa prometia uma série «sobre a ansiedade de crescer na era digital» e eu fiquei para descobrir a abordagem. Se, no início, pensei fasear os episódios, após terminar o primeiro, percebi que teria de maratonar Emília, porque o projeto revelou-se extraordinário, com o equilíbrio certo entre a reflexão e a trivialidade.


SOBRE A SÉRIE

Emília tinha um sonho: ser a melhor bailarina do mundo. O problema é que nunca fez algo para o concretizar, porque, consciente ou inconscientemente, entrou numa espiral de autossabotagem. Aliado a isso, também encontrou entraves económicos e familiares, que a impediram de almejar um futuro nesta área que a fascina.

Com 25 anos, a trabalhar numa bomba de gasolina e a viver com a mãe, começou a comparar-se a outra rapariga, bailarina de uma companhia conceituada, que segue nas redes sociais, e a questionar-se sobre a sua vida, sobre a ideia de esta «ser só uma versão inferior» daquela que sempre idealizou. É neste debate constante que acompanhamos a jornada da protagonista - a transitar entre o conformismo e a vontade de agir.


MOTIVOS PARA VER EMÍLIA

A narrativa inquieta por se centrar numa questão cada vez mais pertinente. É que viver em rede pode ser maravilhoso, pelos inúmeros estímulos que coloca à disposição, mas também pode potenciar uma certa pressão para corresponder a uma imagem padronizada, porque tudo o que se distancia disso perde relevância.

Achei mesmo interessante que explorasse a sensação de invisibilidade e de vulnerabilidade, que colocasse em discussão o medo de falhar, o limbo entre a tendência para nos conformarmos e a urgência da mudança e que mostrasse como é que a estrutura familiar consegue exercer tanta influência nas nossas decisões e na nossa autoestima. Em simultâneo, é curioso como vai deixando pontos de reflexão subtis, como o facto de estarmos tão fixos na perceção de que os outros são extraordinários em tudo, que nem percebemos que não são perfeitos, que também eles têm dificuldades e que, inclusive, podem invejar algo que sabemos fazer. No fundo, vamos compreendendo que a nossa observação é sempre condicionada por aquilo que queremos ver.

O argumento tem movimento. Aliás, Filipa Amaro inspirou-se na dança contemporânea «como roldana que faz girar o enredo», porque considera «muito interessante conseguirmos pôr as personagens a dizer coisas com o corpo que não conseguem dizer com a voz». E é nesta dança singular que estreitamos tantos passos.

Há algo de catártico na coreografia que se constrói ao longo dos episódios, atendendo a que vai ao âmago dos nossos demónios e que permite ultrapassar várias barreiras: físicas, sociais, emocionais. Na tentativa de descobrir a sua verdadeira identidade, Emília vê o seu caminho a cruzar-se com o de Rosa, a bailarina que idolatra atrás do ecrã, e entende que, no aparente mundo que as separa, partilham inúmeras semelhanças.

Olhar o outro sem o peso da comparação é um processo moroso, que pode impedir-nos de tentar. Esta série é sobre isso e sobre ganhar coragem para lutar, para cair e não desistir; para deixarmos de estar dormentes.

Emília tem um tom cómico, cenas comoventes e um dialeto no qual nos conseguimos reconhecer, porque explora dúvidas transversais. Com um elenco menos conhecido e uma atenção ao detalhe surpreendente, fica claro que precisamos uns dos outros, para nos motivarmos e para mostrarmos as versões que nos habitam. Além disso, é notório que não temos de ficar sempre para depois: podemos trabalhar as inseguranças, assumir que não somos perfeitos e perseguir o que queremos, porque os nossos sonhos continuam a ser válidos.

Fotografia da minha autoria



«Quem diz que o livro não tem voz é porque nunca 
para a prestar atenção ao que ele tem a dizer»


A diversidade é fascinante, sobretudo, por desbravar tantos caminhos. No que diz respeito às nossas opiniões, essa multiplicidade é um espelho da fase em que estamos, da maturidade que abraçamos e até das emoções que nos impulsionam. E sendo sempre tão individual, é natural que possamos divergir em inúmeros cenários.

No manuscrito Quero Morrer, Mas Também Quero Comer Tteokbokki, Baek Sehee transcreveu uma das consultas de psiquiatria onde conversou (e perdoem-me o possível spoiler) sobre o que sentiu no momento em que uma amiga lhe disse que não tinha gostado do livro que ela lhe emprestou. Isto fez soar um alarme em mim, porque é impressionante a «extrema influência» que estes pareceres têm no nosso «estado de espírito».


GERIR CRÍTICAS NEGATIVAS

Qualquer leitor, de um ponto de vista racional, compreende que nenhuma história é sentida da mesma maneira e que é válido gostarmos mais de umas do que de outras. Assim, cruzamo-nos com pessoas cuja experiência de leitura é semelhante à nossa e com pessoas a manifestar uma opinião contrária. Repito, racionalmente, nós sabemos e, inclusive, defendemos isso, a questão é que o ato de ler nunca será apenas movido pela razão.

O lado emocional pesa bastante, porque é o vínculo que estabelecemos com os livros e os autores que se tornam casa. Portanto, na gestão de críticas, não é descabido que nos sintamos melindrados, quando as mesmas não são favoráveis. Claro que isso não justifica sermos inflexíveis, rudes, amplamente desagradáveis com os outros, porque é crucial termos respeito e poder de encaixe, mas é duro ter esse retorno de realidade.

Há narrativas que nos transformam, há escritas que nos embalam, há personagens que se colam à nossa pele. Perceber que esse laço passa ao lado de alguém mexe connosco. Por vezes, até parece impossível estarmos a falar da mesma obra literária, tendo em conta os sentimentos antagónicos que desperta, no entanto, a beleza da partilha também é essa. Apesar disso, sejamos honestos, ninguém gosta que falem mal do/de que/quem tem tanto significado para si - sejam pessoas, músicas, lugares, livros. Isso não implica não aceitar opiniões opostas, só demonstra que há algo que nos incomoda e que continuaremos a defender as nossas paixões.


NÃO É UM ATAQUE PESSOAL

Creio que o mais importante desta dinâmica é entender que isto não é, de todo, um ataque pessoal. Não apreciarem os nossos autores ou os nossos livros favoritos não é sinónimo de não gostarem de nós, nem sequer é uma tentativa de nos diminuírem. Não há, aqui, uma relação indissociável, portanto, temos de aprender a filtrar e a desenvolver estratégias que nos permitam não encarar os comentários como uma afronta.

Claro que me custa, por exemplo, ler que alguém considera um livro de Afonso Cruz uma seca ou que a escrita do MEC é monótona ou que reviraram os olhos a ler a história da Rita da Nova, mas nenhum desses comentários belisca o elo que estabeleci com eles. Queremos muito que a mensagem que fez morada em nós chegue aos outros, que os acolham com a mesma emoção que nós, que quase os respirem no mesmo compasso que o nosso peito, mas isso não acontecerá sempre, e não há algo de errado. Independentemente das opiniões negativas que venham a receber, continuarão a ser favoritos de vida - com o mesmo entusiasmo.

Somos leitores a dar voz ao que nos inspira. Não temos de concordar, só temos de aceitar que, enquanto seres autónomos, não estaremos sempre em sintonia, é isso que mantém o mundo em movimento, em perfeito equilíbrio. E todos nós, em algum momento, acabaremos a distanciar-nos do livro/autor favorito de alguém.


«Como uma estrada
Eu conheço cada curva da tua cara
Cada subida é uma descida acentuada
É uma paisagem com perigo de derrocada

Como uma estrada
É liberdade, mas no fundo é limitada
Eu quis voar e tu abriste as minhas asas
Mas no final era uma prenda envenenada

[...]

Quase não sobrevivia
Encantado na magia

[...]

Camarada, eu estou na estrada
Vou abrir as minhas asas
Vou fugir da madrugada»

Fotografia da minha autoria



«(...) o que lhe valia eram os restaurantes e o amor»

Avisos de Conteúdo: Linguagem Explícita


As minhas quartas-feiras começam, verdadeiramente, com o Livra-te, podcast da Rita da Nova e da Joana da Silva. Para celebrarem o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, responderam ao Desafio 54321, em que um dos tópicos consistia em enumerar autores cujos livros compramos assim que saem. Sem hesitação, identifiquei Miguel Esteves Cardoso como um dos meus e a cada novo exemplar corroboro o motivo de o ser.


A ATUALIDADE, HOJE, ESCRITA HÁ 30 ANOS

Independente Demente compila as crónicas que Miguel Esteves Cardoso escreveu para o semanário O Independente, que nunca foram publicadas em livro. Com prefácio de Paulo Portas, recuamos no tempo, para descobrir o seu parecer sobre os mais diversos assuntos, desde os mais banais aos mais fraturantes, numa coexistência equilibrada, como o autor tão bem sabe fazer para nos manter num profundo estado de interesse.

«O problema da comunicação em Portugal — e isto aplica-se tanto a jornais como a romances — 
resolver-se-á quando os portugueses perceberem que, no fundo, no fundo, não há mal nenhum em comunicar»

É ingrato escrever sobre obras dentro deste género, porque parece que revelamos em demasia, por isso, prefiro focar-me mais na escrita. E, tal como ficou registado, o escritor «inventou uma subespécie de crónicas, nas quais o humor e a autoironia são elementos estruturantes da reflexão pessoal, social e política, sem que isso diminua o alcance e a eficácia do comentário e da sátira». Há pontes que nos aproximam dos seus pensamentos, há vínculos que se tornam inevitáveis, mas, por mais que o MEC não se esforce demasiado para parecer culto, mantendo uma escrita acessível, os seus apontamentos revestem-se de várias referências.

«Portugal torna-se muito mais interessante (e mais português) quanto mais misturado e variado for»

Vencedor do Grande Prémio de Crónicas e Dispersos Literários, este livro permite-nos entrar num debate - silencioso, bem sei, pois não estabelecemos um diálogo. Ainda assim, cada um dos seus textos leva-nos numa viagem intemporal, mordaz e com alguma comoção, porque, nestas páginas, há espaço para tudo, nada é descabido. Mesmo quando não concordamos com as perspetivas do autor ou não nos identificamos com o objeto de análise, é fascinante perceber como se desenvolve o seu pensamento e quais as suas ramificações.

«Como é que podemos comemorar Descobrimentos quando todos os dias se descobrem timorenses mortos?»

Independente Demente pode ser descoberto devagar ou num ápice, diariamente ou de um modo espaçado, o certo é que tem o mundo lá dentro. Retratando o nossa portugalidade e o que o ser humano tem de melhor e de pior, compreendemos que existem assuntos que permanecem tão atuais como há mais de 30 anos.


🎧 Música para acompanhar: Bem Vindo ao Passado, GNR
📖 Do mesmo autor, li e recomendo: Tudo o que já publicou e o que ainda está por publicar. Ainda assim, deixo-vos com o meu pódio: Como é Linda a Puta da Vida, O Amor é Fodido e A Causa das Coisas.


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«Dia de renovar as energias»


As pessoas têm de aprender a amar mais
as segundas-feiras
como amam
os primeiros raios de sol
o primeiro café da manhã
o primeiro pão a sair do forno
o primeiro amor

Não controlo a ansiedade
dos projetos em pausa
dos abraços adiados
das distâncias que aumentam
à sexta, sempre à sexta
num hiato silencioso

Devíamos amar mais as segundas
como quem ama
os recomeços
de janelas em ruínas
apontando o brilho do céu aberto

Fotografia da minha autoria

 
«Chocolate makes everything better»



As minhas origens pertencem ao lado da margem que tantas vezes ouve que o que tem de melhor «é a vista para o Porto». Não escondo que um dos encantos de Gaia é esse, mas engana-se quem pensa que é o único. E eu, que vivo cá desde sempre, também estou numa viagem de descoberta, porque tendemos a negligenciar o que está perto. Recentemente, quebrei um pouco a tendência, porque fui conhecer um dos museus do WOW.


WOW: WORLD OF WINE

O WOW Porto localiza-se junto ao rio Douro, na Rua do Choupelo, bem perto do The Yeatman e das caves Taylor's. Neste «quarteirão cultural», composto por lojas, museus e restaurantes, existe uma fusão de história, cultura e experiências, promovendo a curiosidade, o lazer e a aprendizagem de todos os que o procurem.






A vista é apetecível e há muito por explorar. Neste primeiro contacto, perdemo-nos pelo Museu do Chocolate.


THE CHOCOLATE STORY

O chocolate reúne muitos amantes (eu incluída, claro), mas talvez não estejamos a par de todo o processo desenvolvido até que nos chegue às mãos como o conhecemos - nas infinitas variações que existem e nas que nos surpreendem pela novidade. Por isso, visitar o Museu do Chocolate é ter a certeza que embarcaremos numa experiência imersiva «desde o mundo do cacau», ficando com uma noção mais ampla da sua história.






O percurso é fascinante, visual e olfativamente rico e estimulante, porque há salas e referências sobre várias etapas, pessoas e datas que se interligam através desta iguaria. Além disso, como tivemos uma guia extraordinária a acompanhar-nos, creio que a envolvência na visita se elevou, porque conseguiu equilibrar muito bem os factos mais teóricos com os olhares curiosos de quem quer saber sempre o que vem depois.






A proposta é ficarmos a conhecer a origem «desde as árvores de cacau até ao momento em que derrete na boca», mas também o seu vínculo à «publicidade, ao empacotamento e à produção fabril». No final, para terminar com chave de ouro, vemos como é que tudo ganha forma ao espreitarmos a Fábrica de Chocolate.






Há «sempre uma excelente razão para comermos chocolate» e para voltarmos onde a magia acontece.

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«A vida é feita de momentos colecionáveis»


Abril, que queria de leituras mil, chegou chuvoso, mas com detalhes amorosos, porque uma mulher que compra livros e vai escutar música ao vivo não quer guerra com ninguém. Este mês é sempre especial, porque se divide em datas que me aquecem o coração, e não defraudou as expectativas. Aliás, superou-se: nas conversas, nas visitas, nas celebrações. E sei que voltaria a cada um dos seus momentos sem hesitação. Vivi numa onda de amor e estou pronta para o que estiver para chegar - já a respirar uma ligeira ansiedade.


       MOMENTOS       

Aniversários
A minha mãe, a minha sobrinha de coração, eu... Não faltam aniversários em abril e motivos para elevar quem me é tanto. Entre chamadas, mensagens, abraços e visitas a livrarias, houve planos para todos os gostos.

João Couto na FNAC
Fui à Fnac do Gaia ouvir o João Couto e voltei a constatar o quanto é maravilhoso marcar presença nestes eventos. Por mim, teríamos um encontro anual por lá, porque adoro o ambiente intimista, já para não mencionar o talento óbvio do João. Ainda para mais, fomos presenteados com um tema novo - Quinze Minutos -, que está fabuloso (espero que esteja no próximo álbum). No fim, estivemos um bocadinho à conversa sobre a música, mas também sobre livros. E foi graças ao seu incentivo que comprei Lágrimas no Mercado.

Quatro Livrarias Portuenses
No início do ano, partilhei uma lista de livrarias do Porto que pretendia conhecer. Quando comecei a alinhar ideias para celebrar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, percebi que podia juntar o melhor de dois mundos, por isso, nos primeiros três sábados do mês, fiz um roteiro personalizado e abri o Passaporte Livrólico para ir descobrir a Livraria Aberta, a Livraria Térmita, a Livraria Flâneur e a Livraria Poetria. Para não me repetir, mas adiantando que adorei conhecer cada um dos espaços, podem ler sobre a viagem aqui.

      

      

      

      

      

Outros apontamentos bonitos do mês: voltar a comprar livros, visitar o WOW, ir ver o meu afilhado a jogar.


       LEITURAS       

📖 As Últimas Linhas Destas Mãos, Susana Amaro Velho
Alma Lusitana

📖 O Dicionário das Palavras Perdidas, Pip Williams
Clube Leituras Descomplicadas

📖 O Torcicologologista, Excelência, Gonçalo M. Tavares
Alma Lusitana

📖 O Lugar das Árvores Tristes, Lénia Rufino
(releitura, opinião completa aqui)


Outras leituras do mês: 
Deuses e Afins (Afonso Cruz), Mar Alto (Caleb Azumah Nelson), Tudo é Rio (Carla Madeira), Bloom #1 (Kevin Panetta), M Train (Patti Smith), Na Terra Somos Brevemente Magníficos (Ocean Vuong), Para Que o Fogo Aconteça (Filipe Homem Fonseca) e Quero Morrer, Mas Também Quero Comer Tteokbokki (Baek Sehee).


     FILMES, SÉRIES & PODCASTS     

Daily Alaska, depois de um longo interregno, regressou às noites da Fox Life e eu continuo rendida à sua premissa e ao modo como tem escalado, abordando temas tão pertinentes, mas nunca de forma forçada.

Salgueiro Maia - O Implicado
O 25 de abril é um marco histórico transformador, que, não devendo ser dado como garantido, implicou uma mudança profunda na nossa sociedade e no nosso futuro. Nesta conquista pela liberdade, há figuras que, inevitavelmente, se afiguram na nossa memória, E um dos rostos mais visíveis disso mesmo é Salgueiro Maia. Capitão de Abril, Sérgio Graciano realizou esta minissérie que nos permite conhecer «a criança, o jovem, o homem», porque é a história de «um herói que, pela sua atitude modesta e correta, sempre fiel à sua missão e à sua Arma, assumiu a postura típica do anti-herói, da figura histórica improvável, do jovem rosto da mudança».

Podcasts
🎤 Doce da Casa, de Alexandre Mesquita Guimarães e Ruben do Valle, no qual conversam sobre as histórias e as mais variadas peripécias que lhes acontecem;
🎤 Só Se Estraga Uma Estante, de Ana Grifo e Tomé Ribeiro Gomes, um casal de leitores a conversar sobre livros e sobre temas transversais à literatura, numa partilha descontraída e envolvente;
🎤 Isso Não Se Diz, de Bruno Nogueira. Ainda agora chegou e já é um favorito;
🎤 Watch.tm, de Pedro Teixeira da Mota. Durante 300 semanas consecutivas, ouvimo-lo no Ask.tm, mas chegou o momento de elevar a experiência, associando-lhe uma versão com vídeo.


       À MESA       

Regressei ao Bibó Porto e à Cozinha do Português, além disso, decidi arriscar em duas receitas: nos famosos Cinnamon Rolls e numa tarte de maçã improvisada. Preciso de aprimorar, mas tenho-me divertido no processo.

   

Também experimentei o chã de Rooibos Citricos e o gelado Nube Marshmallow. ambos do Mercadona. Rendi-me a ambos, sobretudo ao gelado, que tem um cheiro maravilhoso (lembrei-me das pastilhas elásticas de rolo).


       ENTRE LINHAS       

Tote Bag Alma Lusitana
O desejo de ter uma tote bag alusiva ao Alma Lusitana foi aumentando e entrei em contacto com uma pessoa para o concretizar - a ideia era tê-lo quando apresentasse a edição deste ano. Por motivos alheios à minha vontade, não houve qualquer avanço depois de explicar o que pretendia e perdi o sentido da peça. Há umas semanas, cansada de esperar por uma resposta que nunca chegou, preenchi o formulário da Joana Costureira.

   

O cuidado e o compromisso da Joana são fascinantes, e nota-se o quanto este projeto é feito com todo o amor. Assim que recebi o saco de pano, apeteceu-me logo usá-lo, ainda para mais, por unir dois mundos que me são tanto. Se quiserem artigos personalizados, recomendo imenso que a procurem. É de inteira confiança.

Receipt Bookmark
Já tinha ouvido falar dos marcadores da Daniela (@fangirlishwandering), inclusive, até referi que estava bastante tentada a adquirir um, nesta publicação sobre artigos literários para amantes de literatura.

   

Se tão depressa pensei no assunto, mais depressa o concretizei. Preenchi o Form 3, criando um marcador de raiz, com vários elementos que são a minha cara. Amei tanto o resultado, que já estou a pensar nos seguintes: talvez com os favoritos do ano e/ou com todos os livros que ler para o Alma Lusitana (ou, quem sabe, sobre um livro específico). O processo é bastante intuitivo e célere, recomendo imenso o trabalho da Daniela.

Publicações
✏ O Grito da Gaivota, da Rita da Nova;
✏ Os Livros Mudam, Nós Mudamos, Mas... Devemos Mudar os Livros?, da Sofia Costa Lima.


       JUKEBOX       

Top 6 de favoritas
🎧 Estrada, Pedro Mafama;
🎧 Cedo, Tiago Nacarato & Cristiana Silva;
🎧 Aleluia, Jimmy P;
🎧 Chakras, Ivandro & Julinho KSD; 
🎧 Se Tu Não Estás, Anjos & Diogo Piçarra;
🎧 Shhinfrim, Inês Apenas


Álbuns: 
Hortelã (Maro), Girassóis e Tempestades (Marisa Liz), Declive (Eu.Clides), Ensaio Sobre o Sequeira (Luís Sequeira), Bichinho (Bárbara Tinoco) e Leve♀Escuro (MEMA).


       GRATIDÃO       

«Nenhuma história se conta sem marcas na pele»

Um mês recheado de livros só poderia ser único. Portanto, o meu pedaço de gratidão vai para todas as histórias que me permitem voar sempre para mais longe, sem esquecer o lugar onde a magia acontece.


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