Entre Margens

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«Discutir sobre manias irritantes»


A minha semana inicia-se sempre com uma companhia especial: um episódio de Terapia de Casal, o podcast que «pode acabar com o casamento de Guilherme Fonseca e Rita da Nova». Isto porque há várias coisas que os dividem, enquanto casal. O conceito, por si só, é cativante, original, mas é a abordagem de ambos que o enaltece, tornando-o imperdível - e um dos meus favoritos. E, como todos os grandes projetos, soube voar.

O formato de áudio cresceu e virou livro. Por consequência, abraçaram uma tour de apresentação do mesmo, que se distancia dos lançamentos tradicionais. Assim, para quem aprecia o podcast, há a possibilidade de assistir a um episódio ao vivo, no qual fazem a promoção da sua obra e recuperam a dinâmica que tão bem os caracteriza. As sessões começaram no Maria Matos, em Lisboa, e terminam em Almada [ou Almeida, para os mais atentos. Ou devo dizer distraídos?]. Pelo meio, fizeram/farão paragem em Braga, no Porto e em Coimbra.

A sala 2 do Hard Club tem sido palco de momentos incríveis. A última vez que a visitei foi, curiosamente, para um espetáculo de Roda Bota Fora. Portanto, regressar tem sempre um toque especial e não podia perder esta oportunidade única. Antes de prosseguir, permitam-me só uma trivia: a data de apresentação, na Invicta, foi no passado dia 11/11, que assinala o Dia dos Solteiros. Revelou-se uma simbiose improvável, mas perfeita.


Sem querer revelar muito do que acontece no espetáculo, porque o fator surpresa é o segredo, não posso deixar de mencionar a honra que foi conhecer os bastidores do podcast. Adoro escutá-los, no conforto do meu lar, mas poder vê-los a reagir tem outro impacto, atendendo a que há muitas respostas nos seus olhares e nas expressões com que se brindam [concordem ou não]. Além disso, até pela disposição do cenário, fizeram-nos sentir em casa, numa conversa entre amigos, onde as histórias mais hilariantes assumem protagonismo. Porém, isso também só foi possível pela interação com o público, sempre tão natural. Quase chorei de tanto rir.

Um dos pontos altos da noite foi, sem qualquer dúvida, o terapeuta convidado. Conhecido como ídolo acessível, Wandson Lisboa trouxe outro carisma à conversa. À semelhança do que aconteceria no podcast, a sua função passava por auxiliar o casal num problema específico. E o momento foi épico. Acertaram em cheio!

Houve cosplay de Fernando Mendes, revelações desarmantes e muita discórdia. Tirando a blasfémia da francesinha com arroz, foi mesmo um evento memorável. E fico-lhes grata por nos presentearem com uma energia tão cómica. Caso não seja pedir muito, regressem mais vezes, porque é um gosto ter-vos em palco.

Fotografia da minha autoria



Tema: Um livro que te foi oferecido

Avisos de Conteúdo: Morte, Doença Mental


O gesto de oferecer um livro é, no meu entender, uma demonstração de apreço tão bonita, que me desarma sempre. Por oposição, reconheço que o seu traço intimista possa representar um entrave. Mas há poucas coisas que me aconchegam tanto como a perceção de ter as minhas pessoas a acalentar novas leituras. Assim, para o penúltimo tema do Uma Dúzia de Livros, abracei um presente, escrito por Curzio Malaparte.

«Há o Sol, no alto. Prefiro a névoa»

O Sol é Cego inicia-se com uma certa suavidade nas suas descrições, fazendo-nos questionar se o cenário de guerra seria mesmo uma possibilidade. Mas era. E isso torna-se evidente no conflito que opõe o exército italiano ao exército francês e nas batalhas que travamos no nosso interior, por culpa da desgraça humana, pela indiferença, pelas idiossincrasias, pela tragédia e, sobretudo, pelo sentimento de culpa, como se o destino estivesse sob o nosso comando. Contudo, o amanhã é inelutável. E temos de gerir as suas consequências.

«(...) e as vozes das sentinelas ouviam-se como 
vozes chamando da profundidade do sonho»

Há, em simultâneo, uma dose de espiritualidade e surrealidade; de lirismo e fatalidade. Porque esta obra representa o deteriorar mental do Homem. Escrito a partir da experiência do autor enquanto correspondente de guerra, O Sol é Cego mostra-nos os excessos da desonra, a irracionalidade e o quanto somos responsáveis pelo outro. Com uma escrita acessível, envolve-nos neste enlouquecer lento, mas com um trilho de esperança.

«Aquilo que corrompe os homens, aquilo que os torna 
malvados, vis, egoístas, é a consciência da morte»

Fotografia da minha autoria (2015)



«E pede-me a paz, dou-te o mundo»


A sensação de estar numa sala de espetáculo, para assistir a um concerto de alguém que admiramos, é sempre indescritível. Porque há um vínculo emocional que nos desarma. E não importa se já tivemos a oportunidade de o ver ao vivo antes, visto que nunca é igual. Aliás, melhora a cada nova presença, porque a maturidade e o compromisso são mais profundos. Portanto, regressei ao Teatro Sá da Bandeira para escutar aquele que é, para mim, um dos nomes maiores do panorama musical português: o inigualável Diogo Piçarra.

Vem Cantar Comigo representa a sua «primeira aparição totalmente a solo em palco», explorando um ambiente mais intimista e sonoridades distintas, graças aos instrumentos que o acompanham. Além disso, para tornar cada noite da tour singular, convidou músicos que o inspiram, para duetos um pouco improváveis. Eu fui à primeira data, no Porto, e tive o privilégio de o ouvir cantar com o Pedro Abrunhosa - e logo com os dois temas que mais aprecio: Se Eu Fosse Um Dia o Teu Olhar e Eu Não Sei Quem te Perdeu. Bem sei que a perfeição é um conceito utópico, mas estes dois momentos estiveram muito perto de o definir por inteiro.


O talento do Diogo dispensa apresentações, mas creio que nunca será demasiado destacá-lo. Pelo mesmo princípio, faz-se sempre sentido reforçar a verdade com que nos faz chegar cada letra, cada interpretação. É por esse motivo que me emociono tanto nos seus concertos: porque há uma certa poesia na maneira como preenche os palcos que pisa com tanta luz. Cenicamente, existe, ainda, um particular cuidado com os detalhes.

Da fila R, da plateia, senti-me a recuar a várias fases do seu percurso. Aos álbuns que habitam na minha estante e no meu coração - e que quase sei de cor. E dei por mim a relembrar o concerto no Hard Club, que foi a minha estreia nos seus espetáculos. Passaram seis anos e continuo a reconhecer-lhe o mesmo amor e a mesma generosidade artística. Entretanto, descobriu o dialeto que lhe assenta melhor e a identidade que pretende vincar neste meio, mas a base dos seus valores não se perdeu. E eu senti-me uma privilegiada, reconheço, por, à distância, fazer parte deste processo, estando no público sempre a transbordar de orgulho.


A noite ficou, também, marcada pela presença da Carolina Deslandes, que aceitou o repto de subir a palco para cantar a música de ambos: a Anjos. Que voz. Que energia! Estava longe de imaginar esta possibilidade, mas foi mesmo especial, até porque acho este tema de uma beleza transcendente. E que bem que eles combinam. São duas almas bonitas a acalentar aqueles que descobrem na música um puro porto de abrigo.

Pudessem as minhas palavras reproduzir, com todos os pormenores, a magia deste concerto. Porém, foi muito mais do que aquilo que podia pedir ou, sequer, imaginar. E sou tão grata por isso. Ele voltou a fazer história ♥

«Não sou da paz quando dormes na rua
Não sou da paz quando comes no chão
Não sou da paz quando para aqueceres
Fazes da cama caixas de cartão

[...]

Não sou da paz quando uma pele mais escura
Torna mais leve o peso do bastão

[...]

Não sou da paz quando por ciúme
Ou um delírio de possessão
A alguém que em tempos te deu o amor
Te vês no direito de levantar a mão

Resta lutar com tudo o que tenho
Ir para a rua, escrever uma canção
Paz haverá um dia mais tarde
Quando o meu corpo repousar no caixão

Nascemos iguais mais isso não vale de nada
Se desde cedo somos atirados para trás da barricada
Eu não sou da paz quando a paz é podre
E o jogo está viciado sempre para o mesmo resultado
[...]
Falta empatia, indiferença há a rodos»

Fotografia da minha autoria



... Maçã Cozida!

[Se existe receita que me transporta, automaticamente, para o outono é esta. O travo a canela em sintonia com o sabor da maçã conforta-me - e combina com tardes lentas, entre mantas, na companhia de um livro. Ou, então, com outro qualquer programa que nos aqueça a alma. Além disso, a sua confeção é simples e célere; e rende sempre bastante. Uma taça de maçã cozida e eu fico ainda mais feliz, não tem como enganar].

Fotografia da minha autoria



«Uma série documental»


A ginasta Simone Biles, nos Jogos Olímpicos, em Tóquio, abriu a porta para um assunto que permanece demasiado silencioso; um assunto que está à vista de todos e, ainda assim, parece tão longe do olhar do público. No entanto, ao desistir da final individual do all-around, colocou uma bandeira na saúde mental dos atletas de alta competição, levando o «mundo a pensar e a valorizar o seu bem-estar físico e emocional».

A Betclic, com o intuito de atribuir uma maior visibilidade a esta problemática, tão tabu no mundo desportivo, criou uma série documental denominada 72 Horas Antes, que mostra a realidade que antecede uma grande prova e o que isso implica no atleta. E este objetivo é muito mais evidente no episódio que tem Vanessa Fernandes como protagonista. Com um testemunho inédito, é impressionante o que se passa nos bastidores.

Sem querer desvendar muito, é um retrato inquietante, que nos desarma, mas bastante necessário.

Fotografia da minha autoria



«Um desdobramento magistral de personagens estranhas e únicas»

Avisos de Conteúdo: Preconceito


O conceito de família é vasto, é infinito e é mais dependente do amor do que do sangue. Porque é este dialeto que nos permite reconhecer na visão do outro, quase como se estivéssemos a fundamentar uma das célebres frases de Exupéry: Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Mas a família, ainda que criada, permanece. E talvez seja essa a mensagem de Valter Hugo Mãe.

«Era o que mais queria dizer. Queria dizer meu filho, como 
se a partir da pronúncia de tais palavras pudesse criar alguém»

O Filho de Mil Homens é um símbolo de libertação. É uma viagem fascinante - e emocional - pela vida de personagens incompletas, que procuram algo e que têm mais em comum do que, num momento inicial, aparentam. Assim, deambulando pelas suas particularidades, compreendemos que há sonhos com uma força extraordinária, ao ponto de nos incentivarem a agir, a partir, mesmo que essa decisão implique estranheza e comentários adversos, condescendentes e, inclusive, retrógrados - mas até isso vão aprender a silenciar.

«Não podia ser que o amor tornasse as pessoas 
diferentes assim, a menos que não fosse amor nenhum»

A sensibilidade com que Mãe escreve é desarmante, porque amplia tudo aquilo que as suas palavras nos fazem sentir, tornando-se um relato visceral. Embora este não seja o meu romance favorito, é inegável que nos embala numa prosa poética a transbordar de afetos. Além disso, permite-nos viajar até à essência de cada protagonista, descobrindo uma capacidade de superação sublime. E absolutamente bela. Porque nos mostra uma pluralidade de sensações, alegrias, anseios, ilusões, amores e desamores que norteiam os seus passos.

«(...) e outra vez quis ser o que não era»

Nesta narrativa, chega a um ponto em que todas as encruzilhadas se coadunam, num lirismo inspirador, como se fosse a ordem natural do destino. No entanto, também transparece o peso do preconceito. Mas é através das vozes com que nos cruzamos que percebemos a importância da auto aceitação, porque nos liberta de julgamentos sem sentido. Marcada pela solidão e pela pertença - sempre tão íntimas -, pelo desejo de encontrarmos o nosso lugar, há um pensamento precioso: a vontade de amar quebra todas as barreiras.

«nunca limites o amor, filho, nunca por preconceito algum limites o amor»

O Filho de Mil Homens é um porto seguro. É aquele abraço-casa que nos faz reconhecer que as diferenças não são um elo de exclusão. Nesta jornada transformadora, aprendemos a resistir e a sermos felizes, pois há esperança na evolução - sobretudo, das mentalidades. E no cuidado partilhado. Porque nos pertencemos.

«Tratava as coisas todas como se as coisas todas fossem para melhorar»


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«Música para variar»


A melodia cresce serena - ou bastante ritmada. Ecoando no peito e nas paredes da minha casa. Porque este dialeto cantado, com mundos vastos que nunca se esgotam, são o impulso que acorda a minha alma e que me faz levitar, acalentando sonhos de olhos despertos. Por isso, um dos primeiros hábitos que asseguro, a cada nova manhã, é ligar o Spotify, escolhendo a playlist que mais me interessa escutar naquele momento.

Neste departamento artístico, deambulo um pouco sem critério, pois sou curiosa e estou sempre predisposta para descobrir novos músicos. Por outro lado, é um gosto tremendo reencontrar-me com aqueles que fazem parte do meu leque essencial. E sinto que o mês transato foi extraordinário no que toca a opções musicais, proporcionando-me uma experiência plural e adequada a vários estados de espírito. Além disso, foi o reforçar de um pensamento que não me privo de repetir: a música portuguesa transborda talento e recomenda-se.

Atendendo a que ouvi muitos álbuns em outubro, poderia enumerar todos os seus títulos. No entanto, houve sete que me conquistaram em pleno. E, portanto, sinto que são esses que merecem um destaque maior.


 BOA SORTE 

O álbum do João Couto dispensa apresentações, até porque já escrevi sobre ele aqui. Ainda assim, como foi o disco que me acompanhou mais vezes, no mês passado, fazia todo o sentido que constasse nesta lista.



 AVENTURINA 

A voz da Constança Quinteiro aconchega. E este EP, composto por cinco canções, é uma viagem melódica por vários géneros musicais. Com um tom «jovial e quente», proximal, é mesmo uma aventura viciante.



 A SEMENTE 

Os Cassete Pirata têm um lugar no meu coração, muito por culpa de discos como A Semente, no qual existe uma voz de intervenção clara, letras que nos inquietam por dentro e um toque de rock e de indie-pop.



 BÁRBARA 

O álbum de estreia de Bárbara Tinoco reforça a certeza de um futuro promissor. Porque tem uma capacidade comovente para contar histórias. Partindo das suas experiências, há muita identidade nestas faixas.



 DESGHOSTS & ARRAYOLOS 

A criatividade de Stereossauro não para de surpreender. «Representando uma dualidade de estados de espírito, fiel à própria experiência humana», este álbum duplo tem uma lista de convidados invejável.



 CENTRO 

Sou fascinada pela voz da Joana Alegre, que se revela ainda mais aconchegante neste seu segundo disco. Funcionando como cura e afirmação, deixa-nos mais conscientes e «em paz com as nossas imperfeições».



 PASSO FORTE 

Os Sal vieram para conquistar um lugar no panorama musical português. E merecem-no, porque trazem uma mensagem inspiradora, tal como se percebe neste álbum com letras de intervenção e de esperança.



Que álbuns recomendam?

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Tema: Um livro passado na tua estação do ano favorita

Avisos de Conteúdo: Linguagem Explícita, Morte


A primavera e o outono são as minhas estações do ano prediletas, talvez por apresentarem transições mais subtis. Por reservarem um equilíbrio aconchegante. E, claro, pelas cores que tornam os dias mais bonitos. Mas não significa que não possam ter uma energia hedionda. Por isso, rumando a uma cidade que conforta, senti que fazia sentido unir esta preferência à leitura. E abracei a inquietante obra de Maria Cláudia Rodrigues.

«Para tanto aparato, a coisa devia ser grave»

A Espera de Fernanda é uma narrativa ficcional, mas baseada numa história verídica. E partir para a leitura com esta bagagem desperta uma sensação agridoce. Porque as nossas conjeturas ampliam-se, mas sempre ancoradas a um contexto real. Portanto, assim que me cruzei com este livro, quis logo perder-me nas suas páginas, atendendo a que se centra numa temática que me interessa na mesma proporção que me angustia. E mesmo sem conhecer o caso que a sustenta, senti-me a ser transportada para o seu ambiente doloroso.

«É um pesadelo, mas não é possível que seja o pesadelo deles»

O enredo levanta-nos inúmeras questões, porque existe uma apatia incompreensível por parte da polícia - mas não só. Além disso, compreende-se que há uma aura estranha a pairar sobre a investigação, porque permanecem pontas soltas e um desfecho demasiado célere. Como consequência, ficam provas por analisar e pessoas por ouvir. E é neste ponto que nos interrogamos acerca dos interesses que movimentam os sucessivos arquivar de caso. No meio de tanta negligência, existe algo inabalável: a perseverança dos pais.

«Por mais doloroso que seja, uma mãe pensa sempre em tudo»

É impossível imaginar o sofrimento - e o desgaste emocional - desta família desfeita, por maior que seja a nossa empatia, porque viram-se privados do seu filho. E tudo piora pela falta de respostas e por sentirem que seguiam contra a corrente; tudo piora porque Fernando não teve justiça. Com exceção deles, parece que as principais entidades desistiram. Mas, tal como a jornalista mencionou em entrevista, «as provas que a mãe reuniu são avassaladoras». E é por esse motivo que é tão palpável o desnorte, a revolta e a frustração.

«Quanto mais tempo teriam de esperar até que a verdade viesse ao de cima?»

A Espera de Fernanda espelha uma luta inglória, que coloca uma bandeira na corrupção - e na ansiedade. Fiquei incrédula com vários dos acontecimentos descritos e com a constante desvalorização à intervenção dos pais, que apenas procuravam a verdade. Neste relato cruel, intenso, sustentado por relatórios profissionais, intensifica-se o vazio, a crítica implícita e uma dúvida em surdina. O que estará a nossa Justiça a abafar?

«O tempo passa devagar»


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«A dor na alma é mais perigosa»


Tenho dores
Que me quebram o coração
Caixas abertas ao sol
Com inseguranças
Que abrem o chão
Como lava
Como se fossem espuma de café

Tenho dores
Tantas dores sem fim
Das que não se curam
Nem se atenuam
Sem um rasgo de luz
Na alma de quem nos quer


«No meu canto vejo o sossego
Desse enredo que Coimbra traz
Na alegria em frente ao Mondego
O apego ao pensamento que tanto me apraz

[...]

A vaidade só me traz ruína
E nas ruas testo a adoração
Marginalidade mondeguina
Enquanto o Kamura me chama à razão
Se na vida nada me fascina
E se no pó encontro a lucidez

[...]

Sou artista mas não nasci na realeza»
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andreia morais

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