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| Fotografia da minha autoria |
O poema é o que floresce no silêncio, quando sossegam as vozes que nos habitam (ou rodeiam) e ficam só a ecoar os pensamentos que, até então, precisaram de se recolher. E os poemas vão-me acontecendo, exatamente desta maneira, pela necessidade de lhes dar corpo através das palavras.
um substack de poesia
No Silêncio é o resultado deste hábito, que se entrelaça ao compromisso de priorizar ainda mais a poesia na minha vida. Nunca quis forçar o processo, mas tornou-se evidente que me estava a fazer falta ser mais consistente, ser mais regular nesta arte que tanto me acrescenta. Portanto, e de modo a ter todos os meus poemas compilados no mesmo espaço, deixando de os publicar aqui no Entre Margens, decidi avançar com um substack poético.
a dinâmica
Todas as quintas-feiras, às 7h07, será publicado um poema novo. E estes poemas pertencerão a dois grupos, partilhados alternadamente
✨ sopros: poemas mais curtos, geralmente com três versos, como se fossem uma brisa, um fragmento que ecoou, mas que não pretendo desenvolver;
✨ margens: poemas mais longos, sem tamanho definido, com temáticas onde quero mergulhar um pouco mais fundo.
no silêncio por Andreia Morais
apresentação e dinâmica
Ler no Substack
Tal como José Jorge Letria, no seu Escreve-se para o desdém, «aprendi a gostar de poesia lendo o seu silêncio» e é nele que me quero perder para dar voz aos versos que me sussurram por dentro.
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| fotografia da minha autoria |
já não te entranço o cabelo
nem te observo ao espelho
de olhar inocente com fome de mundo
brilhante, radiante, paciente
como se ter o cabelo às tranças fosse um tesouro
que partilhamos em segredo
já só tenho o pente pousado
elásticos espalhados
e uma cadeira vazia
e uma espécie de eco do teu riso
que me ilude no silêncio
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| Fotografia da minha autoria |
tu eras saudade e eu só mágoa
por um passado impaciente
sem pontas para atar os nossos nós
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| Fotografia da minha autoria |
o peito desacelera pela falta que se esfuma
pela saudade que já é dita de cor
por tudo o que já deixei de ser pela ausência
da tua mão em mim, do teu cheiro, do teu colo
recuo, permaneço dentro de quatro paredes
há lágrimas que pesam
que são como cristais estilhaçados
e os dias sucedem-se em neblinas de uma paz quebrada
sem chão, sem teto
uma paz que levaste quando saíste
e eu fiquei para trás
neste sítio que nos estranha agora que és só
uma memória, uma pedra neste coração vazio
deixei de te querer, mas a tua voz ainda ecoa
enquanto volto a trilhar o meu caminho
enquanto procuro um abrigo para as cinzas
que renascem sem que te lembres
há uma falta que desaparece
e as palavras deixam de ecoar no meu peito
ainda que me perca no sonho do teu regresso
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| Fotografia da minha autoria |
se apenas sirvo por conveniência
para preencher vazios
repara em tudo o que deixo
de ter vontade de partilhar
não agora
nas conversas que não prolongo
nas perguntas que já não faço
nos silêncios que se arrastam por dias
já dizia o poeta Dillaz
eu não fico onde não faço falta
desacreditei-me
deixei de pedinchar por essa não atenção