LIVROS QUE VÃO NUM SOPRO
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Fotografia da minha autoria |
«Um livro é como uma janela»
A chávena de chá [ou de café] vai aquecendo entre as mãos e, de livro aberto, sinto-me a descobrir vidas tão distintas, a um ritmo, muitas vezes, inebriante. E aquele momento em que nos esquecemos de onde estamos, porque nos envolvemos em pleno com a narrativa, acredito, deve de ser um dos mais especiais para o leitor.
Sou bastante apreciadora de enredos céleres, que nos transmitem a sensação de lhes pertencermos. Por esse motivo, é sempre num misto de surpresa e de nostalgia que chego à ultima página; e, não tão raras vezes assim, termino a leitura a desejar que, por milagre, surjam novos capítulos, apenas para adiar a despedida.
Durante a caminhada literária deste ano, cruzei-me com alguns exemplos de livros que se leem num sopro
TRÊS-VEZES-DEZ-ELEVADO-A-OITO-
-METROS-POR-SEGUNDO, NOISERV

A criatividade e a sensibilidade artística de Noiserv não têm limites. E esta obra vem corroborar isso mesmo. Com um jogo de palavras sublime e uma atenção aos detalhes que nos fazem querer viver n' o-bairro-das-quatro-esquinas, é fácil imaginarmos cada cena a acontecer, pelo seu movimento. Focando-se na velocidade e na inevitabilidade, coabitam dois planos em simultâneo: o que vemos e o que interpretamos. E coabita, também, a repetição de certos pormenores, tão essenciais na construção desta história em verso. Dançando entre a realidade e o sonho, é o livro, enquanto objeto, que nos abre uma janela para alcançarmos a luz.
GUARDA-ME O QUE FICAR, INÊS FERNANDES

TW: Referência a abuso sexual
Há livros que conversam connosco, não só pelas temáticas que abordam, mas sobretudo pelo tom com que são escritos. E neste, em particular, sentimos o peso dos traumas, dos medos, das feridas em aberto e da necessidade de se ser resiliente, quando a vida se torna mais complexa do que aquilo que deveria ser numa fase precoce da nossa jornada. Por outro lado, é uma carta de amor: a alguém que chega no momento certo, mas principalmente ao próprio. Porque, sem qualquer dúvida, é preciso muito amor próprio para lutarmos contra os fantasmas que continuam a caminhar no mesmo compasso que nós. Confesso que não fiquei arrebatada com a escrita em algumas passagens, mas é inegável a sua honestidade e o quanto se torna relacionável - aquela poderia ser a nossa realidade. E, por isso, torna-se tão comovente de ler. E mesmo que terminemos a leitura num sopro, há versos, há narrativas, que continuarão presentes na nossa memória.
NICK E CHARLIE, ALICE OSEMAN

TW: Referência a Bullying e Distúrbio Alimentares; Álcool, Fim de Relacionamento, Ansiedade
As relações amorosas são sempre complexas, ainda para mais quando se acrescentam novos fatores na equação, como o percurso escolar. Por isso, considero muito interessante este foco nas dúvidas e no contraste entre o entusiasmo de quem avança e nos medos de quem ainda fica, espelhando [e explorando] a ansiedade inerente à mudança, que pode ser ampliada por uma comunicação menos aberta. Mas, por outro lado, senti a narrativa um pouco repetitiva, sem aprofundar, verdadeiramente, algumas questões. Vale muito a pena ler, sobretudo, pela honestidade e por nos permitir acompanhar mais um pouco deste casal amoroso, que nos ensina tanto, mas esperava outra abordagem, confesso - e teria outro impacto, caso fosse mais desenvolvida.
O LUGRE, BERNARDO SANTARENO

TW: Referência a Morte, Maus Tratos a Animais, Violência, Suicídio
A peça de Bernardo Santareno não me era familiar. Aliás, só tive conhecimento da sua existência aquando da transmissão de Terra Nova. Desde então, acalentei a vontade de mergulhar nesta narrativa, procurando compreender melhor as experiências que o autor teve, enquanto médico, a bordo da frota bacalhoeira. O mais curioso é que, por ainda ter tão presente a série, muitos dos momentos descritos foram-se reproduzindo na minha memória, ao ponto de quase ser capaz de escutar os protagonistas. E talvez por isso as histórias sejam mais dolorosas. É que o mar é fascinante, mas também consegue ser uma fonte de problemas e despertar o pior do ser humano. Representando o quotidiano dos pescadores, os medos, as superstições, as crenças e a violência - do trabalho e da Natureza -, é um retrato sombrio e angustiante da vida - e do destino - no Lugre.
Ainda não li nenhum desses, mas parecem-me excelentes sugestões. Vou levá-las para 2023 :)
ResponderEliminarBoa semana, minha querida.
Beijinho grande!
Recomendo todos :D
EliminarObrigada e igualmente, minha querida!
Ler aquece o espírito e acalma o coração
ResponderEliminar.
FELIZ SEMANA ... BOM NATAL.
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Pensamentos e Devaneios Poéticos
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Não diria melhor, Ricardo!
EliminarAndreia os livros parecem serem bons gostei muito dos títulos, Andreia bjs.
ResponderEliminarSou suspeita, mas são mesmo belas opções :)
EliminarVou começar a ler o Nick & Charlie *.*
ResponderEliminarBoas leituras, minha querida *-*
EliminarPor aqui nunca nos falta sugestões de livros para ler! Obrigada por partilhar!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Tento dar o meu melhor :D
EliminarPosso dizer que ainda não conhecia os que acabou por partilhar, mas vou acabar por levar a sua sugestão
ResponderEliminarUma boa semana
Beijinhos
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Se tiveres curiosidade, aconselho-os a todos :)
EliminarQuero tanto ler os que me faltam da Alice! Adorei o primeiro volume do Nick e Charlie.
ResponderEliminarCompreendo-te bem! Heartstopper tem um lugarzinho no meu coração *-*
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