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| Fotografia da minha autoria |
A decisão de só desenvolver com mais detalhe as reviews dos livros que me arrebataram, confesso, pecou por tardia, mas trouxe-me algum descanso, até porque me deu liberdade para explorar outros temas no blogue, ao mesmo tempo que deixei de ter a sensação de estar sempre a ficar atrasada nestas partilhas.
Eu sei que nem todos as histórias nos marcam da mesma forma e isso nunca foi um problema, contudo, havia uma parte de mim a acreditar que, se tinha dedicado parte do meu tempo àquela leitura, devia reservar uma publicação individual. Nunca existiu essa correlação e parar de a forçar foi a melhor solução.
Portanto, aqui fica mais um conjunto de opiniões rápidas.
CRIME NA QUINTA DAS LÁGRIMAS, LOURENÇO SERUYA
Esta história ficou muito aquém do que esperava. Acredito que a escrita do Loureço Seruya tem potencial e que a premissa entusiasma, contudo, senti um certo desequilíbrio no ritmo da narrativa: ora estendia demasiado cenas que não precisavam de tanto detalhe, ora acelerava aquelas que mereciam mais atenção. Em simultâneo, os diálogos pareceram-me forçados e, para mim, houve ocorrências desnecessárias, atendendo a que não acrescentaram profundidade, nem se revelaram úteis para entendermos as motivações dos envolvidos. Infelizmente, terminei com a sensação de que os ingredientes estavam cá, mas que caíram numa fórmula repetitiva (opinião completa aqui).
QUANDO AS MONTANHAS CANTAM, NGUYEN PHAN QUÉ MAI
Foi triste e angustiante ler determinadas passagens, não só pelo cenário de destruição, mas também pelo peso da dúvida, do desconhecimento; pelo peso do luto que não pode ser feito em pleno, visto que existem factos em falta. A escrita é muito sensível e fiquei rendida à relação da avó e da neta, mas senti que a narrativa se arrastou em algumas partes, dificultando o envolvimento total com o que estava a ser descrito.
TODOS DEVEMOS SER FEMINISTAS, CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
Com um discurso claro, próximo e elucidativo, valeu muito a pena mergulhar nestas páginas, ao ponto de as querer ver mais desenvolvidas. Além disso, como inclui um conto, deu para matar saudades da ficção da autora.
QUERIDA IJEAWELE, CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
Assim que terminei Todos Devemos Ser Feministas, comecei este livro, que é uma carta com um propósito muito específico e bonito: responder ao apelo de uma amiga que perguntou a Chimamanda como devia educar a filha para ser feminista. O resultado é sério, mas despretensioso. E é extremamente necessário, uma vez que impulsiona a liberdade. Li no Kobo, mas vou querer comprar um exemplar.
VIDADUPLA, SÉRGIO GODINHO
Há musicalidade na escrita e um hábil jogo de palavras/trocadilhos, no entanto, senti que o último fator tornou a leitura menos fluída. Por um lado, creio que deixar-nos no limbo era algo intencional, por isso é que nos cruzamos com imagens impercetíveis e existem passagens que nos fazem questionar a nossa competência interpretativa, já que a vida é feita de infinitas áreas cinzentas, mas, por outro, gostava de ter visto uma clareza maior nos enredos, de modo a que o vínculo com as emoções das personagens fosse mais forte. Ainda assim, é inegável a sensibilidade com que tocou nos assuntos (opinião completa aqui).
O PALÁCIO DE PAPEL, MIRANDA COWLEY HELLER
A premissa intrigou-me, mas não funcionou comigo. O livro toca em temas importantes, mas é tudo tão arrastado que acaba por não impactar. Sinto que até li rápido, mas dei por mim a revirar os olhos demasiadas vezes com a superficialidade de alguns comportamentos e decisões, já para não mencionar que senti alguns acontecimentos desnecessários, tendo em conta que a autora não os aprofundou. Honestamente, achei-o aborrecido e irritou-me a leviandade com que alguns assuntos foram tratados.
UMA BOA HISTÓRIA, EMILY HENRY
Posso fazer um spoiler e dizer que, para mim, não foi uma boa história? Estou a ser injusta, porque o livro lê-se bem e a autora consegue trazer uma certa leveza para o centro do furacão, mas o quebrar da fórmula que encontrei no Pessoas Que Conhecemos nas Férias e no Lugar Feliz perdeu-se aqui e isso desiludiu-me.
CAMINHANTES, EDGARDO SCOTT
Gostei da fluidez da escrita e do facto de nos permitir pensar sobre diferentes formas de caminharmos no mundo. Feliz ou infelizmente, é daquelas obras sobre as quais não posso desenvolver muito, para não correr o risco de detalhar o que não devo. Não obstante, achei interessante a teoria, os traços individuais de cada grupo e a ideia de que a caminhada é uma forma de nos instalarmos no mundo.
LAVORES DE ANA, ANA CLÁUDIA SANTOS
O entusiasmo foi esmorecendo à medida que fui avançando na leitura: por um lado, gostei que se perdesse em reflexões sobre ser mulher (e a dualidade de critérios em relação às escolhas de uma mulher solteira), a capacidade que os lugares têm de influenciar o nosso crescimento, maternidade, envelhecimento e os diferentes tipos de luto; mas, por outro, fiquei com a sensação de que o livro é demasiado curto para explorar tantos temas importantes. A escrita tem imenso potencial, mas sinto que se perdeu em detalhes que pouco acrescentaram à narrativa, retirando espaço ao que, de facto, nos poderia arrebatar e levar para um ponto de análise mais profundo (opinião completa aqui).
A RAPARIGA COM GELO NAS VEIAS, KARIN SMIRNOFF
O enredo pareceu-me um pouco confuso na forma como foi articulando os temas explorados, talvez por serem demasiados, tornando o ritmo de leitura oscilante. Ainda assim, gostei que trouxesse, uma vez mais, uma componente ecológica e ambientalista e que mostrasse que, se continuar a ser bem construída, Svala tem tudo para surpreender enquanto protagonista.
UMA VIDA INCRÍVEL E MARAVILHOSA, EMILY HENRY
Uma pouco à semelhança do anterior, fiquei um pouco desiludida com o livro, porque não me trouxe algo novo e, em conversa com a Sofia, até partilhei que me parecia uma versão 2.0 do Romance de Verão. O único aspeto positivo foi o grupo de amigos, que adorava que tivesse aparecido mais vezes.
ESTE É UM LIVRO SOBRE AMOR, PAULA GICOVATE
Este livro pertence ao universo de Notas Sobre a Impermanência, uma vez que se assemelham nas temáticas e no tom franco com que as protagonistas refletem sobre o amor. Quero muito ler a autora noutro registo, mas foi maravilhoso regressar à sua escrita e perder-me nos seus pensamentos sobre o certo e o errado, os desejos, aquilo que fingimos em jeito de sobrevivência emocional. Ademais, foi bonito ver como a narradora se entregou sem filtros e sem cobranças.
AS OITO MONTANHAS, PAOLO COGNETTI
As descrições da paisagem impressionam, assim como a plenitude da montanha que embalada a complexidade de cada emoção. No entanto, não senti a história muito equilibrada no ritmo — e gostava de ter sentido mais emotividade em determinados momentos-chave. Por outro lado, achei interessante a ideia de conhecermos duas versões da mesma pessoa e de termos a casa como símbolo de união.
A BELEZA DA ERVA POR CORTAR, TREVOR NOAH
Estava muito curiosa para ler Trevor Noah neste registo e foi uma excelente surpresa, atendendo a que se foca nos desacordos, nas diferenças, nos detalhes que nos inspiram e na certeza de precisarmos uns dos outros. Inspirado por um conflito — «a guerra interminável entre ele e a mãe» —, mostra-nos que o problema não é discordar, mas a forma como lidamos com a discórdia. Talvez não seja a história mais surpreendente, mas é amorosa e achei muito bonita a ideia de ser um livro para os filhos partilharem com os pais.
O REAL ARRASA TUDO, ISABEL DE SÁ
Não me senti propriamente arrebatada pelos seus versos, devo confessar, isto porque aprecio um pouco mais de emoção, de intensidade, de sentir que o poeta se funde com a inevitabilidade das suas palavras. Não obstante, creio que a força desta obra também passa por se distanciar desse cenário, até porque, como referiu Valter Hugo Mãe, «o mundo, afinal, segue à revelia da arte, por mais utopias que se possam nutrir». E, se calhar, a poeta apenas aceitou que há coisas que não podem ser alteradas e que vai mais longe se for «ao longe de si mesma», mas como se se visse de fora, dissociável (opinião completa aqui).
O ATO CRIATIVO, RICK RUBIN
Estava com outra expectativa para este livro, mas não foi correspondida. Até achei o início promissor, mas depois, para além de se tornar um pouco repetitivo, pareceu-me tudo demasiado superficial.
A BLOGOSFERA PORTUGUESA, SÉRGIO BARRETO COSTA
Este livro revelou-se uma espécie de viagem ao passado. Embora não acompanhasse os blogues mencionados, foi interessante descobrir o arco evolutivo, a explicação do êxito, a intencionalidade, a vaidade e, até, o declínio. Com um foco maior no plano político da blogosfera, algo que me surpreendeu, devo confessar, gostei bastante do tom cómico e sarcástico com que o autor construiu o seu texto e resgatou memórias. Não obstante, gostava de ter encontrado uma visão mais diversificada dentro do tema (opinião completa aqui).
DAR A VOLTA AOS MEDOS, ANA RITA AREIAS
Dar a Volta aos Medos tem uma estrutura fragmentada, como se Afonso fosse abrindo o álbum e se demorasse numa imagem. Embora goste dessa abordagem, gostava de ter encontrado uma narrativa mais coesa, que nos permitisse mergulhar ainda mais fundo nos momentos e no seu verdadeiro impacto, mas, se calhar, o mais importante não são os acontecimentos, são «as vozes que nos guiam» através deles. Preferências à parte, o livro não perde a carga emocional, nem a capacidade de nos centrar em temas cruciais (opinião completa aqui).
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, JOSÉ SARAMAGO
A premissa é fabulosa e sinto que a sua construção inicial impacta, até porque é impossível não nos tentarmos colocar no lugar das personagens e pensar na reação que teríamos se tivéssemos de passar pela mesma situação. Por isso é que há passagens tão angustiantes, porque são demasiado próximas, credíveis. O problema, para mim, é que o autor acabou por arrastar algumas divagações por demasiado tempo, tornando-se repetitivo. A crítica social é excelente, mas o tom moralista que paira na escrita não me arrebata, admito.
HÁ GENTE EM CASA, ONDJAKI
Um livro que não estava nos meus planos, mas que fechou 2025 com um apontamento poético. Embora não tenha amado a generalidade dos poemas, a escrita do autor vale sempre a pena, até porque, em prosa ou em verso, tem uma forma muito própria de nos transportar para determinadas memórias/situações.







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