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| Fotografia da minha autoria |
Dezembro pareceu passar num sopro, mas não sem deixar marcas de constipações, viroses e derivados. Fico cansada só de pensar na reta final de 2025, com um pequeno susto à mistura, que me fez desejar que o novo ano chegasse ainda mais rápido — apesar de não acreditar que as coisas mudam só por soarem as dozes badaladas.
Excluindo esta nuvem, dezembro veio com concertos, a nossa recente tradição anual e o melhor bolo que provei nos últimos tempos.
as coisas maravilhosas de dezembro
os fragmentos aleatórios
O Spotify Wrapped é uma dinâmica que me entusiasma e, apesar de estar a contar com a maior parte das estatísticas, não deixou de me surpreender. Fico mesmo orgulhosa por ter o Lhast e o Violetta a ocupar o primeiro lugar nas respetivas categorias — artista e álbum — e por ver que a música portuguesa continua a ser a maior banda sonora dos meus dias.
A Pat McGrath entrou na minha vida recentemente, primeiro como prenda de natal antecipada e, depois, por escolha pessoal. E, agora, já só quero comprar todos os lápis de lábios e batons que tiver disponíveis, porque são perfeitos. Para além de terem cores lindas, são tão cremosos e confortáveis que nem parece que estamos a usar. Ofereceram-me o MatteTrance Lipstick Deep Orchid e eu complementei o conjunto com o Legendary Longwear Lip Liner Lady Stardust e com o Dramatique Mega Lip Pencil Mauvemoiselle. Não são os artigos mais baratos, mas sei que lhes darei um ótimo uso.
O último concerto do ano foi antecedido por um lanche no Eatery 119. O espaço é lindíssimo e houve várias opções do menu que me chamaram à atenção. Uma delas foi o Kyiv Cake, que se revelou uma autêntica perdição, muito pelo equilíbrio entre todos os sabores e texturas. Com merengue, avelãs e um recheio cremoso e amanteigado, vou deixar passar as festas para o voltar a provar.

Outros fragmentos aleatórios: Comprar o South Side Boy, do Diogo Piçarra, em vinil, anunciarem BABELL, um novo festival literário no Porto, e recuperar o Alma Lusitana.
as músicas e os álbuns
Uma playlist que foi ficando bem composta, apesar de ter sido um pouco ofuscada pelos trabalhos musicais que marcaram o meu ano e que revisitei com maior profundidade nesta época de balanços e favoritos. Se calhar também foi por isso que consegui chegar ao pódio mensal com maior facilidade.
As músicas que marcaram o mês: Praia de Tinto, Mallina | Assunto Meu, xtinto | Tem Lá Uma Tristeza, Bárbara Tinoco & Mari Froes | Sinto-te Tão, Rita Onofre.
Os álbuns e o EP que marcaram o mês: Cá Dentro, Mary Jane | Volume II, Avalanche | Foi Sempre Assim, Zizzy Jr.
os filmes, as séries e os podcasts
Neste segmento, trago duas séries
Nem a Gente Janta: O argumento é inspirado em detalhes reais, apesar de ser uma história fictícia. Inês Sá Frias queria homenagear o pai Fernando e o avô Filipe e essa foi a força matriz da sua escrita, evidenciando a vontade de nunca os esquecer, «seja através de fotografias e de conversas familiares (…), seja através de subtis memórias». Numa narrativa em que as saudades também são vitais, fascinou-me o equilíbrio entre o lado dramático e o lado cómico, a transição subtil que nos mantém investidos no enredo e o modo como cada peripécia une as pontas soltas sem que o todo nos pareça descabido. Além disso, tem a dose certa de vulnerabilidade e de leveza, mostrando-nos que o luto não é nada linear (opinião completa).
Três Tristes Tigres: A excitação da novidade é rapidamente condicionada pela culpa, do mesmo modo que a leveza da intimidade fica ofuscada pelo peso da mentira. É neste jogo de sombras, de avanços e recuos, que a história destas três mulheres se constrói, servindo de espelho para as «lutas diárias de muitos portugueses», que continuam a ter de ocultar a sua verdadeira identidade por medo de julgamentos e de opiniões não solicitadas sobre a forma como amam e vivem a sua vida. Em simultâneo, é uma narrativa que retrata a complexidade dos nossos sentimentos, bem como as complicações que deles advêm.
Não podia deixar de fazer referência à série O Grito, da qual estou a gostar imenso, mas, como ainda não acabou, prefiro falar-vos dela mais tarde.
os livros
Dezembro não trouxe leituras memoráveis, como partilhei nas notas literárias, mas trouxe-me um autor cuja obra quero continuar a explorar em 2026.
O favorito do mês: O Avesso da Pele, Jeferson Tenório.
Outros livros lidos: O Real Arrasa Tudo, Isabel de Sá | A Beleza da Erva Por Cortar, Trevor Noah | Um Tempo a Fingir, João Pinto Coelho | A Blogosfera Portuguesa, Sérgio Barreto Costa | O Ato Criativo, Rick Rubin | Dar a Volta aos Medos, Ana Rita Areias | Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago | Há Gente em Casa, Ondjaki.
os momentos
O último mês do ano foi relativamente comedido nos programas fora de casa, mas permitiu-me voltar ao Dragão, ver os Capitão Fausto e os Vizinhos nos Aliados e celebrar o Natal em família.


Conteúdo do Batáguas ao Vivo
Sinto que estou a fortalecer uma nova tradição com os meus amigos e parte da magia deste espetáculo, para mim, também passa por aí, já que posso partilhar a experiência com pessoas que acompanham — e vibram com — o Conteúdo do Batáguas como eu. E é sempre incrível quando temos estes pontos de contacto, que nos permitem observar a mesma premissa a partir de várias perspetivas: temos todos detalhes a destacar e não serem os mesmos só enriquece a forma como o texto/momento nos ficará na memória (aqui).
Dealema com a Banda Musical Leverense
Conhecer artistas pela visão de quem nos é próximo — ou por quem nutrimos alguma consideração — tem sempre um vínculo especial, até porque acabamos por construir novos significados. Os Dealema eram um mundo que não me pertencia, compreendi-os, primeiro, por aquilo que faziam sentir os outros, até que passei a falar no mesmo dialeto que eles, a identificar-me, a compreender os lugares espelhados em cada verso. E, assim, bordei-os na minha história, visto que passaram a fazer parte de quem sou (aqui).

Janeiro, sê gentil ✨







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