«Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza e dramatismo, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia»
O desconhecido pode revelar-se uma descoberta fascinante ou, em contrapartida, ser uma desilusão. Mas acredito que devemos arriscar sempre que é possível, porque não sabemos o mundo que nos espera do outro lado. E isso é totalmente válido na literatura. Por isso, tenho uma certeza: caso não me identifique, fico com uma nova experiência; caso me conquiste, retornarei ao autor. Por mais que demore a fazê-lo, os nossos caminhos voltarão a cruzar-se. E após concluir O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá [aqui], percebi que Jorge Amado não mais sairia da minha vida.
Fotografia da minha autoria
«Ouvi o assobio do vento e encontrei o silêncio que eu tanto precisava»
Um assobio. Sempre o mesmo assobio no parapeito exterior, a anunciar um toque de primavera. De leveza. De paz. E eu ficava imóvel, dentro de casa, a contemplar o teu retrato de olhar vazio e sorriso aberto. Essa expressão particular, de quem é tão antagónico no interior da alma, desconcerta-me desde o primeiro encontro.
Fotografia da minha autoria
«Ninguém disse que ir ao Snooze era fácil»
As minhas viagens de carro são sempre feitas de rádio ligado, independentemente da distância a percorrer. Porque adoro música e porque sinto que este ritual torna o momento mais intimista. Além disso, a imprevisibilidade do reportório combina bem com os traços distintos do caminho. E é assim que vou despertando e abraçando esta experiência em pleno.
Fotografia da minha autoria
«Há sempre algo de ausente que me atormenta»
As horas já não são horas
Se o tiquetaque dos ponteiros
Mergulha no fosso do teu silêncio
«Será só matéria em rotação?
É mistério, mera maldição
Desentristecer a custo e abrir mão
Duro vai ficando o coração
De quem não quer dar-se à dor
De ser quem é
Fotografia da minha autoria
... Cogumelos!
[A minha relação com os cogumelos sempre foi inconstante: enquanto comida, só há pouco tempo é que aprendi a gostar, porém, continuam a não ser das minhas primeiras opções. Apesar disso, para fotografar, enchem-me as medidas. A sua forma particular tem um encanto diferente. E, depois, é impossível ignorar o lado mimoso dos mais pequenos. Durante alguns anos, cresceram-me selvagens no jardim cá de casa e, portanto, tinha um novo divertimento neste tempo mais frio. O ano passado não tive essa sorte, mas vou-me maravilhando com os que encontro durante os meus passeios]
Fotografia da minha autoria
«(...) é seguramente um dos romances míticos do século XX, uma daquelas obras raras que alteram o modo como toda uma geração encara o mundo que a rodeia»
Os livros podem guardar histórias leves, como uma pena que voa e que pousa delicadamente. Em contrapartida, também podem esconder enredos complexos, como uma teia que nos prende aos seus fios. Cada um destes registos pode ter um momento próprio, dependendo do nosso estado de espírito. Pessoalmente, aprecio obras que estabeleçam um equilíbrio entre ambos, porque adoro a simplicidade que me permite relaxar intelectualmente, na mesma medida que procuro uma leitura que me desafie e alargue horizontes. E com Milan Kundera consegui atravessar essa ponte.
Fotografia da minha autoria
A Revista Coliseus & Os Tvgas
A 27 de outubro de 2017, vivi um dos momentos mais mágicos da minha vida: o concerto do Diogo Piçarra no Coliseu do Porto. Esta sua conquista - consequência de todo o talento que o caracteriza e do seu trabalho árduo, que não o permite descurar dos seus objetivos -, foi também minha, porque tive a oportunidade de estar presente e de assistir a este sonho a ganhar forma.
Fotografia da minha autoria
«Fotografar é uma maneira de ver o passado. Fotografar é uma forma de expressão, o "congelamento" de uma situação e seu espaço físico inserido na subjetividade de um realismo virtual»
É um conforto e uma grande sensação de liberdade passear perto da praia. O aroma da maresia e a extensão infinita do mar estabelecem uma parceria ímpar, que nos envolve no seu regaço imaginário. Por momentos, sinto-me a entrar numa bolha introspetiva. Absorvo aquele pedaço de natureza e reconecto-me, somente, com os meus pensamentos. E deixo-me ir. Sem pressas. Por um caminho que tem tanto de surpreendente, como de familiar.
O conceito de pessoas-luz, para além de maravilhoso, define muito bem algumas personalidades. Porque há, efetivamente, seres humanos que transmitem uma energia tão bonita, consequência da sua essência humildade e pura e de terem o coração no sítio certo, que nos conquista com toda a naturalidade. Aliás, estranho seria se assim não o fosse, uma vez que são eles que tornam o mundo num lugar melhor. E a Carolina Deslandes é um dos exemplos mais evidentes. Admiro imenso a sua voz, a sua música e a sua escrita. Porém, é igualmente fascinante ouvi-la a partilhar e a justificar os seus pontos de vista. Nesta conversa no Elefante de Papel, comprovou, sem filtros, o quanto é inspiradora. Que momento especial!
Fotografia da minha autoria
«Seis comediantes arriscam a sua vida para testar material inédito e fresco»
O humor é uma arte - e uma arma. Tão subjetiva e tão fascinante. Muitos discutem quais são os seus limites e eu continuo a defender que são os nossos preconceitos que os estreitam ou que fazem cair esses muros. Há ocasiões nas quais, se calhar, inconscientemente, não estamos preparados para determinadas piadas. Porém, isso não as torna más ou desrespeitosas. Apenas não desencadearam uma identificação em nós. O que é necessário é compreender que o alvo não é, propriamente, o sujeito, mas a situação. E quando formos capazes dessa desconstrução, o julgamento gratuito deixará de ser uma constante. Porque mentes fechadas não têm graça.