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Julho precisou que cuidasse da minha energia, mas senti-o leve. Acho que não consigo identificar os motivos exatos dessa sensação, mas encontrar equilíbrio entre as coisas que acrescentam valor à minha rotina, desde ler meia dúzia de páginas de um livro até assistir a um jogo de futebol, foi o gatilho perfeito para encarar este mês para lá do caos e do cansaço que o reveste.
Saber que as férias estão perto, reconheço, também ajuda. Não obstante, entre regressos e fins de semana de ronha, tive vários momentos de silêncio que me ajudaram a reorganizar por dentro e a colocar em dia conteúdos que são regulares no meu dia a dia — e isso pesou de uma forma bastante positiva.
Acho sempre que este mês fica um pouco turvo, porque é tão longo que parece passar uma vida entre todos os acontecimentos em que se divide. Desta vez, a agenda não esteve preenchida, mas não faltaram coisas maravilhosas para registar.
as coisas maravilhosas de julho
os fragmentos aleatórios
A minha máquina de café é Dolce Gusto e tenho usufruído bastante de algumas novidades que vão surgindo. No entanto, sinto que a Nespresso acaba por ter uma variedade maior e, como gosto de preparar as minhas bebidas, tanto no verão, como no inverno, há sabores que não posso provar por não ter uma máquina compatível. Por esse motivo, no início do mês, decidi investir nesta máquina de café expresso portátil, que dá para café em cápsula ou moído, e estou bastante satisfeita. A bateria não é a mais duradoura (tem dado para três cafés, talvez por usar sempre a capacidade máxima e nem sempre aquecer a água), mas é prática e intuitiva, e tem sido uma excelente aliada ao pequeno-almoço e/ou ao lanche.

Outros fragmentos aleatórios: a Bola de Berlim da Oficina do Pão, ser surpreendida com a caneca Book Lover e comprar a versão física do cd do Noah Kahan, The Great Divide.
as músicas e os álbuns
A playlist mensal esteve menos mexida e, curiosamente, não fiz morada em nenhum álbum, mas tenho estado a ouvir o do Espama Trincana, Bad Bitches Ouvem Espama, a Mixtape.
As músicas que marcaram o mês: Não Entendo, Espama Trincana | Ressaca, bapcat & xtinto | Na Raiz, Xico Gaiato & Bia Maria | Rosa, Rodrigo 13 & Icaro.
as publicações
No meu substack poético — No Silêncio —, partilhei um poema inspirado no tema Festa Bem Louca, da Pikika. Se vos interessar, podem ler dança lenta.
os filmes, as séries e os podcasts
Neste segmento, destaco um podcast e um filme
Na saúde e na doença
A dupla que faltava aventurou-se num projeto comum e isso deixou-me entusiasmada, já que acompanho o Guilherme Geirinhas e a Margarida Santos em separado, nas suas vertentes profissionais tão distintas, mas que eles interligam na perfeição. Aliás, adoro como a Margarida conversa sobre saúde de uma forma tão descomplicada e acessível e como o Geirinhas é tão ágil a dinamizar conteúdos que, não sendo sobre comédia, têm sempre um caráter cómico. E acho que é no humor que encontram o meio do caminho.
Na saúde e na doença conquistou-me logo na introdução, porque sinto que estabelece o tom do que podemos encontrar ao longo do episódio: num misto de ironia, provocação e brincadeira, porque há coisas que são sérias, mas não é necessário encarar tudo com formalidade. Através de temas que os inquietam — ou que, pelo menos, lhes suscitam algum tipo de debate —, encontraram espaço para conversarem sobre tudo com leveza e sem que um dos lados tivesse de diminuir a sua voz. Gostei bastante da dinâmica, do facto de combinarem dúvidas, curiosidades e estatísticas e de serem tão sinceros nas suas intervenções. Claro que há planeamento no modo como conduzem os segmentos, no entanto, sinto que teriam o mesmo discurso caso as câmaras estivessem desligadas.
A Sibila
O filme, como afirmou Eduardo Brito, contém a matriz do romance de Agustina, mas não procura «ter a sua sombra» e talvez por esse motivo haja uma imagem um pouco mais exacerbada da personalidade de cada uma destas mulheres — tia e sobrinha —, uma convivência marcada por «sentimentos de ciúme, admiração e magnetismo» nem sempre imediatos, mas que identificamos em movimentos, olhares, pensamentos que nunca chegam a ser verbalizados: provocam, sim, uma reação física subtil. Para mim, o mais curioso foi ver como «cresceu para dentro de si», porque o mistério de Quina prende-se com essa interioridade, com aquilo que viveu em criança e transformou na sua identidade. Apaixonada «por corrigir, comandar, ser notável», viu em Germa uma continuação do seu legado e isso deixou bem claro o contraste entre o ser e o possuir.
Já não me recordo do que li, devo confessar, apenas da sensação pesada de avançar as páginas, porque havia uma carga sombria densa. Também a encontrei no argumento, mas ter um rosto para associar permitiu-me humanizar a história e manter presente que, apesar do cinismo e da frieza, nenhum daqueles comportamentos era gratuito. É certo que podemos questionar a intenção, a moralidade, mas percebemos que vêm em consequência de algo passado. Além disso, achei fascinante a conveniência do afeto, a dureza do caráter a contrastar com a generosidade do cuidado e a noção de abandono.
os livros
Habituei-me a definir uma tbr mensal, por ser uma forma de orientação que resulta comigo. Não obstante, se nos outros meses não encaro essa lista como algo estanque, em julho ainda menos. Por isso, fui lendo sem pressa e a priorizar sempre o que o meu estado de espírito estava a pedir no momento.
Os favoritos do mês: O Olhar Diagonal das Coisas, Ana Luísa Amaral | Linhas de Valor Acrescentado, Inês Meneses.
Outros livros lidos: Benjamim, Chico Buarque | Futebol, o Estádio Global, Fernando Sobral | Cidade Infecta, Teresa Veiga | Mau Género, Chloé Cruchaudet | Cordão, Ana Freitas Reis | As Vinhas de La Templanza, María Dueñas.
os momentos
Jogar matraquilhos humanos. Ver Rent. Estender a toalha. Estrelas do mar. Visitar o Pink Palace. Hey, Jude. Ir a um centro de equitação. Visitar a Casa da Música (o nosso guia era extraordinário). Voltar à Arquivo.





Rent
O musical Rent, um dos maiores sucessos da Broadway, numa «adaptação moderna da ópera “La Bohème”, de Puccini», regressou aos palcos portugueses e conquistou-me.
A acompanhar um grupo de amigos, durante um ano, «no auge dos boémios anos 90», transmite-nos a importância de aproveitarmos o tempo com aqueles que amamos. Por esse motivo, vemos os protagonistas a lutarem pela sua sobrevivência, a celebrarem os laços que os unem, a esforçarem-se para superar dificuldades, reverberando condições precárias, os malefícios do consumo de drogas e vários problemas de comunicação.
Os contextos e as circunstâncias são diferentes, mas dei por mim a pensar no grupo de amigos de Sinais de Fumo, porque há muito das suas histórias que se cruzam; a pensar na força necessária para não sucumbir, para não desistir, perante tantas adversidades. Nem sempre a vontade é motor suficiente para avançar, contudo, haver um propósito pode ser o impulso que precisamos para valorizar «cada momento» e vermos além da desesperança, do orgulho, dos constantes entraves que se colocam no caminho — por mais que isso seja difícil, porque não existe, aqui, qualquer tentativa de romantização.
A homossexualidade, a SIDA, a dependência, os parcos apoios para o meio artístico e a crise da habitação são temas explorados na peça, estabelecendo uma ponte «entre a sociedade de há 30 anos e a de hoje». Felizmente, evoluímos em muitos aspetos, mas é fascinante como, tanto tempo depois, ainda conseguimos elencar tantas semelhanças.
Fiquei completamente rendida ao talento e à forma como me fizeram sentir cada fragmento. Tenho pena que a qualidade do som interfira com experiência (dependendo o local, pode não ser fácil distinguir tudo o que está a ser dito), ainda assim, arrepiei-me em vários momentos.
Agosto, sê gentil ✨
(reencontramo-nos em setembro)






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