Entre Margens


«É a história mais comum
E o mundo não se cansa
Dizer que amor há só um
Apenas uma dança

Se chega o dia em que se acaba
O que é que vais fazer?

[...]

Quero uma casa à beira-mar
Para desaparecer

Tenho um coração sincero
Quando me vejo ao espelho
Não sei envelhecer
E o que é que vou fazer?
Eu sei que nada me falta
Mas no que toca o amor
Eu tenho queda p'rá desgraça»

Fotografia pessoal



«Encontrei o meu lugar»


O universo vira-nos do avesso, mas eu encontro sempre o meu lugar em todas as vezes que abro a porta desta casa. E por mais que a reorganize, que altere a sua estrutura e a sua narrativa, continuo a reconhecê-la nas entrelinhas, já que a essência permanece inabalável, pois esse será sempre o maior propósito da viagem.

Sinto que neste porto de abrigo cabe o mundo inteiro. Pelo menos, os mundos que me fascinam. E é por esse motivo que existem gavetas disponíveis para acomodar cada compartimento da minha identidade, mas reservando espaço livre para acolher temas que se tornam centrais ou que, sem qualquer remorso, merecem uma concentração apenas momentânea. Porque o foco pode mudar e é fundamental perceber que fortaleço uma plataforma que me permite essa liberdade e, sobretudo, que a potencia. Portanto, a gestão da mesma torna-se natural e com o vínculo afetivo que imaginei e que me mantém com o entusiasmo com que avancei.

Criar conteúdo pode ser um caminho solitário, atendendo a que implica compromisso e uma conversa constante connosco. Porque temos de encontrar a nossa voz e saber aproveitar os nossos rasgos de criatividade. E isso é mágico, embora desperte indecisões, crises de identidade, síndrome do impostor e tantas outras curvas para as quais podemos perder controlo. Ainda assim, a descoberta é maravilhosa. E foi durante o alinhar de pensamentos periclitantes e introspetivos que desenhei uma lista de rotas que não tinha sonhado.

É um desassossego que habita no meu peito: de palavras que não adormecem, de ideias que espreitam e várias que não saem do papel, de iniciativas às quais pretendo dar palco, por lhes reconhecer valor. Por isso, há gavetas que ficariam fechadas, caso não tivesse As gavetas da minha casa encantada, porque não me conheceria a esse ponto - ou não teria confiança para as abraçar. Oito anos depois, ainda estou aqui. Ainda quero regressar. Ainda quero explorar novos dialetos. Porque ainda há muito para viver. E isso chega-me ♥


OITO GAVETAS QUE NÃO SERIAM ABERTAS SEM O BLOGUE









Fotografia da minha autoria



«E, no final, ganha o Porto»


A magia do desporto manifesta-se no seu lado emocional. É inegável que, pelos contornos distintos, a parte técnica entusiasma, mas é o sentimento que não se traduz que nos envolve e incentiva a estar e a vibrar, independentemente da modalidade em questão. Embora, desde miúda, tenha maior predileção pelo futebol e pelo basquetebol, houve sempre algo a sobrepor-se: o clube. Porque o Porto conquistou-me de imediato. Por esse motivo, redescobri-lo nas palavras de Joana Marques, que partilha o mesmo dialeto, só podia ser épico.

«É difícil definir um jogador à Porto, mas todos 
sabemos reconhecer quando estamos perante um»

O Meu Coração Só Tem Uma Cor é uma viagem pelas memórias e pela caminhada que tão bem caracterizam este emblema. Contando uma história por minuto, com direito a dois de compensação, senti-me a ser transportada para momentos e conquistas que me deixaram sem voz, com os nervos à flor da pele e com o lado esquerdo do peito a transbordar de orgulho. Por outro lado, também deambulei por recordações que apenas me transmitiram por testemunhos indiretos, visto que ainda não era nascida para as ver a acontecer. Com prefácio de Pinto da Costa e ilustrações de Pedro Vieira, o legado é descrito com muito amor e emoção.

«Precisamos de quem chore pelo Porto. Precisamos de quem tenha sido 
apanha-bolas no Estádio do Dragão, de quem tenha sonhado estar 
lá dentro, a jogar aqueles jogos, com aquela camisola»

Este livro é imprescindível para portistas, mas não exclusivo a quem tem o coração azul e branco. Através de um relato que tem tanto de sentimental, como de humorístico, Joana Marques compilou 92 textos provocadores e focados nos capítulos mais emblemáticos do clube. Sobressaindo o tom nostálgico, também evidencia a certeza que a nossa história não se esgota nestas páginas. Porém, são um espelho daquilo que nos move.

«Achamos de mau tom estragar festas alheias, preferimos ir lá fazer as nossas»


Disponibilidade: Wook | Bertrand

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

Fotografia da minha autoria



«O poder de observação»


A fotografia é uma arte que estimo bastante, tanto de um ponto de vista técnico, como de um ponto de vista emocional. Porque, através de um jogo de luzes e contrastes, eternizamos momentos e temos a possibilidade de contar histórias. Além disso, é uma forma singular de mostrar a nossa perspetiva do mundo que nos rodeia.

Portanto, este amor cresce com bases sólidas, atendendo a que descreve uma parte daquilo que sou - e do meu gosto tremendo em estar nos bastidores. De modo a celebrar o Dia Mundial da Fotografia - que se comemora hoje - reuni alguns dos últimos fragmentos captados pela minha Canon [curiosamente, são 19].



















Fotografia da minha autoria



Tema: Pessoas Com Deficiência

Avisos de Conteúdo: Bullying, Preconceito, Morte


A noção do meu privilégio nem sempre foi consciente. Embora tenha procurado ecoar mais a empatia e o respeito pelos demais, a verdade é que não tinha propriedade em relação a certas componentes e características. Aliás, por mais que me tentasse colocar do outro lado, havia dilemas que não sentia na pele, porque não compreendia o impacto no quotidiano de quem convivia com eles no seu íntimo - apenas podia supor. Portanto, para o tema deste mês do projeto Ler a Diferença, decidi abraçar o livro de R. J. Palacio.

«O que eu penso é o seguinte: só não sou 
normal porque ninguém mais me vê dessa forma»

Wonder centra-se na história de August Pullman, que nasceu com uma deformidade no rosto. E confronta-nos, de imediato, com o conceito de normalidade, tão influenciado pela visão do ser humano, que ainda sente necessidade de rotular tudo ao seu redor. No entanto, aquilo que poderia ser um relato doloroso, transformou-se num testemunho cómico, porque a personalidade do protagonista é um autêntico raio de luz. É notório o seu processo de amadurecimento, os mecanismos de defesa e a desconstrução de complexos, porém, o discurso parte, quase sempre, de um ponto de vista descomplicado - talvez por ter uma rede de apoio inquebrável.

«O engraçado é que, se ele não tivesse colocado a mochila 
entre nós, eu ter-me-ia sem dúvida oferecido para o ajudar»

Um dos pontos positivos desta narrativa é, para mim, a divisão por vozes distintas. Apesar de destacarem Auggie e as interações que mantém com as mesmas, é-lhes concedido espaço para refletirem sobre os seus dramas, angustias e sentimentos. Além disso, mostra-nos uma perspetiva bastante interessante sobre a dinâmica familiar e as consequências que uma doença pode ter na vida de cada um dos seus elementos. Num processo de aceitação de diferenças, é a prova que os desafios que despoleta não têm de ser uma limitação.

«Ponho-me a pensar quantas noites terá ficado à porta do 
quarto dele e se alguma vez teria ficado assim à minha porta»

Wonder é uma viagem de adaptação, de superação [porque nem tudo foi um mar de rosas] e de aprendizagem. Sem cair em lugares comuns, torna-nos mais conscientes da importância de sermos gentis, ao mesmo tempo que nos deixa de coração aconchegado, pois prevalece aquilo que é fundamental nas relações inter e intrapessoais. Ainda que de um modo figurado, terminei a leitura numa ovação de pé a Auggie, visto que, tal como o próprio mencionou, todos merecem uma na vida, «porque todos nós triunfaremos no mundo».

«por isso dei-lhe a minha asa, para que ela se abrigasse debaixo dela»


Disponibilidade: Wook | Bertrand

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Fotografia da minha autoria



«Os seus lugares favoritos ainda estão lá»


O meu estilo de vida, que vai sofrendo metamorfoses, permite-me [re]descobrir a identidade que me embala e encontrar uma nova maneira de comunicar com o mundo. Portanto, neste processo intimista, vou-me cruzando com apontamentos que são a minha cara - ou que abrem a porta para que saia da minha zona de conforto.

Fazendo uma viagem pelas várias componentes que sustentam o meu quotidiano, registei aqueles que são os meus favoritos do momento, com a certeza que permanecerão num lugar especial por muito mais tempo.


 UM ÁLBUM 


É inacreditável a densidade emocional de Billie Eilish. Embora não a escute com regularidade, sou sempre desarmada pelo seu talento, pela sua bagagem sentimental e por todas as suas camadas. Recentemente, lançou álbum novo e eu viciei por completo. Com uma energia mais serena, tem sido a minha banda sonora.


 UMA MÚSICA 


Há sextas-feiras 13 que são pura sorte. E esta música do João Couto, de um aconchego inegável, é a prova disso mesmo. Com um toque mais intimista e delicado, já se tornou numa das minhas favoritas do artista.


 UM SABOR 


A Somersby Hops'N Apples é uma sidra de maçã com adição de lúpulo, «através de um processo único de dry hoping». E arrisco-me a dizer que, de todos os sabores disponíveis, este assumiu a liderança. Que delícia!


 UM PRODUTO 


Inspirada pelo casamento do meu primo, decidi investir em mais artigos de maquilhagem, porque só tinha batons e máscara de pestanas. O que eu não estava à espera era de gostar tanto destas sombras da Deliplus, que comprei na Mercadona. Inicialmente, trouxe o tom 04, que é um castanho com brilho, mas já adquiri os outros três, visto que são bonitos, pigmentados e fáceis de trabalhar. Nem me reconheço, mas a verdade é que tenho-me maquilhado com mais regularidade e tenho-me divertido imenso a experimentar novas técnicas.


 UM LIVRO 


As Estradas São Para Ir, da Márcia, é uma autêntica obra de arte. Não só porque interliga diferentes expressões artísticas, mas também pela forma como foi construído. Com um tom familiar, que nos embala como se fosse uma canção, descobrimos um auto-retrato puro, emocional, que dificilmente esqueceremos.


 UM PODCAST 


Tropecei neste podcast da Mariana Bossy e do Kiko sem saber ao que ia, mas tenho-me rido imenso com a dinâmica alucinada do casal. O tom descontraído e irónico combina bem com o meu estado de espírito.


 UMA PEÇA 


Finalmente, aproveitei os saldos para investir numa das peças que mais adoro: vestidos. Este modelo é da Cortefield e sinto que poderia viver nele para sempre, porque é leve, simples e um verdadeiro charme.


Quais são os vossos favoritos do momento?

Fotografia da minha autoria



O tempo evapora-se. Esgota-se em silêncio. E de nada adianta falar da 
boca para fora, se o destino não for a mudança.


🌿


A rapidez do desinteresse assusta-me e faz-me questionar 
até que ponto o interesse existiu.


🌿


Sou, agora, tudo aquilo que sonhei para mim.


🌿


Não gosto da banalidade de palavras grandiosas, desprovidas de qualquer sentimento. 
Porque iludem e defraudam a magia que sustenta as suas entrelinhas.


«Tenho na ponta dos olhos
Pinturas do céu que há para ti
Sou poeta para quem não me ouve
Só canto os meus versos por causa de ti

[...]

Tudo o que enrugou cedo
Agarras com força para ti
Nas histórias quando tu me encantas
Só espantas os medos com o teu alecrim

Se voar fosse promessa
Eu voava sobre o teu jardim
E no passo de quem tropeça
Avó, não te apresses
Tomo conta de ti»

Fotografia da minha autoria



... Trevos!

[Há elos inexplicáveis, mas que nos confortam. E eu fui sempre fascinada por trevos. Aliás, era costume ir em passeio, atenta aos jardins, para tentar descobrir os de quatro folhas, porque simbolizam sorte. Como os mais comuns são os de três folhas, esta missão tornava-se ainda mais especial. Além disso, o meu pai tem o hábito de me oferecer um, sempre que os encontra. Portanto, este vínculo emocional aumenta. Ultimamente, tenho vários a nascer no jardim, o que me deixa bastante animada. A vida é mesmo feita de apontamentos simples].

Fotografia da minha autoria



«O cinema não tem fronteiras»


O compromisso está mais estreito. Ainda assim, a sétima arte permanece com prioridade baixa. Não só por ter maior apreço por outras manifestações artísticas, mas também por preferir ver filmes no cinema - têm outra energia. Enquanto não regresso a esse ambiente, vou arranjando espaço para que não fiquem tão esquecidos.

Portanto, a lista de filmes por ver aumenta. Contudo, há cinco que pretendo descobrir durante as férias. Se vou conseguir? Não prometo, mas vou, pelo menos, tentar. Sem mais demoras, aqui ficam as minhas escolhas.


 A TODOS OS RAPAZES: AGORA E PARA SEMPRE 



BEM BOM



LUCA



MULAN



O VÉU PINTADO



Que outros filmes recomendam?

Fotografia da minha autoria



«O que estaria disposto a fazer para salvar uma criança?»

Avisos de Conteúdo: Rapto, Violência, Manipulação, 
Doença Prolongada, Linguagem Explícita


As aparências iludem. Nem sempre, mas, por vezes, nas circunstâncias em que mais necessitamos de nos rodear de aliados. E é assim que aumentam as dúvidas, que nos mantêm em suspenso e colocam os nossos limites à prova. Tal como acontece no livro de estreia de Taylor Adams - que descobri graças a Lana Condor.

«Sempre foi fascinada pela morte, desde criança»

Sem Saída é um thriller psicológico viciante, hipnótico, que se desenrola num plano fechado e, caso não me falhe a memória, durante 12 horas, dividido por cinco capítulos centrais. Embora aparente ser um período temporal algo curto, há imensa coisa a acontecer. Aliás, existe uma série de reviravoltas e contratempos que nos inquietam e que nos fazem sentir a intensidade de cada momento, dos medos, do desespero e do ambiente claustrofóbico para o qual somos transportados. Porque o enredo é feito de camadas sombrias.

«Ouviu-se outro som, agora mais nítido.
Alguém a respirar pela boca»

A premissa é bastante clara: devido a uma tempestade, a protagonista vê-se obrigada a permanecer numa área de repouso, na companhia de quatro estranhos. Descrito assim, este cenário não seria estranho. O problema é que, num dos carros, há uma criança raptada. Automaticamente, formam-se diversas questões e Darby sente-se impelida a agir. Mas como? E, pior, com que ajuda? Porque o clima de desconfiança é gritante.

«A área de repouso de Wanapani era um barril de pólvora à beira de explodir»

Sem Saída tem uma escrita envolvente, prendendo-nos numa aura de horror. Apesar de as peças do puzzle encaixarem, somos constantemente surpreendidos e as nossas teorias ficam desfeitas. Além disso, sem qualquer contacto com o exterior, é um retrato de empatia e resiliência. Com silêncios nos tempos certos e uma estrutura narrativa que nos faz querer avançar, o final é doloroso. Mas tem uma mensagem extraordinária!

«Aquela noite fora um autêntico turbilhão de pura sorte e de surpresas de última hora»


Disponibilidade: Wook | Bertrand

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