Entre Margens

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«O verdadeiro valor do presente está na intenção»


A raposa - d' O Principezinho - afirma que «só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos. » E, por senti-lo tão bem, sei que tenho tudo o que necessito. Portanto, sou sempre muito comedida naquilo que peço e, aliás, procuro desembaraçar-me daquela que deve ser a pergunta mais feita em alturas festivas.

Compreendo o seu propósito - e também eu a profiro, em último recurso, para evitar oferecer artigos desadequados. Porém, regra geral, prefiro embarcar pelo mistério, pois acredito que é o amor que depositamos nas nossas escolhas que tem o impacto maior. Porque estamos a colocar tudo de nós naquela troca mágica.

Seria, apesar de tudo, desonesto da minha parte se dissesse que não tenho uma lista de desejos aleatórios, que gostaria de encontrar debaixo da árvore de Natal. E nela existe um pouco de todas as minhas paixões.





Relativamente aos carimbos personalizados, estava a pensar na seguinte frase: Estante Cápsula da Morais. Porque o objetivo seria marcar todos os meus livros. Além disso, continuo a manter a esperança de, um dia, ter um gira-discos e uma máquina de escrever. E tenho, ainda, mobília pensada para remodelar o meu quarto.


Quais são os vossos desejos aleatórios?

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«A esperança é serventia da casa»

Avisos de Conteúdo: Negligência, Dependência, Violência Doméstica, Abandono


A segurança do núcleo familiar deveria ser inata, até porque esses elos são a nossa fortaleza. No entanto, quando são os primeiros a falhar-nos, há algo que se quebra. E nenhuma criança deveria passar por uma angústia desta dimensão. Por isso é que livros como o da Carina Romano têm uma voz importantíssima.

«Tinha por hábito antecipar cenários desconfortáveis»

Valentina é uma história baseada em factos reais, cuja protagonista de cinco anos vive um cenário de negligência, que nos faz refletir sobre os efeitos da dependência, da violência e da falaciosa sensação de pertença. Além disso, mostra as feridas que permanecem em aberto e os comportamentos que se repetem, como se vivêssemos num círculo vicioso. Por oposição, é um relato que também nos serena, porque comprova a resiliência e o aconchego daqueles que nos levam a bom porto - ainda que andemos perdidos num labirinto.

«Sentia-me, de alguma forma, indefesa»

Sinto que algumas passagens poderiam ser mais aprofundadas, para contextualizar melhor a luta da personagem e a passagem temporal não ser tão célere. Mas, por outro lado, creio que esse pormenor não deixa de ser uma preferência minha, enquanto leitora. Porque a mensagem é muito maior e toca-nos profundamente, sobretudo, por ser quase palpável o sofrimento e a transparência de sentimentos antagónicos.

«Deixar alguém partir para longe quando desejámos 
que fique perto é profundamente doloroso»

Valentia poderia ter outro nome, visto que representa a vida de demasiadas crianças. Com o Porto como cenário de fundo, este livro coloca-nos no lugar do outro, encaminhando-nos pelos inúmeros desafios que precisa de ultrapassar. Porque é necessário sensibilizar para todas as questões abordadas nesta narrativa.

«Rompeu-se o cordão e, de alguma forma, foi o melhor para ambos»

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«Já me li em tantos livros»


O meu saco de pano preto da Bertrand exibe uma frase que me descreve por inteiro: «Tu és tão livro!». E, sim, concordo totalmente com a afirmação que a acompanha, logo de seguida, visto que acredito que «livro é tão bom que deveria ser elogio». Portanto, estou bastante disponível para acolher mais um [ou vários] no meu regaço. Na minha estante. Na minha vida, que tem muito mais encanto quando me perco numa história.

Considerando que hei-de defender sempre que os livros são viagens infinitas, a minha lista de desejos nunca parará de aumentar. E se, antes, como mencionei aqui, perdia horas a rodear brinquedos no catálogo da Toys R Us, hoje, divido-me pelos inúmeros exemplares - das prateleiras virtuais - das livrarias, à procura de títulos que sustentem esta caminhada literária. Dentro das minhas infinitas possibilidades, selecionei as prioritárias.


 LISTA DE DESEJOS LITERÁRIOS '21 











Nesta lista, também poderiam figurar as novas edições dos livros de Miguel Esteves Cardoso, com particular destaque para As 100 Melhores Crónicas e para As Melhores Crónicas de Amor. No entanto, preferi focar-me em obras que ainda não tive a oportunidade de explorar e que me despertam imensa curiosidade.


Que livros guardam na vossa lista de desejos?

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«A vida é feita de momentos colecionáveis»


Novembro trouxe uma energia muito bonita, logo nos primeiros dias, levando-me para perto do que me aconchega. Depois, foi passando sereno, quase despercebido, numa calma que equilibra. Entre leituras, aniversários e preparativos para a época mágica que se avizinha, o penúltimo mês do ano revestiu-se de amor.


⚓ MOMENTOS
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Uma parte das minhas pessoas favoritas faz anos em novembro - afilhado, comadre, gémea -, por isso, é sempre bom celebrá-las! Merecem o mundo e, no que depender de mim, estarei cá para o proporcionar.


Vem Cantar Comigo no Sá da Bandeira
A sensação de estar numa sala de espetáculo, para assistir a um concerto de alguém que admiramos, é sempre indescritível. Porque há um vínculo emocional que nos desarma. E não importa se já tivemos a oportunidade de o ver ao vivo antes, visto que nunca é igual. Aliás, melhora a cada nova presença, porque a maturidade e o compromisso são mais profundos. Portanto, regressei ao Teatro Sá da Bandeira para escutar aquele que é, para mim, um dos nomes maiores do panorama musical português: o inigualável Diogo Piçarra.


Terapia de Casal: A Tour do Livro
Houve cosplay de Fernando Mendes, revelações desarmantes e muita discórdia. Tirando a blasfémia da francesinha com arroz, foi mesmo um evento memorável. E fico-lhes grata por nos presentearem com uma energia tão cómica. Caso não seja pedir muito, regressem mais vezes, porque é um gosto ter-vos em palco.


Sem estar à espera [até porque nada o fazia prever], recebi o mais recente livro da Margarida Rebelo Pinto - A Lenda do Belo Soldado -, gentilmente enviado pelo Clube do Autor - a quem fiquei muito grata pelo gesto.


Visto que há aspetos que não gosto de deixar para a última, aproveitei para tratar das prendas de Natal. Já só me faltam duas [as mais complexas], mas todas as outras já se encontram com um visto à frente.


📚 LEITURAS
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A Espera de Fernanda, Maria Cláudia Rodrigues
Alma Lusitana || Braga

O Sol é Cego, Curzio Malaparte
Uma Dúzia de Livros 2021 || Novembro


Outras Leituras do Mês
Só Tinha Saudades de Contar Uma História [Joel Neto], A Trança de Inês [Rosa Lobato Faria], 
Terapia de Casal [Rita da Nova & Guilherme Fonseca], Heartstopper Volume 3 [Alice Oseman], 
O Livro do Ano [Afonso Cruz], As Doenças do Brasil [Valter Hugo Mãe], Notas Sobre o Luto 
[Chimamanda Ngozi Adichie] e O Labirinto dos Espíritos [Carlos Ruiz Zafón]



📺 FILMES & SÉRIES
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A segunda temporada de Auga Seca [uma produção portuguesa e espanhola] começou, este mês, e tem-me conquistado. Creio que está mais intensa que a primeira, até pela forma como tudo aparenta ser evidente e, ainda assim, carecerem as provas. Além disso, tem sido interessante acompanhar a falta de escrúpulos.



✏ PUBLICAÇÕES
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Boa Sorte no Auditório CCOP
Lá fora a chuva caí[a]. Porém, sem querer dar motivo ao caos, abri o guarda-chuva até ao Auditório CCOP [Círculo Católico dos Operários do Porto], para ouvir o João Couto e o seu Boa Sorte - o álbum que mais tocou, em outubro, cá por casa. Porque há laços que nos unem, quando os artistas partilham a sua verdade em letras desarmantes - e que sentimos como se nos saíssem do peito. Assim, da terceira fila de uma sala onde nunca tinha estado e que nos acolheu com tanta familiaridade, assisti a um dos momentos musicais mais bonitos.


Calendário de Natal da Make-A-Wish
A Make-A-Wish tem uma missão clara: «realizar sonhos de crianças e jovens, entre os três e os 11 anos, em todo o território nacional, que sofrem de doenças graves, progressivas, degenerativas ou malignas, proporcionando-lhes um momento de força, alegria e esperança». Em parceria com a Flying Tiger Copenhagen, criaram mais uma alternativa para o conseguirmos, enquanto sociedade que se preocupa.


Caixa Mágica || Doce
A quantidade de vezes que cantarolei Amanhã de Manhã, Bem Bom ou Ok Ko é inacreditável, mas fruto das letras irreverentes e inesquecíveis. Numa fase prematura do meu crescimento - e conhecimento musical -, não tinha capacidade para compreender as possíveis camadas daqueles versos. Porém, tornaram-se recorrentes no meu reportório. Porque, preferências à parte, as Doce souberam apostar na longevidade, mesmo que tenham passado por várias formações. Portanto, conhecer a sua história só se poderia revelar interessante.




🍴 À MESA
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Recentemente, experimentei um chocolate que fez as delícias cá de casa: o Mousse Negro, disponível na Mercadona. Desapareceu num sopro [até me esqueci de fotografar a embalagem], mas fica a recomendação.



📌 ENTRE LINHAS
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O chá é a minha bebida de eleição, como faço questão de reforçar algumas vezes. Por isso, andava à procura de um bule que acompanhasse esta preferência. Na minha última visita à Flying Tiger, perdi-me de encantos por este amarelo e, desde então, utilizo-o quase todos os dias. Tem o tamanho ideal! Estou mesmo satisfeita.


Instax Mini 11
Aconteceu. Comprei, finalmente, a Instax mini. Era um investimento que pretendia fazer há algum tempo, até porque sou apaixonada por este género de fotografias. Além disso, com a possibilidade de armazenar as fotografias no computador, ficando sempre à distância de um clique, perdi o hábito encantador de as revelar e sentia falta de eternizar certos momentos num formato físico. Aproveitando a campanha de promoção da Worten, apostei neste kit. Adorava que tivessem a roxa disponível neste formato, mas trouxe a bela Sky Blue.



📌 JUKEBOX
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A Surpresa: Fall in Love at Christmas [Mariah Carey, Khalid & Kirk Franklin]
Melhor Duo: Niteflix [Atalaia Airlines & Mike El Nite]
A Diferentona: O Jogo [LAIA]
A Favorita: Chama Por Mim [Miguel Araújo]
Artista Revelação: Alda


Álbuns: Voyage [ABBA], Ao Deus Dará [Rossana], Ilha Digital [Cavalheiro], No Meu Canto [Elisa], Tozé Brito (de) Novo [Vários Artistas], 30 [Adele], Badiu [Dino d'Santiago], Marôco [Miguel Marôco]



🎥 VÍDEOS & PODCASTS
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✨ GRATIDÃO
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«Viverei o resto da vida de mãos esticadas»

A esperança de um amanhã seguro é, por vezes, mínima. Porque parece impossível regressarmos ao que conhecíamos, sem medos. No entanto, este mês trouxe-me mais paz nesse sentido, o que corrobora o quanto a cultura é preciosa para a nossa existência e para a forma como encaramos as adversidades do caminho.


Como foi o vosso mês?

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Tema 33: Banana + Óculos + Bicicleta


Imploro por um futuro menos turvo
Algures entre o sonho e a verdade
De quem pedala estrada fora
A velocidade de bicicleta enferrujada
Procurando adiar a colisão

Mas em constante movimento
Escorregamos em conversas vãs
Como se fossem casca de banana ao relento

E eu vou vendo o mundo desfocado
Para lá da lente destes óculos
De haste partida e coração quebrado

Mas é menos que uma lágrima
E ainda assim tudo pesa
E eu volto a escolher a súplica
Por mais uma tentativa
De [su]focar a solidão

«Contigo estou noutro mundo
O tempo passa tão depressa
É como um puzzle
Tudo encaixa peça a peça
Mesmo com roupa
A gente encaixa na conversa

[...]

Por isso, quando vieres
Vem para ficar

[...]

Quando estou contigo, a conversa parece fluir
Seguimos sem rumo e tudo parece magia
Quando estamos juntos, choramos ou fazemos rir
Quero-te no trono e viver na tua monarquia
Porque tudo o que é bom acaba depressa
E nós já demos sinais para não irmos com pressa
Deixamos para depois tudo o que não interessa
E ficamos os dois dentro do nosso planeta»

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... Dificuldade em dizer não!

[O tempo dispensado a pronunciar a palavra sim é exatamente igual ao que se demora a dizer não. E, ainda assim, a segunda exige-nos um esforço hercúleo. Talvez por não querermos desiludir os nossos. Talvez por receio de estarmos a ser rudes. Talvez... As justificações são infinitas e eu tenho plena noção que sofro deste mal. Mas a verdade é que é fundamental sabermos dizer não, porque necessitamos de proteger a nossa sanidade emocional. Ao estarmos sempre disponíveis, nesses «sins» intermináveis, acabamos por não respeitar os nossos limites - e isso nunca será benéfico. Estarmos predispostos a ajudar não implica esquecermo-nos de nós. Por isso, procuro trabalhar nesta questão com regularidade. E sem sentir culpa].

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«Resume o estilo de vida que o autor procura transmitir»

Avisos de Conteúdo: Problemas matrimoniais, violência


A iniciativa Livraria Às Cegas, da Reli [Rede de Livrarias Independentes], tem-me proporcionado experiências de leitura surpreendentes, até porque me permitem sair da minha zona de conforto e explorar títulos - e autores - que dificilmente priorizaria. Assim, graças à Centésima Página, fiquei a conhecer Rabindranath Tagore.

«(...) mas o coração dizia-me que a dedicação nunca se atravessa no caminho 
da igualdade; apenas torna mais elevado o nível do ponto de encontro»

A Casa e o Mundo apresenta um tom bastante intimista, com um retrato psicológico profundo e uma abordagem que pretende propor uma alternativa à realidade violenta do século XX. Além disso, foca-se na emancipação de Bengala e no papel da mulher. Através de uma narrativa alternada e desenvolvida a três vozes, é percetível o processo de desconstrução humana, fazendo-nos viajar até à essência dos seus valores.

«O nosso amor só será autêntico, verdadeiro, se nos 
encontrarmos e reconhecermos no mundo real»

É, ainda, notório o peso que a sociedade tem nas decisões individuais e o quanto a pátria e as ideologias dicotómicas dividem e rotulam as personagens. Porque esse eco perpetua-se indefinidamente. Abordando, em simultâneo, problemas matrimoniais, a liberdade e a fé, esta obra guarda um mundo novo nas entrelinhas.

«O homem é infinitamente mais do que a ciência natural de si próprio»

A Casa e o Mundo é um romance representativo. Espelhando o estilo que o autor procurou tornar transversal à sua identidade literária - «respeito profundo pela vida, amor pela natureza e religiosidade panteísta» -, mostra-nos que a nossa caminhada tem sempre duas perspetivas que se complementam: a de fora [que, por ser do mundo, nos embala noutros desafios] e a de dentro [que, por ser o nosso lar, nos ampara].

«(...) a presença de outra pessoa não a impede de estar só»

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«É tão doce ouvir»


A quantidade de vezes que cantarolei Amanhã de Manhã, Bem Bom ou Ok Ko é inacreditável, mas fruto das letras irreverentes e inesquecíveis. Numa fase prematura do meu crescimento - e conhecimento musical -, não tinha capacidade para compreender as possíveis camadas daqueles versos. Porém, tornaram-se recorrentes no meu reportório. Porque, preferências à parte, as Doce souberam apostar na longevidade, mesmo que tenham passado por várias formações. Portanto, conhecer a sua história só se poderia revelar interessante.

O primeiro passo foi a longa-metragem, nos cinemas. Posteriormente, a RTP voltou a apostar numa série de ficção, concentrando-se na maior banda feminina portuguesa. Baseada em factos reais e com uma interpretação artística de alguns deles, ficamos a conhecer o caminho menos glamoroso da fama e do percurso que Fátima Padinha, Teresa Miguel, Laura Diogo e Lena Coelho foram traçando, numa sociedade marcada por «40 anos de ditadura e pelo preconceito». Num tempo em que a voz da mulher era diminuída, fizeram valer os seus ideais, quebrando várias barreiras, até porque não chegaram para desistir ao primeiro contratempo.

O filme - Bem Bom - permanece em lista de espera, mas a série devorei-a. Porque é emocional, divertida e viciante. Não só pela componente musical, mas também pela abordagem pessoal e individualizada de cada elemento. Embora a história nos seja contada «pelo olhar das quatro protagonistas», o argumento fica enriquecido «pelo círculo de pessoas que lhes são mais próximas», pelas contrariedades, pelos [des]amores, pela relação com a editora e pela própria dinâmica entre as cantoras - por vezes, tão exigente e intensa. E, claro, pela maneira como foram sobrevivendo às sentenças conservadoras que as impediam de progredir.

Senti-me a viver cada episódio com o coração perto da boca e com uma revolta constante a inquietar-me o peito, atendendo a que foram alvo de um sexismo gritante, de descrença, de assédio, de notícias falsas e de um escrutínio público quase sufocante. E é impressionante como estes assuntos continuam atuais e a assumirem proporções nefastas, em pleno século XXI. Assim, percebe-se que existe uma ponte entre o passado e o presente, que nos consciencializa para as dificuldades de singrar num meio artístico tão fechado.

As Doce ousaram, abdicaram de uma série de questões em prol da carreira e vieram revolucionar o panorama da música nacional, suavizando a rota de gerações futuras. Espelhando a intolerância, a mensagem é dura, mas igualmente necessária e fascinante, porque contactamos com três fases centrais: a criação, o sucesso e o término do grupo. Além disso, somos confrontados pela condição da mulher, no início da década de 80.

Acompanhar esta série foi uma montanha russa de emoções. Mas todas fundamentais, visto que nos levam a refletir sobre o que é exposto e o que fica guardado atrás das cortinas, longe dos holofotes do palco. Ao longo de sete episódios, salientam-se as lutas internas e externas, as perdas, as conquistas, os dramas, os medos e a força de cada uma das Doce. Com muito humor à mistura, é um formato que inspira. E que transborda de empoderamento feminino. A banda mais icónica deste jardim à beira-mar plantado fez mesmo história.

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«É uma duríssima radiografia do nosso tempo e da nossa cultura»

Avisos de Conteúdo: Linguagem Explícita, Assédio, Suicídio


A cultura é uma peça fundamental na sociedade, porque nos instruí e nos torna mais conscientes das ramificações que certas situações podem assumir. Portanto, sendo um reflexo da realidade que nos envolve, tem sofrido várias metamorfoses, quer na maneira como se diversifica, quer na forma como a acolhemos. Mas será que enfrenta uma crise de valores? É sobre isso que Mario Vargas Llosa tenta dissecar nesta radiografia.

«(...) uma sociedade liberal e democrática tinha a obrigação moral de pôr 
a cultura ao alcance de todos, através da educação, mas também da promoção e 
da subvenção das artes, das letras e restantes manifestações culturais»

A Civilização do Espetáculo concentra-se em vários pontos fulcrais do meio artístico, levando-nos a refletir sobre uma mudança de paradigmas. Embora acredite que, pela sua versatilidade, possa ter um cunho de entretenimento, sem que se torne banal por esse motivo, não deixa de ser interessante que, de repente, o marketing aparente pesar mais do que a qualidade inerente à produção - literária, musical, cinematográfica. Porque isso faz-nos questionar, constantemente, o que é mais importante: o lucro ou a identidade do projeto?

«Agora somos todos cultos de alguma maneira»

O olhar crítico do autor transporta-nos para discussões pertinentes, até porque há abordagens com as quais podemos ou não discordar. Mas se existe um pensamento que subscrevo na totalidade é que a cultura nunca poderá ser restrita a uma elite, esse não pode ser o seu propósito. No entanto, estava à espera que esta obra fosse mais impactante. As pontes estão cá todas, porém, acredito que o conteúdo deveria ser mais visceral.

«A cultura pode ser experimentação e reflexão, pensamento e sonho, paixão e poesia e 
uma revisão crítica constante e profunda de todas as certezas, convicções, teorias e crenças»


Disponibilidade: Wook | Bertrand

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥

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«São estrelas como estas que fazem os sonhos brilhar»


A capacidade de cuidar do outro não depende, na maior parte das situações, de intervenções megalómanas, porque são os gestos mais simples que fazem toda a diferença. Sobretudo, quando têm como principal objetivo contribuir para a concretização de desejos. E é ainda melhor quando há organizações que os perpetuam.

A Make-A-Wish tem uma missão clara: «realizar sonhos de crianças e jovens, entre os três e os 11 anos, em todo o território nacional, que sofrem de doenças graves, progressivas, degenerativas ou malignas, proporcionando-lhes um momento de força, alegria e esperança». Em parceria com a Flying Tiger Copenhagen, criaram mais uma alternativa para o conseguirmos, enquanto sociedade que se preocupa.

O Calendário de Natal da Make-A-Wish inclui 24 desafios e o mesmo número de autocolantes, de modo a colorirmos a nossa árvore e, assim, revivermos esta quadra natalícia com outra magia. Além disso, não só nos focamos no que é essencial, como podemos inspirar terceiros a abraçar a mesma abordagem, até porque as etapas são acessíveis, mas a transbordar de significado. E estamos, ainda, «a promover um ponto de viragem na vida de crianças e jovens» que têm de enfrentar situações complicadas, acalentando a sua confiança.

Este artigo pode ser adquirido nas lojas Tiger e o seu valor [4€] reverte, na totalidade, para a Make-A-Wish Portugal. Desta maneira, somos capazes de construir pontes para que os sonhos não conheçam limites.

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