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| Fotografia da minha autoria |
Gostei, particularmente, das ilustrações: a preto, semi esbatidas, que nos transportam não só para a noção de terem sido períodos conturbados, pouco lineares, mas também para a certeza de terem sido transversais a vários elementos da população. Portanto, é quase indiferente que se distinga um rosto ou um lugar em concreto, porque a narrativa foi semelhante a muitos outros. Saber isto também nos faz refletir sobre o sentido de comunidade e sobre a força de um coletivo unido pela mudança.
Neste livro, abordam-se várias questões, algumas nem sempre exploradas a fundo (o que compreendo, até pelo facto de ser uma novela gráfica), mas é impossível ignorar o cenário geral. Entre a lista de temas que mais me impactaram, encontro, sem qualquer dúvida, a mortalidade infantil e a saúde materna, porque são exemplos gritantes da precariedade do nosso país. Por outro lado, a segregação e as gestões familiares que ficam comprometidas por um suposto bem maior são um espelho das narrativas que se construíam para ludibriar, são um espelho do medo que era usado como gatilho.
«Numa revolução que traz grandes mudanças, alteram-se também os pilares sobre os quais assentam a sociedade e as instituições»
Queria ter encontrado um livro mais vívido emocionalmente, porque sinto que algumas partes ficaram apenas pela apresentação de tópicos, no entanto, acho que há mensagens que ficam claras, tais como a vontade de viver em cooperação e não em concorrência, a sensação de existir sempre uma alternativa e a certeza de ser possível mudar a vida do país se nos formos transformando individualmente. Em simultâneo, é notório que nada é garantido e que há crises profundas que podem comprometer a emancipação. Não sei para onde vamos, mas continuo a acreditar que, por maiores que sejam as encruzilhadas que nos esperam, é possível não vivermos numa utopia.






