ajudar a cair, djaimilia pereira de almeida
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Fotografia da minha autoria |
Gatilhos: Morte
As leituras de março têm sido muito distintas, mas acho curioso que duas delas se interliguem num aspeto. Em Uma Vida Assim-Assim, da Cláudia Araújo Teixeira, fui a um Bairro Social do Porto. Neste livro da Djaimilia Pereira de Almeida, fui ao Bairro Residencial de Nova Oeiras, onde se encontra uma instituição particular.
composição sobre vizinhança
Ajudar a Cair é um livro de ensaios, da coleção Retratos da Fundação, sobre vizinhanças. Assim, durante o verão de 2016, a autora acompanhou os residentes do Centro Nuno Belmar da Costa, que pertence à Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa. E conversou com os residentes, as monitoras e antigos funcionários.
Houve várias questões a moldar a narrativa - «o que implica ser vizinho de alguém?», «conheceremos pelo nome as pessoas de quem tomamos conta?», «como nos modificam aqueles que não nos lembramos de termos deixado entrar na nossa vida?» - e acredito que o objetivo seja refletir sobre elas e não chegar a uma resposta fechada, até porque as visões são plurais e podem coexistir em harmonia. Mas, por outro lado, creio que a principal mensagem é a importância do cuidado e do papel do cuidador - mesmo que, no fim, os nomes sejam turvos. Em algum momento, houve uma mudança que trouxe mais conforto aos dois lados da história e é isso que prevalece.
«Eu também os vejo sempre sem palavras, não é preciso palavras, há qualquer coisa que as pessoas transmitem sem ser preciso palavras»
Numa entrevista concedida ao Comunidade, Cultura e Arte, há uns anos, Djaimilia Pereira de Almeida afirmou que se interessa muito pela doença e pela maneira como ela condiciona o destino e a ação humana, como modifica as relações entre as pessoas e, inclusive, como transforma os vínculos de intimidade e a nossa autoimagem. E acho que isso fica muito claro neste livro e na delicadeza com que retrata os testemunhos de todos os envolvidos. Trazendo para o centro da discussão a Paralisia Cerebral, alarga-nos horizontes e, sobretudo, incentiva-nos a observar mesmo o outro: com empatia, com respeito, como igual, dentro de todas as diferenças que existam.
Ajudar a Cair, pela natureza dos relatos, pode tornar-se um pouco confuso, por vezes desorganizado na cadência, mas não deixa de ser feito de histórias fascinantes.
🎧 Música para acompanhar: Tudo o Que Eu Te Dou, Pedro Abrunhosa
📖 Outros livros lidos: Luanda, Lisboa, Paraíso | Esse Cabelo | Maremoto | Ferry | Toda a Ferida é Uma Beleza
Fiquei com muita vontade de ler e conhecer o trabalho da autora.
ResponderEliminarVou guardar a sugestão.
Beijinho grande, minha querida!
Aconselho muito, minha querida. É uma autora fabulosa
EliminarFiquei curiosa. Adoro os livros da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
ResponderEliminarFocam-se em temas mesmo interessantes! Por acaso, quero apostar em mais livros da Fundação
EliminarMais uma partilha que me deixou muito curiosa... e a musica que escolheste faz parte duma fase muito importante da minha vida *.*
ResponderEliminarJa viste o preço do ebook? Está mesmo de aproveitar!!!
EliminarAcho que ias gostar de ler 😊
EliminarGosto muito deste tema
Por norma, os livros da Fundação têm preços mesmo irresistíveis. Em eBook nem se fala 🫰🏻
EliminarMais um que não conhecia. 😊
ResponderEliminarNão me arrebatou, mas tem partes interessantes
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