Entre Margens



Janeiro e os seus trezentos e sessenta e cinco dias tem espaço para tudo, até para ir acrescentando novas leituras ao plano inicial. Embora procure ler sem pressas, para desfrutar ao máximo de cada enredo, estou bem é entre histórias, portanto, todas as oportunidades são boas para avançar mais um capítulo.

Este mês começou com poesia (algo que gostava que passasse a ser uma espécie de tradição literária mensal) e terminou com um verbo que entrou para a lista dos meus favoritos.


 a tbr de janeiro

  • Na Terra dos Outros, Manuel Abrantes (alma lusitana);
  • Recomeçar, María Dueñas (3 autoras para 2026);
  • As Margens e a Escrita, Elena Ferrante (marginália);
  • Tira o Disco e Toca ao Vivo, João Gobern;
  • Paradaise, Fernanda Melchor;
  • Uma Falha nos Dentes, João Gesta;
  • Fósforos e Metal Sobre Imitação de Ser Humano, Filipa Leal (12 meses, 12 livros de poesia).

 o que li em janeiro

Para além da tbr definida, li:
  • Natureza Urbana, Joana Bértholo;
  • Outonecer, Júlio Machado Vaz.


 algumas curiosidades

Em janeiro, li
  • 9 livros: 2 de poesia, 3 romances, 1 conto e 3 de não ficção;
  • 5 autoras e 4 autores: 6 portugueses, uma espanhola, uma italiana e uma mexicana;
  • 4 autores pela primeira vez: João Gesta, Manuel Abrantes, João Gobern e Fernanda Melchor.
  • Fósforos e Metal Sobre Imitação de Ser Humano, da Filipa Leal, pela segunda vez.

Favoritos do mês
  • Recomeçar, María Dueñas;
  • Natureza Urbana, Joana Bértholo;
  • Outonecer, Júlio Machado Vaz.


 vamos a contas?

Janeiro chegou com um objetivo muito claro quanto a compras literárias e uma nova estratégia para o mealheiro da Feira do Livro do Porto. Se o primeiro ponto correu sem percalços, o segundo precisou de um reajuste, mas nada que tenha comprometido o orçamento geral.

  • Não comprei livros físicos;
  • Ativei a subscrição do Kobo Plus, que me custou 7,99€. Li 3 eBooks, poupando 27,21€;
  • Comecei janeiro com 41€ na Apparte. Uma vez que li 9 livros e a maior parte deles encaixa em mais do que uma das categorias que defini, amealhei 21€. Transito para fevereiro com 62€.


 banda sonora

  • Uma Falha nos Dentes, João Gesta: Coimbra B e Desvio na Mealhada, Nunca Mates o Mandarim;
  • Fósforos e Metal Sobre Imitação de Ser Humano, Filipa Leal: Dance Me To The End Of Love, Leonard Cohen | Little Girl Blue, Janis Joplin;
  • Recomeçar, María Dueñas: Pa’ Todo El Año, José Alfredo Jimenez | Postdata, Joaquín Sabina;
  • Natureza Urbana, Joana Bértholo: Casa no Campo, Capicua & Mistah Isaac | A Vida é Hoje, A garota não | Devagar, Ornatos Violeta;
  • Na Terra dos Outros, Manuel Abrantes: A Terra Gira, Os Quatro e Meia | Pela Minha Voz, Carminho;
  • As Margens e a Escrita, Elena Ferrante: sLo-Fi, Slow J (álbum);
  • Tira do Disco e Toca ao Vivo, João Gobern: Impressões Digitais, GNR | Rio-me de Janeiro, JP Simões | Há-de Passar, Deolinda;
  • Paradaise, Fernanda Melchor: Rester, Petite Amie | Mejor Mentir, Salvatore Vitale;
  • Outonecer, Júlio Machado Vaz: Eu Vim de Longe, José Mário Branco | Walk On The Wild Side, Lou Reed | Penny Lane, The Beatles.


 a tbr de fevereiro
  • Exposição. Poemas e Posímetros, Daniel Scott (alma lusitana e 12 meses, 12 livros de poesia);
  • Danificada, M. L. Vieira (alma lusitana - leitura extra);
  • Inventário de Sonhos, Chimamanda Ngozi Adichie (3 autoras para 2026);
  • O Sono dos Portugueses, Sofia Gomes (ler ffms);
  • Malorie, Josh Malerman.



O compromisso de reservar publicações individuais para os livros sobre os quais tenho mais a dizer manter-se-á, em 2026, mas admito que não me estava a apetecer continuar com o nome «reviews relâmpago». Uma vez que pretendo fazer este conteúdo mensalmente, tenho liberdade para me estender um pouco mais na minha opinião (apenas não terão publicações isoladas), o que não me parecia bem alinhado com o conceito de reviews rápidas. Assim, recuperei o termo entrelinhas, que, aliás, foi o primeiro nome da minha rubrica literária.

Todas as obras portuguesas que incluir neste formato, como terão uma versão longa na Portugalid[Arte], serão acompanhadas pelo link para o respetivo número da newsletter, caso tenham interesse em ler.


entrelinhas de janeiro


Uma Falha nos Dentes, João Gesta

A Feira do Livro do Porto tem figuras incontornáveis, nomes que citamos de cor, uma vez que os reconhecemos como parte essencial da sua história, como é o caso de João Gesta, o coordenador da programação do evento. Habituada a vê-lo pela Avenida das Tílias e pela Biblioteca Municipal Almeida Garrett, senti que tinha chegado a ocasião de descobrir a sua voz poética, lendo o volume que integra a coleção elogio da sombra.

Uma Falha nos Dentes é um nome que nos transporta logo para um espaço vazio, para algo que parece estar em falta e que pode (ou necessita de) ser preenchido, quem sabe, substituído. Com textos escritos entre 1993 e 2018, e integrando alguns inéditos, não deixa de ser curioso que esta brecha seja já um convite para abraçarmos a imperfeição.

A partir do erro, ironiza, provoca, rima, satiriza, entrelaça imagens improváveis, usa trocadilhos, escreve sobre sensualidade e sexualidade sem filtros, sem temer qualquer noção do ridículo, porque está confortável na sua pele. A obra, sem estar certa disto, não me parece autobiográfica, mas creio que beba de várias experiências vividas na primeira pessoa — ou vistas na primeira pessoa — e isso torna a leitura um pouco mais íntima, visceral, até na maneira como nos arranca gargalhadas. Honestamente, acho que nunca me tinha rido tanto a ler poesia e isso, admito, tornou-se refrescante.

↠ Opinião completa: Portugalid[Arte] #127



Natureza Urbana, Joana Bértholo

Natureza Urbana apresenta-nos uma mulher cujo nome nunca chegamos a conhecer e a sua intenção de responder à pergunta «como foi que vim aqui parar?». Visto que não é capaz de contar a história de uma forma breve — palavras da narradora —, leva-nos a percorrer os seus passos, a redescobrir partes de uma vida atribulada, das dificuldades que se entranharam em cada poro da sua existência e da relação oscilante com a mãe.

É um conto que se lê num sopro, embora tenha preferido demorar-me um pouco mais nele, embalada pela necessidade que a protagonista tinha de «caminhar devagar», mas que, acredito, ressoará por dentro: primeiro, pelas mudanças recentes e, segundo, pelo tom triste que explica e justifica essa vontade de caminhar devagar, e que acaba a abrir a porta para um conjunto de acontecimentos inquietantes. Se, por um lado, parece que esta mulher abraça uma espécie de libertação, contactando com um mundo que lhe foi vedado, por outro, ecoa a sensação de serem inquebráveis as amarras que a revestem.

↠ Opinião completa: Portugalid[Arte] #128



Na Terra dos Outros, Manuel Abrantes

O título foi um dos cenários onde mais me demorei, porque acredito que acaba por ser um espelho dessa incompatibilidade entre vontade e concretização, entre o propósito com que partimos e a realidade que habitamos. Através da personagem principal, fica claro que há ali um espaço que nunca é bem seu, como se fosse figurante ou, pior, um rosto invisível numa história que sempre destacou mais a necessidade de terceiros. A função principal de Carmo era servir e, por consequência, anular-se ao máximo para que a sua presença não atrapalhasse e isso abre janelas para vários tipos de reflexões.

Na Terra dos Outros explora desigualdades, ausências, subserviência, competição e dor, mas também nos faz navegar por um lado diferente, pelo lado de quem cuida, de quem descobre o mundo com uma dose modesta de espanto (mesmo que a principal razão se prenda com a praticidade) e muda toda a sua trajetória por mais uma oportunidade, já que a história não terminou. É um livro sobre conflitos (internos e externos), relações sociais e emancipação, tudo condensado na figura de Maria do Carmo, que se colou à minha pele. Confesso, porém, que gostava de ter encontrado uma coesão maior entre as diferentes partes, porque acusei algumas transições céleres e perguntas pendentes.

↠ Opinião completa: Portugalid[Arte] #129



Paradaise, Fernanda Melchor

Os elogios rasgados à escrita de Fernanda Melchor não me passaram despercebidos e, por esse motivo, decidi que seria a minha requisição de janeiro na BiblioLED. Invertendo um pouco a ordem, fui primeiro descobrir a sua segunda obra.

Paradaise acompanha Polo, «um adolescente nascido no meio da pobreza e da violência», obrigado «a servir os ricos e a ser explorado pelo seu odioso patrão». Enquanto jardineiro num condomínio de luxo, o protagonista é a ponte entre esse ambiente sumptuoso e a «localidade mexicana de Progreso, onde vive» e de onde almeja sair, por acreditar que merece uma vida melhor. E é, precisamente, a trabalhar no Paradise que conhece Franco, descrito como alguém obeso, solitário, filho de um advogado influente e viciado em pornografia. Através desta amizade de circunstância, há muitos limites a serem transpostos.

De facto, fiquei rendida à escrita da autora, à narração que nos deixa quase em apneia e a toda a tensão que resulta da revolta, do querer ser livre e, até, da solidão. Ainda assim, como parece que tudo acontece demasiado rápido, faltou-me espaço para parar e ser impactada por esta história que tem tanto de intrigante como de horrível. Paradaise é extremamente duro, porque nos mostra que a pobreza não é apenas material e que a de espírito pode levar-nos a alinhar em planos macabros, pelo pretexto de se «obter, sem olhar a meios, o que julgam[os] merecer».

Num retrato que expõe a banalidade da violência e a complexidade do mal, bem como disparidades sociais e económicas, também achei interessante perceber como é que a história das personagens se funde com a dos lugares. Se tiverem este livro na vossa lista, mas forem mais sensíveis a linguagem bastante gráfica e explícita, vão com cuidado.

Fotografia da minha autoria



O nome que desencadeou a mais recente edição do desafio literário que tenho com a minha amiga Sofia — 3 autoras para 2026 —, foi María Dueñas. Por um lado, sinto que não podíamos ter começado melhor e, por outro, na mesma proporção, acredito que se tornará uma autora de referência, de quem quererei ler tudo.


 um misto de leveza e coração ferido

Recomeçar narra a história de Blanca, professora universitária «com uma carreia consolidada» e mãe de dois filhos jovens. O seu casamento terminou com feridas expostas, o que a motiva a deixar para trás a vida que conhece e a trilhar um novo caminho. É assim que se muda para Santa Cecília, na Califórnia, «com a missão de organizar o espólio deixado por Andrés Fontana», um professor espanhol expatriado e esquecido, e que se começam a entrelaçar três vidas.

Cuidarmos da nossa paz parece sempre um capricho, dito desta forma, mas é imprescindível. E se isso implica fazer as malas e ir para longe, então, que seja. Naturalmente, essa decisão não deixa de albergar medos e dúvida, e a protagonista demonstrou-o sem grandes filtros, contudo, achei inspirador o seu lado pragmático, a visão assertiva em relação àquilo que precisava para não sucumbir. Para quem está de fora, talvez seja fácil afirmar que Blanca simplesmente fugiu, mas acredito mais que, no meio do desgosto, preferiu escolher-se e colar os estilhaços. Este amor próprio, que já tinha sentido n' O Tempo Entre Costuras, foi um dos aspetos que mais me fascinou, porque acho que se afasta de descrições unidimensionais, padronizados, como se apenas existisse uma forma de lidar com estes tipos de luto.

Não sei explicar, mas há uma calma na escrita da autora que me seduz, ainda que borde enredos intensos, com vulnerabilidade e corações feridos. E isso, se calhar, explica o facto de não sentir urgência em regressar ao livro, mas de querer ficar sempre mais um pouco assim que retomava a leitura. A construção da história é lenta, até porque se divide em narrativas paralelas, convidando-nos a descobri-la sem pressas, convidando-nos a prestar atenção a todos os detalhes, ao modo como se estreitam relações, como se unem pontas soltas, como se preenchem espaços vazios. Perante três vidas tão distintas, estava muito curiosa para perceber como é que se cruzariam e encaixariam com sentido.

«Pela primeira vez na vida, tive consciência de como é frágil aquilo que julgamos permanente, a facilidade com que o estável abre fendas e as realidades se podem volatizar com um sopro de ar que entra pela janela»

Em conversa com a Sofia, não pude deixar de concordar que este livro é capaz de nos transportar para outras obras, porque também fui reconhecendo a mesma energia, o mesmo ambiente, certas características nas personagens: Silêncio no Coração dos Pássaros, da Lénia Rufino, por causa do contexto das protagonistas (duas mulheres divorciadas a tentar refazer a sua vida), A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, por causa do mistério em torno de Fontana, e Stoner, de John Williams, por causa do ambiente académico — aliás, um dos apontamentos que fiz no meu BuJo foi, e passo a citar, que não acharia estranho se o Stoner aparecesse em algum momento da história. E só porque já tinha saudades desta energia académica, ainda que em nada se assemelhem no conteúdo, quase senti A História Secreta, de Donna Tartt, a espreitar. Estes livros divergem em muitos aspetos, mas gosto quando uma leitura nos proporciona estas pontes, por mais subtis que sejam.

Um dos aspetos fortes, para mim, prende-se com a capacidade da autora para manter as três narrativas equilibradas. Em nenhum momento passou a sensação de estar apenas a preencher páginas, antes pelo contrário, fica claro que a individualidade de cada uma delas se abrilhante à medida que compreendemos as suas ligações. Além disso, gostei da maneira como introduziu a componente histórica dos lugares, aproximando-nos de realidades que não temos tão presentes, como se nos movêssemos por territórios inacessíveis e familiares, em simultâneo. 

Recomeçar constrói-se num misto de serenidade e inquietação, sobretudo na reta final. Ao permitir-nos, ainda, refletir sobre luto, esquecimento e diferentes tipos de traição e perdão, mostra-nos que as segundas oportunidades podem surgir de várias formas, para várias pessoas, porque nunca é tarde para reconstruirmos o nosso caminho, iluminando as sombras do passado, e descobrirmos onde pertencemos.


 notas literárias
  • Desafio: 3 autoras para 2026
  • Lido entre: 3 e 10 de janeiro
  • Formato de leitura: Físico
  • Género: Romance
  • Banda sonora: Pa’ Todo El Año, José Alfredo Jimenez | Postdata, Joaquín Sabina

Fotografia da minha autoria



O livro de Jeferson Tenório foi-me aparecendo um pouco por todo o lado, mas havia sempre algo a adiar este encontro, quase como se fosse um sinal de que ainda não era o momento de o ler. Felizmente, em dezembro, alinhamo-nos e percebi que é um autor para continuar a acompanhar.


 o lado mais visceral do ser humano

O Avesso da Pele é uma conversa particular entre Pedro e o pai. E digo particular porque o pai faleceu e o narrador sente necessidade de o interpelar em relação a determinados acontecimentos/sentimentos, enquanto, indiretamente, nos leva numa viagem de autodescoberta.

Comecei a ler em público e acho que só por esse motivo é que fui capaz de controlar as lágrimas que estavam prestes a formar-se logo na primeira página. Há inícios que nos desorganizam por dentro e este conseguiu-o de um modo ainda mais intenso, porque é impactante, melancólico, poético, comovente e intimista, tudo em simultâneo. Portanto, fiquei logo destruída, mas muito curiosa para perceber o que viria a seguir, que novas camadas emocionais explanaria.

A partir da relação entre pai e filho, e acompanhando uma linha cronológica que nos permite conhecer várias fases da vida dos pais, o autor estende o enredo para refletir sobre identidade, intimidade e raça, fazendo-o através das personagens e de um modo natural, credível.

«Eu queria ter morado num pensamento teu como uma forma de amor. Um amor entre pais e filhos. Um amor intelectual, silencioso e delicado. Mas eu tenho a morte de um pai ainda muito próxima. Acho que inventei uma memória sobre você sem a distância e a maturidade necessárias. Sei disso, mas a minha ingenuidade é tudo que tenho. Esta história é ainda a história de uma ferida aberta. É uma história para me curar da falta daquilo que você, repentinamente, deixou de ser»

A escrita é muito pessoal e bonita, e acredito que o uso da segunda pessoa nos aproxima ainda mais de Pedro, das suas emoções, porque, sem esforço, sentimo-nos ao seu lado a viver, a ver tudo a acontecer, a gerir as ausências, as dores, os medos. Além disso, sem qualquer moralismo ou condescendência, também nos confronta com o privilégio de não sofrermos na pele o peso da desigualdade.

O Avesso da Pele floresce da empatia e do equilíbrio entre temas cruciais para a sociedade e relações humanas. Num misto de comoção e revolta, vai-nos lendo por dentro.


 notas literárias
  • Gatilhos: Racismo, violência, abuso, abandono, drogas
  • Lido entre: 4 e 6 de dezembro
  • Formato de leitura: Digital
  • Género: Romance
  • Pontos fortes: A musicalidade da escrita, a ausência de filtros, as temáticas, o traço intimista
  • Banda sonora: Abundantemente Morte, Luiz Melodia | Ao Que Vai Nascer, Milton Nascimento | Imagens, Jards Macalé | Lágrimas Negras, Gal Costa 

Fotografia da minha autoria


O poema é o que floresce no silêncio, quando sossegam as vozes que nos habitam (ou rodeiam) e ficam só a ecoar os pensamentos que, até então, precisaram de se recolher. E os poemas vão-me acontecendo, exatamente desta maneira, pela necessidade de lhes dar corpo através das palavras.


 um substack de poesia

No Silêncio é o resultado deste hábito, que se entrelaça ao compromisso de priorizar ainda mais a poesia na minha vida. Nunca quis forçar o processo, mas tornou-se evidente que me estava a fazer falta ser mais consistente, ser mais regular nesta arte que tanto me acrescenta. Portanto, e de modo a ter todos os meus poemas compilados no mesmo espaço, deixando de os publicar aqui no Entre Margens, decidi avançar com um substack poético.


 a dinâmica

Todas as quintas-feiras, às 7h07, será publicado um poema novo. E estes poemas pertencerão a dois grupos, partilhados alternadamente

✨ sopros: poemas mais curtos, geralmente com três versos, como se fossem uma brisa, um fragmento que ecoou, mas que não pretendo desenvolver;

✨ margens: poemas mais longos, sem tamanho definido, com temáticas onde quero mergulhar um pouco mais fundo.

no silêncio por Andreia Morais

apresentação e dinâmica

Ler no Substack


Tal como José Jorge Letria, no seu Escreve-se para o desdém, «aprendi a gostar de poesia lendo o seu silêncio» e é nele que me quero perder para dar voz aos versos que me sussurram por dentro.

Fotografia da minha autoria



O livro de Fernando Aramburu foi sendo mencionado, com alguma regularidade, nas conversas sobre livros que vou tendo com o meu vizinho, que já o tinha lido e não o poupou a elogios. A minha curiosidade aumentou com o passar do tempo e percebi que não podia passar 2025 sem o descobrir. Resultado: ainda bem que deixei de adiar esta leitura.


 um épico familiar

Pátria é «o retábulo sobre mais de 30 anos da vida no País Basco sob o terrorismo». Quando a ETA anuncia que abandonará as armas, «Bittori dirige-se ao cemitério para, na sepultura do marido, Txato, (...) lhe contar que decidira voltar à casa onde tinham vivido os dois». Este contraste no cenário pareceu-me uma porta aberta para acedermos à História de uma perspetiva individual, familiar e intimista.

A primeira impressão que tive prende-se com a facilidade com que entrei na narrativa, até porque creio que traz um prisma distinto deste conflito com tantas frentes ativas, incluindo a humana. Ademais, ficamos rapidamente a perceber que existem feridas abertas há demasiado tempo, que há um certo desejo de vingança e que tudo implode pelo extremismo. E nós vamos oscilando entre «a impossibilidade de esquecer e a necessidade de perdoar».

Por outro lado, graças a este épico familiar, que opõe duas famílias marcadas pela tragédia, vivenciamos o impacto do luto e das questões políticas que parecem ter estreitado vínculos poderosos, amplamente marcantes, enquanto cada uma das personagens sustenta a sua causa num suposto bem maior.

«Fizeram-me tanto mal que não me podem fechar nenhuma ferida. Todo o meu corpo é uma ferida»

O contexto político é o fundo desta narrativa, mas agradou-me — na mesma medida que me surpreendeu — que acompanhássemos as vidas das personagens, uma vez que nos mostra as verdadeiras consequências do que estava a acontecer e que humaniza todos os cenários. Na realidade, sinto que é um livro sobre pessoas, sobre os seus medos, as suas dores e as suas crenças e, por isso, acabamos a analisar cada situação como se estivéssemos lá.

Durante a leitura, questionei-me muito sobre fanatismo, sobre a necessidade de defendermos algo cegamente, acima de todas as coisas. Onde é que isso nos leva? Ganhamos ou perdemos mais nessa abordagem? Que voz é esta que aceita extremos sem considerar que do outro lado continuam a existir pessoas? Parece surreal assumir uma postura desta magnitude e, no entanto, sem chegarmos a respostas concretas, a obra vai esbatendo algumas fronteiras e apresentando diferentes motivações que escalam para um tom de radicalismo.

Pátria oscila numa narração entre a primeira e a terceira pessoas, na qual a voz do narrador se confunde com a das personagens, para nos fazer duvidar dos nossos sentimentos em relação a cada uma delas e, talvez, para compreendermos que nenhuma decisão é linear. Explorando cenários de poder, caos, destruição, sempre com uma escrita inebriante, o autor construiu uma obra extraordinária, muito real, que nos acolhe como se lhe pertencêssemos. E o final? Absolutamente maravilhoso!


 notas literárias
  • Gatilhos: Luto, referência a suicídio; linguagem explícita
  • Lido entre: 23 e 30 de novembro
  • Formato de leitura: Digital
  • Género: Romance
  • Pontos fortes: A construção das personagens, a contextualização, ser um livro de pessoas
  • Banda sonora: Where Is My Mind?, Pixies | Ojalá, Sílvio Rodrigues | Txoria Txori, Mikel Laboa | Todo Cambia, Mercedes Sosa

Fotografia da minha autoria


A minha formação, sobretudo do básico ao secundário não me preparou, totalmente, para a história do meu país. Recuando a 1941, Portugal não está em guerra, mas vai-se confrontando com rostos da tragédia. Enquanto a Segunda Guerra Mundial assola o continente, nós vivemos num aparente clima de neutralidade. Não obstante, a intriga diplomática adquire força e há portugueses a servir os Aliados, outros a apoiar o Eixo e os mais ousados a prestar contas a ambos os lados. Nesta batalha silenciosa, onde é evidente a luta pela sobrevivência, percebemos que as movimentações que ocorrem na sombra não são tão inocentes, cedendo espaço à espionagem e à contrainformação.

Estávamos em 2020 quando escrevi este parágrafo introdutório sobre uma das séries que mais me marcou, até hoje, na RTP: A Espia. Cinco anos depois, numa altura em que já não estava confiante de que pudesse assistir a uma segunda temporada, eis que anunciam uma espécie de spin off desta história «de homens contada por mulheres».


 considerações após o primeiro episódio

Espias é um thriller de espionagem, gravado entre Lisboa e a Figueira da Foz, durante a Segunda Guerra Mundial, numa altura em que Portugal «serve de porto de abrigo e de placa giratória a milhares de refugiados». No entanto, o que está em jogo vai muito para além desse lado humanitário, vai ao ponto de camuflar um palco de interesses e de tentativas subtis de obter «informações vitais para vencer o conflito». É assim que uma rede de espias, recrutadas pelo MI6, entra em ação: por um lado, para descobrir o «posicionamento dos submarinos alemães na Batalha do Atlântico» e, por outro, para «iludir os Nazis sobre os planos futuros dos Aliados», enquanto Salazar «continua a enriquecer os cofres do Estado». A aparente neutralidade do país começa, então, a revelar as suas verdadeiras intenções, embora exista margem para a ambiguidade.

No primeiro episódio, recuamos a outubro de 1942 e reencontramo-nos com caras que já se tornaram familiares, com o entusiasmo de compreender quantas camadas novas trarão para o enredo. Sem querer aprofundar em demasia, dei por mim a pensar que é preciso um certo cinismo para embarcar nesta dança duvidosa: não só porque nunca sabemos quem poderá estar a mentir, mas também porque há valores que são postos em causa. Será que em algum momento se sentem a vacilar pelo peso na consciência? Ou será que estão tão treinadas para esta realidade que isso nem lhes chega a pesar?

Creio que valeu a pena esperar por Espias, sobretudo porque a atenção ao ambiente, ao preciosismo dos diálogos, à tensão social é fascinante. Estava bastante curiosa para ver até onde a ação das protagonistas escalaria e que mudanças provocariam nesta guerra — e não só porque o final do primeiro episódio me deixou completamente em suspenso.


 considerações finais sobre a série

O mundo está em guerra, mas «Portugal parece um oásis no Atlântico», muito pela sua aparente neutralidade perante o conflito. A questão é que este jogo é só uma fachada.

Com o clima de tensão a escalar, é necessário reforçar o plano de ataque e escolher os aliados com todo o cuidado, para evitar traições assombrosas. O problema é que neste ambiente de incerteza, pautado por vários encontros secretos, mensagens codificadas, chantagem (muitas vezes emocional), corrupção e tortura, nem sempre é evidente qual é o lado de cada pessoa. E esse foi, para mim, um dos pontos centrais do enredo, uma vez que tornou o desenrolar dos acontecimentos imprevisível. Aliás, no momento em que acreditávamos ter compreendido a origem da jogada e, inclusive, as motivações dos envolvidos, tiravam-nos o tapete e deixavam-nos à deriva, porque havia camadas bem mais profundas do que aquelas que nos permitiam antever. O que não é dito tem muito peso e, aqui, escondia uma mensagem que podia mudar totalmente a história.

Outro aspeto que achei curioso foi a construção emocional das personagens: com os dias a serem manobrados através de um certo cinismo e sangue frio, para não darem parte fraca e contribuírem para a luta que defendiam, há sempre um gatilho que as leva a vacilar. Mesmo quando isso não é percetível, mesmo quando isso não chega a comprometer o plano geral, acho que fica claro que todos temos um ponto fraco — e que haverá sempre alguém a aproveitar-se disso para conseguir de nós o que quer.

O constante jogo duplo e a postura de «contar muito e dizer pouco» para confundir o inimigo deixou-me, por um lado, sempre em alerta e, por outro, a duvidar de todos os protagonistas: Em quem é que podia confiar? Será que aquela personagem está apenas à espera da ocasião devida para se revelar? Que segredos é que escondem? Quantas destas informações foram implantadas para desorientar? No meio de tantas questões, fui avançando nos episódios com o coração em sobressalto, sempre à espera do pior.

Espias é uma série minuciosa, que também nos faz refletir sobre a pertinência destes esquemas pantanosos. Apesar de termos acesso a diversos pontos de vista e narrativas, nunca é fácil identificarmos aqueles que merecem o nosso apoio, porque a causa em si pode ser nobre — e queremos posicionar-nos ao lado daqueles que procuram garantir a liberdade do ser humano —, mas os meios nem sempre acompanham essa luta. Além disso, espelha a hipocrisia política e social, os jogos de poder e a facilidade com que se descartam as pessoas do nosso caminho, quando sentimos que já não nos são úteis.

Foram sete episódios muito intensos e viciantes. Preciso de uma segunda temporada.

Fotografia da minha autoria



A experiência de ler o Limpa, de Alia Trabucco Zerán, foi oscilante: por um lado, adorei a narradora pouco confiável, mas, por outro, não adorei a sensação de andar em círculo. O certo é que o livro cresceu um pouco em mim com o tempo e impulsionou o regresso à escrita da autora.


 uma amizade inseparável

A Subtração é feito de trevas e de traumas, que revisitamos através de Iquela e Filipe, «filhos de ex-militares da resistência chilena», amigos inseparáveis, a sentir na pele as «sombras de morte e terror do regime de Pinochet». Quando Paloma, também ela figura central deste enredo, «regressa do exílio para repatriar o corpo de sua mãe», o trio embarca numa viagem até à Argentina.

O tom de tragédia nunca os abandona, mas é nesta travessia, à qual acresce a missão de cumprirem «a última vontade da mãe de Paloma», que recordam memórias de infância, que tentam compreender o legado que lhes foi deixado e, inclusive, que se tentam distanciar de uma herança horripilante. E é, ainda, nesta travessia que se torna evidente que o presente é um espaço confuso, turvo, mas que, de um modo imprevisível e natural, os permite encontrar uma espécie de abrigo.

Curiosamente, a narrativa talvez seja menos linear nesta obra, exigindo uma concentração maior para acompanhar a mudança de perspetivas/vozes, já que não temos apenas um narrador, mas senti-me muito mais envolvida, muito mais presa às situações, provavelmente devido às personagens tão imperfeitas, impactantes e reais.

«Resisti ao silêncio fazendo uma lista mental desse espaço, evitando assim que o desconforto se refletisse nos meus olhos, sempre incapazes de disfarçar»

Este livro tinha tudo para ser apenas escuridão — e não deixa de a evidenciar —, mas encontra a sua luz no modo como Iquela, Filipe e Paloma interagem, avançam, se entregam às suas missões individuais; no modo como transformam o luto em partilha, em resistência e, acima de tudo, em lembrança. Houve muitos anónimos a morrer por causa da ditadura e isso não pode cair no esquecimento.

A Subtração tem um significado surpreendente e desarmou-me pelo retrato tão credível destas personagens (que, na realidade, representam uma sociedade inteira). Entre destroços e reconciliação, há cicatrizes que não perdem voz.


 notas literárias
  • Gatilhos: Luto, linguagem explícita
  • Lido entre: 17 e 20 de novembro
  • Formato de leitura: Digital
  • Género: Romance
  • Pontos fortes: A abordagem dos temas, a humanidade das personagens, o facto de serem uma ponte tão evidente com a sociedade da altura
  • Banda sonora: Labyrinthine, Julianna Barwick | Desafío, Arca | The Carpathians, Ben Frost | Con Toda Palabra, Lhasa de Sela

Fotografia da minha autoria



As leituras em formato digital não estavam nos meus planos, quando comecei a apostar no universo literário. E foi assim que me mantive, porque a pilha de livros por ler parecia longe de diminuir. Contudo, no final de 2023, quando os exemplares físicos já eram bem menos, a ideia de investir num kobo deixou de me soar descabida.

Ponderei muito sobre o assunto, informei-me sobre o modelo que seria melhor para as minhas necessidades e utilização, poupei com esse objetivo em mente e, em dezembro de 2024, ofereci-me um Kobo Clara BW.

Na publicação sobre as motivações e primeiras impressões, destaquei aqueles que são, para mim, os pontos fortes e a maior fragilidade deste e-reader e, como mantenho a mesma opinião, vou-vos poupar a repetições. Quero, pelo contrário, mostrar-vos tudo o que li e analisar se fiz ou não uma grande poupança monetária.


 será que consegui poupar muito com o kobo?

Para ajudar no processo, criei uma página no Notion onde, em cada mês, registei o valor da subscrição, os livros lidos, o preço do livro físico (usei os valores da Wook como referência) e o valor da poupança.

JANEIRO
  • 6,99€ de subscrição;
  • 4 ebooks lidos: A Amiga Genial (20€), O Que Escondemos na Luz (15,75€), A Cama Onde Elas se Deitam (20,61€) e Obra Reunida - o texto inédito (26,91€);
  • Se comprasse os 4 livros físicos, pagaria 83,27€. Assim, poupei 76,28€.

FEVEREIRO
  • 6,99€ de subscrição;
  • 4 ebooks lidos: História do Novo Nome (21€), Uma Mulher Não é Um Homem (18,95€), Cor-de-Margarida (13,46€) e Limpa (16,61€);
  • Se comprasse os 4 livros físicos, pagaria 70,02€. Assim, poupei 63,03€.

MARÇO
  • 6,99€ de subscrição;
  • 6 ebooks lidos: Minha Senhora de Mim (13,90€), Teoria das Catástrofes Elementares (14,99€), História de Quem Vai e de Quem Fica (19€), Um Jogo Bastante Perigoso (4,49€), O Jogo das Tréguas (12,90€) e As Palavras do Corpo (18,80€);
  • Se comprasse os 6 livros físicos, pagaria 84,08€. Assim, poupei 77,09€.

ABRIL
  • 6,99€ de subscrição;
  • 4 ebooks lidos: O Meu Marido (16,65€), Nem Todas as Árvores Morrem de Pé (15,93€), Vista Chinesa (15,45€) e História da Menina Perdida (21€);
  • Se comprasse os 4 livros físicos, pagaria 69,03€. Assim, poupei 62,04€.

MAIO
  • 6,99€ de subscrição;
  • 4 ebooks lidos: Gula de Uma Rapariga Esquelética de Amor (15,45€), Visitar Amigos (16,92€), Augusta B. ou As Jovens Instruídas 80 Anos Depois (13,41€) e É Normal? (16,45€);
  • Se comprasse os 4 livros físicos, pagaria 62,23€. Assim, poupei 55,24€.

JUNHO
  • 6,99€ de subscrição;
  • 5 ebooks lidos: Romance de Verão (17,50€), Que Nós Estamos Aqui (3,50€), Piranesi (16,90€), Quem Tem Medo dos Santos da Casa (15,93€) e A Vida Mentirosa dos Adultos (21€);
  • Se comprasse os 5 livros físicos, pagaria 74,83€. Assim, poupei 67,84€.

JULHO
  • 7,99€ de subscrição;
  • 4 ebooks lidos: A Criada (19,45€), A Maldição (17,51€), Doidos Por Livros (19,50€) e Lobos (18,99€);
  • Se comprasse os 4 livros físicos, pagaria 75,45€. Assim, poupei 67,46€.

AGOSTO
  • 7,99€ de subscrição;
  • 6 ebooks lidos: Uma Árvore no Céu de Brooklyn (19,80€), Lugar Feliz (19,50€), Quando as Montanhas Cantam (17,51€), Nome de Mãe (18,85€), Todos Devemos Ser Feministas (9,50€) e Querida Ijeawele (9,50€);
  • Se comprasse os 6 livros físicos, pagaria 94,66€. Assim, poupei 86,67€.

SETEMBRO
  • 7,99€ de subscrição;
  • 4 ebooks lidos: Uma Boa História (16,65€), Crime na Quinta das Lágrimas (19,45€), O Tanto Que Grita Este Silêncio (4,50€) e Um Lobo no Quarto (17,51€);
  • Se comprasse os 4 livros físicos, pagaria 58,11€. Assim, poupei 50,12€.

OUTUBRO
  • 7,99€ de subscrição;
  • 6 ebooks lidos: Lavores de Ana (13,91€), Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos (20,45€), Um Dedo Borrado de Tinta (4,50€), Uma Vida Incrível e Maravilhosa (17,01€), Este é Um Livro Sobre o Amor (5,99€) e O Último Avô (16,92€);
  • Se comprasse os 6 livros físicos, pagaria 78,78€. Assim, poupei 70,79€.

NOVEMBRO
  • 7,99€ de subscrição;
  • 5 ebooks lidos: Crime na Aldeia (17,51€), As Oito Montanhas (17,70€), As Invisíveis (3,50€), A Subtração (14,81€) e Pátria (28,80€);
  • Se comprasse os 5 livros físicos, pagaria 82,32€. Assim, poupei 74,33€.

DEZEMBRO
  • 7,99€ de subscrição;
  • 6 ebooks lidos: Um Tempo a Fingir (21,90€), A Beleza da Erva Por Cortar (17,95€), O Avesso da Pele (15,80€), A Blogosfera Portuguesa (3,50€), O Ato Criativo (22,41€) e Há Gente em Casa (11,90€);
  • Se comprasse os 6 livros físicos, pagaria 93,46€. Assim, poupei 85,47€.

Contabilizando tudo, li 58 ebooks e gastei 89,88€ em subscrições. Se tivesse comprado todos estes livros em formato físico, teria gastado 926,24€, mas, assim, poupei 836,36€. Portanto, acho que é mais do que evidente que consegui poupar imenso com o kobo.


 considerações finais

Há livros aqui que talvez não arriscasse ler se tivesse de os adquirir fisicamente e essa, para mim, é outra das vantagens de ter o kobo, porque continuo a aventurar-me em autores diferentes, enquanto poupo dinheiro e espaço na estante — já para não mencionar que passou a ser muito mais fácil de os transportar.

Dos títulos que li, vou querer comprar 5 em formato físico (Augusta B. ou As Jovens Instruídas 80 Anos Depois, Lobos, Lugar Feliz, Querida Ijeawele e O Avesso da Pele), mas tenho uma margem maior para articular com promoções, até porque não existe qualquer pressa para os adquirir, só mesmo vontade de ficar com a versão física para a reler mais tarde.

Já sabia que tinha feito um excelente investimento, no entanto, um ano depois, tenho ainda mais certezas disso — e já criei a página de 2026 para continuar a acompanhar a minha evolução.

Fotografias da minha autoria



O planeamento do meu bullet journal literário é sempre uma das últimas tarefas do ano, até porque aproveito a leveza dos últimos dias para me sentar à secretária e deixar que a criatividade encontre o seu ritmo.

Confesso, ainda assim, que não estava muito inspirada, por isso, assumi a simplicidade e o minimalismo no design. Como talento para o desenho não é algo que possua, não valia a pena complicar e pensar em opções complexas, e cheguei a um resultado que me satisfaz, porque não deixa de ser diferente dos anos anteriores, apesar de manter o tom lilás, e que não compromete o lado prático e funcional que tanto procuro.

Bullet Journal organizado, estou pronta para as leituras de 2026.


 bujo e separadores

O caderno continua a ser o que me acompanha desde 2023, o caderno inteligente Tália, já que me dá mais margem de organização, apenas fiz um ajuste nos separadores que pretendia incluir.

1. LIVROS E EBOOKS POR LER

   

É importante, para mim, ter uma lista dos livros que tenho por ler, não só para ser mais fácil saber os que estão nas estantes, mas também para ir rasurando à medida que for terminando.

Este ano, para ser ainda mais intuitivo, decidi separar os livros pelos desafios e formatos de leitura, porque assim vou acrescentando na respetiva lista conforme os for comprando/adicionando no kobo. Além disso, sei que cada título tem um propósito e um tempo, ficando evidente quais os que preciso de priorizar.

Deste modo, tenho os separadores Estante Cápsula (11), Alma Lusitana (8), 3 autoras para 2026 (5), Ler FFMS (40) e Kobo Plus/BiblioLED (83). Estes números estarão em permanente atualização, mas os eBooks que tenho na BiblioLED e para o desafio ler FFMS não entrarão totalmente para as estatísticas gerais dos livros por ler, porque, no primeiro caso, quero descobrir sem pressas, mediante der/sentir vontade, e, no segundo, só pretendo ler um livro por mês (mas falarei melhor sobre isso mais à frente).


2. TO BE READ

   

Ter uma lista de leituras mensais é uma dinâmica que funciona bem comigo, porque continuo a encará-la como um guia de possibilidades (priorizo sempre os desafios que decidi abraçar, mas não deixo de respeitar o meu estado de espírito, mudando as escolhas se for o que fizer mais sentido). Por esse motivo, mantive o separador, mas deixarei de fazer o «expectativa vs realidade».


3. OS LIVROS DE 2026


Divididas pelos meses do ano e respeitando a ordem pela qual forem lidas, este separador servirá o propósito do seu nome: listar todas as leituras de 2026.


4. CURIOSIDADES LITERÁRIAS


Gosto sempre de registar detalhes que me pareçam interessantes sobre os livros que leio, como a quantidade de autores que li pela primeira vez ou moods de leitura, por exemplo, porque é uma maneira de ter uma visão mais geral e intimista dos mesmos. Por isso, voltei a incluir este separador.


5. FINANÇAS LITERÁRIAS


Foi um separador que teve a sua estreia no BuJo de 2025 e que eu soube logo que ia querer manter, uma vez que me ajuda a ser mais consciente em relação aos meus gastos, principalmente, mas também em relação ao que consegui poupar.

O objetivo deste ano passa por indicar:
  • o número de livros que comprei e o que gastei em cada mês;
  • o valor da subscrição do kobo plus, quantos livros li e o que poupei;
  • o que amealhei na Apparte: em 2026, decidi transferir 1€ por cada livro físico, 1€ por cada livro lido no kobo, 2€ por cada livro lido para um desafio e 2€ por cada livro lido através da BiblioLED. Se o livro encaixar em mais do que uma categoria, decidi acumular os valores e transferir 1€ por cada livro extra TBR (neste caso, não acumula com as categorias anteriores).

Depois, anoto o valor com que transito para o mês seguinte.


6. OS FAVORITOS DO ANO


Deixei de atribuir estrelas aos livros lidos, mas isso não significa que não tenha leituras favoritas. Deste modo, para ser mais fácil de as identificar, voltei a criar um separador para os favoritos do ano.


7. REVIEWS LITERÁRIAS


Tinha o hábito de criar um separador para cada desafio literário, mas, para 2026, optei por reunir todos no mesmo. Em vez disso, passo a fazer essa referência na página de cada leitura, criando menos ruído visual.


 desafios literários

ALMA LUSITANA
Depois de um ano de pausa, decidi recuperar o meu desafio literário e ir ler mais 15 livros de autores portugueses. Podem ler aqui tudo sobre a edição de 2026. Além disso, se vos fizer sentido, há grupo no Goodreads e também abri o desafio no The StoryGraph.

3 AUTORAS PARA 2026
A intenção de renovar o nosso desafio literário já tinha sido manifestada, mas o que a Sofia e eu não contávamos era que o fôssemos estruturar em pleno agosto. Enquanto conversávamos sobre a Feira do Livro do Porto e a vinda de María Dueñas para apresentar Se Um Dia Voltarmos, perguntei se era uma autora com muitos livros publicados, a fim de ir anotando algumas sugestões de nomes. A partir daí foi um sopro até decidirmos que a incluíramos, que teríamos apenas mulheres no desafio e que a ela se juntariam Elif Shafak e Chimamanda Ngozie Adichie.

O entusiasmo foi notório nas duas e, por isso, escalou tudo de forma rápida e sem contrariedades. Para ser mais justo e equilibrado, definimos que, ainda em 2025, leríamos os títulos que a outra já tinha lido: a mim faltava-me Todos Devemos Ser Feministas e Querida Ijeawele, ambos de Chimamanda Ngozie Adichie, enquanto à Sofia faltavam Notas Sobre o Luto, da mesma autora, e 10 Minutos e 38 Segundos Neste Mundo Estranho, de Elif Shafak. Deste modo, partiamos para 2026 com os mesmos 12 livros por descobrir.

À semelhança do que fizemos na edição anterior, recorremos à maravilhosa Wheel Of Names para sortear a ordem das nossas leituras e depois fizemos só uns pequenos ajustes para não lermos a mesma autora dois meses seguidos, visto não haver essa necessidade. Se se quiserem juntar a nós, sem pressões, encontram o desafio no The StoryGraph.

LER FFMS
Os livros da Fundação Francisco Manuel dos Santos despertam-me imensa curiosidade e, uma vez que tinha vários títulos que gostava de ler, desafiei-me a ler um por mês. Na realidade, já comecei o desafio em 2025 e sei que irá para além de 2026, mas estou entusiasmada com esta viagem e, para facilitar, também criei o desafio no The StoryGraph.

12 MESES, 12 LIVROS DE POESIA
A minha amiga Sofia decidiu ler 12 livros diferentes de poesia, durante 2026, o que eu não só adorei, como também resolvi adotar (porque, claramente, precisava de mais desafios literários e mais desculpas para ler poesia). Há obras da sua lista que já li, no entanto, senti que seria uma excelente oportunidade para as revisitar e descobrir novas camadas. Por isso, irei acompanha-la nesta aventura. 

MARGINÁLIA
A Raquel Dias da Silva criou o Marginália, «o clube de leitura do Canto da Sereia, dedicado a livros que interrogam o acto de ler, a literatura e o ofício da escrita». Não sei se participarei todos os meses (em janeiro sim), mas estarei atenta a esta proposta.


 apostar nos favoritos do ano

Tinha-me esquecido completamente que eu e a Sofia, no final de 2024, tínhamos feito uma aposta em relação às nossas leituras favoritas do ano seguinte. Aliás, só ao reler a publicação do bullet journal literário 2025 é que o recordei, mas achei por bem voltar a repetir a dinâmica (desta vez, sem lugar para esquecimentos).

Tendo em conta os livros que tenho por ler, vou apostar nos seguintes:
  • Outonecer, Júlio Machado Vaz;
  • O Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel García Márquez;
  • Também Há Rios no Céu, Elif Shafak;
  • O Homem Sem Mim, Rute Simões Ribeiro.

Karina Sainz Borgo terá livro novo em fevereiro e sinto que também será um forte candidato para entrar nos favoritos do ano, já que adoro a escrita da autora.


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