Entre Margens

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Uma sessão de escrita matinal foi a oportunidade perfeita para riscarmos mais um restaurante do roteiro gastronómico. Uma vez que a Sofia abraçou a missão de experimentar 12 francesinhas diferentes, este ano, e eu nunca recuso comer francesinha, a escolha foi imediata.

   

O Capa na Baixa, localizado na Praça de D. João I, pertence ao grupo Capa Negra, cujo propósito é manter a identidade portuense, mas acrescentando-lhe «um look mais moderno e novas sugestões». Já tinha ido ao Capa no Rio algumas vezes e a experiência foi sempre positiva, portanto, estava bastante curiosa - e expectante - para conhecer este restaurante.

Devo confessar que fiquei surpreendida assim que entrei, porque achei, pelo que via de fora, que a sala seria mais pequena. No entanto, é bem maior do que imaginei, sem perder um traço acolhedor, corroborado pelo atendimento simpático e sempre prestável. Outro aspeto que achei interessante, foi o facto de terem um botão incorporado nas mesas, que nos permite chamar um dos funcionários, cancelar ou pedir a conta. Creio que é um método benéfico para todos.

   

Para entrada, pedimos um dos famosos rissóis de carne, que estava delicioso. Para acompanhar a refeição, pedi uma Munich Dunkel, uma cerveja de perfil torrado, com aroma a frutas secas e um travo a caramelo - achei curioso que os sabores fossem ficando mais evidentes à medida que ia bebendo. Já a francesinha escolhida foi a Rainha do Capa, a especialidade da casa, com bife de coração de alcatra, e cumpriu todos os requisitos: carne suculenta, picante na dose certa e um molho líquido, mas não em demasia. Como acompanhamento, pedimos ovo e uma dose de batatas, suficiente para duas pessoas (estes acompanhamentos são pagos à parte). E terminei o almoço com um Cheesecake de Maracujá.

Se forem do Porto, morarem perto ou estiverem de passagem, recomendo imenso que incluam o Capa na Baixa no vosso roteiro. Sem qualquer dúvida, vou querer regressar.

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Os parques de estacionamento são espaços funcionais, que cumprem um propósito muito específico. Mas já pararam para pensar na quantidade de histórias que podem esconder, sem que nunca sejamos capazes de as desvendar? Eu nunca tinha feito esse exercício de análise, até que assisti à mais recente produção nacional da RTP Lab.

Lugar 54, composto por cinco episódios, parte do mesmo cenário para nos mostrar a pluralidade de narrativas que conseguem passar pelos mesmos metros quadrados, ao longo do dia. Bernardo Lopes e Francisco Mira Godinho procuraram criar um lugar comum, onde seria fácil rever-nos, porque existem pedaços destas histórias que, de facto, podiam pertencer-nos. Assim, do drama à comédia, e com um toque de terror pelo meio, acompanhamos momentos distintos, que levantam inúmeras perguntas.

Não quero entrar em detalhes, para não correr o risco de relevar demasiado sobre os episódios, mas sei que fiquei com outra perspetiva dos sítios por onde passo, daquilo que guardam sem que esses fragmentos nos toquem, daquilo que vai acontecendo em simultâneo sem que sejamos capazes de marcar a trajetória e viver as suas nuances. Aliás, quando voltar a um parque de estacionamento, sei que darei por mim a pensar na quantidade de realidades que se cruzaram ali e que acabaram por seguir caminho.

Neste lugar de passagem, um carro avança, deixando as marcações vagas, e outro chega para o ocupar, sem fazer ideia «das emoções que nele habitaram», do medo, das promessas que se quebraram, do desencanto, dos diálogos intensos, dos pensamentos, da esperança e/ou da carência de futuro. As histórias sobrepõem-se, no entanto, são incontáveis, porque fora dali mais ninguém as conhece, ainda que possam estar a viver algo semelhante. E foi esta noção que mais me fascinou na série, porque é como se estivéssemos a assistir a um jogo de luzes e de sombras ou, então, a contar segredos.

Lugar 54 traz-nos planos de fuga, problemas com drogas, memórias que se esfumam, conversas inconsequentes, deslumbramento e crime. Não me senti impactada em todos os episódios da mesma forma, talvez por estar longe de algumas experiências, mas gostei bastante da humanidade que espelharam, da credibilidade das reações e do facto de deixarem perguntas em aberto, porque a verdade é que não permanecemos nos locais durante os mesmos períodos de tempo, portanto, há coisas que acabaremos por não descobrir. Essa janela entreaberta aguça a curiosidade para vermos mais.

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A culpa pode assumir várias formas e atormentar-nos uma vida inteira, porque tem a capacidade de se alicerçar a tudo aquilo que vivemos, minando as nossas emoções e o modo como reagimos e/ou superamos certas adversidades. No seu romance de estreia, Susana Piedade leva-nos até à cidade do Porto para que o compreendamos melhor.


o que se esconde nos silêncios

As Histórias Que Não Se Contam é uma porta aberta para as histórias de três mulheres: Ana, cujo namorado faleceu precocemente, Isabel, que chegou tarde ao infantário, e Marta, num relacionamento que está longe de ser movido por amor. É no hospital, por conta de um acidente, que as vidas destas desconhecidas se cruzam, mostrando-nos que a dor, o luto e a solidão serão pontes a uni-las. Para cada uma delas, o presente tornou-se um lugar difícil para se estar, no entanto, haverá algo a proporcionar-lhes o alento necessário para lutarem, sararem e se reerguerem: a amizade a nascer do caos.

Tive necessidade de avançar na leitura devagar, não porque a escrita seja inacessível e pouco fluída, mas porque sentimos o peso do sofrimento, dos traumas enraizados que destroem qualquer rasgo de esperança. Acima de tudo, porque o mais intuitivo é ler estas partilhas e ficarmos a pensar no que faríamos, caso estivéssemos numa situação semelhante. Enquanto mulher, sei que houve gatilhos a ativar algumas preocupações, mesmo sem ter experienciado estas situações em concreto. Não obstante, parece-me inevitável transpor-me, idealizar todos os cenários e ver tudo aquilo a acontecer(-me).

«Trago o escuro da noite dentro de mim, um manto negro e denso sem mistérios»

É a terceira obra que leio da autora e, não me interpretem mal, um dos aspetos que mais me fascina na sua arte nem é tanto a construção das narrativas (embora sejam entusiasmantes), é mais o arco de crescimento das personagens e a sensação de que a ação podia ser baseada em factos reais. Retratando vidas e pessoas comuns, há um elo que nos aproxima e que nos impulsiona a colocar as nossas decisões em perspetiva.

Ana, Isabel e Marta partilham silêncios, comunicam pela perda e compreendem-se nesse espaço de ausência e de impotência, no qual a culpa parece ter sempre uma palavra final, porque deveriam ter estado, ter chegado, ter identificado sinais; porque assumiram que a responsabilidade é delas e que tudo seria diferente se optassem por outro caminho. Ora, acredito que vamos aprendendo que os «ses» não nos trazem mais do que angústia, já que nada nos garante que o desfecho seria diferente, mas é difícil libertarmo-nos dessa convicção, sobretudo, quando estamos emocionalmente frágeis.

Sinto que nos vamos envolvendo nas histórias das protagonistas como se elas fossem nossas amigas, por isso, não existe espaço para julgamentos, apenas empatia. E ainda que tenha achado que a narrativa se estende em algumas partes e que nem sempre é fácil reconhecermos a voz delas (gostava que houvesse uma diferenciação maior no discurso de cada uma), compreendi o propósito e fiquei presa até à última página.

«Medo de os ver ir para um lugar de onde nunca mais voltem, como se nunca tivessem existido. Medo de os esquecer, de me deixarem sozinha quando a solidão for tão brutalmente insuportável como sei que um dia será. Todos nós sozinhos, presos em memórias sem tempo, um lugar sem nome, tantas histórias por contar»

Estas mulheres foram-se reencontrando e redescobrindo, porque ninguém permanece igual perante a perda: trocamos as certezas pela desorientação, a felicidade pelo vazio, uma casa cheia por um futuro incerto. Sentimo-nos um caco e não é possível colar os estilhaços. Mas, por mais que demore, vamos percebendo que não estamos sozinhos e que há braços que não nos deixam cair. Cheguei ao fim do livro com a impressão de que esta é uma das suas maiores mensagens, porque partilhar a dor também nos salva.

As Histórias Que Não Se Contam, para além de ser uma ode ao poder da amizade, é um alerta para a importância de conversarmos sobre determinados assuntos. Tendemos a calar o luto e o sofrimento porque nos fragilizam e achamos que é uma maneira de nos resguardarmos, mas isso pode ser só mais uma forma de aumentar as feridas, já que não as curamos como seria suposto. Num mundo idílico, ninguém teria de se despedir de quem ama, nem de lidar com o sufoco da violência, por isso, sim, cada uma destas histórias precisa de ser contada, para que nos escutemos e quebremos as amarras.


notas literárias
  • Gatilhos: Luto, Violência Doméstica
  • Lido entre: 20 e 26 de janeiro
  • Formato de leitura: Físico
  • Género: Romance
  • Pontos fortes: A escrita e o enredo próximo, a ação passada no Porto e a relação de amizade
  • Banda sonora:  Laços, Toranja | Rosa Branca, Mariza | Carpe Diem, Maurice Jarre | Eu Deixei, Carolina Deslandes | Saudade, Saudade, Maro

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Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand

Fotografia da minha autoria



o teu corpo pequenino, inofensivo
quedou-se em silêncio
naqueles rasgos de ausência que
insistentes na memória
começam a ser cada vez mais turvos

o choro deixou de invadir a sala
o gargalhar já nem existia
e esses olhos esbugalhados
de quem come o mundo sem
o compreender
foi-me roubado do colo

ficou só um quarto vazio
com paredes emolduradas de sonhos
e o cavalinho de baloiço
não é mais do que uma promessa
que nunca se chegou a cumprir

Fotografia da minha autoria



A ideia de frequentar um estabelecimento de ensino pode ter tanto de entusiasmante como de assustador, porque existem dinâmicas que não compreendemos e talvez não estejamos preparados para todos os segredos que aqueles corredores escondem. Ainda assim, Faridah Àbíké-Íyímídé tentou transportar-nos para essa envolvência, a partir da perspetiva de alguém que passou a maior parte do seu percurso académico a ter aulas em casa.


quando nem tudo é o que aparenta ser

A Cama Onde Elas se Deitam concentra-se na história de Sade Hussein, uma jovem «prestes a começar um novo ano do secundário» na prestigiada Academia Alfred Nobel. Esta mudança é, no fundo, uma tentativa de recomeçar e de encontrar um rumo diferente para o infortúnio que tem sido a sua vida, só não contava que logo na primeira noite no colégio a sua colega de quarto, Elizabeth, desaparecesse de uma forma estranha e a comunidade estudantil desconfiasse que ela poderia ter algum tipo de envolvimento no seu desaparecimento.

A premissa intrigou-me desde o início e creio que a autora tem um talento especial para transmitir uma aura sombria nas suas palavras, o que já tinha sentido no livro anterior, Às de Espadas. Há alturas em que ainda não aconteceu nada de relevante, nada que nos deixe desconfiados, mas é inevitável sentirmos que deve estar para breve: pelo ambiente, pelos diálogos que ficam em suspenso, pelas pistas que vão surgindo nas entrelinhas. Além disso, por ser uma construção narrativa com um ritmo mais lento, a tensão torna-se quase palpável.

O livro está cheio de simbolismos, mensagens em código e personagens complexas. Enquanto o quotidiano avança numa falsa normalidade, vamos percebendo que há ligações por conveniência, que algumas peças não encaixam como deveriam e, sobretudo, que nem tudo o que é dito pode ser assumido como certo. E este último ponto, para mim, foi um dos mais estimulantes da história, porque nenhuma personagem é cem porcento confiável, porque todas elas têm algo a esconder: desde pequenas omissões a comportamentos condenáveis. 

«O mau pressentimento voltou a afundar-se em si, subindo-lhe pelos braços. Não acreditava em coincidências. A sua vida até então tinha sido uma série de ratoeiras cuidadosamente montadas pelo Universo. E a piada era sempre ela»

Os temas explorados são de máxima importância, não só por exporem o patriarcado e o silêncio daqueles que poderiam fazer uma diferença positiva e escolheram compactuar com jogos de poder, mas também por reforçarem que há heranças do nosso passado impossíveis de largar. Gostei que a leitura me permitisse traçar tantas teorias, que me revoltasse e me enganasse em certas passagens, no entanto, senti que se estendeu demasiado em detalhes que acrescentaram pouco ao enredo, fazendo com que a justificação fosse precipitada.

Depois de terminar a leitura, cruzei-me com um comentário de alguém que dizia que tinha gostado mais do conceito do que propriamente do livro em si e, em parte, relacionei-me. Não porque não tenha gostado da história, mas porque pareceu-me que as personagens foram crescendo mais do que aquilo que, depois, foi entregue na ação. No fundo, acho que queria ter encontrado um equilíbrio maior entre estas componentes, porque havia potencial para isso.

A Cama Onde Elas se Deitam mostra-nos a importância de termos uma comunidade e o poder da denúncia, ainda que continue a existir tanto por fazer, tantos estigmas por quebrar. Em simultâneo, embora seja uma obra de ficção, deixou-me a pensar na podridão que se esconde em locais considerados de elite, o que só comprova que a ausência de valores abarca todos os estratos sociais, a diferença talvez esteja na forma como, à posteriori, estes são camuflados.


notas literárias
  • Gatilhos: Agressão Sexual, Luto, Uso de Drogas
  • Lido entre: 16 e 19 de janeiro
  • Formato de leitura: Digital
  • Género: Jovem Adulto
  • Personagens favoritas: Baz e Persephone
  • Pontos fortes: os temas, a aura misteriosa, a relação de amizade que se foi construindo
  • Banda sonora: Trevo (Tu), Anavitória & Diogo Piçarra | You First, Paramore | You're The One That I Want, John Travolta & Olivia Newton-John | Haunted, Beyoncé | Poet (Music Box), Invadable Harmony | New Girl, Labrinth

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O início dos anos 80, no Algarve, ficou marcado por momentos de terror, uma vez que o gangue FP-27, liderado por Faustino Cavaco, protagonizou vários assaltos na região. Ao todo, contabilizaram-se vinte a bancos e a «fuga da prisão de Pinheiro da Cruz».


impressões depois de ver o primeiro episódio

A série O Americano, que estreou na primeira segunda-feira de dezembro, foca-se na história dos «irmãos Cavaco», considerada uma das mais intrigantes, uma vez que colocou em evidência não só as inúmeras facetas da criminalidade e a habilidade do grupo, mas também a precariedade e a necessidade de sobreviver a todo o custo.

De acordo com o realizador Ivo M. Ferreira, O Americano «assume um tom western de uma certa portugalidade rural». E, embora seja cedo para tecer uma análise profunda ao enredo, acho que o episódio inicial já nos deixa antever o quanto é ténue a linha que separa a honestidade da trafulhice, sobretudo, quando as dificuldades financeiras ampliam uma constante sensação de sufoco. Ademais, é tentador transpor limites quando nos prometem uma solução rápida, praticamente inconsequente. Mas será que os meios justificam os fins? Será que o risco compensará olhar por cima do ombro?

Achei interessante o espelho da dúvida e o prenúncio de mudança, porque, perante momentos de tensão, que nos tiram o tapete, não é assim tão óbvio sermos capazes de nos mantermos fiéis aos nossos valores. Entre negócios, festa e ligações questionáveis, a tragédia permanecerá à espreita. E o jogo de manipulação será um aliado de peso.


considerações finais sobre a série

A história de um gangue que aterrorizou o Algarve, no início dos anos 80, foi a minha companhia nas últimas semanas. Nesta adaptação ficcionada, inspirada «na história verdadeira dos irmãos Cavaco», como referi antes, ficamos a conhecer a extensão dos danos, que incluem não só assaltos, mas também homicídios, «nomeadamente de três guardas prisionais».

Eu ainda não tinha nascido quando tudo isto aconteceu, no entanto, considerando as palavras do realizador da série, foi um assunto que dominou o país, não só o Algarve, uma vez que a fuga do estabelecimento prisional de Pinheiro da Cruz foi uma das mais minuciosas e violentas e os criminosos andavam a monte. Portanto, só houve um pouco de sossego quando os envolvidos foram capturados. Faustino Cavaco, mais conhecido com O Americano, foi o último a ser encontrado, saindo da prisão em 1999.

Inevitavelmente, uma situação desta magnitude desperta interesse e, quase quarenta anos depois do sucedido, talvez os traumas que possam existir comecem a dar lugar a uma análise distanciada, menos emocional, que nos permita refletir sobre motivações e sobre a forma como este grupo foi atando todas as pontas soltas para que os crimes fossem bem sucedidos, trazendo-lhes estabilidade financeira e um estatuto social. O importante era aparecer, mas nunca ser visto por aquilo que acontecia nas sombras.

Um aspeto que, para mim, ficou claro no decorrer dos oito episódios foi o quanto a vida das personagens estava intimamente ligada à história do país, sendo um espelho do panorama político, das fragilidades económicas, do equilibrismo necessário para manter negócios rentáveis (e legais), enquanto patrões falhavam ordenados, as famílias aumentavam e o futuro risonho parecia escapar por entre os dedos. Claro que nenhum dos cenários desculpabiliza as ações do gangue, nem é esse o propósito, mas creio que se torna evidente que surge como uma consequência de cada um deles, da necessidade de sobreviver e de não passar a vida a contar tostões, perante a incerteza do amanhã.

A concretização deste argumento expõe a violência e o medo sentidos na altura, bem como todos os desafios e as relações duvidosas, mas também parece ter um tom de inocência, muito por causa de algumas decisões irrefletidas do protagonista. Embora nos faça acreditar que sabe o que está a fazer, pela firmeza do diálogo, pela maneira como ludibria aqueles com quem se cruza, não deixa de ser um homem de 20 e poucos anos a jogar um jogo demasiado perigoso para a vida que ainda não tinha feita.

Faustino foi-me desconcertando, por um lado, pela sua postura fechada, de quem não chegou para fazer amigos, e, por outro, pelo seu sentido de lealdade. Nem sempre foi prudente, mas a sua inteligência minimizou as fragilidades. E em vários episódios dei por mim a pensar que parecia ser duas pessoas completamente diferentes, porque era impossível que um homem tão preocupado com os seus não tivesse qualquer prurido em atormentar terceiros, se se revelassem um estorvo nos seus esquemas. Além disso, questionei-me se, em algum momento, ele quis mesmo fugir, recomeçar noutro lugar, ou se há promessas inquebráveis que mudam o curso da nossa história para sempre.

Apesar de não ser possível identificar com precisão o que é real e o que foi pensado para o enredo, há mensagens que ficam a pairar: uma delas é que «o mal existe para lá das pessoas», outra é que o lugar de onde vimos nos molda, mas que não é o único responsável por quem nos tornamos. Aliás, comprovamo-lo com as personagens de Cavaco e de Godinho, cujos caminhos e desfechos não poderiam ser mais opostos.

O Americano transita entre o passado e o presente, até que se tornam parte da mesma matéria. Transportando-nos para as guerras que cada um carrega por dentro, admito que terminei comovida, porque existe uma certa poesia nas cenas finais: ainda que não seja possível esquecer, compreendemos que talvez ninguém seja genuinamente mau.

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O Festival da Canção está quase de regresso e, por esse motivo, há uma nova razão para celebrarmos, por um lado, a vitalidade da música portuguesa e, por outro, a descoberta de novos talentos - ou o reforço de admiração por artistas que já são conhecidos do público.

No total, são 20 as músicas a concurso: «14 resultam de convites feitos diretamente (...) e seis selecionadas após um processo de livre submissão». As semifinais estão marcadas para 22 de fevereiro e 1 de março, enquanto a final acontecerá no dia 8 de março. À semelhança das edições anteriores, a transmissão destes três momentos é da responsabilidade da RTP.

Com a lista disponível no Youtube e no Spotify, fiz aquilo que faço sempre: entrar numa espécie de retiro para escutar todos os temas seguidos e, depois, listar aqueles que me chamaram mais à atenção. Numa primeira análise, senti que havia uma maior diversidade nas propostas e, curiosamente, que havia assuntos transversais a algumas letras. O que não deixa de fazer sentido, atendendo a que refletem problemas da sociedade, questões que nos inquietam e que fazem mossa num futuro que ambicionamos mais estável. Por outro lado, acho que as canções estão muito equilibradas, dificultando a escolha. Pela primeira vez, que me recorde, pelo menos, não fui capaz de identificar logo a minha favorita, portanto, continuo expectante.

Creio que existem temas que poderão crescer com uma atuação em palco e mudar a minha perceção dos mesmos, apesar disso, cheguei a um confortável grupo de seis favoritos.






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A distância permite-nos retirar o pó que cobre certas memórias ou, simplesmente, vê-las de outra perspetiva. Aliás, permite-nos olhá-las com menos dor, retirando-as da escuridão que parece associar-se à sua essência. Isso não altera o curso dos danos, das feridas, mas fica a sensação de termos levantado uma persiana, observando o exterior. E sinto que há uma parte das histórias que só existe por serem feitas desta matéria, por «nascerem de um beco» e varrerem todos os estilhaços que ainda se manifestam. E é, também, por isso que, enquanto houver luz, nenhuma história ficará por contar.


a eminência do fim

O Que a Chama Iluminou é uma novela-ensaio sobre a eminência do fim - pessoal e coletivo -, escrita a partir de acontecimentos vividos na primeira pessoa, após uma viagem atribulada ao Chile, em 2019. Numa visita a Santiago, em setembro, Afonso Cruz viu-se «encurralado por dois blindados conduzidos por carabineros», um mês depois, em Punta Arenas, «um jipe em contramão embate[u]» no carro que o levava para o Museu de História Natural. Entrelaçando estes dois momentos, foi construindo uma reflexão acerca da finitude das coisas e das várias versões que é capaz de assumir.

Creio que é impossível passar-se por circunstâncias tão impactantes sem existir algo a mudar por dentro. Nem sempre com o sentido de termos uma segunda oportunidade, uma vez que isso pode transmitir a ideia errada de a vida não ter sido aproveitada até ali, mas mais de um lugar de reforço, de compreensão em relação à continuidade da vida. Podia ter terminado tudo naquele instante, mas o desfecho foi outro e, por ter sido, não houve algo que se quebrou, quanto muito, encontrou-se uma forma distinta de estar, de alimentar a nossa existência, quase como se tivéssemos mais um propósito.

«As viagens com buracos, lugares onde podemos tropeçar, sempre me fascinaram, e considero que o valor da viagem depende também, ou sobretudo, desses buracos, das surpresas que nos são impostas no caminho»

O autor embala-nos nestas memórias, convidando-nos a caminhar ao seu lado e a revisitar estes lugares de onde a morte esteve à espreita, no entanto, nunca o faz com um tom fatalista. De um modo lúcido, sensível e, até, poético, porque é essa a força das suas palavras, deixa-nos em suspenso a refletir sobre incertezas, sobre ciclos que não se encerram por existir esperança, sobre o peso da ausência, da perda e da necessidade de irmos materializando lembranças que permanecem tão presentes.

Em simultâneo, conhecemos outras histórias e vamos entendendo como a noção de fim pode ser tão distinta, como aquilo que se encerra pode não acontecer ao mesmo tempo em todo o lado. E esta é uma das características que mais me fascina em Afonso Cruz: a sua capacidade de associar diferentes visões e pensamentos, unindo-os como se partilhassem a origem, como se sempre tivessem sido indissociáveis. Por isso é que, nestas páginas, é possível transitar entre culturas, experiências e arte sem que se perca o fio condutor, o término do qual não nos desvinculamos - apenas adiamos.

Permitam-me revelar um pouco mais, só porque fiquei mesmo presa à ideia de que alguém «leva para a tumba as últimas sílabas de uma língua antiga» e dei por mim a pensar na quantidade de coisas que desapareceram sem que déssemos conta, sem que percebêssemos que se perdeu o traço de continuidade. Embora seja inevitável, sinto que não deixa de ser melancólico ter esta consciência de que, daqui a umas gerações, não se conhecerão determinadas particularidades, determinados rituais e/ou dialetos.

«Há rostos tão desumanizados, que precisam de olhos externos para que as suas acções tenham o palco ulterior. A arte faz esse gesto, perpetua um evento, dá-lhe contornos e mostra-o. Pega em algo que passaria despercebido e dá-lhe púlpito, um palco, uma moldura, um museu, o desconhecido ganha uma dimensão sagrada»

Portanto, o fim reveste-se de infinitas identidades, imiscuindo-se nos detalhes, nas trivialidades do percurso, no que procuramos uma vida inteira. Sem nunca nos impor a sua visão dos factos, Afonso Cruz é mediador numa viagem cheia de buracos - que, para si, são sempre as melhores -, não ficando apenas centrado no que lhe aconteceu. Aqueles acontecimentos foram o ponto de partida, mas as rotas paralelas confrontam-nos com algo mais complexo. Além disso, acho maravilhosa a forma como avança nas histórias e depois as recupera num momento posterior, atando elos que nem sabíamos que precisávamos de conhecer, deixando-nos muito mais ricos com essa informação.

O Que a Chama Iluminou mostra-nos que somos ecossistemas, que cada um de nós é um lugar a cimentar alicerces que, por vezes, aparentam crescer no meio da escuridão. Ainda assim, inspirado-se numa citação de Antoine de Saint-Exupéry, Afonso Cruz calibra a maneira como olhamos para as situações, recuperando a esperança, porque, quando acendemos uma vela, temos duas opções: focarmo-nos na cera que derrete ou na luz que preenche o espaço. Embora necessitemos de ambas as valências, por uma questão de equilíbrio, até da destruição podemos renascer, clareando as sombras.


notas literárias
  • Gatilhos: Linguagem Gráfica e Explícita
  • Lido entre: 9 e 10 de janeiro
  • Formato de leitura: Físico
  • Género: Não Ficção
  • Textos favoritos: A Questão da Liberdade, Mulheres de Calama e O Que a Chama Iluminou
  • Pontos fortes: As associações pertinentes e surpreendentes, o olhar atento, a escrita (claro)
  • Banda sonora: La Llorona, Chavela Vargas | Madrepérola, Capicua & Karol Conká | Satellite, Harry Styles | Prece, Adriano Correia de Oliveira | Viagem, Tiago Bettencourt | País das Maravilhas, Plutonio

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A passagem do tempo é sempre curiosa, não tanto pelo processo em si, mas mais pela perceção que temos da dinâmica, porque os dias vão-nos pesando de formas distintas. Sentada no lugar A21, da Plateia B da Super Bock Arena, num claro momento de pré-espetáculo, estava a ler uma crónica do Bruno Nogueira sobre esta questão e achei que se ia enquadrar bem naquilo estava prestes a assistir. Se nos distanciarmos, «parecem ser feitos da mesma matéria», ainda assim, hás coisas que nem o tempo pode mudar.


Salvador Martinha, após cinco anos dedicados a outros ofícios, nomeadamente ao de ser ator, regressou ao stand-up «puro e sem merdas», para nos contar tudo o que lhe aconteceu desde o seu último solo. Agora, com 41 anos, começa a sentir que o tempo se esfuma e, no fundo, «que a ampulheta virou», como se estivéssemos a chegar ao fim da linha ou, num tom menos fatalista, como se as oportunidades encurtassem, porque alcançar determinadas metas também já não faz assim tanto sentido. Portanto, a idade não perdoa e, como cantava António Variações, «o corpo é que paga», mas a que custo?

Nesta travessia, quem acaba por sofrer as consequências é a sua Aura Super Jovem, que dá nome ao solo, só que aquilo que vi em cima do palco acaba por refutar essa teoria.


Acredito que uma das valências do Salvador é a entrega. O texto é ótimo - e o deste solo, para mim, mostra bem a sua evolução e segurança -, mas ele eleva a fasquia pela forma como o apresenta, o interpreta e se faz valer da sua expressão corporal para envolver a plateia, sem, no entanto, assumir uma personagem. Podem existir frases hiperbolizadas, com o intuito de provocar reações concretas, mas não existe qualquer dúvida de que, ali, é o Salvador a escalar por pensamentos e observações pessoais - com uma camada extra. E nós somos embalados nessa dinâmica, nesse jogo que nos leva a percorrer inúmeros cenários e situações, sempre com um ritmo contagiante.

Fui sem saber muito do espetáculo, mas, admito, com expectativas altas: por um lado, porque já o acompanho há alguns anos e, por outro, porque nunca o tinha visto a atuar ao vivo, portanto, estava curiosa com o que ia encontrar. Para vos ser honesta, cheguei ao final com a sensação de que prometeu e cumpriu tudo a que se tinha proposto.

Antes do Salvador subir a palco, tivemos três momentos de abertura: um com Mariana Rosária, outro com Duarte Pita Negrão e outro com Principe Alberto, que poderão reconhecer de Ar Livre (podcast de Salvador Martinha). Dos três nomes, estava menos familiarizada com o trabalho da Mariana, mas foi uma agradável surpresa. Sem querer entrar em detalhes, até porque a tour continua por outras zonas do país, senti que este trio aqueceu e uniu bem a sala, para que usufruíssemos de uma noite inesquecível.


Uma música dos Backstreet Boys ecoou pela Super Bock Arena, marcando uma das entradas mais inesperadas - e épicas, defenderei eu - em stand-up, prova do quanto a idade não tem de ser um limite. Aliás, por mais que soe a um lugar comum, aquele número diz muito pouco quando o nosso estado de espírito ainda está no auge da boa disposição. E um dos aspetos que mais me agarrou foi ver aquele momento e sentir que o Salvador queria muito estar ali, que queria muito voltar a palco e entregar o seu melhor texto. Acho que nada apagará o sorriso rasgado com que percorreu a plateia.

Transitando entre a participação em Rabo de Peixe, contratos de amizade, memórias familiares, viagens com amigos, ideias alucinadas, perceções de perda, a entrega foi sempre tão incrível, descontraída e próxima, que dei por mim a pensar que a vida é mesmo um lugar bom para se estar, ainda que tenha as suas oscilações, porque, de repente, temos um Salvador Martinha exposto, a desconstruir inseguranças e a abraçar cada situação com uma energia surpreendente. Chegou a ser terapêutico.

Aura Super Jovem não é uma tentativa de parar o tempo, nem de lamentar o que passou. Quanto muito, será uma constatação de que, inevitavelmente, não ficaremos sempre no mesmo lugar. A ampulheta virou, é certo, mas ainda há mais caminho até que caia o último grão de areia. E este solo serve-lhe na perfeição, porque funciona como um espelho da sua mentalidade. Rejuvenescemos em conjunto, contagiados na sua alegria e na certeza de que envelhecer é sabermos reconhecer o que nos permite ser livres.

Fotografia da minha autoria



Gatilhos: Luto, Álcool e Drogas


A escrita de Miguel D’Alte foi um dos aspetos que mais me fascinou quando li Os Crimes do Verão de 1985, deixando-me com vontade de o descobrir noutro registo. A ideia seria ir ao primeiro livro, mas acabei por avançar para o romance mais recente.


uma viagem por diferentes lugares e estados de espírito

A Origem dos Dias não só nos faz viajar no tempo, como também nos leva a transitar entre diferentes lugares e estados de espírito. Tomás Franco mudou-se para o Porto com o objetivo de se desvincular «de uma infância lacerada por uma tragédia» e de se tornar escritor. Em simultâneo, sentiu o impulso de compreender a verdade sobre a história do seu avô, Pierre Lacroix, um escritor maldito, que fugiu de França durante a Segunda Guerra Mundial, porque a imagem que preserva do avô não corresponde ao homem que descrevem. Já na Invicta, será confrontado com uma série de fantasmas.

O discurso na primeira pessoa aproxima-nos e, creio, foi a abordagem mais certeira para o enredo, uma vez que precisamos de sentir todas as sombras do protagonista; precisamos de nos colocar no seu lugar e sentir o desconforto, a desorientação, o medo e a sua vulnerabilidade. Tomás aparenta carregar o peso do mundo nos ombros e quase se torna aflitivo acompanhá-lo, visto que são mais os momentos em que se sente perdido, absorto numa espiral de autodestruição. Por esse motivo, não é difícil de compreender que encontra alento em certos vícios, que o adormecem e ajudam a esquecer, tornando os dias mais suportáveis. Numa bolha de solidão profunda, a sua vida está sempre a um passo do abismo, no entanto, vai conquistando novos fôlegos.

É quando conhece Leonor, uma mulher sobre quem sabe muito pouco, que o destino se altera e o nosso protagonista/narrador começa a perseguir os pequenos rasgos de luz, ao mesmo tempo que procura respostas e atar todas as pontas soltas: quer em relação ao que pretende para o futuro, quer em relação ao passado. Portanto, nesta travessia marcada por tantas oscilações, obsessões e doses de esperança, percebemos que é muito ténue a linha que separa a vontade de continuar e o desejo de desistir.

«Eu não escrevia para ser rico ou famoso, mas para me ocupar, para aprender a viver, para não pensar no que não estava resolvido no meu passado»

Sinto que fui avançando nesta leitura com pés de lá, para não incomodar e para ser capaz de absorver cada camada - e este livro tem várias, sendo um dos seus pontos fortes. E deambulei, igualmente, atormentada pelos silêncios, pelas inquietações tão evidentes, pela tristeza quase palpável. É certo que nem sempre me revi nas decisões e nos comportamentos de Tomás Franco, contudo, acho que consegui compreender as suas motivações e, sobretudo, distinguir as metamorfoses pelas quais foi passando.

A Origem dos Dias tem histórias dentro de histórias, linhas narrativas que se cruzam e que nos mantêm em suspenso, intrigados com a forma como se desenrolarão. Fui criando as minhas teorias em relação a algumas situações e adorei como, no fim, tudo encaixou tão bem. Explorando heranças familiares, paixões extremas e a procura pela nossa identidade, enquanto descobrimos diferentes versões de quem somos, o autor também nos coloca em contacto com a complexidade do processo de escrita e das memórias. E mostra-nos que existem pessoas que nos estendem a mão, salvando-nos.


🎧 Música para acompanhar: Shadowplay, Joy Division

📖 Outro livro lido: Os Crimes do Verão de 1985


Disponibilidade: Wook | Bertrand

Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand

Fotografia da minha autoria



A quinta temporada de The Rookie surpreende-nos com um episódio no qual a Lucy e o Tim têm um encontro. O início do jantar parece desconfortável e Chen comenta que não compreende a razão dessa estranheza, porque já tiveram centenas de refeições juntos antes. Perante essa observação, Bradford responde-lhe qualquer coisa como «as outras refeições só continham promessas». E eu sinto que o problema de janeiro é exatamente esse: conter demasiadas promessas, por isso é que, depois, também demora a passar.

Assim, de expectativas calibradas e aproveitando uma agenda sem eventos marcados, esperei pouco do primeiro mês do ano e acabei por compilar várias memórias bonitas.


as coisas maravilhosas de janeiro


os fragmentos aleatórios

Genuino Italiano
A Rita foi à Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos, conversar sobre os seus livros - As Coisas Que Faltam e Quando os Rios se Cruzam - e, apesar de não ter um horário compatível para estar na sessão, foi a desculpa perfeita para um reencontro com ela e a Sofia, desta vez, no Genuino Italiano, um restaurante contemporâneo que, como o nome permite antever, privilegia o traço genuíno da cozinha italiana - podem ler a experiência completa aqui.

   

Capa na Baixa
A missão de descobrir novas francesinhas começou com o pé direito, porque a Rainha do Capa, do Capa na Baixa, cumpriu todos os requisitos: carne suculenta, picante na dose certa (para mim) e um molho líquido, mas não em demasia. Além disso, o atendimento foi bastante atencioso e o espaço surpreendeu-me por ser maior do que imaginei. Para acompanhar a refeição, pedi uma Munich Dunkel, uma cerveja com aroma a frutas secas e um travo a caramelo, e achei curioso que os sabores se fossem revelando à medida que ia bebendo. Terminei o almoço com um Cheesecake de Maracujá. Sem qualquer dúvida, quero regressar.

   

No campo gastronómico, ainda provei o Pistáchio Velvet Latte do Starbucks (delicioso, com um bom equilíbrio de sabores), e conheci o Esquires Coffee Porto.


as músicas e os álbuns
  • Foragido, João Couto
  • festa bem louca, pikika
  • Making Teenage Ana Proud, Capicua
  • Até a Música Acabar, S. Pedro
  • Terraplanismo, Os Quatro e Meia


Na categoria dos álbuns, houve dois que marcaram os meus dias:
  • Alta Costura, Van Zee
  • Debí Tirar Más Fotos, Bad Bunny


as publicações

Kobo: Motivações e Primeiras Impressões
Portanto, de um modo objetivo e honesto, houve três aspetos que me fizeram comprar um Kobo: o conforto (pela leveza do aparelho, que me permite ler em qualquer lugar), a poupança (na carteira e no espaço) e a autonomia/oferta (porque a durabilidade da bateria não compromete a experiência e parece que andamos com as nossas estantes para todo o lado).

Memórias Analógicas
Fotografo para que tudo fique, mesmo que seja «em outra vida, em outro mundo». E, de fundo, já só ouço a voz de Bad Bunny, cujo álbum DeBí TiRAR MáS FOToS chegou na altura perfeita, embalando-me nesta convicção de que não existem fotografias a mais. Sendo franca, continuo a preferir uma galeria cheia, com registos desfocados, à sensação de arrependimento e vazio.


os filmes, as séries e os podcasts

Pátria
Pátria, filme de Bruno Gascon, mostra-nos «um país dominado por uma ditadura» e no qual se assiste ao crescimento de um grupo extremista «que domina as ruas». É neste cenário de violência e xenofobia que um homem será confrontado, colocando todos os que o rodeiam em perigo. No final, «terá apenas uma escolha: liberdade ou morte» - opinião completa aqui.

No campo das séries, terminei O Americano (hei-de falar-vos sobre ela em breve) e comecei A Travessia. Já no que diz respeito aos podcasts, destaco dois:





os livros

Os favoritos do mês
  • Perguntem a Sarah Gross, João Pinto Coelho
  • Onde Crescem os Limoeiros, Zoulfa Katouh
  • O Que a Chama Iluminou, Afonso Cruz
Outros livros lidos: A Amiga Genial, Elena Ferrante | O Que Escondemos na Luz, Lara Félix | A Cama Onde Elas se Deitam, Faridah Àbíké-Íyímídé | Obra Reunida (o texto inédito), Carla Madeira | As Histórias Que Não se Contam, Susana Piedade | As Outras Máquinas de Arquimedes, Joana Bértholo & João Dias.


os momentos

Janeiro foi um mês recatado, sem muito a acontecer durante estes 31 dias. Ainda assim, não posso deixar de destacar o jantar com a Rita e a Sofia, que veio dar um novo fôlego a uma semana que tinha começado de uma forma chata, e o sábado de escrita bastante produtivo.

Um dos meus propósitos para 2025 é manter uma rotina de skincare e, confesso-vos, tem sido terapêutico chegar a casa, vestir o pijama e tirar uns minutos para cuidar de mim. 

      

      

      

      

      


Fevereiro, sê gentil ✨
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andreia morais

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