UMA DÚZIA DE LIVROS // AGOSTO
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Fotografia da minha autoria |
Tema: Um livro baseado em factos verídicos
[ou completamente verdadeiro]
A Millennium tem um lugar especial no meu coração. Principalmente, os volumes escritos por Stieg Larsson, atendendo à qualidade e fluidez do seu discurso e das suas descrições. No entanto, fica a ressalva de que os livros da responsabilidade de David Lagercrantz estão, igualmente, fantásticos - e acredito que respeitam a linha de toda a obra. Portanto, desvendar segredos deste universo é sempre espetacular. E eu não podia perder a oportunidade de ler, para Uma Dúzia de Livros, o exemplar de Dan Burstein, Arne de Keijzer e John-Henri Holmberg.
«Queria saber tudo o que pudesse sobre as "coincidências"
em volta do dia 9 de novembro de 2004» [p:20]
Os Segredos da Rapariga Tatuada centra-se, como seria expectável, em todo o enigma que se transformou Stieg Larsson, uma vez que faleceu precocemente, aos 50 anos, de ataque cardíaco, antes de ver a sua criação publicada [mas já com um contrato para esse efeito]. E em particularidades referentes à trilogia, pois a história é muito mais profunda do que poderíamos considerar, em primeira instância. Porque o autor sueco era um ser humano de causas, assumidamente feminista, quando essa condição era repudiada [quase proibida] nos homens, sempre disponível para expor casos de desigualdade, de violência e de abuso, independentemente da sua natureza. Além disso, tinha uma posição política bem definida. E tornou-se evidente que recorria à ficção para entrar no debate político sueco. Dividida em quatro partes, a narrativa alterna entre entrevistas, comentários e pensamentos - e, até, fotografias -, permitindo-nos aprofundar «os meandros obscuros da sociedade» e ter uma perceção maior de determinadas questões inerentes ao contexto, ao enredo, às personagens e à vida fora dos manuscritos.
«A única coisa que me disse foi que tinha um plano na cabeça para escrever dez livros. Há por aí um misterioso quarto livro» [p:61]
O paralelismo entre a realidade e a ficção tem tanto de fascinante, como de assustador. E, por esse motivo, tenho de mencionar o segmento de Laura Gordon Kutnick, visto que despertou e alimentou bastante o meu traço conspirativo. Porque, admito, questionei-me sempre se a morte de Larsson tinha sido mesmo de causas naturais. Embora tudo indique que sim, esta entrevista potenciou novas perspetivas de análise, adensando a intriga. A dúvida. E tornando a leitura mais entusiasmante e estimulante, sobretudo, por nos levar a fomentar um sentido crítico. Talvez tenha ficado com mais perguntas do que respostas, porém, compensou ver aberta esta espécie de caixa de pandora - pelo menos, não me sinto sozinha nas minhas conjeturas.
«Quer a morte de Larsson tenha sido uma trágica ironia ou uma tragédia irónica, continua escondida por detrás de uma enorme cortina de fumo que torna impossível dizer o que é a realidade» [p:153]
As sucessivas e agressivas ameaças, a perda emocional de Eva - mulher do autor -, o neonazismo, a religião, os direitos humanos, o mistério que envolve o quarto volume, as aparentes profecias, a estrutura familiar disfuncional, a inspiração que está na base de Lisbeth Salander e a própria consideração sobre as adaptações cinematográficas são apenas alguns dos temas que compõem este livro. Em simultâneo, por ser clara a ligação entre o lado pessoal e o lado profissional, a obra e o artista tornam-se indissociáveis. E, assim, somos confrontados pelas suas preocupações, pelo seu método de trabalho, pelas obsessões, pelas lutas, pelos objetivos, pelas projeções e pela rejeição. E, com tudo alinhado na direção certa, a «trilogia mais emocionante dos nossos tempos» conquistou elementos dos vários quadrantes sociais.
«Nunca conheci outro casal a funcionar da mesma forma» [p:209]
Os Segredos da Rapariga Tatuada combina especulação e factos. E é o livro perfeito para quem se apaixonou pela saga, pois permite-nos compreender como é que tudo começou. Desconstruir as camadas em que se expande. E conhecer melhor o homem que «criou/denunciou este perturbante mundo sueco», marcando, para sempre, o panorama literário.
«Na realidade, não modifiquei nada. Mas foi muito, muito estranho ler esta história que me tinha como personagem. Era como se Stieg Larsson se tivesse de algum modo metido dentro da minha cabeça» [p:286]
// Disponibilidade //
Nunca li essa saga, mas fiquei curiosa com a tua opinião. Vi o filme "Os homens que odeiam as mulheres", mas nunca li os livros. Vou registar a sugestão :)
ResponderEliminarBeijinho grande!
Sou muito suspeita, mas, se puderes, lê. Está mesmo extraordinária *-*
EliminarTambém vi o filme - tanto a versão americana, como a sueca - e gostei da adaptação
Boas leituras.
ResponderEliminar.
Cumprimentos
Muito obrigada :)
EliminarMais uma excelente sugestão 🧡
ResponderEliminarRecomendo imenso!
EliminarVou tomar nota da sugestão!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Que bom :)
EliminarNunca li nada dessa saga, mas fico tentada!
ResponderEliminarBeijos e abraços.
Sandra C.
Bluestrass
Aconselho-a muito, muito. Das melhores histórias e personagens que já li *-*
EliminarAinda não conhecia mesmo, mas parece ser um boa saga para conhecer
ResponderEliminarBeijinhos
Novo post
Tem post novos todos os dias
Se tiveres curiosidade, recomendo :)
EliminarMuito bommm!
ResponderEliminarBeijinhos
Obrigada, querida Amélia!
EliminarSempre com as palavras certas para nos despertar curiosidade.
ResponderEliminarE muito ficou por dizer, porque esta obra é viciante *-*
EliminarObrigada, Magui
Já o vi à venda mas nunca me cativou...ainda :p
ResponderEliminarEmbora não seja obrigatório, aconselho a leres, primeiro, os três primeiros volumes da Saga Millennium [pelo menos]. Porque há informações que se captam melhor com essa bagagem :)
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