Entre Margens

Fotografia da minha autoria



«Escrever é a forma de mudar o meu mundo»


As palavras pesam e eu gosto de sentir o peso da caneta enquanto estruturo os meus pensamentos e as minhas ideias para textos novos. Nem sempre termino onde idealizei, quase sempre acabo a explorar novas perspetivas, mas creio que essa é, também, a magia de criar conteúdo, de fazer nascer um conto, um poema, uma história. Perco-me nas folhas em branco, mas encontro-me sempre nestas margens. No Entre Margens.

No tema O Lugar, Tiago Bettencourt canta «aqui tudo é tão novo, tudo pode ser meu» e é isso que eu sinto, não só em relação à escrita, mas também em relação ao blogue, que é a minha plataforma principal. Porque este é o meu lugar e quero que ele me acolha, que me transforme. O resto vai-se edificando. Palavra a palavra.

Este ano, descobri-me um pouco mais, mesmo tendo abrandado as publicações, porque fez-me sentido tirar tempo ao fim de semana para outras paixões. Ao passar em revista os artigos que partilhei, tenho a perceção que refleti menos sobre assuntos em específico. Por outro lado, escrevi mais poesia, mais sobre livros e aventurei-me nos contos. Trouxe um pouco mais de cultura, em consequência dos espetáculos que assisti, e fui largando a mão de rubricas que já não são bem aquilo que procuro. Nem sempre tive consciência disso, mas 2023 foi desafiante, porque duvidei da minha voz e da minha inspiração. Ainda assim, compensou.

O próximo ano será preparado com calma, sem pressão, pelos motivos certos, respeitando sempre a parte estimulante do processo criativo. Para já, deixo-vos com as publicações que mais gostei de escrever em 2023.


 o silêncio das andorinhas


A primavera começa a instalar-se no horizonte. Do terraço de onde avisto o mundo, ecoa o estilhaço do meu trauma. Intermitente, a transbordar de mágoa e de raiva, mas sempre presente. Presa nesta bolha, balanço no parapeito, enquanto, na estrada lá em baixo, um embate ativa gatilhos na minha memória. E, então, eu cedo.
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 registar os momentos impede que os aproveitemos?


Resumindo, para mim, fotografar é a certeza de querer aquele instante na minha vida para sempre. É o meu passaporte para redescobrir tantas versões da minha essência. E é uma extensão do quanto aproveitei. Porque não capto para mostrar ao mundo (embora também o possa fazer), capto para imortalizar. E porque, algures no tempo, uma menina de cabelo encaracolado descobriu a magia de ver infinitos horizontes através de uma lente, sem que isso a condicionasse, sem que isso lhe retirasse o encanto de os viver em pleno.
[publicação completa]


 poesia sugerida por leitores


Os «poemas não se ouvem entre os gritos» é um verso da Carolina Deslandes. Embora o considere extremamente alinhado com o género literário que eleva, não partilho dessa imagem, porque acredito que se há algo que se faça ouvir no meio do caos é a poesia, fazendo do seu traço lírico a margem que nos ampara.
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 cuidados ao escrever opiniões literárias


É evidente que não sou crítica literária, mas isso nunca excluiu um certo receio e intimidação: pelo desafio e pela responsabilidade, pois estamos a avaliar o trabalho e o sonho materializado de alguém. E acho que, acima de qualquer conhecimento técnico (que fica para os entendidos), tem de existir empatia e sensibilidade suficientes para sermos corretos na apreciação, independentemente de o autor ter, ou não, acesso à mesma.
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 semana temática: dia mundial do livro e dos direitos de autor


Livros Que Falam Sobre Livros;
Artigos Literários Para Amantes de Literatura;
Marcar Histórias;
O Poder de Histórias Sem Personagens Heroínas;
Livros Que Gostava de Esquecer Para os Ler Pela Primeira Vez;
Os Livros Que Li Mais do Que Uma Vez (e alguns que vou querer reler);
Passaporte Livrólico ▫ Quatro Livrarias Portuenses.


 ler autores portugueses: sem preconceitos e condescendências


A reserva em ler autores portugueses não é recente, mas permanece atual, porque tendemos a ser pouco curiosos com os nossos, porque parece que assumimos, à partida, que o seu talento é diminuto, que não enche as medidas, que não compensará o tempo disponibilizado. E como o leitor português fica sempre de pé atrás, sobretudo se nos concentrarmos em vozes novas, existem nomes que se perdem nas entrelinhas.
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 d'zrt: o que me faz querer voltar


A letra pede para voltarmos «a uns tempos atrás». E eu voltei. E voltarei sempre que eles quiserem, porque o elo desta tribo não se perde. Creio que a pequena Andreia, de dois mil e pouco, vibraria ao saber que, depois de um concerto cancelado, estaria naquela mesma sala a assistir a uma viagem no tempo indescritível.
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 livros, circo & futebol


Fiquei solidária com a revolta dos envolvidos - em trabalho, em primeiro lugar, e em lazer -, porque, de facto, é inegável o prejuízo. Mesmo não visitando a Feira, também não gostaria de sentir a minha experiência condicionada e, inclusive, no discord do Livra-te, mencionei que achava tudo isto triste, porque a cultura é sempre posta de lado, porque é lamentável que as coisas não sejam organizadas de um modo mais consciente e porque, enquanto sociedade, não conseguimos evitar descontrolos num momento que deveria ser de festa. Depois, como ser pensante que sou, que adora livros e futebol, pus-me a debater uma série de questões.
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 querer aumentar as estantes, mas estar mais consciente a comprar livros


Não deixei de adorar comprar livros - nunca deixarei, na realidade -, mas embarcar nesta análise é saber que respeito muito mais os que estão por ler e que foram adquiridos para serem descobertos e não apenas para ficarem em exposição por épocas infinitas. É tentador ver as estantes a aumentar, porém, como sei que o tempo, por si só, já escasseia, prefiro garantir que aqueles que habitam cá em casa terão o seu momento.
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 a maneira como demonstramos amor pelos outros


A mãe de Michelle Zauner expressava o seu amor através da comida (...) Neste sentido, dei por mim a pensar sobre o modo como demonstro amor pelos meus. E cheguei a algumas conclusões, porque não sou muito verbal em relação aos meus sentimentos e consigo ser um pouco desnaturada a ligar/enviar mensagens e, até, a combinar programas. No entanto, evidencio-o de outras formas. [publicação completa]


 estás a ir ou a voltar?


A pergunta foi construída para a narrativa, mas acertou-me em cheio. Fui avançando no livro Mary John (de Ana Pessoa), mas senti necessidade de parar no momento em que Sónia pergunta à protagonista se, quando faz a viagem até ao seu antigo bairro, sente que está a ir ou a voltar. Tal como Maria João, devolvi a resposta com uma pergunta: «Como assim?». E, de seguida, perdi-me nesse mar que é a diferença entre o ir e o voltar.
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 silenciar os macaquinhos no sótão


Há uns dias, tive um ataque extremo de síndrome do impostor. Foi silencioso, porque a minha tendência é de tentar que estas reações não interfiram nas conversas em movimento, mas sei que pesou, sei que me deixou com a energia em números quase negativos. Não chegou ao ponto de querer terminar com todas as iniciativas que tenho em curso, no entanto, fez-me reconsiderar a validade de cada uma delas e a sua pertinência.
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 a lista das minhas coisas maravilhosas


A peça Todas as Coisas Maravilhosas foi transformadora. Estive presente e investida no momento, para absorver cada detalhe, mas não fui capaz de não me ir questionando sobre os itens que colocaria numa lista semelhante. Na viagem de regresso a casa, ainda comovida, comecei a registar as pequenas alegrias da vida.
[publicação completa]


 caracóis na lua ◾ no céu da tua boca

no céu da minha boca
há só ausência
há só saudade
[publicação completa]


 ler djaimilia


Já não me recordo do momento exato em que quis descobrir Djaimilia Pereira de Almeida, mas sei que, ao terminar Luanda, Lisboa, Paraíso, percebi que não poderia ter sido a única experiência. Muito pelo contrário, precisava de a ler noutras histórias e noutras personagens, e compreender a extensão do seu talento.
[publicação completa]


 o cultivo dos números


Daqui a uns anos, não nos vamos lembrar se lemos cinco livros em 2023 ou se lemos 200. Daqui a uns anos, vamo-nos lembrar da história que nos comoveu, da escrita que nos deixou tentados a explorar mais obras de determinado autor, até da personagem irritante que nos fez revirar os olhos. Portanto, acima de tudo, que seja muito maior a vontade de conversar sobre os livros que se colaram à nossa pele e menos sobre números.
[publicação completa]


uma surpresa chamada ana pessoa


Foi através deste compromisso de aumentar a lista de escritoras que leio que me cruzei com Ana Pessoa. Quando vi a alusão a Mar Negro, estava longe de imaginar o impacto das suas palavras e, ainda assim, escalou rapidamente para as surpresas do meu ano. De um ponto de vista racional, sei que não sou o público-alvo das suas obras, mas acredito que a qualidade de um livro também se mede pela capacidade de nos agregar, de nos fazer sentir acolhidos, como se lhe pertencêssemos. E eu senti que pertencia às suas histórias.
[publicação completa, que inclui opinião sobre quatro livros e uma reflexão sobre ler mulheres]


Que publicações gostaram de escrever/ler por aqui?

Fotografia da minha autoria



«Trago sempre no peito o que contigo aprendi»


A música é uma das constantes da minha vida. Cá em casa, há sempre playlists e álbuns para acompanhar vários momentos da rotina e não perco a oportunidade de me cruzar com novas sonoridades, por isso é que, todas as sextas, vejo os lançamentos no Spotify, porque é uma forma de manter perto vários artistas.

No fim, compreendo que crio uma autêntica manta de retalhos, com vozes e géneros distintos, mas é este registo que funciona comigo, já que consigo ir alternando consoante a predisposição. Acho mesmo enternecedor como um tema nos emociona, como um disco muda o nosso estado de espírito. É através da música que também encontro guarida para as minhas emoções. Portanto, estreito sempre laços com esta arte.

Em traços gerais, o meu 2023 soou assim:

🎧 Géneros mais ouvidos: Pop Português, Indie Português, Hip-Hop Tuga, Pop e Rock Português;
🎧 Ouvi 1735 músicas, mas a mais ouvida foi A Festa, do Edmundo Inácio, com um total de 121 streams;
🎧 Top 5 das músicas mais ouvidas: A Festa (Edmundo Inácio), Lugar Certo (Iolanda), Carro (Bárbara Bandeira & Dillaz), 1 Casa 2 Portões (Filipe Karlsson) e Do Avesso (Inês Marques Lucas);
🎧 Minutos de audição: 42 050;
🎧 Artista mais ouvido: Richie Campbell (1191 minutos de audição);
🎧 Outros artistas no pódio: Bárbara Tinoco, Iolanda, Carolina Deslandes e Eu.Clides.

Fiquei surpreendida com alguns dados, outros foram óbvios. Por isso é que gosto de ver o Spotify Wrapped. Para complementar a aventura, decidi destacar músicas soltas e os álbuns que marcaram o meu ano.


 as músicas

🎧 Pé Descalço, Domingues;
🎧 A Festa, Edmundo Inácio;
🎧 Nasci Maria, Cláudia Pascoal;
🎧 Do Avesso, Inês Marques Lucas;
🎧 Tudo Bem, Lázaro;
🎧 Chakras, Ivandro & Julinho KSD;
🎧 Underwater, Frankieontheguitar, Van Zee & Diogo Piçarra;
🎧 A Melhor Versão de Mim, Firgun & João Couto;
🎧 Colãs, Dillaz;
🎧 Descompromisso, Tomás Adrião;
🎧 Carro, Bárbara Bandeira & Dillaz;
🎧 Tête-À-Tête, Mónica Teotónio;
🎧 1 Casa 2 Portões, Filipe Karlsson;
🎧 Amigos Com Benefícios, Rita Rocha;
🎧 Teu, Diogo Piçarra;
🎧 Pontas Soltas, oputovitor;
🎧 Maçã, Rita Costa Medeiros.


 os álbuns

🎧 Caos, Carolina Deslandes
A mistura de sonoridades e abordagens permite-nos conhecer um lado mais intimista e desfragmentado da Carolina, porque também é importante conversar sobre mágoas, fragilidades e feridas amorosas. Neste caos que, por vezes, é a vida, a cantautora entregou um disco «raivoso», vulnerável, honesto e poderoso.

🎧 Heartbreak & Other Stories, Richie Campbell
A fusão entre R&B, Dancehall e Afrobeats, na qual Richie Campbell brilha, abre-nos a porta para cantarmos sobre amor, desgostos e valorização pessoal. Não obstante, também reserva espaço para uma crítica social atenta. A sua identidade musical é inconfundível, mas sente-se o crescimento do último álbum para este.

🎧 Cura, Iolanda
O nome do álbum é bastante elucidativo da viagem sonora que nos espera, porque os temas que o integram «fazem parte de um processo de cura», fazem parte desta jornada frágil e melancólica que podem ser as relações amorosas. Portanto, o disco é a sua catarse, a despedida e a emancipação. Mesmo que demore.

🎧 Declive, Eu.Clides
Uma jornada de altos e baixos, cheia de movimentos oscilantes e de descoberta. Com uma sonoridade mais introspetiva, espelha desafios pessoais, fazendo deles a sua rampa para lidar com situações de maior ansiedade. Nestas canções tão distintas e complementares, conhecemos um pouco mais da sua história.

🎧 Bichinho, Bárbara Tinoco
Bichinho foca-se em várias etapas das relações humanas, independentemente da sua natureza, por esse motivo, tem tanto de catártico, como de esperançoso. Consegue ser ternurento, amoroso, mas também visceral. E demonstra bem que nunca seremos um só traço: existem inúmeras versões que nos habitam (aqui).

🎧 Estava no Abismo Mas Dei Um Passo em Frente, Pedro Mafama
Este álbum é um desafiar de limites, de transpor fronteiras. É uma ponte que nos traz mais vivacidade e cor à banalidade dos dias. Há muita alegria e identidade portuguesa nestas músicas, o que também nos leva numa viagem intemporal. Feito, também, de contrastes, não nos faltam razões para refletir e, sobretudo, para dançar.

🎧 De Sombra a Sombra, Milhanas
O título é explicativo por si só, uma vez que, neste álbum, Milhanas explora todas as suas sombras, todos os seus lamentos. O suposto não é ser uma ode à tristeza, mas, antes, um autorretrato, por isso é que se torna tão relacionável. Feito de verdade, nesta voz cheia que arrepia, é para ser descoberto de peito aberto.

🎧 Os Quatro e Meia ao Vivo no Estádio Cidade de Coimbra, Os Quatro e Meia
Não posso deixar de reforçar que me sinto sempre plena a ouvir Os Quatro e Meia. Já que não pude estar presente neste concerto, ter acesso ao álbum que dele surgiu é maravilhoso para atenuar distâncias.

🎧 Afro Fado, Slow J
O álbum do ano, sem qualquer hesitação, para mim. Numa ode à sua - nossa - geração, explora novos recantos musicais, influências do passado que nos pesam e/ou que nos impulsionam e ajudam a contar a nossa história. Tem sido companheiro diário, porque, fazendo sobressair as suas raízes, abraça-nos a todos.

🎧 do.mar, Van Zee
Uma transição entre a casa e o mundo, entre aquilo que nos deixa confortáveis e nos inspira a arriscar. São 21 temas para descobrirmos, 21 temas que procuram traçar identidade e inovação, num equilíbrio perfeito.


Que músicas/álbuns marcaram o vosso ano?

Fotografia da minha autoria



«Nada acontece de forma aleatória»


As retrospetivas do meu ano precisaram de sofrer alguns ajustes, porque eu mudei, alinhei-me com outras preferências e quero que essas pequenas metamorfoses se reflitam naquilo que partilho no Entre Margens.

É bom olhar para trás, num equilíbrio melancólico e saudosista, e perceber que nos encontramos em detalhes. Por esse motivo, senti que tinha toda a lógica largar a mão do «12 meses, 12...» para acolher os favoritos do ano. Porque, no fundo, sempre foi disso que se tratou: escolher apontamentos que levaremos para a vida.

Durante este processo de seleção, percebi que algumas coisas não encaixavam num grupo específico, portanto, abracei essa diversidade e reuni fragmentos aleatórios (uma estreia) que trouxeram magia a 2023.


 almanaque sincero
A newsletter semanal do Guilherme Fonseca, do Pedro Durão e do Duarte Correia da Silva. Todas as terças-feiras, recebemos um e-mail com três textos, de 250 palavras cada, com temas bastante diversos. O tom descontraído e humorístico - ou não fosse essa a área deles - dá logo uma energia diferente ao dia.

 passata
Este restaurante italiano fica na Maia e foi uma descoberta incrível, graças a dois amigos. O ambiente da sala e o atendimento conquistaram-me, mas não me posso esquecer da comida maravilhosa: comi a Pizza Mar e Monti, picante como eu adoro, e finalizei com uma Panna Cotta com Calda de Frutos Vermelhos.

 pessoas partidas partem pessoas & desengatados
Não é segredo que gosto imenso da escrita da Sofia e que me perco nas suas reflexões, sobretudo, quando se foca no lado humano das relações (seja qual for a sua natureza). Esta publicação escalou muito rápido para a lista de favoritos. Além disso, no seu podcast Crise de Identidade, criou um segmento chamado Desengatados, que se foca no surpreendente mundo das dating apps. Foi dos projetos que mais gostei de acompanhar.

 tripé hama
A fotografia tem um espaço muito importante na minha vida, por isso, há investimentos que pretendo fazer. Comprar um tripé era um deles. Não precisava de algo profissional, mas queria uma opção viável e este da Hama pareceu-me o mais adequado às minhas necessidades. Veio mesmo revolucionar os momentos em que fotografo para o blogue, porque me dá mais liberdade e consigo explorar outras perspetivas.


 tote bag alma lusitana
O desejo de ter uma tote bag alusiva ao Alma Lusitana foi aumentando e a Joana Costureira deu-lhe forma. O cuidado durante todo o processo fascinou-me e, assim que recebi o saco, apeteceu-me logo usá-lo. Anda comigo para todo o lado, até porque une mundos que me dizem muito e é bastante resistente.


 receipt bookmark
Já tinha ouvido falar dos marcadores da Daniela e decidi arriscar. Preenchi o Form 3, criando um marcador de raiz com elementos que são a minha cara. Adorei o resultado e tem acompanhado várias das minhas leituras.


 merch
Cheguei à conclusão que tenho investido mais em merch de artistas/pessoas que admiro, porque também é uma forma de apoiar o seu trabalho. Neste grupo, destaco a t-shirt, o saco de pano e a hoodie dos D'ZRT, a t-shirt do Tomás Adrião (aquela laranjinha era irresistível) e o saco de pano e o crachá do Livra-te.

      

 clube mulheres escritoras
Mulheres escritoras juntaram-se para dar visibilidade à arte no feminino. Esta iniciativa incrível chega-nos através de duas newsletter mensais (uma mais informativa e outra mais literária) e de uma porta aberta para escutarmos as suas vozes e as vermos a conquistar o lugar que merecem (acompanhem aqui).

 a breve história de um corpo que não sabe sê-lo
A Daniela surpreende-me sempre com a sua criatividade, porque pensa fora da caixa, porque tem uma visão poética de detalhes mais mundanos e porque consegue articular isso muito bem, num equilíbrio harmonioso. A Breve História de Um Corpo que Não Sabe Sê-lo, um livro-palimpsesto, é prova disso.

 rabanada especial miss pavlova
A Miss Pavlova tem um lugar especial no meu coração, mesmo que não a visite tantas vezes. Numa das últimas idas à loja da Ribeira, provei a rabanada especial - rabanada com brioche hokkaido, leite creme & telha de amêndoa - e sei que encontrei um favorito de vida. Que delícia! Por mim, podem mantê-la na carta habitual.


 kind kitchen
É um restaurante vegetariano/vegan na Rua de Ceuta, no Porto. Achei o espaço encantador, muito harmonioso, que evidencia o lema da casa: «Be kind to every kind». Adorei tudo! Tenho mesmo de regressar.

      

 cd os quatro e meia
O concerto d' Os Quatro e Meia no Estádio Cidade de Coimbra foi gravado e saiu em CD duplo. Sendo esta banda uma das minhas favoritas, faço questão de comprar todos os álbuns, porque ficam memórias únicas. Este veio acompanhado de uma caderneta de cromos, o que tornou o objeto ainda mais especial.

   

 calendário 2024 & ilustrações do fred gomes
Foi através de uma publicação sugerida no Instagram que fiquei a conhecer o Calendário que o Fred Gomes criou: 12 coisas a não esquecer em 2024. Como não resisti ao artigo, aproveitei para também encomendar a ilustração Uma casa não é feita de paredes. Rendi-me assim que a encomenda chegou. Para ajudar no encanto, acrescentou mais duas ilustrações, o que me parece de uma tremenda generosidade.

   


Que fragmentos aleatórios destacariam?



«Uma casa não é feita de paredes»


Os almoços de domingo tornaram-se mais silenciosos, mais distantes, revestidos numa ausência que ainda pesa. Na televisão, ecoa um qualquer filme romântico da Fox Life e eu parei para ver, quando o protagonista afirmou que se podia colar o que foi quebrado. Será que podemos? Ficará tudo igual? É que o meu peito desfeito ainda procura formas de ser reconstruído.

Houve tanta coisa a mudar, rotinas que perderam sentido e até o silêncio deixou de ser confortável. Agora, agradeço a algazarra que me impede de afundar em pensamentos sombrios, mas nem sempre consigo estar presente no momento; muitas vezes, sinto-me só a existir fora do corpo, como se estivesse a assistir à realidade de longe. E agradeço o cuidado de não me resgatarem, de me deixarem só respirar à tona, respeitando um tempo que não sei quanto durará.

Durante a quadra natalícia, é tudo mais duro, mais angustiante. O lugar vazio é um lembrete constante de um futuro por acontecer. A casa já não é decorada a dia 8, é quando calhar, quando os dias são mais leves ou quando, sem justificações ou pedidos de permissão, chega alguém e resolve o assunto. Libertarem-me destas formalidades é refrescante e, acima de tudo, uma bênção, porque tu adoravas o Natal e eu não preciso de fingir forças que não tenho. Abrir a casa, assumindo que a vida prossegue, é o máximo que consigo dar.

As conversas sucedem-se, há diálogos que se atropelam e eu deixo-os por uns instantes. Preciso de sair, de estar longe desta felicidade onde sinto que não encaixo - ainda não. O céu está estrelado e os meus passos levam-me até ao único local possível. De olhar envergonhado, arranco margaridas de um jardim anexo e coloco-as sobre a tua campa. Nunca imaginei que este lugar de árvores frondosas se transformasse quase numa casa a céu aberto, para a qual regresso sempre que as saudades apertam. Feliz Natal, meu amor.


Feliz Natal a todos 🎄


- o Natal é mágico, mas nem sempre é uma quadra fácil, sobretudo, quando nos faltam pessoas à mesa ou a família não é um lugar seguro. Se precisarem de conversar, estou à distância de uma mensagem -

Fotografia da minha autoria



Uma viagem literária para descobrirmos autores portugueses

- a publicação contém links de afiliada -


A viagem do Alma Lusitana, em 2024, está quase a começar e os autores que a iniciam já foram incluídos na tbr de janeiro. Tal como mencionei nesta apresentação, tenho uma lista de nomes para descobrir e uma lista de nomes que já li e recomendo. Assim, vou conhecer Anabela Mota Ribeiro e recomendar Ricardo Araújo Pereira.


ANABELA MOTA RIBEIRO

Nasceu em Trás-Os-Montes, em 1971, e tirou o mestrado em Filosofia, na Universidade Nova de Lisboa. Jornalista freelancer, autora, apresentadora, programadora cultural e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra são áreas do seu entusiasmante currículo. A título de curiosidade, entre outros projetos, assinou a curadoria da Feira do Livro do Porto em 2017, 2018 e 2020, com José Eduardo Agualusa.

      

📖 O Sonho de Um Curioso;
📖 Mário Soares - O Que Falta Dizer;
📖 Paula Rego Por Paula Rego (wook | bertrand);


      

📖 A Flor Amarela (wook | bertrand);
📖 Por Saramago (wook | bertrand);
📖 Os Filhos da Madrugada 1 (wook | bertrand);


   

📖 Os Filhos da Madrugada 2 (wook | bertrand);
📖 O Quarto do Bebé (wook | bertrand).


RICARDO ARAÚJO PEREIRA

Nasceu em 1974 e é licenciado em Comunicação Social pela Universidade Católica. O seu percurso começou no jornalismo, mas também passou - e passa - pelo guionismo. É um dos fundadores dos icónicos Gato Fedorento, escreve para a Visão e para a Folha de S. Paulo e podemos vê-lo, aos domingos, na SIC, com o programa Isto é Gozar Com Quem Trabalha. Finalizo com a indicação de já ter uma vasta obra publicada.

LI E RECOMENDO

   

📖 A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram Num Bar (wook | bertrand);
📖 Estar Vivo Aleija;


   

📖 Idiotas Úteis e Inúteis (wook | bertrand);
📖 Ideias Concretas Sobre Vagas (wook | bertrand).

Outras obras do autor: 
O Futebol é Isto Mesmo | Gato Fedorento: O Blog | Boca do Inferno | Novas Crónicas do Inferno | A Chama Imensa | Mixórdia de Temáticas | Novíssimas Crónicas do Inferno | Mixórdia de Temáticas - Série Miranda | Reaccionário Com Dois Cês | Mixórdia de Temáticas - Série Lobato | Coisa Que Não Edifica Nem Destrói.


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