Entre Margens

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«Se eu viver na fantasia/na profunda convicção»


O primeiro semestre do ano trouxe-me descobertas literárias maravilhosas e leituras oscilantes - ora mornas, ora uma desilusão. Isso não me quebrou propriamente o ritmo, no entanto, admito que revirei os olhos algumas vezes. Antes de avançar para as histórias que me faltam conhecer, quero só fazer o ponto da situação.


 clubes e desafios de leitura

O meu bullet journal tem separadores para todos os clubes e desafios de leitura que pretendo abraçar. Para além de continuar a jornada pelo Alma Lusitana e de acompanhar o Livra-te, ainda que não seja tão regular, decidi selecionar 12 livros para ler em 2024 e aventurar-me a ler toda a obra de Djaimilia Pereira de Almeida.


 alma lusitana
A edição deste ano voltou a contar com 24 nomes e com a possibilidade de ter nomes extra. A diferença é que, desta vez, optei por ter 12 autores que nunca li e 12 autores que já li e recomendo. Até ao momento, li:

📖 O Quarto do Bebé, Anabela Mota Ribeiro;
📖 Reaccionário Com Dois Cês, Ricardo Araújo Pereira;
📖 Morte no Estádio, Francisco José Viegas;
📖 Mana, Joana Estrela;
📖 Uma Vida Assim-Assim, Cláudia Araújo Teixeira;
📖 O Caminho Imperfeito, José Luís Peixoto;
📖 Antes Que o Amanhã se Vista de Fogo, Cátia Cardoso;
📖 Supergigante, Ana Pessoa;
📖 Os Crimes do Verão de 1985, Miguel d'Alte;
📖 A Máquina de Escrever Sentimentos, Inês Meneses; 
📖 Do Outro Lado, Mafalda Santos;
📖 E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, Rui Cardoso Martins;
📖 Manual de Instruções, Nuno Markl;
📖 Terceiro Andar Sem Elevador, Susana Moreira Marques.


 ler djaimilia
Aventurar-me na obra de Djaimilia Pereira de Almeida era uma ideia que andava a ecoar em mim, há algum tempo, porque rendi-me à sua escrita assim que a li pela primeira vez. Como acredito que é uma autora que merece mais destaque, quis fazer a minha parte e lê-la. Todos os meses sorteio um título. Até agora, li:

📖 Ferry;
📖 Toda a Ferida é Uma Beleza;
📖 Ajudar a Cair;
📖 Regras de Isolamento;
📖 O Que é Ser Uma Escritora Negra Hoje, de Acordo Comigo;
📖 Os Gestos.


 12 livros para 2024
As minhas compras literárias andam mais controladas e conscientes. Ainda assim, ao olhar para as estantes de madeira, soube que havia livros que queria mesmo que fossem descobertos este ano. Até ao momento, li:

📖 Mar da Tranquilidade, Emily St. John Mandel;
📖 Impostora, R. F. Kuang;
📖 As Primas, Aurora Venturini;
📖 Véspera, Carla Madeira;
📖 Casas Pardas, Maria Velho da Costa;
📖 Da Próxima Vez, o Fogo, James Baldwin.


 clube do livra-te
Todos os meses, há duas propostas de leitura: uma da Rita da Nova e outra da Joana da Silva (e também há leituras conjuntas, exclusivas do discord). Embora não esteja em book buying ban, decidi que só participaria se já tivesse o livro ou, então, se a sinopse me arrebatasse. Por isso, não tenho sido tão regular. Até à data, li:

📖 A Casa Holandesa, Ann Patchett;
📖 Nadar no Escuro, Tomasz Jedrowski;
📖 Stoner, John Williams;
📖 Anatomia, Dana Schwartz;
📖 In Memoriam, Alice Winn.


 estante cápsula
Os livros que não foram destinados aos clubes/desafios de leitura encaixam neste separador e vão intercalando com os restantes. Este grupo conta com duas releituras e, até agora, a lista está assim:

📖 A Minha Andorinha, Miguel Esteves Cardoso;
📖 A Maldição de Rosas, Diana Pinguicha; 
📖 O Vestido de Noiva, Filipa Leal;
📖 A Solidão dos Inconstantes, Raquel Serejo Martins;
📖 Obras Completas Volume IV, Maria Judite de Carvalho;
📖 A Casa de Pineapple Street, Jenny Jackson;
📖 Rugas, Paco Roca;
📖 Vale a Pena?, Inês Fonseca Santos;
📖 A Época das Rosas, Chloé Wary;
📖 E Então, Lembro-me, Catarina Costa;
📖 Deus na Escuridão, Valter Hugo Mãe;
📖 Canção Doce, Leïla Slimani;
📖 Filhos da Chuva, Álvaro Curia;
📖 As Coisas Que Faltam, Rita da Nova [releitura];
📖 A Cicatriz, Maria Francisca Gama;
📖 Finalmente o Verão, Mariko Tamaki & Jilian Tamaki;
📖 A Importância do Pequeno-Almoço, Francisca Camelo [releitura];
📖 Um Preto Muito Português, Telma Tvon;
📖 Nini, Ticas Graciosa;
📖 Ode Triumphal à Cona, Cláudia Lucas Chéu;
📖 A Ilha das Árvores Desaparecidas, Elif Shafak;
📖 Devoção, Patti Smith;
📖 Merdas do Amor, Paulo Rodrigues;
📖 Vemo-nos em Agosto, Gabriel García Márquez;
📖 Quando os Rios se Cruzam, Rita da Nova;
📖 Olive Kitteridge, Elizabeth Strout;
📖 Utopia, Raquel Varela & Robson Vilalba;
📖 Ver no Escuro, Cláudia R. Sampaio;
📖 O Pequeno Amigo, Donna Tartt;
📖 Assim, Mas Sem Ser Assim, Afonso Cruz;
📖 Atirar Para o Torto, Margarida Vale de Gato;
📖 A Gorda, Isabela Figueiredo;
📖 Divisão da Alegria, Raquel Nobre Guerra;
📖 A Casa na Serra, Luís Bigotte de Almeida;
📖 Todos os Amanhãs, Mélissa da Costa;
📖 Deriva, Madalena Sá Fernandes;
📖 Amêndoas, Won-Pyung Sohn.


 algumas curiosidades

🔖 Reading Challenge 2024: A minha meta, no desafio do Goodreads, estava nos 38 livros e atingi-a a 28 de março, com o livro Nini, de Ticas Graciosa;

🔖 Dos 38 livros iniciais, já li 26;

🔖 Até ao final de junho, li 68 livros. Neste grupo, conto com 35 autores lidos pela primeira vez;

🔖 Djaimilia Pereira de Almeida foi a autora que, por motivos óbvios, li mais (6 livros);

🔖 Li mais em fevereiro (14 livros) e menos em maio (7 livros);

🔖 O romance foi o género literário que li em maior quantidade (32 livros);

🔖 Deixei de atribuir estrelas aos livros, mas abri uma exceção para Quando os Rios se Cruzam (Rita da Nova) e Deriva (Madalena Sá Fernandes) - ambos com 5 estrelas.


 as desilusões e os favoritos

É bastante cedo para fechar estas listas, mas tenho alguns títulos a destacar - sem qualquer ordem.

 as desilusões

📖 A Maldição de Rosas, Diana Pinguicha;
📖 Morte no Estádio, Francisco José Viegas;
📖 Filhos da Chuva, Álvaro Curia;
📖 O Caminho Imperfeito, José Luís Peixoto;
📖 Manual de Instruções, Nuno Markl.


 os favoritos

📖 Terceiro Andar Sem Elevador, Susana Moreira Marques;
📖 Ferry, Djaimilia Pereira de Almeida;
📖 Stoner, John Williams;
📖 A Casa Holandesa, Ann Patchett;
📖 Quando os Rios se Cruzam, Rita da Nova;
📖 Deriva, Madalena Sá Fernandes;
📖 Amêndoas, Won-Pyung Sohn;

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Gatilhos: Linguagem Explícita


A minha travessia pela poesia continua firme. Nem sempre regular, porque é um dos géneros que leio menos, curiosamente, mas não esmorece, porque quero descobrir novas vozes poéticas. Foi alinhada com este pensamento (e com uma promoção da Tinta da China) que decidi aventurar-me na obra da Margarida Vale de Gato.


uma leitura oscilante

Atirar Para o Torto é um dos títulos da Colecção de Poesia dirigida por Pedro Mexia. Dividido em quatro partes, foi escrito «ao abrigo de uma bolsa de criação literária do Ministério da Cultura/DGLAB» e apresenta um certo «formalismo informal».

Tenho de confessar que a leitura foi um pouco oscilante, isto porque houve poemas que me arrebataram profundamente, mas houve outros pelos quais passei sem me sentir a demorar. Todavia, achei interessante o contraste entre a aparente formalidade da linguagem e a necessidade de manter os temas próximos, pessoais e transversais.

«cada vez mais tarde
com estímulos e desconfiança
tu já não me encaras
tal como eu
peço o silêncio como casa»

Entre alguns jogos de palavras, encontramos questões quotidianas e algumas homenagens. Encontramos versos que nos remetem para memórias, para a infância, para a mulher, para a maternidade, para os amigos e amantes, para vícios, para questões climáticas, para Lisboa e o Alentejo e para o permanente desejo de ir.

O nosso caminho nem sempre é a direito, mas prosseguimos por rotas enviesadas. E, como refere Pedro Mexia, é «uma poesia de circunstância, talvez, mas que questiona a circunstância» e que a procura transcender «e virar do avesso». Na minha lista de poemas favoritos destaco: Vai Vagão, Atirar Para o Torto, Filhas do Clima e Contra.


🎧 Música para acompanhar: Amigos e Amantes, Jimmy P & D-Ro


Disponibilidade: Wook | Bertrand

Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand

Fotografia da minha autoria


«foste feita por gente crente noutra madrugada»


o piano continua a tocar e eu encostada à porta
há um certo conforto na reverberação
como se de um eco de cristal voltássemos ao presente
como se nos libertássemos da dormência que é
fechar os olhos e ficar apenas a escutar aquela melodia
que não compreendemos mas que nos norteia

desprendo-me do lugar onde fiquei
e avanço pela escadaria de madeira, antiga
em suplica como o meu peito ardente
tentando chegar ao topo da colina imaginária
onde de uma nuvem negra avisto o céu inteiro

o mundo não me estava a pesar
mas o silêncio gritou da sala
e a pergunta que ninguém fez desabou nos meus ombros
e eu que sei que a maldade não veio por arrasto
que veio só para tornar a distância leve
fez ricochete, relembrando o quanto tudo ficou parado em mim

o mundo não estava a pesar
mas esta narrativa de pontas soltas
fez-me afundar
que nem peso morto
entardecendo ao lado de um piano que agora
se fez mudo sem amparo
mas chegou a hora

Fotografia da minha autoria



As obras do Afonso Cruz são sempre um pedacinho de luz - ou não fosse ele um dos meus autores favoritos. Atendendo a que já li quase todas as suas obras de outros géneros, tenho-me dedicado a explorar as que se enquadram mais num público infanto-juvenil. E nunca fico menos fascinada por isso: 1) porque acho que ainda se desvaloriza muito o género, quando não é assim tão simples escrever para estas faixas etárias e quando têm tantas mensagens impactantes; 2) porque sou sempre surpreendida pela versatilidade do autor. Portanto, acrescentei outro livro à coleção.


as considerações de um misantropo

Assim, Mas Sem Ser Assim foca-se nas considerações de um misantropo. Estimulado pelo pai para sair de casa e comunicar com as pessoas, o nosso protagonista segue essa sugestão, até porque o pai «costuma dar bons conselhos e usa barba», e decide começar pelos vizinhos, cujas particularidades ficamos a conhecer pelo seu olhar.

A narrativa lê-se num sopro, no entanto, mostra-nos o poder que a comunicação tem na maneira como nos (des)encontramos com aqueles que nos rodeiam; mostra-nos como é muito fácil criarmos imagens que nem sempre são fidedignas e que poderiam ser desmistificadas se, de facto, conversássemos, se perdêssemos um bocadinho mais de tempo a olhar para o outro, em vez de estarmos apenas focados na nossa bolha.

É interessante como cabem tantas pessoas distintas no mesmo lugar (neste caso, um prédio) e como, dentro dessas diferenças, todas elas passam por fragilidades - também elas desiguais. Ou será que não são assim tão diferentes? Há coisas que nos acontecem, mas não porque o quiséssemos, e temos de as gerir. Talvez fosse melhor se não tivéssemos de o fazer sozinhos, talvez fosse melhor se olhássemos para o lado e conseguíssemos perceber que existem histórias que se repetem e que existem dores similares. Na realidade, por maiores que sejam os nossos problemas, e por mais que esta imagem não traga qualquer conforto, não somos os únicos a passar por eles.

«A minha inspiração não gosta de ter pessoas à volta. Quando alguém chega, ela desaparece»

Para além da reflexão anterior, achei curiosa a ideia de transformar: não só objetos, mas também palavras, porque podemos obter novos termos a partir das mesmas letras. Acho que isto traz esperança, porque temos a possibilidade de renascer. Nem sempre de um modo tão simples, mas, por vezes, basta mesmo mudar algo de lugar.

Assim, Mas Sem Ser Assim, com ilustrações incríveis, mostra-nos que nem tudo é como aparenta ser e que precisamos de aprender a observar para entender essas camadas.


🎧 Música para acompanhar: Passarinhos, S. Pedro

📖 Outros livros lidos: A Boneca de Kokoschka | Os Livros Que Devoraram o Meu Pai | O Pintor Debaixo do Lava-Loiças | Flores | Paz Traz Paz | O Macaco Bêbedo Foi à Ópera | Nem Todas as Baleias Voam | Princípio de Karenina | Vamos Comprar Um Poeta | Uma Dor Tão Desigual | Para Onde Vão os Guarda-Chuvas | O Vício dos Livros | Jesus Cristo Bebia Cerveja | Mar | O Livro do Ano | Sinopse de Amor e Guerra | Jalan Jalan | A Contradição Humana | As Reencarnações de Pitágoras | Arquivos de Dresner | Mil Anos de Esquecimento | Biblioteca de Brasov | A Recolha de Morel | A Flor e o Peixe | Deuses e Afins | Os Pássaros | O Cultivo de Flores de Plástico | Recolha de Alexandria | Leva-me ao Teu Líder | O Principezinho e a Mulher Mais Feia do Mundo


Disponibilidade: Wook (Livro | eBook) | Bertrand (Livro | eBook)

Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand

Fotografia da minha autoria


Junho chegou com a promessa de ser um mês feliz, a começar logo no primeiro dia, com eventos culturais e reencontros, uma celebração há muito aguardada e a noite mais longa do ano. E foi maravilhoso em todos eles. Só que, quando nos tiram o chão, tudo o resto parece ficar numa bolha.

No seu extraordinário Flores, Afonso Cruz escreveu que «morremos todos agarrados ao coração» e dá alguns exemplos nesse sentido, exemplos das várias mortes que ultrapassamos. O luto é uma delas e levará o seu tempo, porque simboliza uma perda - e nem sempre se regenera a parte que nos passa a faltar. Apazigua, de alguma maneira. Mas o processo de luto talvez seja sobre renascer. Um amanhã de cada vez.

Ainda que este ano não tenha sido literal, haverá sempre um manjerico a decorar a mesa. E guardo os fragmentos que romperam esta espécie de inverno que passou a habitar o lado esquerdo do peito. «Inté».


as coisas maravilhosas de junho


 os fragmentos

O mês começou com um almoço no Honest Greens. Já o tinha na lista há algum tempo e a vinda da Rita da Nova ao Porto, para apresentar o seu mais recente livro, foi a desculpa perfeita para, juntamente com a Sofia, o irmos descobrir. Gostei imenso do espaço, que é bem maior do que aquilo que parece, e da variedade da carta, que prima por ingredientes frescos, naturais e sem conservantes. O sonho de três «viajantes do mundo, cujos caminhos se cruzaram em Espanha» está a dar frutos e eu estou desejosa de regressar para experimentar outras iguarias. Para primeira experiência, optei pelo Honest Salmon, acompanhado-o com batatas assadas com maionese trufada e azeite. Está mais do que aprovado!

   

Socorro
Graças à apresentação de Quando os Rios se Cruzam, também fiquei a conhecer a Socorro, uma loja de discos, livraria e sala de concertos, localizada na Rua Guedes de Azevedo (Porto). João Pimenta e Artur Nogueira partilham o amor pela arte e o sonho de adolescência transformou-se em realidade, em 2023. Numa pesquisa rápida, achei curioso que Socorro seja, na realidade, «o nome de família do Artur», portanto, encontraram uma «forma de homenagear» as suas raízes. Este dado torna o conceito ainda mais distinto. O espaço é encantador e com uma ótima variedade de música, merch e livros. Além disso, sente-se o cuidado que têm em receber bem. Fiquei rendida e também já quero voltar.


A Francisca Camelo entrou em minha casa graças ao seu extraordinário A Importância do Pequeno-Almoço. Ainda não voltei a ler mais obras da sua autoria, mas tenho-a acompanhado em algumas entrevistas e podcasts. E, recentemente, decidi subscrever a sua newsletter. No número que recebi, focou-se na gordofobia internalizada, refletindo sobre questões de peso, de imagem, de autoestima. Não só acho extremamente importante conversarmos sobre o assunto, porque está longe de estar sarado e de não provocar traumas - sobretudo, nas mulheres -, como acho que a Francisca o abordou de uma maneira muito interessante.


as músicas e os álbuns

🎧 Espelho, Agir;
🎧 Não Mereço, Rita Onofre;
🎧 Even, Richie Campbell, Van Zee & Frankieontheguitar;
🎧 Porque Não Danças, Filipe Karlsson;
🎧 Melhor Para Mim, Zé Vargas & Tiago Leite


💿 Pele & Osso, Yuri NR5;
💿 quatro partos, Zé Menos & Pedro o Mau.


 as publicações

fala-me da saudade
é preciso que me fales da saudade
desse pretérito imperfeito onde já não cabe
o que de mim resta
e afogando a solitude
não fico porque sou de ir sempre mais longe
mas sou melhor quando ouço a tua voz

a vida não termina aos trinta [e a magia das primeiras vezes]
O fim não está escrito. Pelo menos, não o está escrito para todos da mesma forma. Mas, por qualquer razão que desconheço, a última etapa parece ter sido colocada nos trinta. Depois dessa barreira, o que resta? As dores de costas? O vazio? A constatação de já termos pouco a almejar? Subi mais dois degraus depois desta idade fatídica e, garanto, a vista não é perfeita, mas a vida está longe de terminar aos trinta.


 os filmes, as séries e os podcasts

Sempre
A nova série da RTP pretende contar seis histórias «cuja cronologia decorre entre a noite de 24 e a manhã de 26 de abril de 1974». Estou a gostar bastante da abordagem: não só pela dinâmica, não só por nos trazer momentos específicos do nosso passado, mas também por ter uma base de humor evidente. Até ao momento, foram exibidos quatro episódios (de seis). Quando terminar, farei uma publicação com a minha opinião.

Não Mandas em Mim
A Inês Lopes Gonçalves rendeu-se ao mundo dos podcasts e com um conceito que me pareceu curioso, porque, segundo a própria, «o podcast nasceu do paradoxo que é uma das palavras que mais gozo [lhe] dá dizer nesta vida ser simultaneamente uma das que [lhe] sai com mais dificuldade: não». Revi-me nessa dificuldade e, além disso, como gosto muito de ouvir a Inês, não podia perder a oportunidade de acrescentar este conteúdo à minha biblioteca do Spotify. No total, serão dez episódios nos quais falará com dez pessoas que admira, conversando sobre «liberdades e desobediências, o que os aperta e o que os liberta, o que querem fazer mais não podem, o que fazem mas não querem e o que fazem porque podem».

Vou Gravar o Teu Nome na Minha Rua
Jimmy P, em novembro de 2023, lançou a canção Girassol, na qual enaltece «as mulheres da sua vida». No entanto, esta celebração não se esgotou nesse momento e, agora, floresceu para um podcast, cujo propósito será homenagear mulheres da nossa sociedade, quer em relação à sua vida, quer em relação à sua obra. «Se as ruas servem para imortalizar que fez parte da nossa história», Vou Guardar o Teu Nome na Minha Rua pretende dar a conhecer «nomes que podem ser lá gravados». Assim, estará à conversa com figuras femininas que o inspiram e que, na primeira pessoa, nos farão chegar o seu percurso, as causas que abraçam e as dificuldades que encontraram ao longo do trajeto - sem esquecer «as formas como as ultrapassaram».


os livros

📚 alma lusitana
Manual de Instruções, Nuno Markl | Terceiro Andar Sem Elevador, Susana Moreira Marques

📚 ler djaimilia
Os Gestos, Djaimilia Pereira de Almeida

📚 12 livros para 2024
Da Próxima Vez, o Fogo, James Baldwin

Outros livros do mês: Divisão da Alegria (Raquel Nobre Guerra) | A Casa na Serra (Luís Bigotte de Almeida) | Todos os Amanhãs (Mélissa da Costa) | Deriva (Madalena Sá Fernandes) | Amêndoas (Won-Pyung Sohn)


 os momentos

Apresentação Quando os Rios se Cruzam
É sempre um privilégio escutar a Rita, porque é uma contadora de histórias nata. E ouvi-la a falar sobre Turim, sobre a pessoa que somos quando estamos em ambientes que não nos são familiares e sobre o próprio processo de escrita fez-me apaixonar um pouco mais pela narrativa. Além disso, gostei de ficar a conhecer a história da capa.

Foi mesmo interessante perceber como há tantas memórias que se cruzam e como, partindo de experiências de vida distintas, existem sensações transversais. Acredito que fomos todos encontrando pontos onde nos revemos, o que humaniza o que lemos e o faz viver para além da palavra. Ter esta sensação numa sala intimista como a da Socorro tornou o momento ainda mais especial, porque é uma partilha próxima.


Desconfia, Joana Marques
O maior evento de anti-ajuda do ano chegou à Invicta. E a prova de que estávamos todos a precisar de algo idêntico foi a afluência às bilheteiras online: tanto que temi que não fôssemos conseguir, mas, no fim, correu tudo bem. É que as coisas acontecem como têm de acontecer e, afinal, estava escrito nas estrelas irmos a este espetáculo - leiam sobre a minha experiência completa nesta publicação.

      

O Casamento do Ano
As palavras tornam-se escassas para falar sobre este momento tão bonito, até porque a felicidade estampada no rosto é impossível de descrever. Mas olhar para eles era o suficiente para perceber várias coisas, em particular duas: que tudo foi pensado para os representar ao milímetro e que desfrutaram bem deste dia. Sou mesmo sortuda por estar deste lado a acompanhar cada segundo e por ver esta história a crescer, desde aquela festa no Via Rápida - quem diria que nos traria aqui. Mas ainda bem que trouxe. Gosto muito da palavra pertença, porque nos traz um porto seguro, um sítio para onde podemos regressar. E eles são tudo isso: para ambos e para os seus. O que mais desejo é que sejam sempre felizes e que nunca deixem de ser casa.

      

O S. João, este ano, teve menos brilho, mas há colos que nunca nos falham.

   

O trajeto foi oscilante, mas terminou da melhor maneira: com o Porto Campeão Nacional em Hóquei.


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